28 de fevereiro de 2019

Tecnologias para capturar CO2 da atmosfera vão ter de ser integradas na política ambiental

EdifícioseEnergia - David Alfito
As tecnologias de emissões negativas (ou seja, tecnologias para remoção de dióxido de carbono da atmosfera) devem ser prioridades nas políticas ambientais e de clima do ano de 2019. Quem o diz é o EASAC - European Academies Science Advisory Council (Conselho Consultivo de Ciências das Academias Europeias, na tradução em português), que alerta para a necessidade de criar uma indústria destas tecnologias tão grande como a dos combustíveis fósseis.
 
De acordo com aquele organismo, que presta assessoria à União Europeia, e que é composto pelas academias científicas nacionais dos Estados-Membros, Noruega e  Suíça, é urgente tomar medidas neste sentido, inclusivamente usando as chamadas CCS - Carbon Capture Storage (tecnologias para capturar CO2 da atmosfera). Para o EASAC, a necessidade de desacelerar este problema obriga adoção de medidas essenciais na estratégia climática da União Europeia, já este ano e também no futuro.

“Como a mitigação do aquecimento, seguindo o Acordo de Paris, permanece inadequado, o desenvolvimento de tecnologias para fazer com que as emissões sejam negativas tem de aumentar”, exclama Michael Norton, professor e director da EASAC, “o desenvolvimento dessas tecnologias à escala requerida vai obrigar ao desenvolvimento de uma nova indústria da mesma dimensão da indústria do combustível fóssil. E a um grande desvio de recursos da economia. Para evitar estes problemas, a União Europeia deve olhar para aquelas tecnologias que tendem a ser relevantes para o futuro das indústrias europeias”.
 
Para o EASAC, a mitigação desta problemática deve ser de prioridade máxima. Atualmente, as tecnologias de emissões negativas ainda não estão totalmente desenvolvidas, mas, tendo em conta o nível atual de emissões de CO2 e os objetivos do Acordo de Paris, torna-se premente o avanço deste tipo de tecnologia e a sua inclusão nas estratégias climáticas futuras da União Europeia.

Recorde-se que, recentemente, investigadores da Universidade de Trent, liderados pelo professor Ian Power, conseguiram descobrir uma forma de produzir um mineral conhecido como magnesite e que consegue absorver o CO2 da atmosfera. A formação de magnesite é um processo que demora milhares de anos, mas os investigadores foram capazes de reduzir drasticamente esse tempo em laboratório (o tempo foi reduzido para apenas 72 dias), abrindo, assim, caminho a processos que permitam absorver o dióxido de carbono da atmosfera. De acordo com os resultados obtidos com aquela investigação, uma tonelada de magnesite tem capacidade para absorver cerca de meia tonelada de CO2.

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