Logotipo Engenharia Compartilhada
Home Capítulos

Qualidade, meio ambiente, tecnologia e controle tecnológico

Capítulos 1 2 3 4 5 6 7

Capítulo II

Procedimentos de valorização dos processos da qualidade e do controle tecnológico para a obtenção de produtos e serviços

7.2. Conceituação de valorização da qualidade e do controle tecnológico

7.2.1. Introdução

Esta seção tem como finalidade definir os objetivos e as diretrizes a serem observados na valorização da qualidade e controle tecnológico para a criação e desenvolvimento de um projeto.
 
A valorização da qualidade do projeto inclui os processos para assegurar que o projeto satisfaça às necessidades para o qual foi criado e engloba todas as atividades (áreas de conhecimento da empresa) que estabelecem as normas, os objetivos e a responsabilidade de cada participante.

7.2.2. Responsabilidades da direção

  • Metas
Significam parte dos objetivos a serem atingidos a curto prazo, e em geral setorizados, e devem ser sempre mensurados e monitorados ainda enquanto processos, planos e projetos.
  • Táticas
São as formas e os caminhos adotados, em obediência aos planos e aos projetos, para se atingir as metas.
  • Decisões e Ações
Correspondem às atitudes, aos comportamentos e aos processamentos direcionados ao cumprimento das estratégias, dos planos e dos projetos; obedecem aos planos e às táticas e têm como referencial as metas.
 
São os trabalhos propriamente ditos, realizados pelas pessoas e pela empresa.
  • Resultados
São as medidas quantitativas e/ou qualitativas do desempenho da empresa e/ou processos que, se comparados com as metas, tanto podem apresentar “superávit” ou “déficit”.
 
Devem sempre ser acompanhados durante o processo e aparecer devidamente mensurados ao seu final e ainda comparados com outros referenciais de excelência.
 
Pode-se então extrair a política da qualidade.
 
Em linha com as definições e as ações, esta deve ser comunicada intensamente na empresa, por meio de simpósios, palestras, quadro de avisos, entre outros.
 
Todos devem conscientemente entendê-la.

7.2.3. Concepção e planejamento dos processos

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.3.1. Introdução

No estabelecimento do marco conceitual deve - se levar em conta as três fases dos processos (antes, durante e depois).
 
Isto indica que os processos deverão classificar-se em três tipos diferentes:
  • planejamento e direção (o antes);
  • execução, operação e controle (o durante);
  • avaliação (o depois).
Na execução dos processos se desenvolvem as estruturas gerais baseadas na prática e na experiência dos integrantes na execução de trabalhos similares, e se estabelecem os aspectos afins que devem ser levados em conta para a normalização.
 
Portanto, os processos descrevem a forma como se propõe levar a efeito uma empresa, considerando-se os requerimentos dos termos de referência da execução.
 
A normalização dos processos responde a uma seqüência desde a concepção, o planejamento e a organização de todas as operações que compõem um processo numa forma lógica e controlada.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.3.2. Marco conceitual

De acordo com o estabelecido nos termos de referência, considera-se importante, para a garantia da qualidade, a definição para cada processo do antes, do durante e do depois; com esta definição  assegura-se que durante todo o processo, desde sua planificação, execução e até o encerramento, deve-se levar a cabo a análise do desempenho do processo, o monitoramento dos controles, das responsabilidades, dos registros e das revisões e verificações para garantir a qualidade do produto ou serviço.
 
Associado a cada processo ou atividade, os responsáveis pelo antes, pelo durante e pelo depois formam a matriz de responsabilidade.
 
A determinação do antes, do durante e o do depois pode levar-se até o nível de detalhe que se deseje de acordo com as necessidades do projeto, segundo o detalhamento que se faça deste e levando-se em consideração o estudo de viabilidade técnica e econômica a partir do ciclo de vida do projeto, onde se identifica claramente o antes, o durante e o depois.
 
Assim, para as funções estratégicas, técnicas, operacionais e instrumentais contempladas para a execução do projeto, definem-se o antes, o durante e o depois; o mesmo para cada uma das atividades que as conformam.
 
A seguir são descritos as fases que compõem o projeto e os processos.
 
Posteriormente se descreverá para cada uma das funções - como estratégicas, técnicas, operacionais e instrumentais - como são e como ocorrem o antes, o durante e o depois, isto é, como será o processo da empresa ao longo de suas quatro fases para as atividades que compõem cada função.
 
Estes processos são gerais, pois descrevem de forma geral as atividades da empresa.
 
Os processos detalhados para cada atividade fazem parte do sistema de qualidade proposto e são realizados seguindo uma norma fundamental ou parâmetros para a realização de processos.
 
Esta norma fundamental é descrita neste capítulo, bem como os processos detalhados.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.3.3. Processos correspondentes à execução dos produtos que fazem parte do projeto

7.2.4. Qualidade e controle tecnológico por processos como atividade do planejamento estratégico de uma empresa e criação e desenvolvimento de um projeto

7.2.5. Manual da qualidade da empresa

Manual da qualidade é um documento onde se estabelece a política da qualidade de uma empresa e se descreve a forma com que tal política é posta em prática; é portanto um documento de caráter geral, não ligado a um determinado projeto.
 
Em outras palavras: cada interveniente na execução de um projeto (empresas de arquitetura, engenharia, construtores, montadores, controle da qualidade, fornecedores, entre outros) tem seu próprio sistema da qualidade (bom ou mau, conhecido ou não conhecido) e a descrição desse sistema constitui seu manual da qualidade; mesmo que não exista, sempre pode ser descrito: basta descrever a realidade do que é feito quanto à qualidade e seu controle.

7.2.6. Manual da qualidade para criação e desenvolvimento de um projeto (empreendimento)

Este é outro documento exigido pela norma.
 
Na realidade, este manual deve refletir o projeto (empreendimento) em relação aos requisitos da norma, ou seja, é o retrato da organização visto pela norma.
 
Neste ponto as normas NBR ISO 9001-2000 e a NBR ISO 9004-2000 devem ser entendidas e consultadas para a montagem deste manual.
 
O objetivo desse documento é retratar formalmente o sistema de gestão da qualidade do empreendimento, através da identificação de seus processos, determinando seus objetivos e diretrizes a serem seguidos de acordo com a Norma NBR ISO 9001-2000.

7.2.7. Relação de manuais da qualidade

  • manual da qualidade do empreendedor como empresa;
  • manual da qualidade do empreendedor voltado para o projeto;
  • manual da qualidade do gestor para a implantação do projeto;
  • manual da qualidade da empresa de arquitetura voltada para o projeto;
  • manual da qualidade da empresa de projetos de engenharia;
  • manual da qualidade de empresas auxiliares de engenharia;
  • manual da qualidade das empresa construtoras, montadoras e instaladoras;
  • manual da qualidade da empresa de controle tecnológico.

