Transporte aeroviário, aquaviário e dutoviário

Capítulos 123

Capítulo III:
Transporte dutoviário

O transporte dutoviário vem se revelando como uma das formas econômicas de transporte para grandes volumes quando comparados com os modais ferroviário e rodoviário.

Algumas características são atribuídas ao transporte dutoviário como, agilidade, segurança, baixa flexibilidade e capacidade de fluxo.

É competência da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT articular-se com entidades operadoras do transporte dutoviário, para resolução de interfaces intermodais e organização de cadastro do sistema de dutovias do Brasil.

Outros assuntos relacionados a dutovias são de responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP.

O transporte de cargas neste modal, ocorre no interior de uma linha de tubos ou dutos e o movimento dos produtos se dá por pressão ou arraste destes por meio de um elemento transportador. Os elementos que constituem uma dutovia são: os terminais, com os equipamentos de propulsão do produto; os tubos e as juntas de união destes.

Uma das diferenças deste modal com os demais, é que o veículo que efetua o transporte é fixo enquanto que o produto a ser transportado é o que se desloca, não necessitando assim, na maior parte dos casos, de embalagens para o transporte (MURTA, 2003).

 O transporte Dutoviário pode ser dividido em:

 

DUTOS

OLEODUTOS

GASODUTOS

MINERODUTOS

AQUADUTOS

 

 

 

 

1).Oleodutos, cujos produtos transportados são, em sua maioria: petróleo, óleo combustível, gasolina, diesel, álcool, GLP, querosene e nafta, e outros.

Os oleodutos tornaram-se um meio de transporte preferencial tanto para atender ao abastecimento das refinarias como suprir a necessidade dos grandes centros consumidores de derivados.

2).Gasodutos, cujo produto transportado é o gás natural.

3).Minerodutos, cujos produtos transportados são: Sal-gema, Minério de ferro e Concentrado Fosfático.

4) Aquadutos ou Saneamento

Agua: as aguas que chegam a nossa residência são tratadas em lugares apropriados e depois são transferidas, portanto necessitam de uma tubulação apropriada.

Águas Servidas (esgoto): As águas servidas ou esgotos produzidos pelo homem devem ser conduzidos, por canalizações próprias até um destino final adequado.

Estas canalizações apropriadas são os emissários e troncos coletores que são unidades operacionais projetadas para receber e dispor os esgotos da cidade, beneficiando toda a sua população.

Os esgotos oriundos de cada residência ou instalação industrial ou comercial fluem através de um sistema de coletores e interceptores até as instalações de terra do Emissário, onde recebem um pré-tratamento antes de serem lançados ao mar.

Duto é a designação genérica de instalação constituída por tubos ligados entre si, destinada à movimentação de petróleo e seus derivados (oleodutos), gás natural (Gasodutos), etanol, mineração, saneamento, entre outros.

Quando um oleoduto é utilizado para  transporte de diversos tipos de produtos ele também pode ser chamado de poliduto.

Os dutos têm uma classificação em relação ao meio que atravessam, podendo ser classificados como dutos de Transporte ou de Transferência (ANP, 2004).

Transportes

O sistema de transporte de produtos se caracteriza por levar o produto por grandes distancias e de forma que chegue ao ponto final.

Transferência

O sistema de transferência de produtos está caracterizado por movimentá-lo por pequenas distâncias, geralmente dentro da planta de uma indústria, refinaria, entre outros.

Nas operações de transporte ou de transferência de produtos por dutovias pode ser realizado por um sistema forçado - o qual utiliza um elemento de força para movimentar produto dentro do duto, ou por um sistema por gravidade – que utiliza apenas a força da gravidade para movimentar o produto dentro do duto.

O sistema por gravidade apresenta vantagens sobre o sistema forçado, uma vez que não precisa de força motriz mecânica o que faz com que não haja gasto com energia, porém possui como limitação a possibilidade de transportar apenas produtos fluidos pouco viscosos

A classificação dos dutos pode ser feita pelo material de constituição: aço, materiais "não metálicos", etc; pela sua localização em relação ao meio: enterrado, aéreo, submarino, flutuante; pela rigidez: rígido ou flexível; pela temperatura de operação: normal ou aquecido e finalmente pelo produto que transporta: oleoduto ou gasoduto.

