Ativos: manutenção e conservação

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Capítulo IV:
Manutenção e reparos de equipamentos

Esta é a designação das operações, no término das quais o equipamento volta ao local de trabalho.

Uma manutenção criteriosa e regular dos equipamentos e instalações em uma obra oferece tranquilidade na execução dos serviços, aumenta a produtividade e influencia os custos.

Os estudos de obras que envolvem equipamentos e que apresentam rendimento abaixo do planejado, no produtivo e econômico, mostram que, na maioria dos casos, a causa principal destas distorções reside nas paradas constantes durante o trabalho e nos equipamentos críticos que comprometem a estabilidade produtiva da equipe.

No planejamento, normalmente, admite-se que o equipamento trabalhe 70% a 80% do tempo disponível, fator suficiente para compensar as pequenas perdas de produção causadas por reparos inevitáveis.

A manutenção pode modificar a qualidade, produtividade e a forma de trabalho, equilibrando, ou não, o conjunto e definindo os custos operacionais.

A agilidade da ação da equipe de manutenção é indispensável na condução e no bom andamento dos serviços, necessitando, portanto, de mobilização de recursos de vulto na reposição de peças, na utilização de materiais, nos recursos humanos de especialistas e, dependendo de fatores e do vulto da obra, no próprio local do projeto.

Toda manutenção que atua diretamente ou indiretamente na obra deve ser considerada necessária, estudada, pensada, planejada, preparada, organizada, de acordo com o modo operacional, e amplamente pesquisada, de acordo com a cultura da empresa.

Tudo isto para ser aplicado ao complexo da obra com inteiro sucesso e ampla segurança, de forma que não se torne parte do caminho crItico e de estrangulamento na execução dos serviços.

Normalmente, nas decisões de escolha dos equipamentos, os responsáveis pelo setor de patrimônio de uma empresa participam de forma decisiva e de comum acordo com o pessoal responsável pelo planejamento da produção.

 

No planejamento e montagem de uma central de britagem de capacidade de 250 t/h, é necessário que se conheça, além dos dados básicos referentes à produção, tais como dimensões da brita, geologia do material, etc., os equipamentos individuais que a empresa pode colocar à disposição da obra e o estado em que se encontram, podendo ocorrer que a seleção do equipamento seja de maior capacidade, para que a manutenção seja a menor possível.

Na seleção dos equipamentos que deverão operar nas obras é importante que a equipe de manutenção oriente a equipe de produção que irá executar os serviços, de acordo com o grau de importância dos trabalhos e tempo de paralisação dos equipamentos, fornecendo alternativas para a execução.

A seguir, são descritas as principais atividades da manutenção, atuando diretamente nas obras, principalmente as isoladas da sede da empresa ou aquelas sediadas na área de rápida ação da equipe de manutenção, da matriz ou filial. O critério adotado nos diversos tipos de manutenção depende da cultura da empresa.

É a manutenção que se executa, independente do tempo, e tem por objetivo o retorno do equipamento ao serviço no menor prazo de tempo.

Devido à grande diversificação de equipamentos na construção, é normal a divisão da manutenção corretiva de acordo com o seguinte critério.

Tem a finalidade de reparar, entre outros, as máquinas de terraplenagem, de desmonte de rocha, etc. Neste setor estão designadas as seguintes seções:

Seção administrativa:

É a seção que verifica a utilização do pessoal na execução dos serviços e processa todas as requisições de peças e materiais normais de consumo.

Seção de motores:

Normalmente, as recuperações de motores de equipamentos pesados são executadas na sede da empresa, devido à utilização de peças especiais e serviços que requerem técnicas aprimoradas. Em obras de vulto é comum se manter motores de reposição em estoque. A função da oficina tem como objetivo reparos e substituição de peças externas do motor e serviços nos cabeçotes.

Seção de transmissão:

Parte também nobre dos equipamentos em que normalmente são feitos reparos comuns. Enviando-se as caixas de transmissão e conversores de torque para a sede da empresa, sua substituição nos canteiros de obra isolada é realizada através de caixas que se encontram em estoque.

Estes estoques dependem do número de equipamentos que se encontram lotados na obra, assim como a sua idade e seu processo de manutenção.

Seção elétrica:

Tem a finalidade de realizar a manutenção elétrica de todo equipamento pesado, tais como subestação, motores de partida, geradores, alternadores, enrolamentos de induzidos e bobinas, motores elétricos, etc.

Seção de solda:

É de atividade importante no campo da construção e especificamente na utilização de equipamentos pesados de terraplenagem e escavação em rocha, devido ao desgaste elevado das conchas de escavadeiras, carregadeiras, caçambas de caminhões fora de estrada, carcaças e motores diversos.

