Essa casa com ares de instalação artística é capaz de se mover em até 360º

Blog da Arquitetura
Em uma entrevista, a dupla de arquitetos americanos Alex Schweder e  Ward Shelley citaram o conto dos ‘Três Porquinhos’, divulgado ao mundo pelo escritor Joseph Jacobs, no ano de 1853. Como eles lembraram, na estória, cada animal teria tido a ideia de construir uma residência diferente, que tivesse estrutura capaz de resistir às incríveis forças da natureza – ou ao lobo mau. De algum modo, parece que eles sonhavam em ser o quinto e o sexto personagens, já que projetaram um engenhoso, instável, ininterrupto e rotativo modelo de arquitetura.
O ReActor
Os movimentos modernistas de vanguarda, surgidos, principalmente, na Europa Pós-primeira Guerra Mundial – exemplo são as obras de Mies van der Rohe e do Estilo De Stijl – mostraram que não só é possível como necessária a reflexão entre arquitetura e arte abstrata. Foi neste período da história que se intensificaram as discussões acerca das moradias, seu design e influência na vida humana. Estrutura, funcionalidade, equilíbrio estético, domínio físico e dinâmica de fluxo – estas expõem, através dos ambientes, a constante transformação dos gostos e necessidades das pessoas.
Neste ano, Schweder  e  Shelley retrataram, em uma instalação interativa no OMI International Arts Center, em Nova York, a íntima relação entre arquitetura residencial e arte contemporânea. O ReActor, assim chamado, faz parte de uma série performática, com o tema “social”, do programa titulado ‘Madeira: Da Estrutura ao Recinto’. O protótipo de casa em balanço levou dois anos para ser projetado. Precisou de uma pequena equipe auxiliar para ser construído, em cerca de quatro semanas. Foi habitado pelos seus arquitetos durante cinco dias. E ficará em exposição nos próximos dois anos.
A estrutura rotativa
O ReActor possui uma estrutura simples e simétrica, composta por peças em madeira, vidro e concreto. Sua caixa mede 13 m X 2,4 m. Ela repousa sobre uma única coluna, de 4,5 m de altura, que apresenta, em seu interior, um eixo central e rolamentos. Isso permite com que a casa projetada por Schweder e Shelley possa rotacionar 360º e ainda inclinar-se para cima e para baixo quando necessário. Esse deslocamento se dá tanto pelo movimento de ocupantes quanto pela incidência de forças aleatórias, como ventos fortes. A residência precisa, então, mudar de sentido para acomodar adequadamente a distribuição de peso de todos seus elementos.
“Uma vez que é um protótipo e não há precedentes (para construir esse tipo de casa), você realmente precisa se ajustar conforme você acompanha” – Schweder, em reportagem do site Reale State.
 
Os arquitetos-artistas estudaram todas as possíveis restrições estruturais e criaram um projeto verdadeiramente fantástico. Cada possível movimento foi considerado, na proposta, para evitar que a casa se inclinasse demais ou tombasse durante sua “dança coreográfica”. Nos cinco dias na casa ReActor, Schweder e Shelley experimentaram essa relação que há entre a arquitetura e seus usuários e também um novo jeito de se conectar com o meio ambiente. O movimento constante da estrutura, apesar de desafiador, foi pouco perceptível e em nada prejudicou o conforto de sua estada.
“Nós somos astronautas na região selvagem” – os projetistas, em entrevista de The New York Times.
Seus ambientes internos
O ReActor possui janelas envidraçadas do chão ao teto. Ele dispõe de dois quartos, com camas e prateleiras de armazenamento; cozinha, com direito à fogão a gás; banheiro químico, com área de chuveiro dobrável; e uma área de estar em ambos os lados, com cadeiras para descanso. Percorrer esses ambientes é uma aventura e tanto, quase como hamsters em uma caixa científica. As pessoas “embarcadas” dentro da casa tem seus movimentos limitados. Cada passo precisa estar em sincronia com o do outro, só assim é possível encontrar o equilíbrio exato da estrutura. Como segurança, todos os utensílios, como pratos e talheres, foram presos às paredes por meio de magnetismo.
“Dentro do ReActor, quando nos movemos, o ponto do equilíbrio muda e as dicas da peça para encontrar seu novo ponto de equilíbrio. Do lado de fora, ReActor é um pouco como uma vela, e a menor brisa começa a girar. Nós realmente não compreendemos porque ele se transforma tão bem, porque não apenas aponta o vento como uma veloz, mas estamos muito felizes com isso. O movimento giratório é suave e agradável” – Schweder, em reportagem do site Reale State.

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