Ativos: manutenção e conservação

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Capítulo XII:
Monitoramento, metologia e plano de trabalho de projetos

·    o plano de inspeções visa integrar, automaticamente, cadastro e análise das construções (obras), equipamentos  dos projetos que os compõem , vindo a se constituir em uma metodologia capaz de monitorar convenientemente as estruturas, equipamentos e seus componentes, com o planejamento e a execução de sua manutenção, conservação, melhoramentos, reparos, reforços, recuperação e protecão, bem como na sua adequação às crescentes e dinâmicas exigências de desempenho estrutural, estético e funcional requeridas.

·       para implementação do plano de ação, será inicialmente necessário conhecer todas as interdependências, nos seus mais diversos aspectos, sejam cadastrais, estruturais ou funcionais.

·       as inspeções do projeto terão como objetivos principais:

ü     tomar conhecimento do problema, no que diz respeito à identificação e caracterização da cada parte constituinte dos trabalhos que serão realizados (e suas inter-relações), quanto aos principais fatos que irão requerer intervenções preventivas e corretivas a médio e longo prazo, apresentando as linhas alternativas e complementares de ações para corrigí-las ou para a prevenção das mesmas.

      Serão assim analisadas quanto às opções técnicas de métodos, de materiais, de equipamentos, etc., e quanto às suas vantagens em termos a promoção de melhores padrões de eficiência e eficácia para os agentes envolvidos, considerados os aspectos de engenharia e de economia.

      Elas devem também permitir que sejam previstas eventuais dificuldades que poderão surgir na fase de implantação das intervenções, indicando os meios que deverão e poderão ser mobilizados para superá-las;

ü      permitir elaborar um Plano de Manutenção do Empreendimento (PME), para assegurar o funcionamento adequado e a durabilidade dos mesmos, prolongando a vida útil das estruturas, dos equipamentos mediante sua protecão física, evitando-se a destruição de suas partes, que acarretariam a necessidade de posterior reabilitação ou recuperação;

ü      verificação da integridade física das construções e dos equipamentos;

ü      verificação do modelo estrutural;

ü    verificação das principais dimensões, no caso das construções com projeto estrutural conhecido, ou levantamento cadastral geométrico, no caso de inexistência desse projeto;

ü     fazer um levantamento completo de todas as anomalias existentes, quer sejam decorrentes de erros de projeto, execução, utilização ou manutenção, ou de danificações, caracterizando o quadro patológico encontrado, e fazendo a estimativa da incidência de manifestações patológicas, por construção vistoriada, para que se possa quantificar os serviços necessários ao seu reparo, reforço ou recuperação;

ü      por exemplo, nas obras de arte, vistoria dos aparelhos de apoio, juntas de dilatação, drenagem de pista e seções celulares, guarda-rodas, guarda-corpos, passeios, etc.;

ü      por exemplo, nas rodovias, verificação dos aterros de acesso e encontros, com eventuais ocorrências de desníveis no pavimento, recalques, solapamentos ou carreamentos de solo do terrapleno ou dos taludes laterais, drenagem desses taludes, etc.;

ü      registrar fotograficamente e realizar filmagens das construções, seus equipamentos e seus detalhes mais importantes, bem como suas anomalias;

ü     avaliar o comportamento das estruturas, aparelhos de apoio e encontros, quando em utilização, pela  passagem de veículos de carga e de passageiros;

ü       avaliar a adequação da construção ao obstáculo a ser transposto, por exemplo, no caso de rios, através da verificação dos gabaritos e dados de vazão, bem como das áreas atingidas pela elevação das águas;

ü       permitir a criação e a alimentação de um banco de dados informatizado, que contenha todas as informações disponíveis a respeito das construções, equipamentos, instalações, entre outros, tanto nos aspectos de sua concepção, projeto, execução, manutenção e utilização, como também da facilidade e praticidade de sua operação nos serviços de atualização e de elaboração de novos dados, e que norteará todas as ações preventivas e corretivas a serem implementadas ao longo da vida útil das estruturas e dos equipamentos.

·      os dados necessários para a caracterização do quadro patológico instalado, e sua posterior análise e diagnóstico, serão obtidos da pesquisa dos seguintes elementos, entre outros tantos:

ü      fissuras;

ü      segregação do concreto;

ü      desplacamentos do concreto;

ü      corrosão das armaduras;

ü      exposição de bainhas e cordoalhas;

ü      lixiviação superficial do concreto;

ü      deformações excessivas: flechas, desalinhamentos, desaprumos, desnivelamentos, etc.;

ü      travamentos de aparelhos de apoio;

ü      ausência ou insuficiência de drenagem de pista e de taludes dos encontros;

ü      ausência ou insuficiência de proteção vegetal ou outra, nos taludes dos encontros;

ü      ausência ou insuficiência de proteção de peças da meso ou superestrutura (pilares e vigas, principalmente), contra impactos de veículo;

ü      deterioração dos pavimentos;

ü      comportamento da estrutura;

ü      medições sistemáticas das principais peças;

e para as edificações, consideram-se entre outras tantas:

ü       estrutura;

ü       alvenaria;

ü       revestimentos;

ü       impermeabilizações;

ü       esquadrias;

ü       cobertura;

ü       paisagismo;

ü      instalções: elétricas: hidráulicas; gás; sistema proteção contra descargas atmosféricas (SPDA); telefonia; automação; proteção contra incêndio; ar condicionado; segurança patrimonial; iluminação de emergência;

ü     máquinas e equipamentos: elevadores; caldeiras; geradores; pressurizadores; bombas e filtros; automação de portões;

ü  play ground; churrasqueiras; saunas; equipamentos de ginástica; sala de cinema;  heliponto; adegas; piscinas; lixeiras.

e para barragens, portos, hidroelétricas, consideram-se entre outras tantas, como medidas de segurança: confiabilidade das estruturas;  percolação; deformações; deterioração dos taludes, o controle das seguintes estruturas:

ü     bacia hidrográfica, afluentes, vazão de regularização, volume morto;

ü     taludes de jusante e de montante;largura de coroamento; cota de coroamento; fundações;

ü     aterro; enrocamento;

ü     soleira;

ü     comportas do vertedouro e da tomada d'água;

ü    percolação: sistema de drenagem; áreas alagadas; áreas de juzante dos taludes e ombreiras;

ü    comportas: sistema de acionamento;

ü    geração de energia:reatores, pás das turbinas;

ü     subestação: linhas de transmissão;

ü     cais de atracamento: estruturas de concreto, destacando-se as estruturas submersas;

ü     canais de irrigação, destacando-se as percolações.

·      junto com outros elementos, constituem-se os principais sintomas de manifestação de um fenômeno patológico, que poderá ser facilmente detectado, na maioria dos casos, por meio da simples observação a olho nu, sendo então registrados fotograficamente;

·      além dos elementos acima citados, nas obras para as quais forem julgados necessários, serão realizados ensaios para a determinação da espessura de carbonatação do concreto, visando obter-se parâmetros de avaliação da durabilidade de suas estruturas.

·      as vistorias preliminares e cadastrais das estruturas das obras de arte especiais serão realizadas por corpo técnico qualificado, e consistirão em inspecionar, pelas partes externas, os diversos pontos da super e da meso estruturas possíveis de se acessar por meio da observação a olho nu e da utilização de instrumentos específicos, tais como aparelhos éticos de precisão e de medição, procurando realizar um exame detalhado, representativo, de todas as partes aparentes dessas estruturas.

·      todas as vistorias de campo, quer sejam para coleta de dados cadastrais, quer sejam feitas para a avaliação do estado de conservação e do quadro patológico da obra, serão devidamente registradas em planilhas ou fichas anagráficas específicas, do tipo "check-list", em padrão previamente definido, que possibilite sua entrada direta no Banco de Dados a ser criado, dentro do plano de gerenciamento e monitoramento das obras de arte, permitindo também, a sua constante atualização.

·      adotando este procedimento, entende-se que será possível obter as principais informações para a análise e diagnóstico preliminares do quadro patológico apresentado por cada obra, permitindo assim a avaliação correta das recomendações terapêuticas e corretivas necessárias.

·      vale a pena lembrar neste ponto, que é de grande importância para a orientação e a fixação das diretrizes destes trabalhos, serem analisados e considerados diversos documentos existentes e as experiências já adquiridas nesse setor, dos quais citamos como exemplos :

ü       norma brasileira "NBR 9452 - Vistorias de Pontes e Viadutos de Concreto", da ABNT;

ü      recomendações contidas na norma interna do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem -"DNER - PRÓ - OA 49 - 78 - Vistoria de Pontes e Viadutos de Concreto Armado e Pretendido -Procedimento";

ü      recomendações da norma brasileira NBR 7187 - Projeto e Execução de Pontes de Concreto Armado e Pretendido;

ü      "Norma de Procedimento  para Apresentação de Estudos   Técnicos  para Viabilização e Acompanhamento do Transporte de Cargas Excepcionais" - EXP. 413/AET/1985, do Departamento de Estradas de Rodagem - DER;

ü      "Especificação Técnica para Inspeção e Avaliação Estrutural / Funcional de Obras de Arte Especiais de Concreto Armado e Pretendido - ET-C01/007, SET/95", da DERSA/SP;

ü       experiência de diversos técnicos nacionais no campo de Patologia de Estruturas;

ü      outras experiências importantes.

·      a formulação e implantação desse programa implica a criação de um banco de dados:

ü      informatizado específico

ü  abastecido, inicialmente, pelas informações colhidas nos arquivos da empreendedora, e depois complementado pelas informações colhidas em vistorias cadastrais, rotineiras ou especiais, pelos estudos e relatórios produzidos, pela classificação conferida a cada projeto, pelos registros de intervenções, pela programação atualizada da avaliação e manutenção das obras de arte e pelos demais registros provenientes de todas as atividades previstas no escopo da manutenção.