 Os dutos terrestres subterrâneos (invisíveis) são protegidos contra intempéries, contra acidentes e vandalismo, estão mais seguros contra vazamentos nos casos de ruptura.

Quando a tubulação atravessa maciços rochosos ou terrenos muito acidentados, a abertura de valas para a colocação da mesma é difícil e onerosa.

Neste caso a linha é fixada em pequenas estruturas constituídas de uma sapata e uma coluna de concreto, denominadas “berços”, que servirão de sustentação e amarração para a tubulação

Os aparentes (visíveis) aos nossos olhos podem sofrer todo tipo de acidentes e vandalismo, requerem uma observação maior do seu comportamento, o que normalmente acontece nas chegadas e saídas das estações de bombeio, nas estações de carregamento e descarregamento e nas estações de lançamento/recebimento de “PIGs”, que são aparelhos utilizados na limpeza e detecção de imperfeições ou amassamentos na tubulação.

Os dutos ditos aéreos estão acima do solo, necessários para vencer grandes vales, cursos d’água, pântanos ou terrenos muito acidentados.

Tornam-se viáveis com a construção de torres metálicas nas extremidades do obstáculo e quando necessárias, torres intermediárias que servirão de suporte para a tubulação que ficará presa a elas por meio de cabos.

Os dutos submarinos são assim denominados devido à que a maior parte da tubulação está submersa no fundo do mar.

Este método é geralmente utilizado para o transporte da produção de petróleo de plataformas marítimas (off-shore) para refinarias ou tanques de armazenagem situados em terra (on-shore).

Também são utilizadas para atravessar baías ou canais de acesso a portos.

Os emissários são considerados dutos submarinos.

Esta modalidade de transporte não apresenta nenhuma flexibilidade, visto que há uma limitação no número de produtos que podem utilizar este modal.

É o meio de transporte que conduz produtos através de canos/tubos cilíndricos ocos desenvolvidos de acordo com normas internacionais de segurança.

Para esse modal é necessário as dutovias, que são compostas por três elementos: os terminais, que fazem a propulsão dos produtos; os tubos e as juntas que unem estes.

Este modal pode ser utilizado para o transporte de produtos derivados do petróleo, conhecidos como oleodutos, para derivados de minério, chamado de mineroduto, também para gases e grãos.

Muitas dutovias são subterrâneas e/ou submarinas, considerado uma vantagem, pois minimizam os riscos causados por outros veículos.

O dutoviário transporta de forma segura e para longas distancias, permite que se dispense armazenamento, a carga e a descarga são simplificadas, reduz o custo de transporte (custo variável) e proporciona um menor índice de perdas e roubos.

Como desvantagem esse meio de transporte pode ocasionar um grande acidente ambiental caso suas tubulações se rompam, possui uma capacidade de serviço muito limita e seus custos fixos são mais elevados.

A natureza de uma dutovia é bem diferente se comparada aos outros modais de transporte, pois  podem operar 24 horas, sete dias por semana com restrições de funcionamento apenas durante a manutenção e exigências na produção do produto a ser transportado, observando-se ainda que não existe o veículo de transporte que volta vazio.

Vantagens

1). por ser a dutovia a própria unidade de carregamento, não há necessidade de se usar embalagens de transporte;

2). não existe o problema da viagem de retorno para equacionar, bem como o processo não sofre influência do congestionamento ou dificuldades físicas a transpor, como por exemplo longas áridas ou congeladas;

3).  é um meio de transporte que demanda pouca mão-de-obra;

4). em geral a segurança nas dutovias é superior à de outros meios de modais, sendo assim indicada para o transporte de produtos perigosos como etileno ou GLP;

5).  baixo custo de operação;

6).  independência em relação às condições do tempo na sua operação;

7).  função de armazenagem em consequência do seu longo tempo total de trânsito;

Por exemplo a Uniduto Logística em seu planejamento estratégico considera as seguintes vantagens no transporte do etanol:

1). redução de custos no transporte do etanol;