7.2.8. Plano da qualidade

Plano da qualidade é um documento que descreve a aplicação do manual da qualidade a um determinado projeto. Alguns autores o denominam Programa da qualidade, porém a ISO (International Standardization Organization) não emprega a palavra programa (pois apresenta um sentido vago, sem um significado preciso no contexto da garantia da qualidade), mas sim a palavra plano.

7.2.9. Medidas de garantia da qualidade

Medidas de garantia da qualidade são ações dirigidas para atingir a quantidade ou para demonstrar que esta foi conseguida. A natureza destas medidas pode ser técnica (quando se refere à realização material de algo) ou humana (quando se refere a aspectos pessoais ou de organização).

7.2.10. Garantia da qualidade

A expressão garantia da qualidade faz referência a um conjunto de medidas orientadas para atingir a qualidade e, em particular, para evitar ou detectar erros em todas as fases do processo e gerar confiança no sucesso do projeto em alcançar os padrões relevantes à qualidade.
 
Nesse sentido amplo, a expressão identifica-se com a gestão da qualidade.

7.2.11. Conclusão

O controle da qualidade é uma parte da garantia da qualidade; de um modo geral, poder-se-ia dizer que controle da qualidade compreende fundamentalmente medidas técnicas e a garantia da qualidade, medidas humanas (aspectos pessoais, como a formação, a motivação, etc, e aspectos de organização, como a forma de circular a informação, de tomar decisões, etc).
 
Estes interagem entre si e com os processos das áreas de conhecimento interno e externo à empresa e podem envolver o empenho de um ou mais indivíduos ou grupo de indivíduos.

7.2.12. Qualidade junto aos participantes do projeto

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.12.1. Participantes

As definições anteriores podem ser aplicadas no âmbito particular de cada um dos intervenientes do processo da criação e do desenvolvimento de um projeto: empreendedor, projetista, gestor, construtor, montador, controle tecnológico, etc. e devem atender às aspirações de documentação e quanto ao produto do projeto.
  • empreendedor
O empreendedor prepara um plano da qualidade, quer dizer, um documento que descreve as medidas de garantia da qualidade que devem ser tomadas no projeto.
  • gestor do projeto
Normalmente, para empreendimentos de porte, ou aqueles específicos, o empreendedor contrata empresas que assumem o papel do empreendedor, principalmente na fase de implantação.
 
O plano de qualidade do gestor deverá estar em consonância com o do empreendedor.
  • intervenientes
Cada interveniente no projeto tem seu próprio manual da qualidade e elabora ao caso particular um plano da qualidade, mostrando a aplicação do seu sistema a esse projeto específico.
O conjunto de planos da qualidade dos participantes tem que ser coerente com o plano da qualidade especificado pelo empreendedor.
  • omissão
Em muitos casos podem-se omitir os planos da qualidade de alguns participantes, quanto que, ao contrário, o plano da qualidade do empreendedor é sempre necessário e sua extensão pode ser desde simplesmente uma ou duas páginas nos casos correntes detalhado até um documento amplo e muito detalhado.
  • quantidade de medidas
O tipo e quantidade de medidas de garantia da qualidade contidas no plano dependerá do equilíbrio entre o nível desejado de redução de riscos e o custo correspondente.
  • características do produto
Em cada contrato, dentro da seqüência de contratos (empreendedor/projetista, empreendedor/construtor, empreendedor/fornecedor, empreendedor/equipamentos do ativo, entre outros), devem ser definidas as características importantes do produto que, na percepção do cliente, podem influir em sua preferência.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.12.2. Exemplo: forma esquemática em relação aos participantes de um projeto

7.2.13. Visão geral da qualidade

  • prevenção em vez de inspeção: o custo de prevenir erros é sempre menor que o custo de corrigi-los, quando descobertos em inspeções.
  • garantia da qualidade: a qualidade é obtida com planejamento e boa execução das tarefas, e a inspeção somente registra o cumprimento ou não da tarefa.
  • garantia apressada: cumprir os prazos estabelecidos no cronograma realizando inspeções planejadas de forma apressada pode trazer conseqüências negativas se as conformidades passarem despercebidas.

7.2.14. Custo da qualidade

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.14.1. Introdução

Quando se fala da qualidade e dos custos; devem ser considerados dois aspectos distintos:.
  • controle de custos: não se refere à comprovação de custos e sim ao sistema de gestão de custos
  • custos da qualidade: um conceito importante que será tratado no orçamento para implantação de um projeto.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.14.2. Controle de custos

Muitas atividades geram custos que não são possíveis de se conhecer de antemão, com precisão. Por isso, convém monitorar as zonas de incerteza e prever os custos a cada momento, se for possível em termos de probabilidade.
 
Esta previsão, de caráter contínuo, consiste essencialmente em:
  • obter informação atualizada dos custos reais e comparar esses custos com os planos/objetivos;
  • estimar os custos finais;
  • efetuar as correções necessárias.
Com base nessas considerações é possível estabelecer a seguinte seqüência de ações:
  • identificar todos os conceitos que geram custos (materiais, equipamentos, mão de obra, seguros, penalizações, etc.).
  • estimar as incertezas (com respeito às previsões) de cada conceito gerador de custos, sem ser otimista e expressar estas incertezas em termos de probabilidade.
  • determinar qual informação sobre custos é realmente necessária e como se deve obtê-la.
  • prever o custo final da construção, levando-se em conta as incertezas desde agora até o término da construção.
  • comparar esse custo previsto com o orçado e informar aos participantes de forma clara.
  • tomar medidas adequadas caso existam grandes discrepâncias entre os dois valores.
  • comprovar se essas medidas podem ser tomadas sem afetar a qualidade planejada.
  • retroagir a informação ao ponto de repetição do ciclo de forma regular em datas predeterminadas.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.2.14.3. Custo da qualidade

Chama-se “custo da qualidade” aquele que resulta de não conformidade (rejeição) de materiais, produtos, unidades de obra, serviços, entre outros.
 
Os custos da qualidade podem agrupar-se em três tipos:
  • Controle Preventivo (CP);
  • Controle de Comprovação (CC);
  • Controle das Falhas (F).
Os dois primeiros (CP e CC) são gastos de inversão e o terceiro (F) é um gasto de consumo.
 
A soma dos três (custo da qualidade) é uma parte do custo total da construção.
 
O restante(custo de produção) pode ser considerado constante, quer dizer, independente do custo da qualidade.
 
O sistema de gestão da qualidade mais adequado é aquele que reduz ao máximo o custo total, ou seja, que consegue um custo da qualidade o mais baixo possível.
 
Do exposto, fica claro a conveniência de se ter uma avaliação do custo da qualidade para cada projeto, já que o valor resultante é um bom índice da eficácia do processo.
 
