01 de novembro de 2019

Sérgio Palazzo: “Sob a ótica financeira, todas as rodovias seriam em concreto”

Experiente empreiteiro expõe razões que deveriam fazer as concessionárias se “apaixonarem” pelo pavimento rígido

Altair Santos MTB 2330 - Portal Itambé
Sergio Palazzo, na Paving Expo: não adianta um bom projeto se a execução não for bem feita
Crédito: Mecânica Comunicação Estratégica

Experiente empreiteiro de rodovias, o engenheiro mecânico Sergio Palazzo palestrou na Paving Expo 2019 sobre as razões que o fizeram mudar de convicção, ao longo de 40 anos, tornando-se admirador do pavimento rígido. “Eu era asfalteiro, mas me apaixonei pelo pavimento de concreto, e isso deveria acontecer com as concessionárias. Por quê? Sob o ponto de vista financeiro, toda a rodovia deveria ser em concreto. Ao longo de 30 anos de concessão, a manutenção do asfalto é incalculável e imprecisa. Então, se for pensar que o pavimento flexível requer muitas manutenções ao longo da vida útil da estrada, qualquer cálculo financeiro mostra que o concreto é muito mais vantajoso”, destaca.

Palazzo orienta os departamentos técnicos das concessionárias a conversarem com seus financeiros para que possam entender a lógica de se optar pelo pavimento rígido. “O mercado reage a preço. Senhores concessionários, conversem com seus diretores financeiros, pois a concessão vive da remuneração do capital, ou seja, se o financeiro jogar no papel o custo da manutenção ao longo do período do contrato ele proibirá o uso de qualquer pavimento que não seja o de concreto”, frisa o engenheiro, que destaca que o pavimento rígido só não se impõe sobre o asfalto quando é mal-executado. “Bons pavimentos dependem de uma boa execução. Normalmente, projetos são bem feitos. Mas se problemas acontecem é por erros de execução”, completa.

História de que pavimento de asfalto é mais barato não passa de lobby

Rodovia com pavimento de concreto depende da execução para confirmar sua competitividade sobre o asfalto
Crédito: Governo de SP

Em sua palestra na Paving Expo, Sergio Palazzo usou como exemplo o trecho em pavimento de concreto da rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo à Baixada Santista. “No fim da década de 1990, o DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S/A) abriu os arquivos da construção dessa rodovia para a USP (Universidade de São Paulo). O que ficou comprovado? O trecho em concreto foi mais barato que o pavimento flexível. O custo por quilômetro do pavimento rígido saiu por 523 mil reais contra 525 mil do asfalto. Outro dado interessante é que, após 22 anos, o pavimento rígido segue intacto e o flexível já passou por quatro intervenções para recapeamento. Então, essa história de que pavimento de asfalto é mais barato não passa de lobby”, afirma.

Sergio Palazzo finalizou a palestra relatando que sua primeira obra com pavimento em concreto foi para construir a pista de testes da General Motors, em Indaiatuba-SP. O campo de provas, que recentemente completou 45 anos, possui duas retas com 2.400 metros cada uma, além de curvas com inclinações de 10 graus e 30 graus, respectivamente. “A perfeição do pavimento permite que o veículo ande a 160 km/h. Como prova, o piloto tira as mãos do volante na curva mais acentuada e trabalha só com a energia centrífuga que a elevação permite. Isso mostra que fazer pavimento de qualidade, com boa superfície, não é só projeto. A execução é o segredo da competitividade do pavimento de concreto”, conclui. 

Entrevistado
Reportagem com base na palestra “O pavimento de Concreto em Concessões Rodoviárias”, concedida pelo engenheiro mecânico Sergio Palazzo, na Paving Expo

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