11 de abril de 2019

Tecnologia faz lama de barragem virar agregado do concreto

Pesquisas permitem aproveitar 100% dos rejeitos, transformando-os em artefatos cimentícios e cerâmicos

Portal Itambé
Resíduos de barragens de mineradoras: em vez de tragédias, eles podem gerar artefatos para a construção civil. Crédito: Evandro Moraes da Gama/UFMG
 
No Brasil, já existe tecnologia para transformar a lama de rejeitos de mineradoras, acumulada em perigosas barragens a montante, em agregados que podem ser empregados na produção de concreto, argamassa, cerâmica, tijolos e blocos, com aproveitamento em várias obras. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) mantém linhas de pesquisa relacionadas ao aproveitamento de rejeitos. O departamento de engenharia de minas da universidade já consegue, através do processo de calcinação (queima controlada), separar componentes da lama, como areia, pozolana e pigmentos, que podem ser reaproveitados pela indústria da construção civil.

Segundo o chefe do departamento de engenharia de minas da UFMG, Roberto Galèry, já há tecnologias que possibilitam o aproveitamento de 100% desses rejeitos e sua transformação em artefatos cimentícios e cerâmicos. “Não são tecnologias caras”, argumenta. Seu colega de departamento, Evandro Moraes da Gama, também defende que o resultado destas pesquisas possa integrar o processo de economia circular na área da mineração. De acordo com o professor, o conceito de aproveitamento total de rejeitos já é adotado em vários países, como a China, que tem como meta aproveitar 22% de seu volume de rejeitos minerais até 2022.

Pesquisas têm o apoio da ABCP e ganham impulso para virar lei
Uma casa-protótipo construída em Pedro Leopoldo-MG, pela escola de engenharia da UFMG, demonstra a viabilidade desses materiais. Estudo semelhante também envolve o grupo de pesquisa em resíduos sólidos (RECICLOS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais. Todas essas inovações contam com o apoio da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), a exemplo do que ocorre também no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CEPED), ligado à Universidade Estadual da Bahia. Nesta pesquisa, o foco está na produção de tijolos solo-cimento a baixo custo, a fim de construir habitações populares na região cacaueira do estado.

Recentemente, a tecnologia para transformar a lama de rejeitos de mineradoras em agregados e artefatos ganhou um impulso importante. Passou a tramitar no Senado Federal o projeto de lei (PL 1496/2019) que altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e obriga as empresas a destinar parte dos resíduos de mineração para a fabricação de materiais de construção. O texto determina que a lama não-tóxica seja destinada à fabricação de blocos para alvenaria, tijolos, telhas, cerâmicas e lajotas. A medida deverá ser implantada progressivamente. O objetivo é que, a partir do quinto ano após a publicação da lei, 100% dos resíduos sejam destinados à produção de artefatos para a construção civil. Atualmente, o projeto tramita na Comissão de Serviços de Infraestrutura  e depois será apreciado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado.

 
Entrevistado
Departamento de engenharia de minas da UFMG, ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e Senado Federal (via assessoria de imprensa)

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