07 de junho de 2019

Vale diz que Paraopeba será recuperado e que São Francisco não será afetado

Segundo a Vale estudos mostram que a água já volta ao normal em algumas partes do rio Paraopeba

Redação por O Tempo
Rio Paraopeba afetado pelo rompimento da Vale em Brumadinho
Foto: Douglas Magno / AFP
 
A Vale, responsável pela Barragem I da mina Córrego do Feijão, que rompeu em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, divulgou uma nota nesta quarta-feira (5) dizendo que a água em alguns pontos do Paraopeba começou a voltar a sua condição original.

A área com maior turbidez concentra-se até 40 quilômetros da barragem. As análises da Vale e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) mostram que a pluma de sedimentos não atingiu o rio São Francisco, permanecendo no reservatório da Usina de Retiro Baixo, em Pompéu, a pouco mais de 300 quilômetros a partir da B1.

Desde o fim de março, o Igam não detecta níveis de mercúrio e chumbo acima dos limites legais. A presença desses metais pesados foi o que levou a autarquia estadual a proibir a captação direta da água do rio. A proibição ainda se mantém como medida preventiva.

Os dados acima foram apresentados no Seminário Técnico - Bacias do Rio Paraopeba e São Francisco, realizado no último dia 30, em Nova Lima (MG), que reuniu 185 especialistas da Vale, de órgãos públicos e representantes de consultorias ambientais e laboratórios contratados pela empresa.

Até o momento, foram realizados aproximadamente 1,4 milhão de análises de água, sedimentos e rejeitos, considerando 393 parâmetros. Além da análise da água superficial, também foram coletadas amostras em profundidade de dois metros. Os resultados são comparáveis às águas superficiais, estando dentro da normalidade.

O trabalho vem sendo conduzido por cinco laboratórios especializados, envolvendo aproximadamente 250 profissionais. A Coppe-UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro) foi contratada para avaliar a metodologia aplicada e fazer a validação dos dados já apresentados pelos laboratórios.

A recuperação ambiental depende de um conjunto de ações, entre as quais a contenção de rejeitos que estão próximos ao local onde ficava a estrutura. Duas das obras de contenção - uma estação de tratamento de água fluvial e um reservatório feito de cortinas de estacas-prancha - já estão em funcionamento. O objetivo é que tudo esteja pronto antes do período chuvoso, a partir de outubro.

Uma das certezas de que o rio pode ser recuperado veio dos testes de ecotoxicologia, que medem os efeitos dos elementos químicos em organismos sensíveis a alterações ambientais, presentes ao longo da bacia do Paraopeba e do rio São Francisco, incluindo sua foz. Até agora, foram realizadas 6 mil análises de ecotoxicidadade para água superficial e sedimentos. Os técnicos não detectaram alteração aguda em nenhuma das amostras dos cinco microrganismos analisados em água superficial.

A toxidade crônica nesses seres vivos, na água, ficou restrita à região do rompimento e aos primeiros 40 quilômetros do Paraopeba. Está relacionada, principalmente, a presença de sólidos em suspensão. Já em relação ao sedimento, os resultados apontaram toxidade crônica em 62% das amostras ao longo de todo o rio, incluindo pontos a montante da B1 e a jusante da Usina Hidrelétrica de Três Marias, locais não afetados pela pluma. Estudos em animais domésticos e culturas agrícolas que se encontram no entorno do rio e que tiveram contato com a água estão em desenvolvimento.

As maiores concentrações de metais estão correlacionadas ao posicionamento da pluma de rejeito, sendo predominantemente nos primeiros 70 km a partir da barragem.

Foram verificadas, porém, reduções nas concentrações dos metais em água nos últimos meses. Os resultados mostraram ainda que, mesmo sem a presença de qualquer influência do rejeito, os técnicos encontraram metais pesados no sedimento acima dos limites legais a jusante do reservatório da Usina de Três Marias.

Em sua apresentação no seminário técnico, a diretora do Igam, Marília Carvalho de Melo, disse que, atualmente, o órgão mantém 14 pontos de coleta ao longo do rio Paraopeba até Três Marias. Ela pontuou que a presença de metais pesados - chumbo e mercúrio - foi observada nos primeiros 40 quilômetros a partir da barragem.

Desde 26 de março, porém, não há mais registro pelo órgão de ocorrência desses metais acima dos limites legais.

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