01 de março de 2019

Duas novas pontes ligarão o Brasil ao Paraguai

Acordo assinado entre a Itaipu Binacional e os governos dos dois países prevê a construção de uma estrutura que ligará Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Presidente Franco, enquanto a outra ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta

Redação EC

Em dezembro de 2018, um acordo assinado entre a Itaipu Binacional e os governos do Brasil e Paraguai previu a construção de duas novas pontes que ligarão os países, no futuro, com os objetivos de melhorar a infraestrutura para o escoamento da produção agrícola e industrial, intensificar o comércio exterior e contribuir para o combate ao crime organizado.  A primeira delas, que será construída sobre o Rio Paraná, ligará Foz do Iguaçu (PR) e Presidente Franco, cidade vizinha a Ciudad del Este, enquanto a outra ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no território paraguaio.
 
A primeira obra, na verdade, foi contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), em 2014, mas o projeto não teve continuidade. Agora, será retomado com recursos da Itaipu. Segundo a Itaipu Binacional, o empreendimento tem custo previsto de R$ 302,5 milhões (considerando obras da estrutura e desapropriações), além de R$ 104 milhões para a construção de uma perimetral no lado brasileiro. A ponte será do tipo estaiada, com duas torres de sustentação de 120 metros de altura. O projeto prevê pista simples, com 3,70 metros de largura, com acostamento de 3 metros e calçada de 1,70 metro. A extensão é de 760 metros, com vão livre de 470 metros. A estimativa é que as obras sejam concluídas em até três anos.
 
A perimetral, por sua vez, terá 15 quilômetros e vai ligar a BR-277 à aduana da Argentina e à nova ponte. O valor de R$ 104 milhões contempla os custos do projeto, desapropriações, construção de quatro viadutos e duas aduanas (uma na cabeceira da nova ponte e outra na fronteira com a Argentina). Essa obra já foi licitada pelo Dnit, mas o resultado ainda não foi homologado. 
 
O diretor de Coordenação de Itaipu, Newton Kaminski, disse que a expectativa de é que as obras, tanto da nova ponte como da perimetral, comecem já em março de 2018, tempo necessário para que o Dnit conclua a licitação das obras complementares e faça a sub-rogação dos contratos para Itaipu. “O prazo previsto de conclusão é de 36 meses para a ponte e 24 meses para a perimetral”, disse.
 
Vale ressaltar que o acordo entre os dois países define que a margem paraguaia de Itaipu vai arcar com os custos de construção da ponte no Mato Grosso do Sul e a margem brasileira entrará com recursos para a ponte em Foz do Iguaçu. A expectativa é que a ponte no Rio Paraguai tenha as mesmas características e os mesmos custos das obras que serão realizadas no Rio Paraná.
 
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), Mario Humberto Marques, as duas ligações serão extremamente importantes. “A ponte a 8 km ao sul da Ponte da Amizade terá o objetivo de desafogar o trafego de caminhões que transitam por ela, deixando esta última somente para o trânsito de turismo e de passageiros realizado através de carros de passeios e ônibus. Já a ponte a ser construída entre Puerto Presidente Peralta e Porto Murtinho ficará a cerca de 550 Km (em linha reta) ao Norte da Ponte da Amizade, no estado do Alto Paraguai. Trata-se de uma das regiões menos desenvolvidas daquele país”, analisou.
 
Marques ressaltou, ainda, que o Paraguai, por ser um país insular, sempre dependeu fortemente das ligações rodoviárias, ferroviárias e aquaviárias do Brasil para ter acesso aos portos brasileiros do Atlântico, sobretudo para importação. “A possibilidade de criar uma ligação desta região do Brasil, através do Paraguai, até o porto de Antofagasta, no norte do Chile, é extremamente estratégico para os três países. O Paraguai e o Brasil terão um caminho mais curto para acessarem os países asiáticos. Além disso, o esgotamento das rodovias brasileiras e a precária situação das ferrovias criará uma alternativa mais econômica para exportação de commodities agrícolas de ambos”, finalizou. 

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