O custo da qualidade pode ser dividido da seguinte forma:
  • Custos do Controle Preventivo (CP)
    • CP 1 - Sistema de gestão da qualidade (implantação e manutenção do sistema).
    • CP 2 - Controle do processo (resolução de problemas da qualidade à medida que surgem e ajuste do plano da qualidade mediante ações corretivas).
    • CP 3 - Aquisição de equipamentos para medições e ensaios, entre outros.
    • CP 4 - Formação e treinamento de pessoal e programas de motivação da qualidade.
    • CP 5 - Estudos e ensaios especiais.
    • CP 6 - Auditorias internas da qualidade.
  • Custos do controle de comprovação (CC)
    • CC 1 - Ensaios de materiais e inspeções em obra.
    • CC 2 - Aferição e gastos de manutenção dos equipamentos de ensaio.
    • CC 3 - Análise de resultados.
    • CC 4 - Pesquisas especiais de laboratório ou em obra.
  • Custo das falhas (F)
    • F 1  -  Substituição de materiais, produtos ou unidades de obra defeituosos.
    • F 2  -  Inconvenientes advindos de materiais, produtos ou unidades de obra defeituosos.
    • F 3  -  Deterioração de materiais e produtos armazenados inadequadamente.
    • F 4  -  Perda ou desgastes evitáveis.
    • F 5  -  Contra-prova (ensaios de confirmação).
    • F 6  -  Gastos originados por reclamações (incluindo gastos de reuniões, ajustes de preço).
    • F 7  -  Imobilização ou ociosidade dos meios materiais e humanos, enquanto se esperam decisões sobre aceitação, correção, reparação, etc.
    • F 8   -  Encargos ou gastos referentes a terceiros por falta de precisão no próprio trabalho (por exemplo, falhas de tolerâncias).
    • F 9   -  Penalizações por descumprimentos.
    • F 10 -  Gastos financeiros por garantias e fianças.
    • F 11 -  Perdas de clientes (caso se possa quantificar).

7.3. Processo do planejamento da qualidade e do controle tecnológico

7.3.1. Introdução

O planejamento da qualidade e do controle tecnológico é parte importante, chave, dos processos de planejamento e do desenvolvimento do plano de valorização do projeto; envolve a identificação dos padrões de qualidade e a definição de como atender a esses padrões.
 
O planejamento da qualidade e do controle da qualidade é um dos principais processos facilitadores durante a execução do controle e de sua garantia.
 
Deve ser realizado regularmente e em paralelo com os outros processos de planejamento do projeto e deve ser adotado durante os ciclos e as etapas de criação e desenvolvimento de um projeto:
  • estágio I - ciclo das intenções para a implantação (estratégico empresarial e tático);
  • estágio II - ciclo de avaliação para a criação e o desenvolvimento (estratégico empresarial e tático);
  • estágio III - ciclo de consolidação do plano operacional e do detalhamento dos seus procedimentos para a criação e o desenvolvimento (estratégico tático / operacional);
  • estágio IV - ciclo de implantação do projeto (estratégico tático e operacional);
  • estágio V - ciclo de operação do projeto (estratégico tático e operacional).
Desta forma consegue-se atingir a qualidade desejada ao menor custo possível, assegurando um nível elevado de confiabilidade de um projeto quanto ao seu desempenho.
 
De acordo com a ISO 9000, o planejamento das atividades deve descrever o sistema da qualidade do projeto: a estrutura organizacional, as responsabilidades, os procedimentos, os processos e os recursos necessários para a implementação do gerenciamento da qualidade.

7.3.2. Custo/benefício do controle da qualidade e do controle tecnológico

Quando consideramos a questão da qualidade do ponto de vista empresarial, o primeiro questionamento é o aspecto econômico.
 
A idéia que prevalece é de qualquer providência que venha a ser tomado em relação à qualidade e ao controle tecnológico traz consigo o aumento de despesas e o conseqüente acréscimo de custos do processo produtivo.
 
Porém, inúmeras empresas têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o seu patrimônio e sua organização.
 
O equilíbrio entre custo e beneficio na aplicação do controle da qualidade e do controle tecnológico é fundamental, considerando-se  que o principal objetivo de atender aos requisitos da qualidade é tomar todas as precauções para que não ocorra rejeição dos produtos, dos serviços, dos materiais, dos equipamentos do ativo, entre outros, sem qualidade, e ocorra menor retrabalho, o que irá resultar em situações constrangedoras.
 
Portanto, os custos de investimento da qualidade e do controle tecnológico envolvem os custos de prevenção, os custos de falhas, os custos de falta de qualidade e aqueles imensuráveis como por exemplo a imagem perante a sociedade (acionistas, futuros clientes e o próprio pessoal que está envolvido na execução dos trabalhos).
 
shadownbox
 
 
 
 
 
 

7.3.3. Elementos essenciais do planejamento da qualidade e do controle tecnológico

Na formulação do planejamento da qualidade de um projeto é de suma importância que se leve em consideração:

shadownbox

7.3.4. Atributos do processo da qualidade e do controle tecnológico

O processo da qualidade e do controle tecnológico estão relacionados a uma ou mais características que um produto ou serviço pode ter. Para a obtenção de um bom planejamento do processo da qualidade e do controle tecnológico deve-se considerar:
  • adequação do projeto de arquitetura e engenharia do produto ou do serviço: medida da adequação do projeto às necessidades de adequação ao uso; por sua vez, dependerá da:
    • quantidade e qualidade das premissas da inserção dos dados para a formulação do projeto;
    • qualidade da pesquisa de mercado (que identificará o que é “adequação ao uso” para os usuários);
    • qualidade do conceito (a escolha do produto/serviço que atenderá às necessidades dos usuários);
    • qualidade dos projetos de arquitetura e engenharia e das especificações detalhadas do produto/serviço;
  • conformação na execução dos serviços e dos produtos: a extensão em que o produto e/ou serviço atende ao projeto como um todo, ao projeto arquitetônico e de engenharia, e que envolve a tecnologia e a qualidade dos serviços, dos materiais, da mão de obra empregadas, dos equipamentos de execução de serviços e dos produtos acabados e outros aspectos, como ferramentas de garantia ou segurança da qualidade.
  • característicos do processo da qualidade: são os aspectos elementares de um produto ou serviço que são as células do seu conceito da qualidade.
“Um conjunto de característicos, interagindo entre si, determina uma característica do produto” ou serviço: por exemplo, “os constituintes que misturados em doses específicas (Característicos) determinam o concreto (Característica), depende da areia (que por sua vez depende da granulometria, da umidade, dos torrões de argila, entre outros) depende dos agregados (que dependem da curva granulométrica, do material pulverulento, entre outros).”
  • desempenho: o produto ou o serviço realmente corresponderá ao que se espera e o quão bem fará isso.
  • confiabilidade: com que freqüência o produto ou o serviço deixa a desejar (falha).
  • durabilidade: por quanto tempo o produto ou serviço irá durar.
  • manutenibilidade: facilidade para reparar o produto ou o serviço.
  • estética: qual é a aparência do produto ou do serviço (desenho).
  • características: o que o produto ou o serviço faz, o que ele apresenta como diferencial.
  • qualidade percebida: qual é a reputação da companhia responsável pelo produto ou pelo serviço.
  • conformidade com padrões: o produto ou o serviço é exatamente igual ao que os projetistas pretendiam que fosse.

