Planejamento estratégico e plano de negócios

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Capítulo V:
Fluxo de caixa

O fluxo de caixa tem como objetivo básico a projeção das entradas e das saídas de recursos financeiros para determinado período, calculado a partir do planejamento e do orçamento executado durante o processo licitatório, visando a prognosticar a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa no processo de construção de cada projeto no conjunto dos diversos projetos da empresa, além de servir como um instrumento de controle e de ajustes operacionais.

Nesta seção, estudaremos a maneira de relacionarmos as atividades de receita, o custo direto e indireto da obra, os custos da administração central, os demais custos e os impostos por meio do fluxo de caixa.

Este conceito é fundamental para que se tenha com segurança o resultado final do preço de venda da obra, para que as surpresas sejam eliminadas, ou mesmo controladas, durante o acompanhamento da execução da obra e, ainda, que se possam corrigir ou eliminar os desajustes do contrato.

Este conceito não é atual, porém sempre houve muita dificuldade da sua aplicação na construção civil.

O trabalho principal é executar o planejamento construtivo detalhado da obra, desde o processo licitatório até o operacional, e relacioná-lo ao seu custo real.

Desta forma, em consideração a maneira de suprir a obra e o pagamento dos insumos, isto é, equipamentos, mão de obra, materiais e todos os indiretos de uma obra, relacionando-os com o recebimento da mesma, que é função da forma de pagamento por parte do órgão contratante de recebimento pela execução dos seus serviços.

Conclui-se que, sem planejamento adequado, não há fluxo de caixa que resista, caindo facilmente em descrédito.

Na realidade, o fluxo de caixa no processo de construção torna-se bastante dinâmico e requer, com frequência, sua atualização em períodos que variam do trimestre podendo chegar ao mês.

A seguir, arrolam-se as principais considerações para se elaborar o fluxo de caixa na empresa:

·      proporcionar o levantamento de recursos financeiros necessários para a execução do plano geral de execução de cada obra ou projeto, de aquisição de um parque de máquinas, da compra de um terreno para incorporação e também da realização das transações econômico-financeiras pela empresa;

·      planejar e controlar os recursos financeiros de cada obra ou projeto da empresa, em termos de ingressos e de desembolso de caixa, pelas informações constantes de seus executivos responsáveis, nas projeções de receitas e despesas operacionais, assim como de dados relativos aos índices produtivos de cada evento, prazos médios de rotação de estoques, de valores a receber e de valores a pagar;

·      analisar as fontes de crédito que proporcionam empréstimos menos onerosos e, quando necessário, incluir seus custos no momento em que se esteja executando o planejamento do orçamento do projeto, caso haja necessidade de recursos da empresa;

·      buscar o perfeito equilíbrio entre ingressos e desembolsos de caixa da empresa, no momento em que se esteja executando o planejamento do orçamento, possibilitando saldar as obrigações assumidas de cada obra ou projeto da empresa na data do vencimento;

·      evitar desembolsos pela empresa, em época de baixo encaixe, porém, quando necessário, o fluxo de caixa deve permitir que se esteja atento ao fato, havendo tempo suficiente para as medidas necessárias, para que se possa recorrer antecipadamente a fontes externas de recursos financeiros;

·      auxiliar na análise dos valores a receber e sua relação com o estoque, a obtenção de lotes econômicos de aquisição de materiais e insumos, para que se possa julgar a conveniência em aplicar recursos financeiros nesses itens ou não;

·      empregar da melhor forma possível os recursos financeiros disponíveis na empresa, evitando que fiquem ociosos e estudando antecipadamente a melhor aplicação, o tempo e a segurança destes, por exemplo, na aquisição de uma série de equipamentos que visam a incrementar os negócios da empresa.

1 - o capital aplicado de R$ 1.780.000 tem retorno acima da aplicação financeira de mercado, em torno de 21,36%, o que cobre os riscos ambientais, inerentes neste tipo de atividade.

2 - possibilita à empresa a entrar no negócio de mineração:

·      proporciona o intercâmbio dos diversos departamentos da empresa, produção, manutenção, patrimônio, suprimento, recursos humanos e área de engenharia com a área financeira da empresa;

·      desenvolver o controle dos saldos de caixa e dos créditos a receber pela empresa, integrando todas as suas atividades, facilitando assim o controle financeiro;

·      permitir a coordenação entre os recursos que serão alocados em ativo circulante, vendas, investimentos e débitos;

·      providenciar recursos para atender aos projetos de implantação, expansão, modernização de seu parque de equipamentos, setor de informática  e escritórios;

·      fixar o nível de caixa, em termos de capital de giro, principalmente àquelas que exigem instalações de canteiros de obras sofisticadas, distantes de centros urbanísticos, e requerem também a mobilização de grandes quantidades de equipamentos, ou mesmo se estiver utilizando-se de novas técnicas construtivas;

·      o fluxo de caixa auxiliar na obtenção do valor de vendas de uma obra ou projeto, sua rentabilidade, proporcionando analisar a conveniência de serem comprometidos os recursos pela empresa.

