Meio ambiente, legislação e requisitos

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Capítulo II:
Política internacional e nacional do meio ambiente

I   Licenciamento ambiental

Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de projetos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.

II  Licença ambiental

Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar projetos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.

III Estudos ambientais

São todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou projeto, apresentado como subsídio para a análise da Licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar (RAP), diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco.

IV Impacto ambiental regional

É todo e qualquer impacto ambiental que afeta diretamente (área de influência direta do projeto), no todo ou em parte, o território de dois ou mais estados.

 

A localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de projetos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como os projetos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis.

§1º Estão sujeitos ao licenciamento ambiental os projetos e as atividades relacionadas a seguir, parte integrante desta Resolução.

§2º Caberá ao órgão ambiental competente definir os critérios de exigibilidade, o detalhamento e a complementação da relação apresentada abaixo, levando em consideração as especificidades, os riscos ambientais, o porte e outras características do projeto ou atividade.

EXTRAÇÃO E TRATAMENTO DE MINERAIS

·        pesquisa mineral com guia de utilização;

·        lavra a céu aberto, inclusive de aluvião, com ou sem beneficiamento;

·        lavra subterrânea com ou sem beneficiamento;

·        lavra garimpeira;

·        perfuração de poços e produção de petróleo e gás natural.

INDÚSTRIA DE PRODUTOS MINERAIS NÃO METÁLICOS

·         beneficiamento de minerais não metálicos, não associados à extração;

·        fabricação e elaboração de produtos minerais não metálicos tais como: produção de material cerâmico, cimento, gesso, amianto e vidro, entre outros.

INDÚSTRIA METALÚRGICA

·       fabricação de aço e de produtos siderúrgicos;

·       produção de fundidos de ferro e aço/forjados/arames/relaminados com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia;

·      metalurgia dos metais não-ferrosos, em formas primárias e secundárias, inclusive ouro;

·      produção de laminados/ligas/artefatos de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia;

·      relaminação de metais não-ferrosos, inclusive ligas;

·      produção de soldas e ânodos;

·      metalurgia de metais preciosos;

·      metalurgia do pó, inclusive peças moldadas;

·      fabricação de estruturas metálicas com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia;

·      fabricação de artefatos de ferro/aço e de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia;

·      têmpera e cimentação de aço, recozimento de arames, tratamento de superfície.

INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE

·      fabricação de celulose e pasta mecânica;

·      fabricação de papel e papelão;

·      fabricação de artefatos de papel, papelão, cartolina, cartão e fibra prensada.

INDÚSTRIA MECÂNICA

·      fabricação de máquinas, aparelhos, peças, utensílios e acessórios com e sem tratamento térmico e/ou de superfície;

·      indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações;

·      fabricação de pilhas, baterias e outros acumuladores;

·      fabricação de material elétrico, eletrônico e equipamentos para telecomunicação e informática;

·      fabricação de aparelhos elétricos e eletrodomésticos;

·      indústria de material de transporte;

·      fabricação e montagem de veículos rodoviários e ferroviários, peças e acessórios;

·      fabricação e montagem de aeronaves;

·      fabricação e reparo de embarcações e estruturas flutuantes;

·      indústria de madeira;

·      serraria e desdobramento de madeira;

·      preservação de madeira;

·      fabricação de chapas, placas de madeira aglomerada, prensada e compensada;

·      fabricação de estruturas de madeira e de móveis.

INDÚSTRIA MECÂNICA

·      fabricação de máquinas, aparelhos, peças, utensílios e acessórios com e sem tratamento térmico e/ou de superfície;

·      indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações;

·      fabricação de pilhas, baterias e outros acumuladores;

·      fabricação de material elétrico, eletrônico e equipamentos para telecomunicação e informática;

·      fabricação de aparelhos elétricos e eletrodomésticos;

·       indústria de material de transporte;

·      fabricação e montagem de veículos rodoviários e ferroviários, peças e acessórios;

·      fabricação e montagem de aeronaves;

·      fabricação e reparo de embarcações e estruturas flutuantes;

·      indústria de madeira;

·      serraria e desdobramento de madeira;

·      preservação de madeira;

·      fabricação de chapas, placas de madeira aglomerada, prensada e compensada;

·      fabricação de estruturas de madeira e de móveis.

INDÚSTRIA DE PRODUTOS DE MATÉRIA PLÁSTICA

·      fabricação de laminados plásticos;

·      fabricação de artefatos de material plástico.