Seção de máquinas operatrizes:

Esta seção é composta de tornos, furadeiras, prensas, etc., que têm por objetivo a fabricação ou retificação de peças, incluindo-se os equipamentos pesados e os leves.

Seção de borracharia:

Devido aos elevados custos e dependendo do isolamento da obra é de grande importância. Realiza todo conserto de pneus, de máquina pesadas e leves.

Seção de equipamentos hidráulicos:

Atualmente os equipamentos pesados estão recorrendo à utilização cada vez em maior escala de equipamentos hidráulicos.

Normalmente se dá grande ênfase a esta seção, observando-se as seguintes áreas de reparos:

ü  máquinas de pneus;

ü  solda;

ü  máquina de esteira;

ü  montagem de motores;

ü  setor de elétrica;

ü  industrial;

ü  ferramentaria;

ü  setor de transmissão;

ü  lavagem de motores;

ü  setor de eletrônica;

ü  controles;

ü  sanitários;

ü  vestiários;

ü  setor de chefia.

Este setor cuida dos veículos e equipamentos considerados leves, e que normalmente dão apoio à execução dos serviços e da obra em geral, entre outros: caminhões-carroceria, caminhões-basculantes, caminhões com caçamba para concreto, caminhão-pipa, carro lubrificante, guindaste sobre pneus, carros, "dumpers", grua, etc.

Este setor, a exemplo da manutenção pesada, está dividido nas seções de motores, transmissão elétrica, solda e máquinas operatrizes.

Introdução

Este setor controla toda a vida útil dos equipamentos e decide as substituições e a manutenção das peças de reposição, procurando manter os equipamentos sempre em funcionamento, evitando a manutenção corretiva.

Inspeções

Tem a incumbência de inspecionar periodicamente freios, mecanismos de direção, cabos de tração e verificar procedimentos corretos com bom nível de produção e observância do repouso, de forma a dar total segurança à execução dos serviços e evitar qualquer tipo de acidente.

Este setor tem também a responsabilidade de controlar, periodicamente, a parte rodante dos equipamentos, que constituem parcela importante dos custos operacionais - esteiras, buchas, roletes, rodas de guia, aros segmentados, passo da esteira e sapatas, pneus, turbo alimentadores, etc., e acompanhamento de rendimento dos mesmos, determinando sua substituição ou troca das unidades, controles de serviços, verificação periódica do sistema de transmissão, motores, reapertos em geral, vazamentos, etc.

Testes

Modernamente, nas obras de porte, são estabelecidas sistemáticas que permitem detectar desgastes anormais de peças a partir de partículas sólidas presentes no óleo lubrificante, obtidas a partir da análise de uma amostra num espectro-fotômetro de absorção atômica.

A partir desta análise, pode-se intervir com segurança nas peças de um equipamento, prevendo e evitando danos de grandes proporções.

De forma abrangente, os testes têm os seguintes objetivos:

Motor - condições de compressão dos cilindros, temperatura adequada de trabalho, pressurização do radiador, testes de desempenho e de rack, etc.

Transmissão - condições de pressões hidráulicas de servo transmissão e verificação da pré-carga em comandos finais.

Sistemas hidráulicos - verificação das pressões dos vários sistemas hidráulicos dos equipamentos.

É muito importante a análise destes testes, pois as variáveis encontradas no processo da manutenção preventiva devem ser estudadas em conjunto com o planejamento e a parte produtiva da obra, definindo qual o procedimento a ser adotado.

Por exemplo: na região amazônica, é muito importante que se dediquem os meses de março e abril para as grandes atividades de manutenção dos equipamentos de terraplenagem, devido ao alto índice pluviométrico, de modo que os equipamentos estejam prontos para operar com plena eficiência entre maio e fevereiro, ou seja, no período denominado de seca.

Pneus

Atualmente, os pneus assumem proporções elevadas nos gastos dos equipamentos rodantes, sendo, portanto, necessária a máxima atenção à sua manutenção preventiva, a fim de prolongar o seu uso nos serviços e de forma a se evitar paralisações que comprometam o rendimento da equipe.

Este setor, por meio do controle individual de cada pneu, analisa a sua vida útil e procura diagnosticar falhas, defeitos ocasionados por erros de operação ou má conservação das pistas de rolamento.

Ocorrem casos em que pressões excessivas podem desestabilizar equipamentos, diminuindo o fator de segurança e provocando tombamento.

Neste setor é que ocorre a definição do tipo de reforma do pneu, ou seja, o processo de recapagem ou recauchutagem.

