Qualidade, meio ambiente, tecnologia e controle tecnológico

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Capítulo IV:
Planejamento de processos de aquisição

Normalmente os objetivos do planejamento no processo de aquisições dos materiais visam aos seguintes pontos básicos:

·      determinação do que adquirir e quando, definindo quantidade, lote(s), entrega(s) e especificação técnica;

·      qualidade e controle tecnológico compatível com as normas brasileiras e as especificações do projeto arquitetônico e de engenharia (desenho);

·      documentação dos requisitos do material e identificação das possíveis fontes;

·      na seleção das fontes, se possível procurar manter a uniformidade de fornecedores;

·      definição das auditorias técnicas de qualificação dos materiais nos aos fornecedores (fabricantes);

·      custos, preços competitivos e de menor valor de aquisição;

·      armazenamento e controle de estoques: máximo giro de estoques;

·      transporte, recebimento e estocagem adequada dos materiais;

·      nível adequado do pessoal, da própria empresa ou consultores especializados;

·      administração do contrato e seu relacionamento com o fornecedor;

·      encerramento do contrato, sua conclusão e liquidação com a resolução de quaisquer itens em aberto, bem como relatório técnico de recebimento (registro).

Partindo-se do tipo do projeto, obra, localização, do histograma de materiais, dos detalhes construtivos, da cultura da empresa, da análise econômica, monta-se o processo do plano de aquisição (suprimento) levando em conta os seguintes pontos básicos:

·      classificação dos materiais em absolutamente, medianamente e pouco importantes;

·      consideração das dimensões, peso unitário, forma e perecibilidade dos materiais a serem utilizados;

·      fluxo de abastecimento, prazos e rapidez nas entregas, entregas ocasionais, descontínuas, etc.;

·      análise do andamento dos serviços, pois eles determinam o ritmo de abastecimento dos materiais que os compõem;

·      consideração das condições locais: topografia, meios de acesso, disponibilidade;

·      classificação das peças de reposição dos equipamentos em absolutamente, medianamente e pouco importantes;

·      conveniência de adquirir materiais antecipadamente;

·      previsão orçamentária global e específica de determinados materiais.

A evolução das atividades construtivas e a conseqüente sofisticação técnica, associados à produção em série e em grande escala, freqüentemente produzem alterações dos processos nas aquisições dos materiais, na organização econômica e funcional das empresas.

Assim sendo, podemos considerar as seguintes modalidades de processos nas aquisições dos materiais:

·        material produzido e consumido pela mesma empresa.

Por exemplo, central de britagem, produzindo brita para o concreto no interior do canteiro de trabalho (obra);

·        material produzido por uma indústria e consumido pela construtora

Por exemplo, fechaduras de porta;

·        material produzido por uma empresa, industrializado por outra e consumido pela construtora.

Por exemplo, concreto pré-misturado, no qual os materiais constituintes são fornecidos por diversas empresas, dosados e misturados por outra e consumidos pela construtora;

·        material industrializado por uma empresa e aplicado pela construtora.

Por exemplo: aço, placas cerâmicas, pisos, etc.

Como se observa, para a união entre o material e o consumidor é preciso vencer várias etapas que tornam o controle de qualidade complexo, podendo exigir do construtor sistemas complexos e de seu próprio interesse.

É importante observar o desempenho das soluções para constatar a evolução de comportamento, caracterizar as possíveis deficiências, colhendo críticas e sugestões que caminhem para reformulações a curto prazo, sem afetar prazos e sem ônus adicionais ao construtor.

Toda reformulação representa tomada de posição que possibilita correção de erros e aprimoramento do conjunto (melhoria da qualidade).

·       devem ser definidos os critérios objetivos para seleção, avaliação e reavaliação de fornecedores;

·       os documentos de aquisição e contratação de serviços devem descrever claramente o material / serviço a ser adquirido, incluindo, se apropriado, a especificação e a revisão atual para o material/serviço, além de outros requisitos, como preço, prazo, quantidade, etc;

·       deve haver uma análise dos documentos de aquisição, destacando se estão adequados em relação aos requisitos especificados ao fornecedor, antes da sua liberação;

·       os resultados das avaliações e ações de acompanhamento devem ser registrados.

·      os materiais recebidos devem ser inspecionados ou verificados de alguma forma, com base nas exigências das especificações;

·       deve-se identificar os materiais recebidos quanto a quantidade, sua identidade e situação em relação às especificações (em teste, aprovado, etc.);

·     as não conformidades detectadas em materiais recebidos de fornecedores devem ser registradas, é preciso solicitar registros das não conformidades das causas e das ações corretivas tomadas pelo fornecedor, avaliando após a implementação se as ações foram satisfatórias, evitando a reincidência da não conformidade;

·       os materiais fornecidos pelos clientes devem ser verificados, protegidos e mantidos de forma controlada, de acordo com procedimentos preestabelecidos;

·       as não conformidades detectadas em materiais que são fornecidos pelo cliente (se aplicável), para uso ou incorporação no material, devem ser registradas e informadas ao cliente;

·      os materiais recebidos devem ser manuseados, protegidos e armazenados de forma a preservar o atendimento às especificações.

