Visão sistêmica, características, país, engenharia e abrangência do portal

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Capítulo I:
Visão sistêmica, país nação e modelagem e interdependência por processos de trabalho

Vivemos um momento de importante transição do ambiente econômico, em que a gestão proativa da competência adquire um papel central para a competitividade tanto das empresas, como dos países. Isto, entretanto, nem sempre foi assim, pois, no passado, vantagens de localização, assim como o acesso à mão de obra barata, aos recursos naturais e ao capital financeiro tinham papéis muito mais determinantes.

A abertura econômica e a competição interna e externa com empresas de países desenvolvidos, contudo, tornam outras formas de aprendizado muito mais relevantes e requerem uma reversão nas tendências dos gastos públicos e de falta de cooperação entre as instituições de pesquisa e o setor público.

Os desafios relacionados à adoção das práticas e dos modelos associados à Gestão da Competência por mudanças de processos, estruturas, sistemas de informação e de incentivo individual e coletivo não são, evidentemente, simples, é preciso avaliar as várias experiências e colocá-las à disposição de todos que labutam pelo desenvolvimento do país.

No seminário Reconstruindo a Engenharia Brasileira, constatamos que:

·   a formação do engenheiro, desde a escola acadêmica, deverá estar centrada mais na constituição de competências, habilidades e disposições de condutas que na quantidade de informação;

·         na formação, isto representa que o engenheiro:

ü      aprende a aprender, a pensar, a relacionar o conhecimento com dados da experiência cotidiana, a dar significado ao aprendido;

ü      deve ter conhecimento multidisciplinar;

ü     aprende a fazer a ponte entre a teoria e a prática, além de fundamentar a crítica e argumentar com base em fatos;

ü      precisa trabalhar a realidade do cotidiano;

ü      no seu local de trabalho deve formalizar seus próprios CASEs, que ajudam na evolução do aprendizado.

Após a procura pelos cursos de engenharia apresentar uma forte queda no período de 1981 a 2003, voltou a despertar o interesse dos vestibulandos e, na área de engenharia civil, saímos de um patamar de 10 pretendentes para uma vaga ao patamar em 2010 de 28 candidatos para uma vaga. Isto só foi possível devido ao aquecimento econômico e aos grandes projetos em que o país está envolvido.

·       a principal característica da Visão Sistêmica é estudar as partes, levando em conta a estrutura do todo:

ü    isso implica no conceito de que o todo, resultante da junção das partes, é muito maior que simplesmente a soma destas.

·      visão sistêmica é uma maneira de ver o mundo, um país, uma cidade, uma empresa, um processo, como um todo, cujas partes estão correlacionadas e de uma maneira mais incisiva são interdependentes.

Na antiguidade, os egípcios praticaram e evidenciaram várias técnicas para o desempenho das construções das pirâmides e os romamos (600 A.C) para melhorar o desempenho em combates e guerras, travados no corpo a corpo, pelas planícies e pelos planaltos da Europa. 

Essas técnicas, que hoje se chama de logística, configuravam o diferencial para a real conquista de terras e reinos, demonstrando que a formação de combate era executada de forma sistemática e devidamente estudada para que os objetivos da época fossem atingidos. 

Em 1918, Mary Parker Follet já falava da necessidade de os administradores considerarem a “situação total”.

Essa pioneira imaginava um modelo holístico de gerência, que incluía não apenas os indivíduos e os grupos, mas também os efeitos de fatores ambientais, como política, economia e biologia.

Outros pensadores retomaram a mesma proposição e desenvolveram diversas linhas de pensamento que convergiram para o moderno enfoque sistêmico.

Três são as mais importantes dessas linhas de pensamento: a teoria da forma (ou Gestalt), a Cibernética e a Teoria Geral dos Sistemas.

Em 1924, Wertheimer sintetizou os princípios da fórmula da teoria de Gestalt, que enfatizou os processos cognitivos de ordem superior do behaviorismo, expressa da seguinte maneira:

1.      proximidade - elementos tendem a ser agrupados de acordo com sua proximidade.

2.      semelhança - itens similares em algum aspecto tendem a ser agrupados.

3.      encerramento - os itens são agrupados em conjunto se tendem a completar alguma entidade.

4.      simplicidade - itens serão organizados em figuras simples de acordo com a simetria, a suavidade e a regularidade.

Esses fatores foram chamados de as leis de organização e foram explicadas no contexto.

O método que procura entender como os sistemas funcionam é a teoria Geral dos Sistemas, desenvolvida pelo cientista alemão Ludwig Von Bertalanffy, alcançado seu ápice em 1950.

Para Bertalanffy:

É preciso analisar não apenas os elementos, mas também suas inter-relações (...). Isso exige a exploração dos muitos sistemas no universo à nossa volta, com todas suas particularidades.

Além disso, é evidente que há aspectos gerais, correspondências e isomorfismos comuns aos sistemas.

A teoria Geral dos Sistemas, portanto, é a exploração científica de todos e totalidades que, até há pouco tempo, eram considerados noções metafísicas, que transcendiam as fronteiras da ciência.

Segundo a teoria Geral dos Sistemas, os limites de um sistema dependem não do próprio sistema, mas do observador. As fronteiras entre sistemas, ou entre o sistema e seu ambiente, são arbitrárias.

Enxergar sistemas é a habilidade que corresponde a essa idéia.

Mais tarde, outros autores reforçariam essa idéia, recusando as definições de sistemas como entidades com atributos objetivos.

Sistemas devem ser definidos em termos da percepção e das distinções traçadas pelos observadores. 

