04 de outubro de 2019

O que se sabe até agora sobre o derramamento de petróleo que avança pelo litoral do Nordeste

por: Vitor Paiva - Hypeness
Feito água e óleo, praias paradisíacas em cenários naturais esplendorosos não deveriam se misturar jamais com vazamentos, petróleo e poluição. É justamente óleo sobre a água, porém, o terrível cenário que assola a costa nordeste brasileira desde o início de setembro feito um trágico mistério. O trabalho do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) sobre as manchas de petróleo que surgiram em 113 locais em 53 cidades de 8 estados da região busca descobrir a origem e a natureza do material, que primeiro apareceu no dia 2 de setembro, nas cidades de Ipojuca e Olinda, em Pernambuco.




Nos dias seguintes a essa primeira aparição, diversas outras cidades pernambucanas, assim como pontos na Paraíba, também apresentaram manchas de petróleo – e de lá para cá o vazamento só aumentou, e somente a costa da Bahia ainda não foi afetada. No Rio Grande do Norte são até agora 43 pontos, seguido do Pernambuco, com 18, Paraíba, com 16, e Maranhã, o último estado a avistar as manchas, com 11 pontos. Já foram confirmados 13 animais atingidos pelo vazamento, com 9 tartarugas e uma ave encontradas mortas ou que vieram a morrer após o resgate.


Tartaruga encontrada coberta de óleo

De acordo com análises e investigações, todo o óleo encontrado possui a mesma origem, ainda não definida. A Petrobras veio a público confirmar que se trata de petróleo cru e não de um derivado como principal pista dessa origem, já que o óleo cru não é produzido no Brasil – e, por isso, não veio da Petrobras. A Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) está iniciando trabalho de análise de imagens de satélite que cobrem as atividades em 187 quilômetros da costa pernambucana e paraibana para tentar encontrar o início do vazamento – a principal suspeita é que tenha vindo de navios petroleiros, que teriam realizado limpezas em seus tanques e escoado os rejeitos diretamente para o mar.


Essa limpeza é uma prática proibida, mas infelizmente ainda recorrente – e a própria natureza densa do óleo encontrado sugere se tratar de eventuais sobras dessas limpezas. A solução correta é descartar esses rejeitos no porto, para que o material seja recolhido e tratado por empresas especializadas. A identificação das correntes marinhas que trouxeram o óleo para as praias do nordeste irá ajudar a encontrar os possíveis navios originais, e rastrear se o material veio do combustível dessas embarcações. A investigação, porém, ainda está em fase inicial.

Mapa dos locais afetados pelo vazamento

Vale lembrar que o petróleo cru é uma mistura altamente tóxica, com a qual a população não deve entrar em contato direto. Tocar ou pisar no material é altamente desaconselhado pelo IBAMA e, caso o contato ocorra, é fundamental que o material seja retirado com gelo ou óleo de cozinha e o local de contato seja imediatamente lavado com água e sabonete neutro – sem jamais levar as mãos sujas aos olhos ou à boca. Cuidados especiais também devem ser utilizados para animais encontrados sujos de óleo, que devem ser tratados por órgãos ambientais competentes, sem que o animal seja lavado nem devolvido ao mar sem antes passar por uma avaliação veterinária.
 
 
 
No Piauí e em outros estados, o óleo também chegou às praias preso em cocos, algas e outras vegetações. Alguns pescadores e praticantes de esportes marinhos também descobriram pontos de petróleo nas águas através da presença do óleo em seus equipamentos. A ameaça aos animais é ampla – tanto pela ingestão e intoxicação quanto pela dificuldade de locomoção que tartarugas, aves e outros animais podem sofrer cobertos pelo petróleo. Nenhuma reserva biológica ou área de preservação ainda foi atingida, mas o avanço atual das manchas pode em breve atingir praias com desova de tartarugas marinhas, animal ameaçado de extinção.


Além do IBAMA, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a Marinha e a Petrobras estão trabalhando na investigação sobre a origem e a evolução das manchas. Os próximos passos sobre a tragédia ambiental ainda são incertos, tanto a respeito da evolução da crise quanto sobre a origem do vazamento – a serem determinado a partir da análise das imagens via satélite. Em um momento em que o obscurantismo e os escusos interesses colocam ainda mais o meio-ambiente sob ameaça no Brasil, o vazamento no Nordeste é uma pequena amostra do que a ação desregrada e irrestrita humana pode provocar – em busca do lucro a qualquer custo, inclusive ao custo do futuro do planeta.
 
 



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