Qualidade, meio ambiente, tecnologia e controle tecnológico

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Capítulo II:
Procedimentos de valorização dos processos da qualidade e do controle tecnológico para a obtenção de produtos e serviços

Esta seção tem como finalidade definir os objetivos e as diretrizes a serem observados na valorização da qualidade e controle tecnológico para a criação e desenvolvimento de um projeto.
 
A valorização da qualidade do projeto inclui os processos para assegurar que o projeto satisfaça às necessidades para o qual foi criado e engloba todas as atividades (áreas de conhecimento da empresa) que estabelecem as normas, os objetivos e a responsabilidade de cada participante.
  • Metas
Significam parte dos objetivos a serem atingidos a curto prazo, e em geral setorizados, e devem ser sempre mensurados e monitorados ainda enquanto processos, planos e projetos.
  • Táticas
São as formas e os caminhos adotados, em obediência aos planos e aos projetos, para se atingir as metas.
  • Decisões e Ações
Correspondem às atitudes, aos comportamentos e aos processamentos direcionados ao cumprimento das estratégias, dos planos e dos projetos; obedecem aos planos e às táticas e têm como referencial as metas.
 
São os trabalhos propriamente ditos, realizados pelas pessoas e pela empresa.
  • Resultados
São as medidas quantitativas e/ou qualitativas do desempenho da empresa e/ou processos que, se comparados com as metas, tanto podem apresentar “superávit” ou “déficit”.
 
Devem sempre ser acompanhados durante o processo e aparecer devidamente mensurados ao seu final e ainda comparados com outros referenciais de excelência.
 
Pode-se então extrair a política da qualidade.
 
Em linha com as definições e as ações, esta deve ser comunicada intensamente na empresa, por meio de simpósios, palestras, quadro de avisos, entre outros.
 
Todos devem conscientemente entendê-la.
No estabelecimento do marco conceitual deve - se levar em conta as três fases dos processos (antes, durante e depois).
 
Isto indica que os processos deverão classificar-se em três tipos diferentes:
  • planejamento e direção (o antes);
  • execução, operação e controle (o durante);
  • avaliação (o depois).
Na execução dos processos se desenvolvem as estruturas gerais baseadas na prática e na experiência dos integrantes na execução de trabalhos similares, e se estabelecem os aspectos afins que devem ser levados em conta para a normalização.
 
Portanto, os processos descrevem a forma como se propõe levar a efeito uma empresa, considerando-se os requerimentos dos termos de referência da execução.
 
A normalização dos processos responde a uma seqüência desde a concepção, o planejamento e a organização de todas as operações que compõem um processo numa forma lógica e controlada.
De acordo com o estabelecido nos termos de referência, considera-se importante, para a garantia da qualidade, a definição para cada processo do antes, do durante e do depois; com esta definição  assegura-se que durante todo o processo, desde sua planificação, execução e até o encerramento, deve-se levar a cabo a análise do desempenho do processo, o monitoramento dos controles, das responsabilidades, dos registros e das revisões e verificações para garantir a qualidade do produto ou serviço.
 
Associado a cada processo ou atividade, os responsáveis pelo antes, pelo durante e pelo depois formam a matriz de responsabilidade.
 
A determinação do antes, do durante e o do depois pode levar-se até o nível de detalhe que se deseje de acordo com as necessidades do projeto, segundo o detalhamento que se faça deste e levando-se em consideração o estudo de viabilidade técnica e econômica a partir do ciclo de vida do projeto, onde se identifica claramente o antes, o durante e o depois.
 
Assim, para as funções estratégicas, técnicas, operacionais e instrumentais contempladas para a execução do projeto, definem-se o antes, o durante e o depois; o mesmo para cada uma das atividades que as conformam.
 
A seguir são descritos as fases que compõem o projeto e os processos.
 
Posteriormente se descreverá para cada uma das funções - como estratégicas, técnicas, operacionais e instrumentais - como são e como ocorrem o antes, o durante e o depois, isto é, como será o processo da empresa ao longo de suas quatro fases para as atividades que compõem cada função.
 
Estes processos são gerais, pois descrevem de forma geral as atividades da empresa.
 
Os processos detalhados para cada atividade fazem parte do sistema de qualidade proposto e são realizados seguindo uma norma fundamental ou parâmetros para a realização de processos.
 