INDÚSTRIA DE BORRACHA

·      beneficiamento de borracha natural;

·      fabricação de câmara de ar e fabricação e recondicionamento de pneumáticos;

·      fabricação de laminados e fios de borracha;

·      fabricação de espuma de borracha e de artefatos de espuma de borracha, inclusive látex.

INDÚSTRIA QUÍMICA

·      produção de substâncias e fabricação de produtos químicos;

·      fabricação de produtos derivados do processamento de petróleo, de rochas betuminosas e da madeira;

·      fabricação de combustíveis não derivados de petróleo;

·      produção de óleos/gorduras/ceras vegetais e animais/óleos essenciais vegetais e outros produtos da destilação da madeira;

·      fabricação de resinas e de fibras artificiais/sintéticas e de borracha e látex sintéticos;

·      fabricação de pólvora/explosivos/detonantes/munição para caça-desporto, fósforo de segurança e artigos pirotécnicos;

·      recuperação e refino de solventes, óleos minerais, vegetais e animais;

·      fabricação de concentrados aromáticos naturais, artificiais e sintéticos;

·      fabricação de preparados para limpeza e polimento, desinfetantes, inseticidas, germicidas e fungicidas;

·      fabricação de tintas, esmaltes, lacas, vernizes, impermeabilizantes, solventes e secantes;

·      fabricação de fertilizantes e agroquímicos;

·      fabricação de produtos farmacêuticos e veterinários;

·      fabricação de sabões, detergentes e velas;

·      fabricação de perfumarias e cosméticos;

·      produção de álcool etílico, metanol e similares.

INDÚSTRIA DE COUROS E PELES

·      secagem e salga de couros e peles;

·      curtimento e outras preparações de couros e peles;

·      fabricação de artefatos diversos de couros e peles;

·      fabricação de cola animal.

INDÚSTRIA TÊXTIL, DE VESTUÁRIO, CALÇADOS E ARTEFATOS DE TECIDOS

·      beneficiamento de fibras têxteis, vegetais, de origem animal e sintéticos;

·      fabricação e acabamento de fios e tecidos;

·      tingimento, estamparia e outros acabamentos em peças do vestuário e artigos diversos de tecidos;

·      fabricação de calçados e componentes para calçados.

INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES E BEBIDAS

·      beneficiamento, moagem, torrefação e fabricação de produtos alimentares;

·      matadouros, abatedouros, frigoríficos, charqueadas e derivados de origem animal;

·      fabricação de conservas;

·      preparação de pescados e fabricação de conservas de pescados;

·      preparação, beneficiamento e industrialização de leite e derivados;

·      fabricação e refinação de açúcar;

·      refino/preparação de óleo e gorduras vegetais;

·      produção de manteiga, cacau, gorduras de origem animal para alimentação;

·      fabricação de fermentos e leveduras;

·      fabricação de rações balanceadas e de alimentos preparados para animais;

·      fabricação de vinhos e vinagre;

·      fabricação de cervejas, chopes e maltês;

·      fabricação de bebidas não alcoólicas, bem como engarrafamento e gaseificação de águas minerais;

·      fabricação de bebidas alcoólicas.

INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTARES E BEBIDAS

·      beneficiamento, moagem, torrefação e fabricação de produtos alimentares;

·      matadouros, abatedouros, frigoríficos, charqueadas e derivados de origem animal;

·      fabricação de conservas;

·      preparação de pescados e fabricação de conservas de pescados;

·      preparação, beneficiamento e industrialização de leite e derivados;

·      fabricação e refinação de açúcar;

·      refino/preparação de óleo e gorduras vegetais;

·      produção de manteiga, cacau, gorduras de origem animal para alimentação;

·      fabricação de fermentos e leveduras;

·      fabricação de rações balanceadas e de alimentos preparados para animais;

·      fabricação de vinhos e vinagre;

·      fabricação de cervejas, chopes e maltês;

·      fabricação de bebidas não alcoólicas, bem como engarrafamento e gaseificação de águas minerais;

·      fabricação de bebidas alcoólicas.

INDÚSTRIA DE FUMO

·      fabricação de cigarros/charutos/cigarrilhas e outras atividades de beneficiamento do fumo.

INDÚSTRIAS DIVERSAS

·      usinas de produção de concreto;

·      usinas de asfalto;

·      serviços de galvanoplastia.

SERVIÇOS DE UTILIDADE

·      produção de energia termelétrica;

·      transmissão de energia elétrica;

·      estações de tratamento de água;

·      interceptores, emissários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário;

·      tratamento de destilação de resíduos industriais (líquidos e sólidos);

·      tratamento/disposição de resíduos especiais tais como: de agroquímicos e suas embalagens dos serviços de saúde, entre outros;

·      tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos, inclusive aqueles provenientes de fossas;

·      dragagem e derrocamentos em corpos d'água;

·      recuperação de áreas contaminadas ou degradadas.