7.3.5. Atributos do processo da implantação do planejamento da qualidade e do controle tecnológico

7.3.6. Algumas implicações práticas das dimensões da qualidade e do controle tecnológico

  • líder, facilitador que assuma a responsabilidade de:
    • gerir o processo de aperfeiçoamento;
    • monitorar a eficiência e a eficácia;
    • definir os processos;
    • identificar clientes e fornecedores;
    • definir indicadores de desempenho;
    • nomear os encarregados responsáveis pelos processos.
  • matricialidade
Todo o pessoal está baseado inicialmente em seus grupos funcionais e são coordenados por um gestor do processo (líder), apoiado por um grupo de pessoas de cada área funcional, encarregado de fazer as ligações”.
  • formalização
    • estabelecer definições, procedimentos e documentação;
    • estabelecer as rotinas operacionais;
    • estabelecer os inter-relacionamentos entre as atividades;
    • estabelecer responsabilidades pelas tarefas;
    • determinar os procedimentos necessários;
    • estabelecer a documentação necessária.
  • abrangência
    • relacionamento com clientes e fornecedores;
    • identificar e compreender as necessidades dos clientes;
    • alcançar acordo sobre o desempenho dos macroprocessos e processos;
    • estabelecer acordos com fornecedores.
  • pontos de controle e indicadores de desempenho
    • localizar os pontos de controle das atividades críticas que possam comprometer a eficiência do processo ou o atendimento às necessidades dos clientes;
    • estabelecer processos-chave;
    • escolher indicadores de desempenho que monitorem os processos;
    • considerar indicadores de eficiência e eficácia.
  • avaliação periódica de desempenho
O facilitador dos macroprocessos deve avaliar (formalmente) que o processo é capaz de atender aos requisitos, aos objetivos e as metas.
  • melhoria contínua
    • o aprimoramento nunca termina, é uma atividade contínua;
    • o aperfeiçoamento é dirigido para a eficácia e a eficiência;
    • simplificação, redução do ciclo e prevenção de falhas são conceitos fundamentais;
    • cada indivíduo da organização deve tornar-se um crítico do seu trabalho.

7.3.7. Fluxograma: formulação do processo do planejamento da qualidade e do controle tecnológico

7.3.8. Procedimentos gerais das funções estratégicas da qualidade e do controle tecnológico - Ciclo de implantação de um projeto

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.3.8.1. Conceituação

As funções estratégicas tratam das relações da organização com o meio, isto é, com as interfaces internas e externas que intervêm no processo da empresa na execução do projeto.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.3.8.2. Interfaces internas

As interfaces internas são compostas por elementos de execução do projeto que tenham relação com a organização da empresa nos aspectos fundamentais de sua função, principalmente aqueles que se relacionam com a programação: administrativa, técnica, de aquisições, de patrimônio, de custos e de qualidade e de qualquer outro tipo que afete o cumprimento ou o desenvolvimento do programa e as expectativas do cliente.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.3.8.3. Interfaces externas

As interfaces externas são compostas pelo empreendedor, controle tecnológico, fornecedores, subempreiteiros, outras organizações envolvidas no desenvolvimento do projeto, autoridades locais e nacionais envolvidas.

Os aspectos estratégicos da empresa são, principalmente, aqueles que se relacionam com a programação, técnica, os custos e a qualidade do produto e os de outro tipo que afetem o cumprimento ou o desenvolvimento do projeto e o cumprimento das expectativas do empreendedor e, portanto, estão vinculados, em todo caso, às interfaces externas.

Entende-se que as relações do empreendedor com estas entidades é diferente e é função da estratégia definir um sistema de relações aplicáveis para cada caso, que esteja de acordo com a forma como o cliente deseja que se conceba, organize, integre-se e um sistema que interprete a funcionalidade e a maneira como o cliente conceba a execução dos trabalhos da empresa.

As principais funções estratégicas da empresa devem ser concebidas e planejadas antes da implantação ou seja, durante os Ciclos de Avaliação e Consolidação do ciclo de vida do projeto

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.3.8.4. Tipos de funções

Dividiu-se a apresentação em três tipos de funções:
  • atividades estratégicas propriamente ditas, que se relacionam com a criação dos sistemas necessários para obter sucesso as diferentes relações com o meio, aplicáveis nos ciclos de avaliação e consolidação;
  • funções de enlace de implantação que consistirão na aplicação destes procedimentos durante o ciclo  denominado Implantação do projeto;
  • funções relacionadas a Operação do projeto.

7.3.9. Fluxograma: qualidade e controle tecnológico – ciclo da implantação de um projeto

7.4. Processo para realizar a garantia da qualidade

7.4.1. Objetivo

Esta seção tem por objetivo apresentar as diretrizes para o estabelecimento da garantia da qualidade a serem exigidas das empresas para a implantação do projeto.

7.4.2. Sistema da qualidade da empresa

Sistema da qualidade, estrutura organizacional, procedimentos, responsabilidades, processos, indicadores da qualidade e recursos para a implementação da gestão da qualidade.
 
Esta seção trata do sistema da qualidade, isto é, o existente, concebido de acordo com a política de gestão da qualidade da empresa, de caráter geral e não específico para o projeto em questão.

7.4.3. Introdução

A garantia da qualidade identifica-se com a gestão da qualidade e corresponde à execução das atividades da qualidade planejada(s) a empresa deve ter como objetivos:
  • a utilização de todos os processos necessários para atender aos requisitos da qualidade;
  • que os padrões de qualidade sejam alcançados;
  • um conjunto de medidas orientadas para atingir a qualidade, em outras palavras, evitar ou detectar erros em todas as fases do processo construtivo;
  • um conjunto de processos para a resolução de problemas ou de correções de defeitos, com abordagem consistente e rigorosa que assegure que eles sejam corrigidos de maneira eficiente;
  • referência à demonstração documentada de que foram efetuados os pertinentes controles da qualidade;
  • estabelecer os critérios de desempenho do projeto, para assegurar que o processo está funcionando e que o projeto irá atender aos padrões estabelecidos no planejamento da qualidade.
Normalmente será efetuada por meio da supervisão de uma unidade externa ao projeto (o que permite a isenção necessária para a equipe de projeto, a organização executora, o cliente ou o empreendedor), as seguintes atividades:
  • melhoria contínua relativa aos processos que devem ser implementados e aprimorados ao longo do tempo;
  •  proporcionar a redução dos desperdícios e as atividades sem valor agregado;
  • permitir melhora da eficiência e eficácia nos processos.