·      esse banco de dados deverá também conter:

ü     os desenhos de projetos de engenharia e arquitetura;

ü     os respectivos memoriais;

ü     o registro dos defeitos ou avarias existentes ou já corrigidos;

ü     o histórico das vistorias;

ü     as intervenções realizadas;

ü     a situação de desempenho atual das construções, edificações prediais, obras de arte especiais (OAEs).

·      os diversos tipos de vistorias, bem como o seu histórico, também fornecerão os elementos de campo necessários para:

ü       a realização de estudos;

ü       a análise dos dados elaborados;

ü       a recomendação de providências;

ü      que se chegue à conclusão do estado geral das pontes, viadutos, passagens inferiores ou superiores e passarelas de responsabilidade do empreendedor;

ü       a compilação das documentações e reunidas nos estudos que gerarão os relatórios, os quais serão dirigidos para o seu adequado destino, sendo também providenciado o correspondente arquivamento no banco de dados;

ü para atingir esse objetivo, essas atividades serão desenvolvidas de acordo com as seguintes etapas principais:

Ø    criação do banco de dados;

Ø    elaboração do plano de manutenção das edificações prediais / OAEs;

Ø    definição dos critérios para a avaliação estrutural;

Ø    definição dos critérios para a avaliação funcional;

Ø    definição dos critérios para a avaliação de vida útil;

Ø    elaboração dos relatórios preliminares;

Ø    elaboração dos relatórios de estudos das anomalias;

Ø    elaboração dos relatórios de ensaios tecnológicos;

Ø    elaboração dos relatórios de diagnóstico técnico.

·       a norma técnica brasileira NBR 9452 - Vistorias de pontes e viadutos de concreto, fixa as condições exigíveis para a realização de vistorias em pontes e viadutos de concreto, bem como para a apresentação dos resultados destas vistorias.

·       os principais tópicos e os anexos dessa norma são :

ü  tipos de vistorias;

ü       vistoria cadastral;

ü       vistoria rotineira;

ü       vistoria especial;

ü       roteiro básico para vistorias de pontes e viadutos de concreto;

ü       fluxograma de vistoria especial;

ü      a obediência às condições estabelecidas por esta norma constitui o ponto de partida dos trabalhos de elaboração de documentos para a consecução do objetivo do monitoramento.

·      o banco de dados previsto na formulação e implantação do programa de avaliação e diagnóstico das obras de arte especiais deve ser informatizado, com a elaboração de "software" específico e com equipamentos de informática de última geração.

O Plano de Manutenção a ser elaborado conterá:

·       uma metodologia de avaliação sistemática, bem como de atualização do banco de dados;

·       incluirá a elaboração de programações de monitoramento das obras de arte especiais, dando destaque para aquelas consideradas estruturalmente problemáticas e/ou situadas em pontos estratégicos do projeto;

·       proporcionará condições para monitoramento "online".

Para a elaboração desse plano serão executadas as seguintes atividades básicas:

·         reesquematização dos trabalhos;

·         pesquisa de documentos e trabalhos diversos;

·         elaboração do esquema do plano;

·         desenvolvimento das partes do esquema;

·         reunião de avaliação e autocrítica;

·         reformulação do plano;

·         envio para a análise da direção da empreendedora;

·         formulação final inicial do plano;

·         agregação futura da experiência adquirida na aplicação do mesmo.

Esse plano será elaborado, periodicamente, obedecendo:

·       as diretrizes ditadas pelo plano genérico de manutenção.

A padronização contida nessas diretrizes facilitarão sobremaneira a elaboração de cada Plano Periódico, uma vez que a mesma abrangerá:

·       os critérios de avaliação estrutural e funcional das OAEs;

·       os critérios para as intervenções especiais;

·       as instruções para a manutenção rotineira;

·       e as demais prescrições genéricas.

Assim sendo, o plano específico será elaborado com o desenvolvimento das seguintes atividades:

·       apreciação crítica dos resultados obtidos no desenvolvimento do plano periódico anterior;

·       adoção do esquema de trabalho estabelecido no plano genérico;

·    inserção nesse esquema de todos os dados técnicos atualizados e registrados no banco de dados, que sejam necessários ao monitoramento das OAEs consideradas, acompanhados das previsões de custo para as intervenções especiais;

·       avaliação das prioridades, considerando também aspectos atuais, do ponto de vista social;

·       definição ou redefinição da periodicidade das vistorias;

·       elaboração de instruções específicas;

·       compilação e relacionamento de todos os documentos técnicos a serem utilizados no período;

·       elaboração de planilhas e documentos que apresentem a síntese das atividades acima desenvolvidas;

·      a montagem final do plano periódico;

·       das atividades acima relacionadas, muitas já poderão fazer parte do "software" a ser implantado, mas outras exigirão ser desenvolvidas, nos casos em que os dados disponíveis ainda não estão completos. todas essas atividades, mesmo as oriundas do processamento eletrônico, deverão passar sempre pelo crivo dos diferentes profissionais que participarão desses trabalhos, posto que novos aspectos podem ser avaliados.



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