Esta norma fundamental é descrita neste capítulo, bem como os processos detalhados.
Durante esta fase a empresa conceberá, desenhará e submeterá à aprovação de sua diretoria e do cliente todos os processos para a obtenção dos produtos, tais como: elementos organizacionais, operacionais e de controle necessários para levar a cabo os trabalhos para a elaboração do projeto.
Durante esta fase a empresa implementará, induzirá e porá em funcionamento os processos que compõem os elementos organizacionais:
  • estabelecer a estrutura analítica;
  • estabelecer o programa de ação;
  • estabelecer a estimativa de custos e fluxo de fundos para controle;
  • desenhar e implementar a organização;
  • desenhar e implementar os sistemas de planejamento e controle da garantia de qualidade, controle tecnológico, programação e custos;
  • desenhar e implementar o sistema de informação;
  • desenhar e implementar o sistema de arquivo;
  • obter as aprovações e permissões requeridas.
Durante esta etapa a empresa terá a incumbência de realizar os processos para a obtenção dos seguintes produtos e das seguintes atividades:
  • gerir o planejamento:
    • executar a programação e o controle;
    • realizar o planejamento e programação;
    • realizar as estimativas e pressupostos;
    • realizar a programação financeira;
    • realizar controle de custos;
    • realizar controle de processos.
  • realizar a auditoria de garantia da qualidade;
  • gerar informes;
  • providenciar a ngenharia de manutenção de software;
  • gerir a engenharia:
    • executar engenharia;
    • executar a engenharia de valor;
    • executar a engenharia da garantia da qualidade;
    • executar a engenharia de operações e manutenção;
    • elaborar relatórios técnicos.
  • gerir aquisições (quando tenha lugar):
    • engenharia de planejamento das aquisições;
    • engenharia contratual da administração de contratos de fornecimentos;
    • vistoriar e gestão das necessidades de compra de terrenos e servidões.
  • executar a construção:
    • executar a engenharia de planejamento da construção;
    • administrar contratos de construção;
    • dimensionar equipes de montagens;
    • elaborar informe final de construção;
    • dar apoio logístico requerido no lugar do projeto;
    • organizar acampamentos, alojamentos;
    • organizar armazém, transportes, serviços médicos, segurança;
  • pôr em operação o projeto:
    • verificação da completa conclusão das fases;
    • monitoramento de operações de montagem de equipes e provas;
    • entrega das obras e posta em serviço do projeto;
    • liquidação dos contratos;
    • operação inicial e depuração;
    • verificação da desmontagem das instalações;
    • desmobilização.
Uma vez concluído os trabalhos, a empresa procederá com os processos que compõem a avaliação técnica, econômica e administrativa correspondente ao projeto:
  • liquidar contratos e garantias;
  • fazer a avaliação técnica;
  • fazer a avaliação financeira e revisão do custo de capital;
  • fazer a avaliação da gestão do projeto;
  • transferir a documentação;
  • desmontar a organização do projeto e dos recursos.
Manual da qualidade é um documento onde se estabelece a política da qualidade de uma empresa e se descreve a forma com que tal política é posta em prática; é portanto um documento de caráter geral, não ligado a um determinado projeto.
 
Em outras palavras: cada interveniente na execução de um projeto (empresas de arquitetura, engenharia, construtores, montadores, controle da qualidade, fornecedores, entre outros) tem seu próprio sistema da qualidade (bom ou mau, conhecido ou não conhecido) e a descrição desse sistema constitui seu manual da qualidade; mesmo que não exista, sempre pode ser descrito: basta descrever a realidade do que é feito quanto à qualidade e seu controle.
Este é outro documento exigido pela norma.
 
Na realidade, este manual deve refletir o projeto (empreendimento) em relação aos requisitos da norma, ou seja, é o retrato da organização visto pela norma.
 
Neste ponto as normas NBR ISO 9001-2000 e a NBR ISO 9004-2000 devem ser entendidas e consultadas para a montagem deste manual.
 
O objetivo desse documento é retratar formalmente o sistema de gestão da qualidade do empreendimento, através da identificação de seus processos, determinando seus objetivos e diretrizes a serem seguidos de acordo com a Norma NBR ISO 9001-2000.
  • manual da qualidade do empreendedor como empresa;
  • manual da qualidade do empreendedor voltado para o projeto;
  • manual da qualidade do gestor para a implantação do projeto;
  • manual da qualidade da empresa de arquitetura voltada para o projeto;
  • manual da qualidade da empresa de projetos de engenharia;
  • manual da qualidade de empresas auxiliares de engenharia;
  • manual da qualidade das empresa construtoras, montadoras e instaladoras;
  • manual da qualidade da empresa de controle tecnológico.