1.      Agregado natural pedra britada:

·       os montes de estocagem devem ser armazenados em locais de dimensões compatíveis com o canteiro e o volume a ser estocado.

É  recomendável que tais locais sejam cercados em três laterais;

·       deve-se dispor de baias separadas para diferentes granulometrias;

·       deve-se evitar o armazenamento em calçadas públicas e em locais que interfiram com outros trabalhos e serviços da obra.

2.      Barras e fios de aço para armadura de concreto:

·       o armazenamento deve ser feito de tal forma que não permita o contato do aço com o solo (é sugerido o uso de pontaletes, manta de britas ou quaisquer suportes).

É recomendável o armazenamento em baias separadas por diâmetro de forma a facilitar o emprego;

·       o período de armazenamento deve ser pequeno o suficiente para evitar a formação de placas de oxidação do material e a deposição de óleo, graxa ou pó presentes no ar que possam prejudicar a aderência;

·       existência de área de estocagem de aço que necessita de material para produções de três a quatro vezes a produção média prevista, normalmente considerado como estoque morto.

3.      Equipamentos de sistema de circuito fechado de televisão:

Monitores, videogravadores, câmeras e acessórios;

Multiplexador, teclados (comando, remoto);

Receptor de sinal de vídeo:

·       devem ser armazenado em local suficientemente protegido da ação das intempéries da umidade (do solo, de paredes ou tetos de depósitos) e de outros;

·       agentes que possam ser nocivos às suas qualidades;

·       lotes recebidos em épocas diversas devem ser armazenados de forma a permitir o emprego na ordem cronológica;

·       deve ser armazenado em pilhas conforme recomendação do fabricante.

4.      Equipamentos ar condicionado:

Resfriadores de líquidos, FAN & COIL;

Dutos, dampers (corta-fogo), regulagem, sobre-pressão, etc.;

Difusores, grelhas, termostatos, pressostatos;

Válvulas (bloqueio, controle duas vias, etc.);

Sensores e reles, veneziana, ventiladores;

Centrífugas, exaustores:

·       deve ser armazenado em local suficientemente protegido da ação das intempéries, da umidade (do solo, de paredes ou tetos de depósitos) e de outros agentes que possam ser nocivos às suas qualidades;

·       lotes recebidos em épocas diversas devem ser armazenados de forma a permitir o emprego na ordem cronológica;

·       deve ser armazenado em pilhas conforme recomendação do fabricante.

·       os materiais devem ser identificados (individualmente ou em lotes) em todas as operações da produção, inclusive quanto à situação de aprovação ou não em relação às inspeções e aos testes requeridos em cada uma delas;

·       esta identificação deve permitir que se saiba se o material está aprovado, reprovado ou está aguardando alguma inspeção/análise antes de ir para a próxima operação ou entrega ao cliente, podendo ser comprovado por meio dos registros e resultados das inspeções e dos testes;

·       o sistema de identificação deve garantir que somente materiais aprovados em relação às especificações, sejam utilizados nas diversas etapas de produção ou entregues ao cliente;

·       deve haver áreas para segregação de materiais não conformes, a fim de evitar que estes sejam utilizados durante a produção;

·       se a rastreabilidade for exigida pelo cliente, o sistema de identificação deve permitir que se consiga saber os resultados de inspeções e testes em relação às especificações, do material ou do lote, em cada uma das etapas/operações, desde o recebimento dos materiais e componentes até a inspeção final, caso seja detectado algum dos problemas pelo cliente;

·       um sistema de rastreabilidade, mesmo que não seja exigido pelo cliente, pode ser estabelecido para facilitar a identificação das causas de problemas internos e externos com relação à qualidade.

O material deve ser fabricado com base em processos, instruções ou métodos documentados, que descrevam:

·       sequências das etapas de produção e das operações;

·       as máquinas e os equipamentos a serem utilizados;

·       parâmetros de regulagens das máquinas e dos equipamentos, importantes para garantir a qualidade do material;

·       os critérios para aceitação do material, que podem ser especificações contendo as respectivas tolerâncias; ou mesmo visuais, que podem estar na forma de amostras de materiais, padrões de cores, amostras com os tipos de defeitos, fotos, etc.;

·       as inspeções e os testes necessários em cada uma das operações, normalmente descritos em métodos de ensaio, planos de inspeção ou controle, devem especificar: as características a serem controladas em cada uma das operações, o equipamento ou o meio para execução a ser utilizado para as respectivas características / testes, freqüuncia ou, também, o tamanho da amostra para cada uma das características/testes;

·       os métodos/critérios para preparação e liberação das máquinas, antes de iniciar ou reiniciar a produção;

·       os métodos/critérios a serem adotados durante a produção, a fim de garantir a qualidade do material.