A idéia central da Cibernética é o autocontrole dos sistemas, visando ao alcance de um objetivo.

De acordo com Wiener, o comportamento autocontrolado, tendo em vista a realização de um objetivo, é um comportamento cibernético.

Sistema pode ser definido como um conjunto de elementos interdependentes que interagem com objetivos comuns, formando um todo, e no qual cada um dos elementos componentes comporta-se, por sua vez, como um sistema cujo resultado é maior que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem independentemente.
Qualquer conjunto de partes unidas entre si pode ser considerado um sistema, desde que as relações entre as partes e o comportamento do todo sejam o foco de atenção (ALVAREZ, 1990, p.17).

O sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função (OLIVEIRA, 2002, p.35).

Sistema é um conjunto de partes coordenadas, formando um todo complexo ou unitário. 

Com o passar do tempo, observamos a necessidade de desenvolver nossa visão do todo.

Tomar uma decisão sem analisar a situação em um âmbito geral pode trazer danos ao profissional e à organização, gerando assim decisões unilaterais, isoladas, inconsistentes, sem credibilidade e com prejuízo.

Como exemplo real, podemos citar: a empresa contratou a execução dos serviços de engenharia de infraestrutura de um condomínio e repassou todos os problemas de atraso das obras para o construtor, levando à rescisão do contrato, sem considerar que os grandes problemas advinham de um projeto executivo mal-elaborado, Conclusão: o projeto está parado, trazendo prejuízos ao empreendedor e a falência da construtora. Podemos concluir que: as nossas verdades podem não ser absolutas, ao interpretar sob um único ponto de vista. 
É importante considerar os avanços do país. A sociedade não comporta mais descontinuidade, torna-se necessário a definição de planos e prioridade de metas. 
Ter a visão sistêmica de um problema, na tomada de decisão, é saber usar:

·           a intuição;

·           a sensibilidade;

·           a emoção;

·           o conhecimento em favor da razão;

·           a análise atenta de cada detalhe.

Assim, o livro "Planejar para Construir” foi um primeiro ensaio de uma visão sistêmica na área de engenharia da construção, quando foi inserido o conceito de interdependência para a execução de um serviço. Claro, hoje temos uma ampliação que atinge a área do meio ambiente, da tecnologia, do controle tecnológico, dos riscos, dos indicadores de desempenho, dentre outros tantos.

É preciso analisar o ambiente como um todo, ou seja, o conjunto de forças que possam ter alguma influência sobre o funcionamento da organização.

O conhecimento mais profundo da dinâmica da organização, das responsabilidades e da interação entre os diversos componentes atuantes (áreas de conhecimento) permite que as ações, nas organizações, sejam mais efetivas, não só as de curto prazo, mas principalmente as de médio e longo prazo.

A visão sistêmica consiste na capacidade de entender, implementar e demonstrar o comprometimento na compreensão do todo a partir de uma análise global das partes e da interação entre estas.

Várias forças atuam em um sistema em funcionamento, sejam estas internas ou externas. Usando adequadamente essa importante ferramenta, podemos minimizar diversos danos futuros e ter um diferencial competitivo.

Estar preparado para o impacto no mercado de trabalho é condição imprescindível para nossa sobrevivência. Procure ser um especialista sistêmico.

A visão por meio de vários prismas cria uma gama de possibilidades de soluções e ações, explorando e desenvolvendo o sentido da visão sistêmica, propiciando a compreensão da contínua evolução dos cenários.

·       Henri Poincaré falando sobre a verdade científica e a verdade ética: 

Os que amam a verdade científica não podem deixar de amar a verdade ética; para encontrar uma, assim como para encontrar a outra, é preciso esforçar-se para libertar completamente a alma do preconceito e da paixão, é preciso alcançar a sinceridade absoluta. 

MORIN,Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento; tradução Eloá Jacobina, 3.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. 128 p

Considerações finais:

Esta interessante obra nos conduz à reflexão acerca de uma reforma do pensamento por meio do ensino transdisciplinar, capaz de formar cidadãos planetários, solidários e éticos, aptos a enfrentar os desafios dos tempos atuais. Reformar o pensamento para reformar o ensino e reformar o ensino para reformar o pensamento é o que preconiza Edgar Morin.

Pai da teoria da complexidade, o autor defende a interligação de todos os conhecimentos e combate o reducionismo instalado em nossa sociedade.

Na educação, o autor vê a sala de aula como um fenômeno complexo, que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos, um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade que ele nos apresenta.

Na linha da reforma do pensamento, o autor propõe os princípios que permitiriam seguir a indicação de Pascal, que considera impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tanto quanto conhecer o todo sem conhecer, particularmente, as partes.

Esses princípios permitem atenuar a desunião entre o pensamento científico, que desagrega os conhecimentos e não reflete sobre o destino humano, e o pensamento humanista, que ignora as conquistas das ciências enquanto alimenta suas interrogações sobre o mundo e a vida.

Justifica-se, então, a necessidade de uma reforma de pensamento referente à nova aptidão para organizar o conhecimento, que permita a ligação entre essas duas culturas que estão separadas.

A partir daí, reapareceriam as grandes finalidades do ensino, que deveriam ser inseparáveis: promover uma cabeça bem feita, ensinar a condição humana; começar a viver; ensinar a enfrentar a incerteza e aprender a se tornar cidadão. Sem dúvida alguma, temos que concordar que hoje é preferível um aluno com a cabeça bem feita, apta a ligar os novos e múltiplos conhecimentos, a um aluno com a "cabeça bem cheia", que apenas acumula esses conhecimentos sem saber organizá-los ou dar-lhes algum sentido.



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