21 de agosto de 2019

Dizer que industrializar obra gera desemprego é mito

Seminário no Concrete Show reúne jovens empresários da construção civil dispostos a mudar paradigmas do setor

Portal Itambé - Altair Santos
Luiz Antônio Oliveira Rosa: industrializar o canteiro de obras é mudar as pessoas de posicionamento dentro da cadeia de produção
Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Um grupo de jovens empresários da construção civil reuniu-se no Concrete Show 2019 para apresentar práticas bem-sucedidas de industrialização no canteiro de obras. No seminário intitulado “A industrialização da construção civil: integração da indústria com a construtora”, eles mostraram o quanto é possível ganhar em produtividade e qualidade quando os projetos de engenharia e arquitetônico atuam integrados com o fabricante que irá fornecer materiais para a obra. Segundo os palestrantes, o elo entre quem projeta, constrói e fornece produtos possibilita industrializar o canteiro sem gerar desemprego.

Para o arquiteto Luiz Antônio Oliveira Rosa, que atua em Anápolis-GO, é mito dizer que industrializar o canteiro de obras é dispensar trabalhadores. “Pelo contrário, é eficiência. É mudar as pessoas de posicionamento dentro da cadeia de produção. Mas para que isso ocorra é preciso especializar a mão de obra e mostrar para ela como se trabalha com determinado produto, de acordo com os parâmetros das normas técnicas e as recomendações dos fabricantes. Para se ter mão de obra especializada não tem outro caminho: é treinamento, treinamento e treinamento, com baixa taxa de rotatividade no canteiro de obras”, afirma.

O arquiteto enumerou os desafios que boa parte dos que buscam industrializar seus canteiros de obras encontram no Brasil. Os principais são burocracia, carga tributária e questões culturais. “Mais de 80% das construções no país não usam engenheiros civis nem arquitetos. Mas estamos conseguindo reverter isso. De que forma? Mostrando que mão de obra especializada é menos força no canteiro de obras e mais motivação. Que é possível estreitar o relacionamento entre quem projeta e quem fabrica. Que o fabricante vende solução, e que, portanto, o produto dele pode ser bom para a obra”, diz.

Produtos do fabricante devem estar adequados com a ABNT NBR 15575 e demais normas técnicas

Resumidamente, Luiz Antônio Oliveira Rosa destaca que o conceito de engenharia e de arquitetura precisa estar integrado com os produtos do fabricante, os quais, consequentemente, devem estar adequados com a ABNT NBR 15575 (Norma de Desempenho) e demais normas técnicas. Para o arquiteto, a escolha de materiais com qualidade evita problemas de pós-obra e ajuda a construtora a cumprir suas 5 metas quando empreende um projeto, que é atender custo, prazo, estética, mercado e qualidade. “No entanto, já houve casos de construtoras que procuraram atingir estas metas fabricando, elas mesmas, blocos de concreto no canteiro de obras. Óbvio que não funcionou, pois ou a empresa é construtora ou é fabricante”, ressalta.

O recomendável, atesta, é que a opção seja por fabricantes credenciados por organismos como a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), no caso dos artefatos de cimento, e outros, quando envolvem materiais diferentes. São produtos chancelados por selos de qualidade, que no caso da ABCP é pioneiro na construção civil brasileira. Os fundamentos para a certificação nasceram em 1978, quando a indústria de cimento foi o primeiro segmento a obter a marca de conformidade da ABNT, criando as bases para os processos de industrialização nos canteiros de obras.

 
Entrevistado
Reportagem com base em palestra apresentada no seminário “A industrialização da construção civil: integração da indústria com a construtora”, dentro do Concrete Show 2019

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