Plano da qualidade é um documento que descreve a aplicação do manual da qualidade a um determinado projeto. Alguns autores o denominam Programa da qualidade, porém a ISO (International Standardization Organization) não emprega a palavra programa (pois apresenta um sentido vago, sem um significado preciso no contexto da garantia da qualidade), mas sim a palavra plano.
Medidas de garantia da qualidade são ações dirigidas para atingir a quantidade ou para demonstrar que esta foi conseguida. A natureza destas medidas pode ser técnica (quando se refere à realização material de algo) ou humana (quando se refere a aspectos pessoais ou de organização).
A expressão garantia da qualidade faz referência a um conjunto de medidas orientadas para atingir a qualidade e, em particular, para evitar ou detectar erros em todas as fases do processo e gerar confiança no sucesso do projeto em alcançar os padrões relevantes à qualidade.
 
Nesse sentido amplo, a expressão identifica-se com a gestão da qualidade.
O controle da qualidade é uma parte da garantia da qualidade; de um modo geral, poder-se-ia dizer que controle da qualidade compreende fundamentalmente medidas técnicas e a garantia da qualidade, medidas humanas (aspectos pessoais, como a formação, a motivação, etc, e aspectos de organização, como a forma de circular a informação, de tomar decisões, etc).
 
Estes interagem entre si e com os processos das áreas de conhecimento interno e externo à empresa e podem envolver o empenho de um ou mais indivíduos ou grupo de indivíduos.
As definições anteriores podem ser aplicadas no âmbito particular de cada um dos intervenientes do processo da criação e do desenvolvimento de um projeto: empreendedor, projetista, gestor, construtor, montador, controle tecnológico, etc. e devem atender às aspirações de documentação e quanto ao produto do projeto.
  • empreendedor
O empreendedor prepara um plano da qualidade, quer dizer, um documento que descreve as medidas de garantia da qualidade que devem ser tomadas no projeto.
  • gestor do projeto
Normalmente, para empreendimentos de porte, ou aqueles específicos, o empreendedor contrata empresas que assumem o papel do empreendedor, principalmente na fase de implantação.
 
O plano de qualidade do gestor deverá estar em consonância com o do empreendedor.
  • intervenientes
Cada interveniente no projeto tem seu próprio manual da qualidade e elabora ao caso particular um plano da qualidade, mostrando a aplicação do seu sistema a esse projeto específico.
O conjunto de planos da qualidade dos participantes tem que ser coerente com o plano da qualidade especificado pelo empreendedor.
  • omissão
Em muitos casos podem-se omitir os planos da qualidade de alguns participantes, quanto que, ao contrário, o plano da qualidade do empreendedor é sempre necessário e sua extensão pode ser desde simplesmente uma ou duas páginas nos casos correntes detalhado até um documento amplo e muito detalhado.
  • quantidade de medidas
O tipo e quantidade de medidas de garantia da qualidade contidas no plano dependerá do equilíbrio entre o nível desejado de redução de riscos e o custo correspondente.
  • características do produto
Em cada contrato, dentro da seqüência de contratos (empreendedor/projetista, empreendedor/construtor, empreendedor/fornecedor, empreendedor/equipamentos do ativo, entre outros), devem ser definidas as características importantes do produto que, na percepção do cliente, podem influir em sua preferência.
  • prevenção em vez de inspeção: o custo de prevenir erros é sempre menor que o custo de corrigi-los, quando descobertos em inspeções.
  • garantia da qualidade: a qualidade é obtida com planejamento e boa execução das tarefas, e a inspeção somente registra o cumprimento ou não da tarefa.
  • garantia apressada: cumprir os prazos estabelecidos no cronograma realizando inspeções planejadas de forma apressada pode trazer conseqüências negativas se as conformidades passarem despercebidas.
Quando se fala da qualidade e dos custos; devem ser considerados dois aspectos distintos:.
  • controle de custos: não se refere à comprovação de custos e sim ao sistema de gestão de custos
  • custos da qualidade: um conceito importante que será tratado no orçamento para implantação de um projeto.
Muitas atividades geram custos que não são possíveis de se conhecer de antemão, com precisão. Por isso, convém monitorar as zonas de incerteza e prever os custos a cada momento, se for possível em termos de probabilidade.
 