PROJETOS CIVIS

·      rodovias, ferrovias, hidrovias, metropolitanos;

·      barragens e diques;

·      canais para drenagem;

·      retificação de curso de água;

·      abertura de barras, embocaduras e canais;

·      transposição de bacias hidrográficas;

·      outras obras de arte.

TRANSPORTE, TERMINAIS E DEPÓSITOS

·      transporte de cargas perigosas;

·      transporte por dutos;

·      marinas, portos e aeroportos;

·      terminais de minério, petróleo e derivados e produtos químicos;

A licença ambiental para projetos e atividades consideradas efetiva ou potencialmente causadoras de significativa degradação do meio dependerá de prévio estudo de impacto ambiental e seu respectivo relatório sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), ao qual dar-se-á publicidade, garantida a realização de audiências públicas, quando couber, de acordo com a regulamentação.

Parágrafo único.

O órgão ambiental competente, verificando que a atividade ou projeto não é potencialmente causador de significativa degradação do meio ambiente, definirá os estudos ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento.

Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, órgão executor do SISNAMA, o licenciamento ambiental, a que se refere o artigo 10 da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, de projetos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, a saber:

I    localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe, no mar territorial, na plataforma continental, na zona econômica exclusiva, em terras indígenas ou em unidades de conservação do domínio da União;

II    localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais estados;

III   cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais estados;

IV  destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor material radioativo, em  qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN;

V    bases ou projetos militares quando couber, observada a legislação específica.

§ 1º  O IBAMA fará o licenciamento de que trata este artigo após considerar o exame técnico procedido pelos órgãos ambientais dos estados e municípios em que se localizar a atividade ou projeto, bem como, quando couber, o parecer dos demais órgãos competentes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, envolvidos no procedimento de licenciamento.

§ 2º  O IBAMA, ressalvada sua competência supletiva, poderá delegar aos estados o licenciamento de atividade com significativo impacto ambiental de âmbito regional, uniformizando, quando possível, as exigências.

Compete ao órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal o licenciamento ambiental dos projetos e atividades:

I      localizados ou desenvolvidos em mais de um município ou em unidades de conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal;

II     localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no artigo 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, e em todas as que assim forem consideradas por normas federais, estaduais ou municipais;

III    cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais municípios;

Parágrafo único.

O órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal fará o licenciamento de que trata este artigo após considerar o exame técnico procedido pelos órgãos ambientais dos municípios em que se localizar a atividade ou projeto, bem como, quando couber, o parecer dos demais órgãos competentes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, envolvidos no procedimento de licenciamento.

 

Compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos estados e do Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental de projetos e atividades de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem delegadas pelo estado por instrumento legal ou convênio.

Os projetos e atividades serão licenciados em um único nível de competência, conforme estabelecido nos artigos anteriores.

O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças:

I     Licença Prévia (LP)

concedida na fase preliminar do planejamento do projeto ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação;

II    Licença de Instalação (LI)

autoriza a instalação do projeto ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante;

III   Licença de Operação (LO)

autoriza a operação da atividade ou projeto após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.

Concedida na fase preliminar do planejamento do projeto ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação.

Parágrafo único

As licenças ambientais poderão ser expedidas isoladas ou sucessivamente, de acordo com a natureza, características e fase do oprojeto ou atividade.

O CONAMA definirá, quando necessário, licenças ambientais específicas, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou projeto e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação.

O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às seguintes etapas:

I       Definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença a ser requerida;

II      Requerimento da licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando a devida publicidade;

III     Análise pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA , dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando necessárias;

IV     Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da análise dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios;

V      Audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente;

VI    Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios;

VII   Emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico;

VIII  Deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando a devida publicidade.

§1º No procedimento de licenciamento ambiental deverá constar, obrigatoriamente, a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o local e o tipo de projeto ou atividade estão em conformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, quando for o caso, a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, emitidas pelos órgãos competentes.

§2º No caso de projetos e atividades sujeitos ao estudo de impacto ambiental - EIA, se verificada a necessidade de nova complementação em decorrência de esclarecimentos já prestados, conforme incisos IV e VI, o órgão ambiental competente, mediante decisão motivada e com a participação do empreendedor, poderá formular novo pedido de complementação.

 

Os estudos necessários ao processo de licenciamento deverão ser realizados por profissionais legalmente habilitados, às expensas do empreendedor.