7.4.4. Fornecedores

Empresa subcontratada de qualquer natureza e todos os fornecedores envolvidos no projeto deverão ter sistema da qualidade implantado e compatível com o sistema de garantia da qualidade da empresa.
 
A empresa deverá ter procedimentos contemplando métodos e critérios estabelecidos para seleção, avaliação e reavaliação, com respectivos registros e ações decorrentes.
 
Somente será admitida a não existência de sistema da qualidade de participantes do projeto quando a empresa assumir integralmente e por escrito a total responsabilidade.

7.4.5. Gestão da qualidade

Modo de gestão de uma organização, centrado na qualidade, abordando o planejamento estratégico, a locação de recursos e outras atividades sistemáticas visando ao sucesso a longo prazo pela satisfação do empreendedor.

7.4.6. Processos para a formulação dos critérios da qualidade

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.1. Organização

Deve ser estabelecida uma estrutura organizacional:
  • formal e documentada para o gerenciamento, a execução e o controle das atividades relacionadas com a qualidade;
  • com a definição das atribuições funcionais, dos níveis de responsabilidade e das linhas de comunicação internas e externas;
  • em que o contratante ou o fornecedor responsável pela qualidade e pelo controle tecnológico tenha um programa de garantia da qualidade, podendo, no entanto, delegar esta tarefa, ou qualquer de suas partes, a subcontratantes, agentes ou consultores, isto, porém, sem eximir-se da responsabilidade pelo programa.
As funções da garantia da qualidade relacionam-se com os seguintes aspectos:
  • assegurar que um programa de garantia da qualidade seja estabelecido e esteja efetivamente executado;
  • verificar se as atividades que afetam a qualidade estão sendo desempenhadas corretamente, por meio de inspeções, controles e auditorias.
As pessoas e os órgãos que desempenham funções de garantia da qualidade devem:
  • ter suficiente autoridade e autonomia na organização para identificar e investigar não conformidades com relação a qualidade;
  • iniciar, recomendar ou providenciar medidas para solucioná-Ios e acompanhar a aplicação dessas medidas, até que produzam os efeitos desejados;
  • estar subordinados ou reportar-se a um nível hierárquico da organização que lhes proporcione autoridade e liberdade organizacional, inclusive com suficiente independência para sobreporem os interesses da qualidade aos condicionantes de custos e cronogramas, fazendo prevalecer a política de qualidade da empresa.
Isto certamente contribuirá para a formação, a longo prazo, de uma sólida imagem no mercado.
 
As pessoas ligadas à garantia da qualidade devem ter:
  • bom nível de conhecimentos técnicos e experiência profissional de forma a fazerem-se respeitar e poderem cumprir suas funções de maneira efetiva.
Não existe uma organização padrão obrigatória e cada empresa pode adotar aquela que lhe for mais conveniente, desde que obedeça aos preceitos mencionados e às boas técnicas de administração. No entanto, independente da estrutura escolhida, todos os indivíduos que tenham a responsabilidade de assegurar a efetiva execução de qualquer parte do Programa de
Garantia da Qualidade, em qualquer local onde as atividades respectivas sejam desempenhadas, devem ter acesso direto ao nível administrativo que lhes proporcione o efetivo desempenho de suas funções.
 
O responsável pelo gerenciamento do programa de garantia da qualidade deve ter:
  • independência para dirigir e controlar a conformidade da organização com relação aos requisitos da qualidade;
  • autoridade da direção da empresa a fim de desempenhar com autonomia as funções preestabelecidas de garantia nas atividades que afetam a qualidade dos projetos, das compras, da produção, dos testes, etc.;
  • nível hierárquico pelo menos igual ao mais alto nível dentre os órgãos que realizam atividades que afetam a qualidade, assegurando-lhe voz ativa nas discussões que se fizerem necessárias.
É de importância fundamental uma política da qualidade compatível com a faixa de mercado pretendida, que seja estabelecida pela própria alta administração da empresa, e que esta se envolva suficientemente com os problemas da qualidade pois, caso isto não ocorra, todos os demais critérios ficam prejudicados e a qualidade da empresa não pode ser considerada confiável.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.2. Programa de garantia da qualidade (PGQ)

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.3. Documentação

Esta seção estabelece que todas as atividades relacionadas com a qualidade devem ser executadas obedecendo a documentos específicos, tais como: planos, desenhos, processos, procedimentos, listas de verificação e instruções escritas e devem sempre incluir os critérios de aceitação, qualitativos ou quantitativos, permitindo um julgamento correto e inequívoco a respeito da qualidade de cada fase produzida.
 
Os documentos devem estar sempre atualizados, sofrendo revisões quando for necessário.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.4. Controle da documentação

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.5. Manuseio, transporte e armazenagem

Esta seção estabelece que devem ser adotadas medidas de controle durante o manuseio, transporte e armazenagem de materiais, equipamentos, partes e componentes de forma a evitar danos, deterioração ou perda parcial ou total.
 
Rotinas de limpeza, preservação e embalagem devem ser estabelecidas sempre que necessário, seguindo as instruções dos fabricantes, dos processos, dos procedimentos e dos planos, ou de acordo com a boa prática existente e a execução dessas rotinas deve ser controlada, sendo efetuada por pessoal especializado e treinado.
 
Sempre que itens de preço elevado ou com maior risco de deterioração ou avaria estiverem sendo envolvidos e, sempre que necessário, devem ser previstos cuidados adicionais, tais como meios próprios de transporte, embalagens protetoras, equipamentos especiais para manuseio e ambientes de armazenagem com controle de temperatura, umidade, nível de poeira, etc.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.6. Identificação e controle de materiais, partes e componentes

Esta seção estabelece que devem ser previstas medidas para a identificação e o controle de materiais, partes e componentes (incluindo-se os conjuntos parcialmente fabricados), ao longo do recebimento, da fabricação, da montagem, da instalação e utilização, sempre que for necessário.
 
Essas medidas devem permitir a rastreabilidade desses materiais, partes e componentes, pela identificação do seu número de série, do item, da corrida ou de qualquer outro meio conveniente.
 
A identificação física deve ser usada, quando necessário, com a marcação do item de maneira clara, indelével e inequívoca.
 
Quando isto for impraticável ou desaconselhável, outros meios podem ser empregados, tais como a separação física, o controle processual, etc.
 
O planejamento das medidas de identificação e controle deve visar especialmente à segregação e a não utilização de materiais, partes e componentes rejeitados durante as inspeções e ensaios.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.7. Controle de processos e procedimentos executivos

Esta seção estabelece que todos os processos de produção, instalação e operação que afetem a qualidade devem ser controlados, obedecendo-se aos requisitos e critérios especificados ou recomendados.
 
