Sistema modal de transportes

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Capítulo IV:
Transporte multimodal no Brasil, desequilíbrio e projeções até 2025

Matriz de transportes do Brasil e do Estado de São Paulo, demonstra um desequilíbrio entre os diferentes modais, o que aponta para a necessidade de readequações para que se promova maior competitividade e um desenvolvimento econômico sustentável.

Modal

Brasil (%)

São Paulo (%)

Rodoviário

59,0

93,1

Ferroviário

24,0

5,3

Aquaviário

13,0

0,5

Aeroviário

0,3

0,3

Dutoviário

3,7

0,8

Fonte: Ministério dos Transportes (2006)

Fonte: Secretaria de Transportes do Estado (2000)

A Tabela abaixo mostra que a matriz brasileira de transportes de cargas apresenta alto grau de dependência da modalidade rodoviária.

Do total das cargas transportadas, em 2006, 59,0 % se dão por vias rodoviárias, seguidas, de longe, pelo modal ferroviário (24% das cargas).

Modal

Brasil (%) 2006

2025(%)

Rodoviário

59,0

33

Ferroviário

24,0

32

Aquaviário

13,0

29

Aeroviário

0,3

1

Dutoviário

3,7

5

Observa-se que deberá ocorrer um equilibrio entre o sistema rodoviário e o ferroviário, além do que o sistema aquaviário verá duplicar a sua participação no sistema de transportes.

Fonte: FIESP

Esse desenho da matriz de transporte brasileira, pouco diversificado e sobrecarregado em rodovias, acarreta diversas desvantagens para a indústria nacional, sobretudo em termos de tempo de deslocamento e custo global.

Para os outros modais tem-se:

1.o aeroviário é sub-dimensionado e também concentrado em regiões de elevada densidade de uso (eixo Sudeste – Sul - Brasília), o que torna os  preços pouco competitivos;

2.o aquaviário apresenta sérios gargalos de armazenagem, acesso e infraestrutura de transbordo (terminais), também com elevada concentração em poucos ramais e regiões (Norte e Sudeste);

3.o ferroviário carece de um vasto programa que permita sua extensão e interconexão aos demais modais para permitir o escoamento em menor escala, de forma que é ainda lento e limitado para servir de alternativa, em especial às cargas fracionadas.

Comum a todos eles, há o problema do desenho institucional e de governança que antecede um bom desenho regulatório – definições sobre a quem compete o planejamento, a operação e execução e a fiscalização subseqüente.

Estas questões, sobretudo para os modais aeroviário e portuário, são de vital importância.

O modal rodoviário, contudo, também não atende à demanda com excelência: está sujeito a condições de preservação precárias, o que acaba por encarecer os custos de transporte e, assim, prejudicar a competitividade do produto nacional.

O Banco Mundial estimou o peso dos transportes na estrutura de custos da distribuição no Brasil: 31,8% dos custos com logística (que incluem administração, armazenagem, estoque, trâmites legais e transporte) se referem somente ao item transporte, como mostra a Tabela.

Este percentual ajuda a explicar porque os custos logísticos brasileiros são dos mais altos do mundo.

Custos lógisticos

Participação em %

Administraçao

20,5

Armazenagem

19,0

Estoque

18,7

Trâmites legais

10,1

Transporte

31,8

Total

100,0

 

 A tabela abaixo mostra a relação do custo de logística em função do PIB

 

País – Custos logísticos

% do PIB - Participação

Peru

24,00

Argentina

21,00

Braisl

20,00

México

18,00

Alemanh

13,00

Japão

11,3

Holanda

11,3

Italia

11,2

Reino Unido

10,6

Estados Unidos

10,5

 

O alto custo do transporte no Brasil está relacionado a diversos fatores:

1. Elevados fretes rodoviários para curtas distâncias (enquanto o ferroviário é significativamente mais baixo);

2. Encarecimento do seguro da carga em função do alto risco de roubos via transporte rodoviário e carência de pessoal qualificado (motoristas);

3. Perda, avaria ou transbordo de carga no modal rodoviário é quase quatro vezes maior do que no ferroviário (produtos conteineirizados não apresentam perdas);

4. Tributação em operações intermodais encarece o custo do transporte e aumenta a dependência da modalidade rodoviária;

5. No que tange a este último aspecto, vale explicitar maiores detalhes;

6. Para operações intermodais, os impostos podem ser cobrados trecho a trecho ou sobre o trajeto total.

 No setor de infraestrutura o Brasil deberá ivestir mais de R$ 2 trilhões, sendo que o item  transporte ficará com a fatia de R$ 410 bilhões, ou seja, em torno de 20% dos investimentos. (fontes: PNLT, PNE, Petrobras, BNDES, Ministério das Cidades,  ASFAMAS –Sanemanto)