Acrescenta-se que os executivos operacionais das obras, do patrimônio, dos investimentos e da empresa devem, além de desempenhar outras funções, considerar como atividade fundamental, para que se tenha êxito na execução de suas tarefas, os seguintes controles:

·      manter a empresa em permanente situação de liquidez, maximizar o retorno sobre o investimento realizado, administrar o capital de giro da obra/projeto/patrimônio e da empresa;

·      avaliar os investimentos realizados em itens do ativo permanente, estimar o provável custo dos recursos de terceiros a serem captados, analisar as aplicações financeiras mais interessantes para a empresa;

·      informar à alta administração as condições econômico-financeiras atuais e futuras da empresa, interpretar as demonstrações financeiras da empresa;

·      manter-se atualizado em relação ao mercado e às linhas de créditos oferecidas pelas instituições financeiras.

Cumpre destacar que, mediante um enfoque exclusivamente financeiro, detalhados no capítulo de noções básicas da contabilidade, temos que ter em mente as principais destinações da funcionalidade do capital investido, podendo-se afirmar que o capital investido tem três destinações básicas, a saber:

·      capital aplicado no ativo circulante, que será constituído por disponibilidades de caixa para atender as obrigações imediatas, créditos concedidos a clientes, estoques de produtos acabados, estoques de produtos em processamento, estoque de matérias-primas, estoques de materiais diversos;

·      capital aplicado em caráter permanente, que será constituído por antecipações em sociedades coligadas e controladas, aparelhamento técnico, industrial e comercial;

·      capital aplicado na produção, que será constituído por consumo de matérias-primas e materiais em geral, pagamento dos demais fatores de produção, como mão de obra, impostos, juros, dividendos e despesas em geral.

Acrescenta-se que o capital empregado na execução de obras, projetos, investimentos em equipamentos, retorna à empresa durante o seu ciclo de execução, produção e de seu recebimento.

A partir do diagrama do fluxo de caixa apresentado, pode-se esquematizar os principais capitais que fluem na empresa.

RECURSOS PRÓPRIOS:

·      recebimentos das vendas de produtos ou;

·      capital dos sócios ou dos acionistas;

·      reservas de capital;

·      lucros retidos;

·      venda de itens do ativo permanente;

·      outras receitas não operacionais.

RECURSOS DE TERCEIROS:

·      créditos concedidos por fornecedores;

·      créditos bancários (empréstimos);

·      créditos fiscais;

·      créditos previdenciários;

·      créditos bancários (financiamentos);

·      outros créditos.

1 - na hipótese contratual a empresa acumularia um saldo de caixa negativo no valor de R$ 100.000 no 2º mês do contrato.

2 - no real do contrato a empresa acumula um saldo de caixa negativo no valor de R$ 315.000 no 3º mês, portanto 3,5 vezes maior que o esperado.

3 - na hipótese contratual a empresa estaria com saldo de caixa negativo nos 3 primeiros meses, enquanto no real, todo o contrato estará no saldo de caixa negativo.

4 - a diferença de valores de rentabilidade sofre uma redução de 6,71%.

·       altos custos financeiros em função do planejamento operacional e controle de caixa irregulares;

·       insuficiência de capital próprio e utilização do capital de terceiros em proporção excessiva, em consequência aumentando o grau de endividamento da empresa;

·       ampliação exagerada dos prazos de vendas pela empresa, para conquistar o mercado.

Necessidade de:

·       diferenças acentuadas na velocidade dos ciclos de recebimento e pagamento, em função dos prazos de recebimento da fatura e de pagamentos dos fornecedores, da mão de obra e de equipamentos;

·       necessidade de grandes volumes de materiais, compras de porte, de caráter cíclico ou para reserva, exigindo maiores disponibilidades de caixa e que permanecem em períodos longos no estoque e nos processos de produção;

·       alterações dos prazos estabelecidos no planejamento do orçamento original, consequência de falta de projetos executivos, falta de verba dos órgãos governamentais ou particulares;

·       distribuição de lucros além das disponibilidades de caixa.

Em síntese, as principais alterações nos saldos de caixa decorrem de fatores externos e internos à empresa.