Trata-se do detalhamento de cada atividade voltado para a elaboração do projeto executivo e para a execução dos serviços específicos atendendo aos requisitos das especificações técnicas.
 
Estes deverão ser coerentes com a seqüência dos serviços e suas interfaces, dentro do padrão próprio de qualidade fixado pelo programa de garantia da qualidade da contratada.
 
Quando necessário ou conveniente, os processos devem ser executados sob condições controladas que incluam:
  • utilização de instruções, processos e procedimentos qualificados e aprovados
  • utilização de equipamentos testados e qualificados;
  • participação de pessoal especializado e qualificado para o tipo específico de serviço, incluindo-se a sua supervisão;
  • existência das condições ambientais previstas (temperatura, umidade, limpeza, etc.);
  • cumprimento anterior de todos os pré-requisitos exigidos;
  • acompanhamento por inspetores qualificados.
Alguns processos especiais podem exigir maiores cuidados na sua execução, tais como nos casos de soldas, pinturas especiais e tratamentos térmicos, etc.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.8. Planejamento, execução e controle de inspeções e/ou auditoria

Segundo esta seção deve haver um planejamento das inspeções e/ou auditoria em produtos ou processos de produção de campo, com a elaboração de programas que permitam a sua realização de maneira sistemática, cobrindo todas as atividades que afetem a qualidade.
 
Durante as inspeções e/ou auditoria, deve ser verificado se existe conformidade do material ou serviço inspecionado com os planos, as especificações, os processos, os procedimentos e as instruções pertinentes, que devem estar previamente aprovados.
 
As inspeções e/ou auditoria devem ser efetuadas por pessoal qualificado tecnicamente e treinado para a função, usando instruções e listas de verificação previamente aprova­das.
 
O planejamento deve prever os pontos ou estações da linha de fabricação que devem ter inspeção obrigatória, tal que o trabalho não prossiga sem a aprovação da fase realizada.
 
Deve estabelecer também quem são os responsáveis pela inspeção, especificando os pontos de autocontrole e os de inspeção pelo órgão de Controle da Qualidade.
 
As inspeções e/ou auditoria podem ser substituídas por monitoramento dos métodos de processamento, equipamentos e pessoal, quando for conveniente e, da mesma forma, o programa pode estabelecer inspeções e/ou auditoria e monitoramento quando ambas forem consideradas essenciais.
 
Exceto nos casos de autocontrole, as inspeções e/ou auditoria e monitoramento devem ser desempenhadas por pessoa diferente daquela que realizou a atividade controlada, não estando subordinada ao supervisor responsável por essa atividade. Quando houver autocontrole é conveniente existirem monitoramento e auditorias periódicas, para verificação da sua eficiência e levantamento das necessidades de treinamento e motivação do pessoal envolvido.
 
Os resultados das inspeções e/ou auditoria devem ser documentados e avaliados por pessoal competente.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.9. Planejamento, execução e controle de ensaios e testes

Esta seção estabelece que deve haver um planejamento e uma programação de ensaios e testes para demonstrar que os materiais, os produtos, os sistemas e os componentes funcionarão satisfatoriamente em serviço.
 
A programação poderá incluir:
  • ensaios e testes para qualificação de processos, procedimentos e equipamentos;
  • ensaios e testes para qualificação de protótipos;
  • ensaios e testes, durante a fabricação;
  • ensaios e testes pré-operacionais;
  • ensaios e testes operacionais.
Os ensaios e os testes devem ser executados atendendo a processos e procedimentos escritos que incluam os requisitos de projeto e os limites de aceitação e devem ser discriminados os pré-requisitos para cada ensaio ou teste, a qualificação do pessoal que vai executá-Ios, a instrumentação a ser utilizada e as condições ambientais necessárias.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.10. Registros da garantia da qualidade

Devem ser elaborados registros contendo as informações provenientes das inspeções e dos ensaios e testes realizados.
 
Esses registros devem ser suficientes para documentar a qualidade e a empresa deve ter a preocupação de não gerar burocracia desnecessária, que em nada contribui para a qualidade. Os registros devem ser identificáveis e rastreáveis, sendo arquivados durante o tempo especificado em contrato ou de acordo com as conveniências de cada caso.
 
Os resultados de inspeções, ensaios e testes devem registrar os seguintes dados:
  • rastreabilidade do material, da parte ou do componente avaliado;
  • data de realização;
  • pessoal responsável pela amostragem e pelo envio do material ao laboratório de ensaio;
  • pessoal responsável pela inspeção, pelo ensaio ou pelo teste;
  • tipo de inspeção, ensaio ou teste;
  • processo e/ou procedimento adotado;
  • instrumentos ou equipamentos utilizados ; observando número do patrimônio e certificado de aferição;
  • sempre que  necessário, deverá ser registrado o número de série, como no caso de produtos para a indústria nuclear;
  • resultados obtidos;
  • observações e registros importantes.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.11. Identificação de inspeções, testes e estágios de operação

Esta seção estabelece a identificação adequada dos materiais (partes, componentes, itens e equipamentos) aprovados em testes, inspeções e estágios de operação, pelo uso de estampas, marcações, carimbos, cartões, etiquetas, rótulos ou registros de inspeção e, quando conveniente, a própria segregação física pode ser utilizada, de maneira a indicar aprovação ou não, desde que impeça o uso inadvertido de produtos rejeitados.
 
Essa identificação deve ser mantida, de acordo com a necessidade, ao longo de toda a fabricação, instalação e operação do material, para assegurar que apenas sejam utilizados os materiais aprovados.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.12. Controle de instrumentos de medida e equipamentos de teste

Aqui o critério estabelece que devem ser adotadas providências para garantir que os instrumentos de medição, os calibres e outros equipamentos e dispositivos de inspeção e ensaio sejam do tipo, da capacidade, da faixa de precisão e da exatidão adequados.
 
Deve ser criada rotina apropriada para manutenção e aferição dos instrumentos de medida e dos equipamentos de teste, de acordo com suas características próprias, freqüência de uso e cuidados no seu manuseio.
 
As rotinas para aferição e manutenção devem conter:
  • periodicidade;
  • local onde serão feitas;
  • qualificação do pessoal que vai executá-Ias.
Quando a aferição indicar desvios além dos permitidos, deverá ser feita uma análise a respeito da validade das medições e testes anteriores, devendo-se reavaliar a aceitação dos materiais e equipamentos inspecionados ou testados.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.13. Controle de materiais não conformes

Este critério estabelece que os materiais (partes, componentes, equipamentos, itens) não aprovados ou rejeitados em inspeções, ensaios e testes, devem ser controlados, com identificação, documentação e segregação física, quando conveniente, e eventual retrabalho e critério de avaliação.
 