Transporte

410

Rodovias

200

Ferrovias

130

Aquaviário (portos e hidrobias)

60

Aeroviário

20

Energia

385

Petróleo e Gás

955

Telecomunicações

100

Saneamento

206

Total

2.056

Estes valores podem estar subestimados, pois não incluem, por exemplo,investimentos em mobilidade urbana por parte de Estados e municípios; apenas o Estado de São Paulo, por exemplo, prevê investir em transporte urbano (Metrô, CPTM entre outros reunidos no Plano Integrado de Transportes Urbanos de São Paulo – PITU) mais R$ 48.700 milhões entre 2006 e 2025.

A dimensão da carência do setor de transportes se reflete no montantede recursos necessários para investimento.

De acordo com o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), elaborado em abril de 2007, os investimentos necessários para redução de gargalos, considerando-se um horizonte de médio e longo prazo, totalizam o montante de R$ 290 bilhões entre 2008 e 2023.

Tais investimentos incluem o prolongamento de rodovias, a interligação da Ferrovia Norte-Sul com a malha do Sudeste, a construção de ramal de Balsas da Ferrovia Norte-Sul, a implantação do Porto de Espadarte articulado à Ferrovia Norte-Sul, entre outros.

Os valores do PNLT carecem de revisão e atualização4

Para o presente estudo, foram estimados que entre 2011 e 2022 deverão ser investidos mais de R$ 410 bilhões em transportes, que se viabilizam com um aumento sensível da participação do capital privado.

Em 2010, para cada R$ 1 investido, há R$ 0,28 de investimentos privados e mistos (assumidos em conjunto entre esferas e/ou empresas públicas e privadas).

Até 2022, é preciso que esta relação (de 1 : 0,28) passe para 1 : 3,35.

Fonte de avaliação

Ministèrio dos Transportes

Secretaria de Política Nacional de Trsportes

Produção de transportes de 1 milhão para 1,8 milhão de BI tku800.

1.. 38% de aumento da eficiencia energética

2. 41% de redução de consumo de combustívle

3. 32% de redução de emissão de CO2

4. 39% de redução de emissão de NOx

1).dos R$ 109 bilhões a serem investidos a partir de 2011 no setor de transportes, na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2);

1.1).quase a metade (R$ 50,4 bilhões) se destinam às rodovias;

1.2).o programa prevê a realização de estudos de viabilidade para criar novos trechos para trens de alta velocidade.

2).a meta do programa nessa área é consolidar e ampliar a rede logística e interligar os modais - rodovias, hidrovias e ferrovias;

2.1).o PAC 2 pretende expandir em 7.919 quilômetros as rodovias, e fazer manutenção em 55 mil quilômetros.

2.2).novos projetos estarão direcionados a 12.636 quilômetros.

3).as ferrovias ficaram em segundo lugar, com previsão de R$ 46 bilhões, também a partir de 2014;

3.1).também está prevista expansão de 4.696 quilômetros da malha ferroviária.

4).parte dos valores destinados às ferrovias estão previstos para a realização de estudos de viabilidade para 1.991 quilômetros de linhas de trens de alta velocidade nos trechos São Paulo-Campinas; Campinas-Triângulo Mineiro; e Campinas Belo Horizonte.

5).outros R$ 5,1 bilhões devem ser investidos em 48 empreendimentos portuários em 21 portos:

5.1).12 em dragagem de aprofundamento;

5.2).24 em infraestrutura portuária, cinco em logística, e sete em terminais de passageiros, visando a Copa de 2014.

6).o PAC 2 prevê também R$ 2,7 bilhões de investimentos em 48 empreendimentos de hidrovias, dos quais 34 serão terminais hidroviáros, sete de estruturação de corredores hidroviários e sete relativos a estudos de viabilidade.

7).os aeroportos têm previsão de R$ 3 bilhões, destinados a 22 empreendimentos que abrangem 14 aeroportos - 15 empreendimentos relacionados a terminais de passageiros; cinco a pistas, pátios e torres de controle; e dois a estudos e projetos.

8).o PAC 2 prevê, ainda, R$ 1,8 a serem investidos em equipamentos para estradas vicinais. Dos R$ 109 bilhões destinados à área de transportes, R$ 104,5 serão investidos entre 2011 e 2014, e R$ 4,5 bilhões para após 2014.



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