Membrana de poliureia é indicada para impermeabilização de ambientes agressivos

Solução também pode ser usada em locais que requerem baixa sobrecarga, nos quais não se pode elevar o nível do piso, além de áreas que exigem resistência à abrasão

Redação AECweb / e-Construmarket
Empregada na construção civil como solução de impermeabilização, a membrana de poliureia é resultado da reação química entre o isocianato e um componente de resina amino terminada (poliamina). “Na prática, forma-se uma camada de características plásticas, que recobre e adere às superfícies onde é aplicada”, explica o engenheiro Firmino Siqueira Filho, consultor na área de impermeabilização e titular da Isolar. Depois que assume o formato de membrana, o material passa a apresentar alta rejeição à abrasão; grande resistência química a diferentes agentes; alongamento de ruptura que pode chegar a 600%; e barreira contra o puncionamento (furo).
Além da mistura do isocianato com a poliamina, que resulta na versão pura da membrana, existe ainda um produto híbrido de poliureia. “Nesse caso, é acrescentado o poliol na etapa de formulação”, comenta o especialista. Na construção civil, especifica-se, em geral, o tipo híbrido.
A membrana de poliureia requer bombas, compressores e entre outros equipamentos para aplicação (KPG_Payless/ Shutterstock.com)
Entretanto, o setor não aproveita os benefícios do material de maneira plena. “Para definir o status e lugar da poliureia, podemos compará-la com uma Ferrari disponível para motoristas acostumados a dirigir veículos utilitários em estradas mal pavimentadas, com buracos e irregularidades”, compara Siqueira, indicando que a Ferrari seria a membrana, os condutores seriam os engenheiros e as estradas ruins, as obras. Ou seja, no país, raros são aqueles que estão preparados para utilizar a poliureia.
Especificação
O uso da membrana de poliureia é indicado para locais que requerem baixa sobrecarga, nos quais não se pode elevar o nível do piso, além de cenários que exigem resistência à abrasão ou rápida liberação ao uso da área. A solução é interessante, também, para ambientes agressivos ou superfícies que possam sofrer ataques químicos. “Porém, não é recomendada para locais com alta frequência de chuvas; regiões com fortes ventos; em obras onde não há liberação integral das áreas, com execução por trechos e com controle de qualidade nada rigoroso; além de substratos em que as temperaturas atinjam entre 45º e 50ºC”, enumera o engenheiro.
A poliureia é um material nobre e de desempenho elevado, que exige alto grau de especialização para a aplicação
Firmino Siqueira Filho
O produto deve ser adquirido de maneira consciente, sempre optando por fabricantes reconhecidos no mercado. No momento da negociação, o comprador também precisa deixar claras as informações sobre as propriedades (físicas, químicas e mecânicas) que o produto final deverá apresentar para atender às particularidades de cada obra. O projeto precisa detalhar o uso ou não de topcoat (membrana de acabamento) e dados sobre quais equipamentos devem ser empregados na aplicação.
Aplicação
“Esse é o ponto crítico, pois a poliureia é um material nobre e de desempenho elevado, o que exige alto grau de especialização para a aplicação”, destaca o engenheiro.
A solução é composta por química fina, com baixa tolerância a desvios e margens de erro. O procedimento começa com a rigorosa preparação do substrato. Durante a aplicação, deve ser realizado controle da umidade, temperatura e pressão da máquina, além disso, a regularidade da espessura precisa ser permanentemente mantida. “A solução exige projeto específico, elaborado junto com o estrutural, arquitetônico e complementares. E, ainda, contar com rigoroso fiscal de campo na fase de aplicação”, complementa.
A absorção de água da membrana é de 0,1 a 0,2%, ou seja, é inferior em dez vezes ou mais em relação aos impermeabilizantes tradicionais
Firmino Siqueira Filho
Em geral, os equipamentos necessários para a aplicação do produto são: bombas, compressores, desumidificadores de ar do compressor, limpadores de óleo dos compressores, mangueiras com aquecimento e cintas de aquecimento. É preciso, ainda, usar máquina dosadora computadorizada para dosagem e controle de temperatura e pressão. No canteiro, devem estar à disposição ferramentas para ajustes, desmontagem, limpeza e vedações, além das peças de reposição.
Vantagens
As maiores diferenças entre a poliureia e os produtos tradicionais de impermeabilização são a rapidez da aplicação, o rigor maior no preparo dos substratos e a severa secagem da superfície. O produto apresenta forte aderência à base seca e com rugosidade correta, com a particularidade de dispensar proteções mecânicas para trânsito de pessoas ou veículos. “A absorção de água da membrana é de 0,1 a 0,2%, ou seja, é inferior em dez vezes ou mais em relação aos impermeabilizantes tradicionais. Sua cura e endurecimento acontecem em até 12 segundos”, fala o especialista.
Parâmetros de qualidade
Em 2016, foi publicada a ABNT NBR 16545 – Revestimentos de alta espessura com sistemas de poliureia e híbridos de poliureia/poliuretano – Requisitos de desempenho. “Porém, ainda não existe uma norma específica para aplicação da solução na construção civil. Sem o documento, não temos ainda uma referência clara dos parâmetros para o setor”, finaliza Siqueira.

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