22 de março de 2019

USP receberá recursos para modernizar ensino de engenharia

Curso de Engenharia Química da Escola Politécnica foi selecionado para ação da Capes e Fulbright

Redação jornal USP
O projeto busca acompanhar a evolução de meios e métodos de ensino, novos materiais e a evolução de sistemas digitais, proporcionando oportunidades para que a formação dos estudantes seja mais adequada aos desafios que irão enfrentar em sua prática profissional – Foto: Anyusha/Pixabay
 
A Escola Politécnica (Poli) da USP foi uma das oito instituições de ensino superior brasileiras selecionadas para participar de um programa que financiará projetos de modernização para cursos de graduação nas áreas das engenharias.

O edital promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Comissão para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos da América e o Brasil (Fulbright) visa, entre outros aspectos, criar um ambiente propício para o desenvolvimento do pensamento criativo e da capacidade de inovação e de empreendedorismo dos graduandos em engenharia.

Uma equipe de diversos docentes da Poli, do Instituto de Física e do Instituto de Matemática e Estatística da USP, de várias áreas do conhecimento, concebeu um projeto para aperfeiçoamento do ensino nos primeiros anos da Escola, bem como nas disciplinas do curso da Engenharia Química, visando à modernização das técnicas de aprendizagem e dos espaços físicos de aula, e à melhoria na compreensão dos conteúdos pelos alunos.

A diretora da Poli, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, acredita que a qualidade da proposta levou à seleção do projeto, um dos oito escolhidos entre 52 propostas de todo o Brasil.

Liedi Bernucci é diretoria da Poli-USP – Foto: Cecília Bastos/USP Imagem
"As instituições de ensino estarão em contato com universidades norte-americanas e poderão apresentar suas experiências, discutindo sucessos e dificuldades, para que os resultados possam ser trocados entre as instituições nacionais, formando uma rede que poderá multiplicar este conhecimentos.”

Para alcançar os objetivos, o curso de Engenharia Química será repensado. Ao longo de oito anos, a Poli receberá recursos para investir em seus professores e apoiá-los no desenvolvimento das atividades. A estratégia será reforçar as práticas educativas que visem não só ao desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, mas também às competências. Isto envolve a integração entre disciplinas do curso e a interdisciplinaridade na abordagem dos tópicos de aprendizado, com articulação com os setores relacionados à engenharia química, como indústrias.

Entre as metodologias de ensino que podem ser aplicadas está a aprendizagem baseada em problemas, na sigla em inglês, Problem Based Learning (PBL), hoje utilizada em uma disciplina de processos químicos. O professor do Departamento de Engenharia Química, Ardson dos Santos Vianna Junior, cita também a abordagem CDIO (uma sigla para conceive, design, implement, operate), metodologia de ensino e aprendizagem focada na formação de engenheiros. “Com esta proposta, o ensino é voltado ao aluno, em desenvolver sua capacidade de resolver problemas e habilidades como criatividade e liderança.”

A diretora da Poli explica que, posteriormente, essas experiências serão expandidas para todos os 17 cursos de graduação, e o projeto prevê que a administração da unidade complemente os recursos financeiros em montante similar ao aplicado pela Capes e Fulbright (R$ 300 mil) e estabeleça mecanismos de reconhecimento e apoio aos docentes que desenvolverem atividades dentro desta proposta. Neste sentido, a diretoria executará as obras civis necessárias para criação dos ambientes pedagógicos desenvolvidos ao longo do projeto no curso de Engenharia Química e, após validação do modelo, pretende replicar os ambientes pedagógicos em toda a escola.

Os especialistas da tradicional instituição, fundada há 125 anos, explicam que a engenharia tem passado por um processo de grandes transformações, e sua definição clássica, de utilizar matemática e ciências naturais para resolver problemas, não consegue abordar os grandes desafios da sociedade que surgiram nas últimas décadas.

"Os problemas são cada vez mais complexos e intrinsecamente multidisciplinares, transcendendo as divisões clássicas de subáreas da engenharia. Isto requer ações articuladas, para que eles possam ser encarados".

O projeto busca acompanhar a evolução de meios e métodos de ensino, novos materiais e a evolução de sistemas digitais, proporcionando oportunidades para que a formação dos estudantes seja mais adequada aos desafios que irão enfrentar em sua prática profissional.

O curso indicado para o programa, de engenharia química, tem entre os seus diferenciais um formato que integra empresas e a instituição de ensino.

A ideia é a utilização de iniciativas já bem sucedidas na USP e também a criação de novos ambientes, como:
 
CRAI – Centro de Recursos para Aprendizagem e Inovação
 
Um novo modelo de biblioteca universitária que ofereça ao estudante serviços pedagógicos e recursos tecnológicos voltados à investigação e à experimentação. A proposta é fazer da pesquisa científica um instrumento de formação e fomentar iniciativas inovadoras e empreendedoras dos estudantes.

Coordenação: professor Celso Furukawa


Ambiente para Gravação de Videoaulas empregando LightBoard
 
O lightboard é uma técnica de gravação de videoaulas criada pelo professor Michael Peshkin, da Northwestern University. Consiste em uma lousa de vidro iluminada na qual o professor faz as anotações enquanto explica o conteúdo diante de uma câmera. Ela permite que o professor esteja de frente para a classe enquanto escreve. Com a técnica, o trabalho de edição é facilitado. Outros recursos, tais como slides, gráficos e até vídeos, podem ser incorporados à tela. Com o apoio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, um estúdio equipado com a lousa, iluminação e câmera de vídeo está sendo criado na Poli.

Coordenação: professora Leila Cristine Meneghetti Valverdes

Sala de Aula para Inovação
 
 
O objetivo é criar uma sala de aula ambientada para que alunos da graduação desenvolvam atividades de inovação em grupo, utilizando as mais modernas tecnologias de informação e comunicação. A ideia é que o local possa ser interligado remotamente a salas do mesmo tipo ou que possuam a mesma infraestrutura. Seu ambiente será reconfigurável e a sala vai funcionar como ambiente-modelo e de experimentação para que possa ser replicada em outros lugares.

Coordenação: professor Antonio C. Seabra

InovaLab@POLI – Química
 
Uma sala de inovação para o curso de engenharia química.

Coordenação: professores Fernando Josepetti Fonseca e Leopoldo Rideki Yoshioka
 

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