     Exemplos: manuseio, transporte, armazenamento, embalagem, limpeza, organização, monitoramento de parâmetros do processo, etc.;

·       é preciso definir, de que forma os materiais, após inspeções e testes finais, serão embalados e/ou armazenados e expedidos, a fim de evitar a deterioração ou dano;

·       devem ser mantidos registros das liberações de início e reinício de produção das características especificadas; dos resultados das inspeções do material e do monitoramento dos processos, onde aplicável.

Deve haver um processo relativo ao sistema de manutenção de máquinas, dispositivos e ferramentas prevendo:

·       critérios para aprovação de uma máquina, um dispositivo ou uma ferramenta nova ou modificada;

·       critérios para classificação de máquinas, dispositivos e ferramentas para definição do tipo de manutenção (preventiva, preditiva ou corretiva) a ser executada;

·       um programa para execução das manutenções preventivas/preditivas;

·       um cadastro e registros de todas as máquinas, dispositivos e ferramentas quanto à correções e às manutenções efetuadas;

·       lista de sobressalentes que devem ser mantidos em estoque para manutenção em caso de desgaste, de quebra ou dano;

·       um plano de melhoria contínua para redução das perdas relacionadas às manutenções corretivas e referentes a quebras, danos, horas paradas, custos, etc.,nas máquinas, nos dispositivos e nas ferramentas.

Características exigíveis para defensas de perfis zincados para rodovias, bem como os critérios de aceitação e rejeição:

·        referências: DNER – defensas metálicas; ABNT NBR 5425 – guias para inspeção por amostragem no controle e na certificação da qualidade; procedimentos ABNT NBR 5426/85 – Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos; ABNT NBR 6152/92 – materiais metálicos para determinação das propriedades mecânicas à tração; método de ensaio, entre outros tantos.

·        definições, entre outras tantas:

ü  defensa metálica: é o dispositivo de proteção, contínuo, deformável, com forma, resistência e dimensões capazes de absorção gradativa da energia cinética e redirecionamento de veículos desgovernados.

·        condições gerais, entre outras tantas:

ü  todas as peças da defensa devem ser dimensionadas com estrita observância à uniformidade e à facilidade de montagem.

ü  transporte e armazenamento das peças da defensa deverão ser efetuados de modo a não provocarem danos ao revestimento.

ü  as peças devem ter uniformidade de camada de zinco, livre de áreas não revestidas, mancha, bolhas e rugosidades que prejudiquem a resistência à corrosão.

ü  cada lote de material deve ser acompanhado de certificado expedido pelo fabricante das peças, contendo:

Ø  propriedades mecânicas;

Ø  dimensões;

Ø  identificação do fabricante;

Ø  número do lote de entrega.

·        condições específicas, entre outras tantas:

ü  todos os componentes metálicos das defensas devem ser zincados por imersão a quente, para proteção contra corrosão, de acordo com ABNT NBR 6323.

ü  a zincagem deve proporcionar um revestimento mínimo de 350 glm2, com uma espessura mínima de 50 micrômetros, em cada face revestida.

·        inspeção, entre outras tantas:

ü  controle do material:

Ø  para controle dimensional das peças, as amostras devem ser retiradas em número de 6, para cada lote de 300 peças.

      As amostras assim retiradas devem ser examinadas por processos convencionais ou por gabaritos passa-não passa.

ü  aceitação e rejeição:

Ø  quanto às dimensões das peças;

Ø  propriedades mecânicas;

Ø  revestimento. 

·       as não conformidades no processo da aquisição dos materiais devem ser registradas no inicio e no final do processo;

·       deve haver um processo para definir ações corretivas, registrar as causas e aplicar as ações corretivas tomadas para eliminar as causas e evitar a reincidência de não conformidades dos materiais nas várias etapas do processo e no final, bem como para avaliação da eficácia dessas ações;

·       as causas das não conformidades devem ser identificadas, utilizando-se métodos de análise e solução de problemas (MASP), como Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa), Análise de Falha (AF), Análise de Problemas Potenciais (APP); Brainstorming, etc.;

·       antes da implementação de novos processos ou alterações significativas nos existentes ou em atividades que tenham impacto na satisfação do cliente, deve-se analisar, identificar as causas de problemas potenciais e tomar ações preventivas para evitar que ocorram não conformidades nos materiais e nos serviços, registrando e analisando a eficácia das ações, utilizando, por exemplo, a metodologia APP (Análise de Problemas Potenciais), devendo ser preparado um processo para definição desse processo;

·       o planejamento e o monitoramento das ações corretivas e preventivas devem ser realizados de forma a promover a melhoria contínua e não ações isoladas ou esporádicas.



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