Deve ser criada uma sistemática para o tratamento a ser aplicado aos itens não conformes, estabelecendo quem tem autoridade para decidir sobre as providências a serem adotadas em cada caso.
 
Nos Estados Unidos, é usual na indústria a existência de uma comissão de revisão Material Review Board (MRB.) - que decide sobre o que fazer em caso de reprovação, estuda as causas de não conformidade bem como recomenda e acompanha a implementação de medidas que visem à prevenção de defeitos similares.
 
Esse grupo geralmente é de alto nível e tem muito prestígio e força dentro da indústria.
Sua constituição mínima inclui os seguintes membros:
  • um do departamento de garantia da qualidade que geralmente é o presidente do MRB;
  • um do departamento que projetou o item;
  • um do departamento que fabricou o item.
As pessoas que constituem o grupo variam de acordo com as especialidades envolvidas.
 
As seguintes decisões podem ser tomadas em relação aos itens não conformes:
  • se a conformidade é pontual ou crônica
  • aceitar no estado;
  • sucatear;
  • providenciar novas operações de fabricação;
  • reparar segundo o processo e/ou procedimento aprovado, ou seja retrabalho;
  • devolver ao fabricante;
  • inspecionar 100% em lotes reprovados, para separar os itens aprovados.
Os órgãos internos da empresa afetados pela rejeição do material devem ser notificados com a devida brevidade, a fim de que possam tomar outras medidas necessárias e atualizar seus planejamentos.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.14. Controle das ações corretivas

Quando existir rejeição de materiais, partes e componentes, inclusive de conjuntos ou itens parcialmente fabricados, o critério anterior estabelece que a autoridade competente pode determinar ações corretivas, tais como o retrabalho, a inspeção de 100% em lote, ou novas operações de fabricação.
 
Esta seção estabelece que essas ações corretivas devem ser executadas com a urgência necessária a cada caso, sendo acompanhadas por pessoal competente, documentadas e relatadas aos níveis apropriados da organização.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.15. Controle das ações preventivas

A organização deve definir ações para eliminar as causas de não conformidades potenciais.
  • análise de contrato (ação de prevenção);
  • análise de projeto (ação de prevenção);
  • comparações entre como executar e o que foi executado em função das não conformidades encontradas, prevendo-se a não repetição dos mesmos (ação de prevenção);
  • análises críticas para a não repetição das não conformidades (ação de prevenção);
  • treinamentos específicos para ações atuais e futuras (ação de prevenção);
  • ações de melhoria contínua (ações de prevenção).
  • análise dos indicadores, principalmente quanto a desempenho organizacional, é uma ação de prevenção.
  • Planos e projetos para melhoria destes indicadores devem ser evidenciados e operacionalizados dentro do princípio do PDCA, portanto, com este entendimento, um processo, e/ou procedimento documentado deve ser estabelecido para:
    • definição de não conformidades potenciais (pontual ou crônica) e de suas causas;
    • avaliação das necessidades de ações para evitar a ocorrência de não conformidades;
    • definição e implementação de ações necessárias;
    • registros de resultados de ações necessárias;
    • análise crítica de ações preventivas executadas.
A melhor ação preventiva é a conscientização da direção, das gerências e de suas lideranças de que quanto maior for a eficácia do sistema da qualidade adotado, menores serão os custos da não qualidade organizacional e melhores serão os indicadores de desempenho.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.16. Auditorias

Sendo um dos mais importantes, esta seção estabelece a necessidade de um programa de auditorias internas e externas a serem realizadas de acordo com planejamento global, com periodicidade a ser estabelecida, para verificar se todos os aspectos do programa de garantia da qualidade estão sendo cumpridos e se são eficazes.
 
As auditorias não devem ser realizadas de surpresa, devendo obedecer a roteiro previamente agendado e aprovado, com a utilização de procedimentos escritos e listas de verificação, cujo conhecimento deve ser dado às áreas a serem submetidas à auditoria com a devida antecedência, bem como os critérios de aceitação/rejeição.
 
É importante que os auditores sejam selecionados entre técnicos qualificados e experientes, que não tenham nenhuma responsabilidade pelas atividades submetidas à auditoria, a fim de que suas análises e julgamentos possam ser imparciais, justos e construtivos.
 
Os resultados das auditorias devem ser informados às áreas auditadas durante a própria realização da auditoria, de maneira informal e, posteriormente, de maneira oficial, devem ser informados por escrito, em relatório próprio que deve ser encaminhado à área auditada e à organização responsável por esta.
 
Como aspecto de suma importância, deverá haver acompanhamento (pelos auditores), das ações para correção das deficiências encontradas na auditoria, até que elas sejam cabalmente implementadas e se mostrem efetivas.
 
Caso isto não possa ser cumprido, a própria validade da auditoria fica comprometida.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.17. Planejamento inicial da qualidade

Fica estabelecido, de acordo com esta seção, que devem ser previstas medidas que possibilitem a revisão de todos os documentos pertinentes, antes do início do primeiro processo de fabricação, para verificar se todos os requisitos do cliente ou do projeto foram contemplados nas especificações, nos desenhos, nos processos, nos procedimentos e nas instruções.
 
Da mesma forma, antes da assinatura de um contrato, devem ser estabelecidas medidas para qualificar se os fabricantes potenciais possuem capacidade de processos, equipamentos, procedimentos, práticas e de pessoal para assegurar a qualidade desejada ao produto.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.18. Controle estatístico de processos relacionados à qualidade (CEQ)

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.19. Fatores impositivos e condições específicas

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.4.6.20. Procedimentos executivos

Após aprovação pela empreendedora do programa da garantia da qualidade, a empresa deverá apresentar os procedimentos executivos para a sua liberação.
 
O planejamento para realização das atividades executivas deverá contemplar: planejamento técnico, planejamento físico-financeiro e o plano da qualidade.
 
O plano da qualidade no âmbito da produção deverá contemplar, pelo menos, os itens a seguir:
  • organização da obra e responsabilidades;
  • objetivos da qualidade e requisitos da obra;
  • estabelecer processos e documentos e prover recursos específicos para a obra (verificação, validação, monitoramento, inspeção e atividades de ensaios requeridos, bem como os critérios de aceitação da obra ou partes dela).
O cronograma de apresentação destas informações cabe à contratada, prevendo uma antecedência mínima de 15 dias úteis para discussões e análises.

7.4.7. Estratégia de fiscalização

A estratégia de fiscalização é função do sistema da qualidade e programa da garantia da qualidade da empresa e esta será apresentada à empreendedora durante a reunião de implantação do programa de qualidade do projeto.
 