É a manutenção do tipo simples e requer colaboração do operador, envolvendo, entre outras, as seguintes funções:

ü  estrutura de proteção contra capotamentos;

ü  alarme auxiliar;

ü  cinto de segurança;

ü  faróis;

ü  detetor de fagulhas;

ü  silencioso no tubo de escape;

ü  protetor do carter e transmissão;

ü  tampa protetora do motor e protetores dos roletes da esteira do trator;

ü  tampas com trava para tanque de combustível hidráulico;

ü  protetor no painel de instrumentos e cabina;

ü  Limpador e lavador de pára-brisa;

ü  supressor de ruídos;

ü  buzina;

ü  grade protetora da colméia do radiador;

ü  tampa protetora do tubo de escape;

ü  contrapeso do chassi;

ü  pára choques traseiros;

ü  sistema hidráulico à prova de incêndio;

ü  emblema para veículo de baixa velocidade;

ü  contrapesos;

ü  freios de estacionamento;

ü  retardador;

ü  lâmpada de alarme e indicadores de direção;

ü  luzes indicadoras de direção;

ü  freios nas 4 rodas;

ü  extintor de incêndio.

São aquelas que não se enquadram nas manutenções mencionadas.

Neste setor podem ser enquadradas, por exemplo, as centrais de concreto, refrigeração e britagem, por serem equipamentos afins e exigirem pessoal especializado de manutenção.

·         setor elétrico

ü  componentes elétricos de corrente alternada;

ü  transformadores;

ü  enrolamentos de induzidos;

ü  redes de alta tensão;

ü  chaves compensadoras;

ü  quadros de comando;

ü  guindastes elétricos, etc.

·         setor hidráulico

Observando-se as seguintes áreas:

ü  rede hidráulica;

ü  redes de água potável e industrial;

ü  bombas d'água, etc;

ü  manutenção mecânica;

ü  calderaria;

ü  manutenção elétrica;

ü  manutenção de caçambas;

ü  manutenção de perfuratrizes;

ü  manutenção hidráulica e de ar comprimido;

ü  ferramentaria;

ü  controles;

ü  sanitários;

ü  vestiários.

·         Setor ar comprimido

ü  central e rede de ar comprimido;

ü  compressores fixos e portáteis;

ü  perfuratrizes, marteletes etc.;

ü  ferramentas pneumáticas.

lavagem e lubrificação

O indício seguro de uma boa manutenção é a limpeza dos equipamentos em uma obra.

Esta imagem não tem somente valor visual, mas, na realidade, traduz o cuidado e o carinho com o qual a equipe de manutenção e operação prima pelo patrimônio da empresa.

Em obras de porte é necessário que se tenham rampas de lavagem e de lubrificação, bem como uma boa localização no canteiro, devido ao grande volume necessário de água e depósito de óleo.

É de suma importância que se coloque à disposição de uma obra, na execução dos serviços, a quantidade necessária e suficiente de equipamento, de forma que não haja descontinuidade na execução do trabalho.

É importante que se defina a relação do tempo em que o equipamento estará à disposição da manutenção e a disponibilidade no trabalho.

Estas informações devem ser transmitidas por pessoal especializado, levando em consideração o histórico do equipamento e a sua futura aplicação, considerando que os reparos aumentam gradativamente com o passar do tempo de utilização, atingindo o máximo perto do fim da vida útil do equipamento.

Entre as decisões relevantes que a direção do patrimônio deve tomar, sobressaem as que dizem respeito à relação de equipamentos e a definição das alternativas de menor custo operacional, que têm influência direta no êxito econômico de uma obra.

A escolha definitiva deve levar em conta os diversos investimentos, confronto entre locação e compra de um equipamento, entre confecção e aquisição de uma peça e entre substituição e conservação de um equipamento. Para que uma obra execute os seus serviços economicamente é essencial um estoque adequado de peças e ferramentas, evitando-se paradas desnecessárias que oneram em demasia a execução dos eventos, comprometendo o andamento global da obra.

Um equipamento pode ser utilizado com apoio do sistema de manutenção adequada, proporcionando um mínimo custo de reparos, máxima produtividade e retorno do investimento.

De forma geral, para a determinação dos custos horários dos equipamentos é necessário conhecer:

1 - Valor de aquisição

2 - Valor de depreciação

3 - Valor da manutenção corretiva e preventiva

4 - Previsão das horas efetivas de trabalho anual

5 - Vida útil

6 - Valor da mão de obra de manutenção e as taxas de administração

7 - Custo do investimento

8 - Valor da taxa de administração sobre o investimento

9 - Custo de operação do equipamento

10- Custo da energia para movimentação do equipamento

11- Custos de lubrificação e taxas de administração

12- Custos da taxa de administração global dos equipamentos

É necessário que se conheça o estado real do equipamento a ser selecionado, custos de operação e de manutenção, a fim de que a produtividade e o preço de comercialização de  um determinado serviço não seja prejudicado.



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