2). criação de infraestrutura necessária para o escoamento da demanda crescente por etanol;

3). integração de diferentes modais (ou modalidades) de transporte;

4). geração de empregos e divisas;

5). redução do tráfego e número de acidentes com carretas nas estradas paulistas;

6). redução das emissões de poluentes na atmosfera, tais como os gases geradores do efeito estufa;

6). evita-se a geração de resíduos sólidos (pneus, óleo, peças de reposição, lubrificantes etc.);

7). praticamente não há queima de combustível fóssil no sistema;

8). alta economia no transporte, sendo mais econômico que outros modais;

9). alta confiabilidade:

9.1). operação contínua;

9.2). modal não afetado por condições adversas de tempo;

10). elevado grau de automação na movimentação de produtos;

11). relevante solução para o atual gargalo logístico da cadeia do etanol;

12). menor potencial de impacto ambiental, tanto na fase de implantação quanto na fase de operação, se comparado com a implantação de rodovias e/ou ferrovias; e

13). maior segurança para o meio ambiente e a população (menor risco de acidentes).

Desvantagens

1). necessita de grande investimento de capital;

2). inflexibilidade quanto à rota de distribuição, uma vez fixados os dutos, sua posição não é fácil de alterar.

Por esse motivo, é adequado a produtos que mantenham sua demanda restrita a pontos fixos;

3). não é adequado ao transporte de mercadorias que estejam sujeitas a mudanças de padrão de carregamento;

4). seu uso só pode ser estendido a certos grupos de mercadorias dentro de um mesmo duto.

Embora seja tecnicamente possível separar um produto de outro sem que eles se misturem durante o transporte, não é aconselhável usar um mesmo duto para carregar parafina e depois o leita.


Os dutos de transporte e transferências são  pontos críticos na logística de todo o processo, por exemplo, da indústria petrolífera, um  acidente interrompe o processo causando prejuízos, enormes  transtornos operacionais, contaminações ambientais  e exposição de pessoas ao risco de contaminações, incêndios e explosões.

Este risco  é  intensificado  quando  se  considera  que  os  dutos  percorrem imensas distâncias, por áreas onde  estão  sujeitos  às  atuações  físico-químicas, às influências do meio, como variações  térmicas e movimentações do solo e à ação de terceiros. 

Em países onde há atuação terrorista, a malha dutoviária é um dos alvos comumente escolhidos, pois é praticamente  impossível "vigiar", continuamente, todos os dutos por  toda sua extensão.

Uma interrupção pode causar um relevante impacto na logística de exploração, produção, refino e comercialização.

Fonte: Uniduto

O transporte dutoviário é uma tendência mundial.

Em países como os Estados Unidos, a malha dutoviária, que transporta diferentes líquidos, é de mais de 440 mil km.

Na Rússia são mais de 300 mil km e no Canadá, 240 mil km.

Já no Brasil, a malha dutoviária é de apenas de 21 mil km.

Atualmente, aproximadamente 95% do etanol brasileiro é transportado por rodovias.

O transporte por dutos é efetuado por um sistema de tubos que interligam regiões produtoras com centros consumidores e terminais marítimos.

Esse tipo de transporte ocorre com o auxílio da gravidade ou por bombeamento.

A logística por exemplo do etanol realizada predominantemente por dutos proporciona diversos benefícios econômicos e ambientais.

Nos outros países onde o transporte dutoviário é utilizado largamente, os custos com a logística são mais baixos, tornando a cadeia produtiva mais competitiva. 

Quando operando em capacidade total – 16,6 bilhões de litros de etanol por ano – 1.600 caminhões bi-trem deixarão de circular, por dia, nas estradas brasileiras.

Isto significa uma economia anual de aproximadamente 85 milhões de litros de diesel combustível para mover estes caminhões, redução de acidentes com vítimas nas estradas, redução de despesas do governo com pessoas que precisam de longos períodos de tratamento após acidentes, redução das emissões de gases poluentes durante o transporte rodoviário, redução da geração de resíduos intrínsecos ao transporte por caminhões (óleo e pneus), entre outros benefícios.

Segurança, confiabilidade e baixo carbono são outros diferenciais do transporte por dutos.

