07 de fevereiro de 2020

Prédio é o 1º do mundo a gerar toda a água que consome

Cimento Itambé
Edifício Eurobusiness incorporou todo o tratamento de águas cinzas e negras no telhado verde. Crédito: Petinelli

O edifício corporativo Eurobusiness, em Curitiba-PR, recebeu em 2019 a certificação LEED Zero Water e foi reconhecido pelo US Green Building Council (USGBC) como o 1º do mundo a se tornar autossuficiente na geração da água que consome. Para obter independência do abastecimento fornecido pela concessionária pública, o prédio utiliza várias fontes alternativas de água, que incluem aproveitamento de água da chuva, água proveniente da condensação do ar-condicionado, poço artesiano e tratamento de águas cinzas e negras. 

Com 14 andares, o prédio trata 100% de suas águas residuais (cinzas e negras), através de um wetland (zona de raízes) localizado em seu telhado. As águas residuais tratadas são posteriormente reutilizadas para descarga nos vasos sanitários e o excedente é infiltrado no solo. Por isso, nenhum produto químico é usado no processo de tratamento. Já a água potável utilizada no edifício vem do poço artesiano instalado no local. Isso permite que a água proveniente da rede pública sirva apenas como fonte de reserva. 

Construído em 2016, o Eurobusiness foi projetado para usar apenas 55% da água fornecida pela concessionária. Porém, o aprimoramento dos sistemas alternativos – uma exigência para que obtivesse o selo LEED Zero Water – fez com que a autonomia da edificação aumentasse ano a ano. Em 2017-2018, a rede pública forneceu apenas 18% da água consumida pela edificação; em 2018-2019, esse percentual caiu para 10%. A princípio, os gestores do prédio buscavam a certificação LEED Platinum, mas a tecnologia de reúso da água incorporada ao projeto permitiu que alcançasse a LEED Zero Water.

Tecnologia gera economia de 650 mil reais por ano ao condomínio do Eurobusiness

Além do aproveitamento da água, o edifício tem 38 painéis fotovoltaicos, que auxiliam na redução de consumo de energia da rede elétrica convencional. A tecnologia adotada na construção do Eurobusiness gera economia de 650 mil reais por ano ao condomínio, que conta com 62 unidades comerciais, de 110 a 350 m². O aparato não atende apenas edifícios corporativos, mas também está disponível para empreendimentos residenciais, que têm um consumo de água ainda mais elevado e geram mais águas cinzas, provenientes da lavagem de roupas e banhos.

Uma das inovações do Eurobusiness é o armazenamento de água da chuva no telhado. Segundo o código de construção de Curitiba, as águas reutilizadas precisam ser armazenadas em uma bacia hidrográfica para reduzir as taxas de escoamento. Em um design convencional, esses sistemas seriam alojados no subsolo, ocupando o espaço de cerca de duas vagas de estacionamento. Para liberar espaço na garagem, o telhado foi transformado em uma piscina com capacidade para receber lamina d´água com 11 centímetros de espessura. 

Parte da lâmina d’água foi coberta com cascalho fino e recebeu macrófitas – plantas aquáticas que prosperam na água ou perto dela. A zona úmida construída faz parte do sistema de tratamento das águas residuais. “Isso foi fundamental para o sucesso do projeto”, ressalta Guido Petinelli, CEO da Petinelli (empresa de consultoria em sustentabilidade para edificações que buscam certificação LEED), e que atuou no Eurobusiness.

Entrevistado
US Green Building Council (USGBC) (via assessorial de imprensa)

*Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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