Esta previsão, de caráter contínuo, consiste essencialmente em:
  • obter informação atualizada dos custos reais e comparar esses custos com os planos/objetivos;
  • estimar os custos finais;
  • efetuar as correções necessárias.
Com base nessas considerações é possível estabelecer a seguinte seqüência de ações:
  • identificar todos os conceitos que geram custos (materiais, equipamentos, mão de obra, seguros, penalizações, etc.).
  • estimar as incertezas (com respeito às previsões) de cada conceito gerador de custos, sem ser otimista e expressar estas incertezas em termos de probabilidade.
  • determinar qual informação sobre custos é realmente necessária e como se deve obtê-la.
  • prever o custo final da construção, levando-se em conta as incertezas desde agora até o término da construção.
  • comparar esse custo previsto com o orçado e informar aos participantes de forma clara.
  • tomar medidas adequadas caso existam grandes discrepâncias entre os dois valores.
  • comprovar se essas medidas podem ser tomadas sem afetar a qualidade planejada.
  • retroagir a informação ao ponto de repetição do ciclo de forma regular em datas predeterminadas.
Chama-se “custo da qualidade” aquele que resulta de não conformidade (rejeição) de materiais, produtos, unidades de obra, serviços, entre outros.
 
Os custos da qualidade podem agrupar-se em três tipos:
  • Controle Preventivo (CP);
  • Controle de Comprovação (CC);
  • Controle das Falhas (F).
Os dois primeiros (CP e CC) são gastos de inversão e o terceiro (F) é um gasto de consumo.
 
A soma dos três (custo da qualidade) é uma parte do custo total da construção.
 
O restante(custo de produção) pode ser considerado constante, quer dizer, independente do custo da qualidade.
 
O sistema de gestão da qualidade mais adequado é aquele que reduz ao máximo o custo total, ou seja, que consegue um custo da qualidade o mais baixo possível.
 
Do exposto, fica claro a conveniência de se ter uma avaliação do custo da qualidade para cada projeto, já que o valor resultante é um bom índice da eficácia do processo.
 
O custo da qualidade pode ser dividido da seguinte forma:
  • Custos do Controle Preventivo (CP)
    • CP 1 - Sistema de gestão da qualidade (implantação e manutenção do sistema).
    • CP 2 - Controle do processo (resolução de problemas da qualidade à medida que surgem e ajuste do plano da qualidade mediante ações corretivas).
    • CP 3 - Aquisição de equipamentos para medições e ensaios, entre outros.
    • CP 4 - Formação e treinamento de pessoal e programas de motivação da qualidade.
    • CP 5 - Estudos e ensaios especiais.
    • CP 6 - Auditorias internas da qualidade.
  • Custos do controle de comprovação (CC)
    • CC 1 - Ensaios de materiais e inspeções em obra.
    • CC 2 - Aferição e gastos de manutenção dos equipamentos de ensaio.
    • CC 3 - Análise de resultados.
    • CC 4 - Pesquisas especiais de laboratório ou em obra.
  • Custo das falhas (F)
    • F 1  -  Substituição de materiais, produtos ou unidades de obra defeituosos.
    • F 2  -  Inconvenientes advindos de materiais, produtos ou unidades de obra defeituosos.
    • F 3  -  Deterioração de materiais e produtos armazenados inadequadamente.
    • F 4  -  Perda ou desgastes evitáveis.
    • F 5  -  Contra-prova (ensaios de confirmação).
    • F 6  -  Gastos originados por reclamações (incluindo gastos de reuniões, ajustes de preço).
    • F 7  -  Imobilização ou ociosidade dos meios materiais e humanos, enquanto se esperam decisões sobre aceitação, correção, reparação, etc.
    • F 8   -  Encargos ou gastos referentes a terceiros por falta de precisão no próprio trabalho (por exemplo, falhas de tolerâncias).
    • F 9   -  Penalizações por descumprimentos.
    • F 10 -  Gastos financeiros por garantias e fianças.
    • F 11 -  Perdas de clientes (caso se possa quantificar).


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