Quanto aos fatores externos temos:

·       declínio das receitas;

·       expansão ou retração do mercado;

·       elevação do nível de preço;

·       concorrência;

·       inflação;

·       alterações nas alíquotas de impostos;

·       inadimplência.

Ao que se refere aos fatores internos, uma vez que as decisões na maioria dos setores da empresa provocarão um impacto sobre o fluxo de caixa, é importante que o administrador financeiro seja capaz de reconhecer as consequências financeiras das alterações nas políticas de produção, de vendas, distribuição, compras, pessoal, etc.

As empresas equilibradas financeiramente apresentam as seguintes características:

·      há permanente equilíbrio entre os ingressos e os desembolsos de caixa;

·      tende a aumentar a participação de capital próprio em relação ao capital de terceiros;

·      é satisfatória a rentabilidade do capital empregado;

·      nota-se uma menor necessidade de capital de giro;

·      há uma tendência para aumentar o índice de rotação de estoque;

·      verifica-se que os prazos médios de recebimento e de pagamento tendem a estabilizar-se;

·      não há imobilizações excessivas de capital, nem ela é insuficiente para o volume necessário de produção e de comercialização;

·      não há falta de produtos prontos ou mercadorias para o atendimento de vendas.

Os requisitos para a implantação do fluxo de caixa são os seguintes:

·      apoio da alta cúpula diretiva da empresa;

·      organização da estrutura funcional da empresa com definição clara dos níveis de responsabilidade de cada área;

·      integração dos diversos setores e/ou departamentos da empresa ao sistema do fluxo de caixa;

·      definição do sistema de informações quanto aos tipos de informações, formulários a serem utilizados, calendários de entrega dos dados (periodicidade) e os responsáveis pela elaboração das diversas projeções;

·      treinamento do pessoal envolvido para implantar o fluxo de caixa na empresa;

·      criação de um manual de operações financeiras;

·      comprometimento dos responsáveis das diversas áreas, no sentido de alcançar os objetivos e as metas propostas no fluxo de caixa;

·      controles financeiros adequados, especialmente da movimentação bancária;

·      utilização do fluxo de caixa para avaliar com antecedência os efeitos da tomada de decisões que tenham impacto financeiro na empresa;

·      fluxograma das atividades na empresa, ou seja, definir as atividades-meio e as atividades-fim.

Devemos considerar, dentro de uma empresa, que cada obra ou projeto deva ter o seu próprio fluxo de caixa e que a somatória de todo o conjunto de obras formam o fluxo de caixa operacional de uma empresa.

Para o caso das empresas que trabalham com órgãos públicos e iniciativa privada, em que o objetivo é a execução da obra sem levar em consideração o processo de comercialização ou exploração deste, deveremos deslocar para a obra um capital imobilizado e o capital de giro para a sua execução em períodos relativamente curtos e de grande circulação operacional.

Neste caso, como descrevemos no início da apresentação de nossos trabalhos, a empresa de construção tem características bastante próprias e a principal é que o seu preço de venda está rigidamente determinado pelo sistema de concorrência de preço mínimo, no qual os licitantes apresentam formas diferentes de execução de uma obra semelhante.

Neste processo também se estabelece a forma de medição dos serviços a executar, o prazo de quando se deve emitir a fatura, assim como seu prazo de pagamento.

Para se caracterizar o fluxo de caixa da obra é necessário que se conheça muito bem os insumos que compõem os serviços, isto é, mão de obra, equipamentos, materiais, empresas auxiliares, etc.

Deve-se levar em consideração, também, todos os cursos indiretos da obra, tais como: acampamento, canteiro, transporte de pessoal, pessoal de nível médio e superior e todo o apoio necessário à execução do projeto.

Para cada obra devemos alocar a porcentagem destinada à administração central, regional, despesas financeiras, imprevistos técnicos, risco do cliente, lucro operacional, lucro líquido da empresa, assim como os impostos direto e indireto.

Partindo-se do custo direto planilhado, do custo indireto da obra e do custo eventual técnico, podemos formar o fluxo de caixa das despesas decorrentes da execução da obra.

Por outro lado, estas despesas correspondem a uma receita que está associada ao critério de medição e à sua forma de pagamento.

Nesta etapa estamos considerando as despesas e as receitas ditas como secas, sem levarmos em consideração o lucro operacional.

O princípio fundamental desta análise é concluirmos qual é o capital de giro necessário para a execução da obra e seus custos financeiros, que são gerados no decorrer de sua construção.

O nosso objetivo é considerarmos cada obra como um caso isolado dentro da empresa, o que difere um pouco do processo industrial, tendo em vista a velocidade com que um projeto pode entrar e sair de produção. Uma empresa de construção pode atingir um volume de negócios satisfatório dependendo do volume de contratos.



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