Materiais de construção antifogo são desafio à indústria

Grupos de engenheiros defendem que certificações sustentáveis só sejam concedidas a edifícios que forem resistentes a incêndio

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Incêndios em edifícios causam 4 mil mortes por ano na Europa
A indústria de materiais de construção da Europa está à frente de pesquisas que buscam criar produtos que sejam imunes ao fogo. Os avanços foram debatidos em vários simpósios e conferências realizadas no continente, entre maio e setembro de 2017. Quem lidera o movimento é a Fire Safe Europe (FSEU), para quem a denominação de construção sustentável só será 100% verdadeira quando as edificações, e os materiais empregados nas obras, conseguirem ser “imunes” ao fogo.
Em um dos eventos promovidos pela FSEU o palestrante foi Karl Downey, gerente de construção sustentável da European Cement Association (CEMBUREAU). Ele também integra o Concrete Initiative – movimento que apoia construções de prédios com a tecnologia de paredes de concreto. Seus integrantes defendem que o concreto é o material com a melhor eficiência quando o assunto é resistência ao fogo. “Infelizmente, quando se trata de construir sobre os preceitos de sustentabilidade, o fogo não é levado em consideração”, diz Karl Downey.
O representante da CEMBUREAU critica os certificadores de construções sustentáveis, alegando que eles ignoram as normas de resistência ao fogo. “Geralmente, o fogo não é apresentado como um problema de sustentabilidade. Talvez, por que seja tratado em um contexto diferente, ou inserido em questões como eficiência energética. Mas nosso entender é de que um edifício sustentável só pode realmente receber essa denominação se for resistente a incêndios”, afirma. 
O movimento Concrete Initiative atua para que normas técnicas europeias sejam revistas, a fim de que abranjam a resistência ao fogo nos pontos em que se referem a construções sustentáveis. “Temos novas propostas para que sejam definidos quesitos como desempenho energético. Acreditamos que a sustentabilidade deve ser resiliente a condições climáticas extremas e condições de incêndio”, afirma Karl Downey, revelando a razão pela qual apoia construções com paredes de concreto. “O concreto não gera combustão, não derrete, não emite gases tóxicos e atua como um escudo na proteção de pessoas, quando elas escapam de um incêndio”, completa.
Dados alarmantes
As discussões sobre incêndios em edificações aumentaram na Europa após a tragédia que atingiu o prédio Grenfell Tower, em Londres-Inglaterra, em junho de 2017. O uso de revestimento inadequado transformou um incêndio de pequenas proporções, que começou a partir do curto-circuito em uma geladeira, em uma tragédia com 79 mortes. Esse caso engrossou as estatísticas europeias. Dados da Fire Safe Europe revelam que ocorrem 5 mil incidentes de incêndio por dia no continente. 
Anualmente, 70 mil pessoas são hospitalizadas devido a ferimentos graves causados por fogo em edificações e 4 mil são mortas. Os gastos e os prejuízos causados por incêndios envolvem 126 bilhões de euros por ano na Europa, o que equivale a 1% do PIB do continente. “Projetar e fabricar materiais pensando em combater incêndios deve ser prioridade na indústria da construção. Caso contrário, continuaremos a conviver com histórias tristes causadas pelo fogo, e que poderiam ser evitadas”, finaliza Karl Downey.
Entrevistados
– Engenheiro civil Karl Downey, gerente de construção sustentável da European Cement Association (CEMBUREAU) e integrante do movimento Concrete Initiative
– Fire Safe Europe (FSEU) (via assessoria de imprensa)
Contatos
info@eupave.eu
secretariat@firesafeeurope.eu
Crédito Foto: European Pressphoto Agency
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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