Parágrafo único

O empreendedor e os profissionais que subscrevem os estudos previstos no caput deste artigo serão responsáveis pelas informações apresentadas, sujeitando-se às sanções administrativas, civis e penais.

O órgão ambiental competente definirá, se necessário, procedimentos específicos para as licenças ambientais, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade ou projeto e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de planejamento, implantação e operação.

§1º        Poderão ser estabelecidos procedimentos simplificados para as atividades e projetos de pequeno potencial de impacto ambiental, que deverão ser aprovados pelos respectivos Conselhos de Meio Ambiente.

§2º       Poderá ser admitido um único processo de licenciamento ambiental para pequenos projetos e atividades similares e vizinhos, ou para aqueles integrantes de planos de desenvolvimento aprovados, previamente, pelo órgão governamental competente, desde que definida a responsabilidade legal pelo conjunto de projetos ou atividades.

§3º        Deverão ser estabelecidos critérios para agilizar e simplificar os procedimentos de licenciamento ambiental das atividades e projetos que implementem planos e programas voluntários de gestão ambiental, buscando a melhoria contínua e o aprimoramento do desempenho ambiental.

O custo de análise para a obtenção da licença ambiental deverá ser estabelecido por dispositivo legal, buscando o ressarcimento, pelo empreendedor, das despesas realizadas pelo órgão ambiental competente.

Parágrafo único.

Facultar-se-á ao empreendedor acesso à planilha de custos realizados pelo órgão ambiental para a análise da licença.

O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de análise diferenciados para cada modalidade de licença (LP, LI e LO), em função das peculiaridades da atividade ou projeto, bem como para a formulação de exigências complementares, desde que observado o prazo máximo de 6 (seis) meses a contar do ato de protocolar o requerimento até seu deferimento ou indeferimento, ressalvados os casos em que houver EIA/RIMA e/ou audiência pública, quando o prazo será de até 12 (doze) meses.

§1º  A contagem do prazo previsto no caput deste artigo será suspensa durante a elaboração dos estudos ambientais complementares ou preparação de esclarecimentos pelo empreendedor.

§2º Os prazos estipulados no caput poderão ser alterados, desde que justificados e com a concordância do empreendedor e do órgão ambiental competente.

O empreendedor deverá atender à solicitação de esclarecimentos e complementações formuladas pelo órgão ambiental competente, dentro do prazo máximo de 4 (quatro) meses, a contar do recebimento da respectiva notificação.

Parágrafo Único

O prazo estipulado no caput poderá ser prorrogado, desde que justificado e com a concordância do empreendedor e do órgão ambiental competente.

O não cumprimento dos prazos estipulados nos artigos 14o e 15o, respectivamente, sujeitará o licenciamento à ação do órgão que detenha competência para atuar supletivamente, e o empreendedor ao arquivamento de seu pedido de licença.

O arquivamento do processo de licenciamento não impedirá a apresentação de novo requerimento de licença, que deverá obedecer aos procedimentos estabelecidos no artigo 10, mediante novo pagamento de custo de análise.

O órgão ambiental competente estabelecerá os prazos de validade de cada tipo de licença, especificando-os no respectivo documento, levando em consideração os seguintes aspectos:

I     O prazo de validade da Licença Prévia (LP) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao projeto ou atividade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos;

II     O prazo de validade da Licença de Instalação (LI) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do projeto ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos;

III    O prazo de validade da Licença de Operação (LO) deverá considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10 (dez) anos.

§1º     A Licença Prévia (LP) e a Licença de Instalação (LI) poderão ter os prazos de validade prorrogados, desde que não ultrapassem os prazos máximos estabelecidos nos incisos I e II

§2º    O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de validade específicos para a Licença de Operação (LO) de projeto ou atividades que, por sua natureza e peculiaridades, estejam sujeitos ao encerramento ou modificação em prazos inferiores.

§3º    Na renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou projeto, o órgão ambiental competente poderá, mediante decisão motivada, aumentar ou diminuir o seu prazo de validade, após avaliação do desempenho ambiental da atividade ou projeto no período de vigência anterior, respeitados os limites estabelecidos no inciso III.

§4º     A renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou projeto deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente

O órgão ambiental competente, mediante decisão motivada, poderá modificar os condicionantes e as medidas de controle e adequação, suspender ou cancelar uma licença expedida, quando ocorrer:

I    violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais;

II   omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença;

III   superveniência de graves riscos ambientais e de saúde.

Os entes federados, para exercerem suas competências licenciatórias, deverão ter implementados os Conselhos de Meio Ambiente, com caráter deliberativo e participação social e, ainda, possuir em seus quadros ou a sua disposição profissionais legalmente habilitados.



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