29 de novembro de 2019

Tendência mundial, mas alvo de ataques no Brasil

Por Victor Vasques - InovaSocial
Créditos: asharkyu / Shutterstock
 
Nos últimos 3 anos, as empresas (comércio, pequenas indústrias e serviços) impulsionaram o setor de energia solar. Apesar de representarem cerca de 20% do número de sistemas, este público é responsável por mais da metade da capacidade de “miniusinas” solares instaladas no país, afirma a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Não à toa, empresários viram na solução das micro usinas, muito mais que uma energia renovável, mas uma oportunidade de reduzir custos e ter autonomia; independência das redes controladas por empresas de distribuição de energia.

Apesar de ainda possuir um custo elevado, a implementação de micro usinas de energia solar acabam de pagando com o tempo, dado a sua economia mensal. Ou, pelo menos, era para ser assim. Segundo a revista Época Negócios, “em meados do mês passado, a agência [Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel] colocou em consulta pública uma proposta pela qual o dono de um sistema fotovoltaico passaria a pagar encargos e custo da rede de distribuição, o que não ocorre hoje.” De acordo com André Pepitone, diretor-geral da Aneel, esta seria uma alternativa para equilibrar a expansão das pequenas usinas e suas microrredes, evitando que os demais consumidores da rede fossem onerados pela saída deste público.

De acordo com o último levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil ultrapassou a marca histórica de 1 gigawatt de potência instalada em geração de energia distribuída. Em apenas dois anos, o número de instalações de painéis solares teve um aumento de mais de 560% e o número, que antes era de pouco mais de sete mil (7.400), saltou para 49 mil unidades em todo o Brasil. Na prática, o aumento dos encargos para donos de sistemas fotovoltaicos soa muito mais como um protecionismo de mercado, do que uma medida para equilibrar o cenário. E não é à toa. Segundo O Estado de S. Paulo, “a hidrelétrica de Belo Monte aciona, nesta semana, a sua última turbina para retirar energia das águas do rio Xingu, em Altamira, no Pará.”

Aliás, só o impacto social de Belo Monte na região de Altamira já merece um texto próprio. Como é afirmado na matéria do Estadão, Altamira foi considerada a segunda cidade mais violenta do país em 2017. Além disso, a promessa de um sistema de saneamento de primeiro mundo nunca chegou. “A cidade, que viu parte de seu território ser inundada por um lago de 478 quilômetros quadrados, também viu inchar a demanda por seus serviços públicos de saúde, educação e segurança, estrangulados pelo crescimento de uma população que saltou de cerca de 100 mil habitantes em 2010 para aproximadamente 150 mil, atualmente.”

Voltando a discussão sobre energia solar, mesmo que seja vantajoso do ponto de vista ambiental e de economia para o usuário final, as micro usinas e a debandada do consumidor para microrredes não é vista com bons olhos pelas distribuidoras e governo. A verdade é que, quanto mais consumidores partem para a independência, mais a conta das hidroelétricas e dos formatos tradicionais “não fecham.” O que antes era um cenário próximo do monopólio, torna-se uma concorrência acirrada, colocando na mão do consumidor a decisão de compra.


Energia Solar & Microrredes: No Brasil, embate. No mundo, tendência
 
Enquanto discutimos encargos para energia solar, o resto do mundo investe em soluções neste cenário (e invejam a irradiação solar do Brasil que, segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, diariamente recebe entre 4.444 Wh/m² [watt-hora por metro quadrado] a 5.483 Wh/m²). Uma destas soluções foi criada pela californiana BoxPower, startup fundada pelo americano Angelo Campus, considerado um dos principais empreendedores sociais abaixo dos 30 anos, na edição 2019 da Forbes 30 under 30.

O sistema, que leva o mesmo nome da empresa, é uma microrrede de energia solar que pode ser montada e começa fornecer energia em menos de 24 horas. “Nós, de brincadeira, nos chamamos de Ikea [empresa sueca de móveis que permite que seus produtos sejam montados pelos próprios clientes] das microrredes porque são necessárias apenas algumas montagens, mas que são codificadas por cores, pré-cortadas e pré-perfuradas”, diz Campus em entrevista para a Fast Company. Ele completa “qualquer pessoa que possa montar uma cômoda da Ikea pode montar nossa matriz solar em cima do contêiner. Não requer nenhum equipamento ou maquinário pesado.”

 

Formatado para caber dentro de um contêiner padrão de 20 pés (6 metros de comprimento, por 2.4 de largura e 2.5 de altura), o kit da BoxPower vem como painéis solares e racks, juntamente com uma bateria pré-instalada, inversor e um gerador de reserva, que funciona com combustíveis fósseis, para que ainda possa ser usado se houver uma série de dias nublados e a bateria ficar fraca.

O sistema pode fornecer cerca de 50 kWh de eletricidade, ou o suficiente para abastecer três ou quatro residências; ou um negócio que consome muita energia, diz a empresa. Se um desastre for iminente – como um furacão, que pode lançar detritos nos painéis solares – todo o sistema pode ser rapidamente desmontado e embalado de volta no contêiner de remessa.

Além do formato padrão, a BoxPower possui uma solução menor, que pode ser transportado em uma caminhonete, e consegue alimentar uma residência. Diferente da solução de contêiner, que inicialmente foi projetada para regiões de desastre, o kit residencial é bem menor e possui um prazo de entrega maior, de quatro a seis semanas e pode ser instalado em um dia.
 
 

Angelo afirmou para a Fast Company que “[as microrredes alimentadas por energia solar] estão rapidamente provando ser a maneira mais econômica e confiável de fornecer energia a comunidades, instalações [de emergência], residências, empresas e assim por diante (…). Nos próximos 5 a 10 anos, acho que podemos esperar uma adoção maciça de tecnologias de microrredes nos EUA e no mundo.”


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