Por ser um sistema baseado em operação contínua, a dutovia é um modal com produtividade máxima.

O transporte por dutos cumpre prazos e horários, já que não é afetado por interferências externas, como clima, geografia ou até mesmo o trânsito, e garante maior segurança e qualidade para o meio ambiente e para a população, já que diminui o número de caminhões e, consequentemente, o risco de acidentes de trânsito.

É, ainda, um modal de baixo consumo energético, uma vez que utiliza menos energia que outros modais para transportar a mesma carga pela mesma distância.

Com o duto, o Brasil ganhará competitividade em relação a outros mercados.

As emissões atmosféricas típicas de outros modais também serão reduzidas, causando sensível melhora na qualidade do ar.

Como a energia elétrica é predominantemente empregada na operação de bombeamento, evita-se a emissão de gases de efeito estufa-se e outros poluentes atmosféricos, típicos da queima de combustíveis fósseis, principalmente do diesel.

Inaugurado em janeiro de 2007, o Centro Nacional de Reparo de Dutos da Petrobras (Creduto) está localizado dentro das instalações do Terminal de Guarulhos (SP), posicionado na região onde há a maior concentração dutoviária do Sistema Petrobras.

O Creduto surgiu da necessidade estratégica de gerar capacitação e recursos próprios para reparos e outros tipos de intervenção em dutos, com qualidade, segurança e custos adequados à atividade dutoviária do País.

Seu objetivo é capacitar e manter disponíveis recursos humanos e materiais para a execução de reparo em dutos terrestres.

Administrado pela Transpetro, o Creduto possuim infraestrutura necessária para armazenamento de materiais e equipamentos, além de oficina, centro de treinamento e laboratórios.

Como os dutos da Companhia estão distribuídos por várias regiões do País, o Creduto mantém profissionais especializados atuando regionalmente, bem como núcleos para armazenamento de materiais de reparos.

Localizado no Terminal de Guarulhos (SP), o Creduto abrange uma área de 400 metros quadrados, junto à região com maior concentração dutoviária do Sistema Petrobras.

Foram investidos cerca de R$ 10 milhões na instalação do centro, que possui infraestrutura necessária para o armazenamento de materiais e equipamentos, oficina, centro de treinamento e laboratórios.

O foco principal das atividades do novo centro é a manutenção onde não há necessidade da retirada de parte do duto como a soldagem de calha dupla - um duto que envolve o duto principal -, e colocação de braçadeiras, até mesmo em derivações de tubulação quando é necessário construir um desvio, mesmo com o duto em operação.

Uma das novidades do Creduto, é a utilização de materiais não metálicos nos reparos, como fibra de vidro, por exemplo.

Além da prevenção, o centro está capacitado a atuar também em situações de emergência.

Para isso terá um sistema de plantão que funcionará 24 horas por dia.

Como a malha dutoviária da Transpetro se estende por várias regiões do país, o Creduto manterá profissionais especializados distribuídos regionalmente, bem como núcleos para armazenamento de materiais de reparos.

Serão realizadas ainda parcerias com entidades, universidades, centros de pesquisa e fundações para intercâmbio de informações e tecnologias do setor.

A malha brasileira atingiu 22 mil km após a recente inauguração do gasoduto Rio de Janeiro – Belo Horizonte – Gasbel II, e segundo o Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2009 da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A malha é formada por 569 dutos, desses 434 dutos ou aproximadamente 7.876 km, são utilizados para o transportar petróleo e derivados.

Quantidade de dutos em operação e por função

Fonte ANP-Estatístico Brasileiro de Petróleo  Ano 2009

Produtos movimentados

Função

Quantidade

Extensão km

Total

 

569

17.796

Derivados

Transferência

304

1099

Transporte

98

4.792

Gás natural

Transferência

61

2.270

Transporte

37

7.574

Petróleo

Transferência

32

1.985

Outros

Transferência

32

36

Transporte

5

40

 Estes números faz do País o 16º no ranking mundial, o que ainda é pouco se for levada em consideração a produção massiva nos setores do petróleo e da mineração, principais demandadores deste tipo de transporte



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