26 de julho de 2019

Empresas apostam em compra de energias renováveis

CEBDS
 

As energias renováveis adquiriram papel estratégico para as empresas. Ainda mais entre aquelas em busca da redução de impacto do consumo de energia. A expectativa nos próximos anos, consequentemente, é de haver um provável aumento na busca de novas fontes que resultem em menor impacto ambiental.

Além de reduzir o uso de energia por meio de ações de eficiência energética, a compra corporativa de energia renovável desempenha um papel importante nesse contexto.

O consumo de energia vinda de fontes limpas tem demonstrado ser uma boa opção, principalmente por ser uma solução acessível para o comércio e a indústria. Por isso, tem sido a forma escolhida por muitas empresas para reduzir custos de energia e sua pegada de carbono. Esta é uma metodologia criada para medir as emissões de gases estufa, e também auxiliar no alcance de suas metas em sustentabilidade. 

Há uma série de possibilidades para as empresas consumirem energia renovável. Uma delas é a compra direta de contratos de desenvolvedores por meio de Power Purchase Agreements. Esse sistema também é conhecido como PPA. Outra alternativa é a compra de certificados de energia renovável. 

O CEBDS lançou recentemente uma publicação exclusivamente sobre esse tema. Trata-se do guia Por Que a Compra Corporativa de Energia Renovável é um bom negócio? O trabalho fornece um panorama sobre o uso de PPAs corporativos de energia renovável, com foco principalmente nas oportunidades que eles apresentam para empresas no Brasil.

O que são energias renováveis? 
Energias renováveis são geradas pelos recursos que são naturalmente reabastecidos e considerados inesgotáveis. Podem ser obtidas, por exemplo, por meio de fontes como hidrelétrica, eólica, solar e biomassa. Os esforços atuais se concentram nas energias eólica e solar, porque são mais abundantes no Brasil.

As hidrelétricas não são mais um foco porque podem causar impactos negativos no meio ambiente. A biomassa, por sua vez, ainda requer mais estudos e está um pouco mais distante de se tornar uma realidade.

O que é PPA?
O PPA é um contrato de energia elétrica, similar a um contrato regular no mercado livre. Estes acordos são assinados entre o comprador e o desenvolvedor do projeto. As condições negociadas abrangem preços, volume, período de entrega da energia, garantias/seguros, etc.

PPAs com compradores corporativos em geral são relacionados a projetos novos ou de expansão de energia renovável. Ou seja, empreendimentos que serão financiados com base nas receitas do contrato. Dados os requisitos para financiar grandes projetos de infraestrutura, em geral o termo de duração de um PPAs é de 8 a 20 anos. 

As empresas e os PPAs de energia renovável:
· Braskem e a parceria com a EDF Renováveis 
A Braskem se comprometeu a comprar energia eólica por 20 anos e assim ajudar a viabilizar a expansão do Complexo de Folha Larga. O empreendimento está sendo desenvolvido pela EDF Renewable do Brasil na Bahia, em um contrato estimado em R$ 400 milhões. Esse novo parque de energia renovável, localizado no município de Campo Formoso, a 350 km a noroeste de Salvador. Com isso, contribuirá para colocar a Bahia como provável líder no setor nos próximos anos.

A empresa se torna a primeira empresa no Brasil a aumentar o número de grandes corporações no mundo que utilizam os serviços da EDF Renewables. Fazem parte desse  grupo Google, a Microsoft, a Kimberly-Clark, a Salesforce, a Procter & Gamble, a Walmart e Yahoo.

· Banco do Brasil e PPA de 15 anos para 58 agências 
A empresa portuguesa de energia elétrica EPD venderá energia elétrica por meio de um PPA de 15 anos para as 58 agências do Banco do Brasil. O crescente modelo de PPA corporativa para projetos de energia solar em escala no país também foi confirmado por Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Solar Brasileira, Absolar. Em recente entrevista à revista pv, explicou como nove projetos fotovoltaicos com PPAs de 10 a 20 anos estão sendo planejados no Brasil.

· Ambev e a construção de 31 usinas de energia solar 
A Ambev assinou contratos com quatro diferentes parceiros para construção de 31 usinas solares até março de 2020. Dessa forma, faz parte de um esforço global da matriz, Anheuser Busch InBev. O objetivo é ter 100% da eletricidade utilizada em todas as operações da empresa no mundo proveniente de fontes limpas até 2025. Por isso, a Ambev pagará R$ 140 milhões ao longo de um período de 10 anos para os quatro parceiros. Estes, por sua vez, terão investido R$ 50 milhões na construção das 31 usinas solares.

“Funciona quase que como um aluguel e, ao fim do contrato de 10 anos, todas as usinas solares serão nossas”, disse o diretor de Sustentabilidade e Suprimentos da Ambev, Leonardo Coelho, em entrevista à Reuters. O projeto total requer 50 mil painéis solares, que juntos devem gerar 2.600 megawatts-hora (MWh) por mês. Dessa forma, buscará evitar a emissão de 2.900 toneladas de dióxido de carbono anualmente. 

· Heineken e a meta de 100% de renováveis no Brasil até 2023
A Heineken acompanha a tendência global no mundo corporativo, com cada vez mais empresas mirando fontes renováveis. A empresa inaugurou recentemente, por exemplo, um parque eólico no Ceará, com investimento de aproximadamente de R$ 40 milhões. A instalação produzirá energia suficiente para abastecer cerca de 30% do consumo das 15 cervejarias da marca no país. 

Atá 2023, a cervejaria pretende instalar caldeiras movidas a biomassa de madeira em todas suas cervejarias no Brasil para atender a meta. Até o momento, quatro unidades já utilizam a tecnologia. Outras duas irão começar a geração de energia própria ainda em 2019.

· Google utiliza apenas energias renováveis 
A Google começou em 2017 a operar 100% com  energia renovável e vêm demonstrando que não pretende diminuir esse ritmo. A empresa divulgou que manteve suas operações utilizando fontes solares e eólicas em 2018. Com isso, se tornou a primeira companhia no mundo a atingir essa taxa por dois anos seguidos. 

Segundo a empresa, graças aos avanços da inteligência artificial e da arquitetura dos chips, os seus data centers são sete vezes mais eficientes do que há cinco anos. Essas instalações consomem uma grande quantidade de energia para funcionar 24 horas por dia. Entre os motivos revelados pela empresa para o êxito dessa política está os PPAs. Os contratos são utilizados para compra de eletricidade de parques eólicos ou solares construídos perto das instalações. 

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