As verificações sistemáticas ou programadas pela realização de inspeções e/ou auditorias em produtos e/ou processos da produção de campo e/ou sistema da qualidade por parte do empreendedor, poderão ser realizadas em todas e quaisquer etapas do projeto a critério do empreendedor.

7.4.8. Reunião de implantação do programa da qualidade

As principais pautas da reunião de implantação do programa da qualidade do empreendimento serão:
  • aprovação do PGQ da empresa;
  • apresentação da estratégia de fiscalização do contratante;
  • liberação para início dos serviços;
  • determinação do cronograma de entrega dos pontos de parada e dos critérios gerais de embargo de atividades.

7.4.9. Custos relacionados à qualidade

Finalmente, fica estabelecido, de acordo com esta seção, que devem ser previstas medidas que possibilitem a execução de um programa de custos relacionados com a qualidade, com a finalidade básica de permitir que a qualidade seja alcançada ao seu menor custo total.
 
Esta seção deve ser tratado com o maior interesse pela empresa, pois permitirá que sejam obtidas vantagens substanciais para a sua sobrevivência no mercado.

7.5. Realizar (implementar) o processo da qualidade e de controle tecnológico

7.5.1. Implementar o processo

Implementar o processo da qualidade e de controle tecnológico é pôr em prática os conceitos e diretrizes contidas no planejamento do processo, assim gerando o produto objeto desse processo.

7.5.2. Introdução

A realização do processo da qualidade e de controle tecnológico compreende:
  • a execução do plano da qualidade na produção e na recepção de um serviço/produto;
  • a condução das operações de forma a atingir as metas previstas no plano da qualidade;
  • o monitoramento de um produto e/ou serviço visando a:
    • monitorar as diferenças entre o desempenho real e as metas definidas no plano da qualidade;
    • resultados específicos para constatar se estão dentro dos padrões de qualidade definidos, de modo a assegurar a conformidade com os atributos, com as características e com a sua funcionalidade;
    • identificar maneiras de eliminar resultados desfavoráveis;
    • o uso de técnicas e atividades para atingir, manter e melhorar a qualidade;
    • sua realização ao longo de todo o projeto;
    • retroalimentar o sistema mediante ações corretivas minimizando a ocorrência de não conformidades.
A equipe responsável pela execução do projeto deve possuir conhecimentos práticos sobre controle estatístico, principalmente no que diz respeito à amostragem e à probabilidade, de maneira a avaliar os resultados provenientes do controle da qualidade.

7.5.3. Principais atividades

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.3.1. Prevenção

Estabelece e mantém esforços que minimizam a ocorrência de erros e defeitos, no processo ou no produto (erros afastados do processo), lembrando que fazer o trabalho correto, uma única vez economiza tempo e dinheiro.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.3.2. Inspeção

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.3.3. Controle estatístico

O Controle Estatístico do Processo (CEP) é uma metodologia que atua preventivamente sobre o processo produtivo, utilizando a estatística como instrumento básico para avaliar suas alterações, em busca do aperfeiçoamento contínuo da qualidade.
 
Dentro deste contexto, os gráficos de controle são considerados uma das suas ferramentas mais importantes. Esses gráficos podem ser por atributos ou por variáveis.
  • os gráficos de controle por atributos referem-se às características de qualidade que classificam itens em conformes e não conformes;
  • enquanto os gráficos de controle por variáveis baseiam-se na medida das características de qualidade do produto em uma escala contínua.
Os gráficos de controle por variáveis ainda podem ser ditos univariados ou multivariados, de acordo com a quantidade de variáveis envolvidas na avaliação.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.3.4. Tendência de resultados

7.5.4. Considerações

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.4.1. Avaliação da qualidade

Originalmente a avaliação da qualidade era feita apenas sobre o produto acabado e basicamente se aplicavam técnicas de aceitação por amostragem (ainda utilizadas atualmente) dependendo dos resultados mantinha-se o processo inalterado ou realizavam-se mudanças.
 
Os inconvenientes dessa abordagem são claros: atua-se apenas após a ocorrência do defeito (sendo consideravelmente difícil saber onde ele ocorreu), e corre-se o risco de obter perdas elevadas (com lotes de produtos devolvidos pelo consumidor ou que necessitam de retrabalhos).
 
Percebendo os problemas que esta abordagem causava, passou-se a fazer a avaliação da qualidade no processo (usando técnicas de controle estatístico de processos), possibilitando um acompanhamento mais efetivo e a rápida correção de eventuais desvios, reduzindo as perdas e melhorando a qualidade. É importante também enfatizar, embora pareça óbvio, que todos os indivíduos da organização são responsáveis pela avaliação da qualidade.
  • por que é necessário realizar a Avaliação da Qualidade?
De acordo com Paladini (1997), a própria importância da qualidade para a sobrevivência da organização requer que se acompanhe, com cuidado, todo o seu processo de produção;

outro motivo seria o grande número de fatores que interferem na qualidade, o que exige uma análise permanente do processo para manter os níveis desejados e possibilitar a sua melhoria

A Avaliação por Variáveis costuma exigir maior investimento inicial (instrumentação e treinamento), mas proporciona informações mais detalhadas, enquanto a por Atributos é mais simples de ser executada, porém exige mais amostras para obter a mesma confiabilidade de um procedimento semelhante por Variáveis.
 
Avaliação por Atributos deve ser adotada quando (Paladini, 1990):
  • há um grande número de característicos a controlar;
  • impossibilidade ou inconveniência de medir o característico;
  • mensuração antieconômica devido ao baixo custo ou pequena importância da peça;
  • suficiência da inspeção baseada nos sentidos;
  • alta frequência da produção.
Já a Avaliação por Variáveis deve ser empregada quando:
  • pequeno número de característicos a controlar;
  • característico da qualidade é vital para a qualidade do produto;
  • necessário associar medidas que conduzam ao controle das especificações do característico.
Durante qualquer processo de ensino/instrução de CEQ as diferenças, as vantagens e as desvantagens da Avaliação por Variáveis e por Atributos precisam ser claramente apresentadas e entendidas por aqueles submetidos ao treinamento, de modo que eles saibam quando aplicar uma ou outra ao processo, sob pena de comprometer seriamente seu desempenho futuro.

7.5.5. Controle estatístico de processos

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.5.1. Introdução

É importante ressaltar que o controle estatístico de processos permite a monitoração contínua do processo, possibilitando uma ação imediata assim que um problema for detectado, encaixando-se dentro da filosofia que preconiza a qualidade dentro do processo e a prevenção de problemas.

Essas características são de extrema importância e precisam ser enfatizadas em qualquer processo de ensino/instrução de controle estatístico de processo.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.5.2. Universo e amostra

Universo: é a totalidade de elementos de um conjunto qualquer, como, por exemplo, o conjunto de todos os resultados de um determinado processo, devendo ser suficientemente grande para apresentar características de um agregado estatístico tal que permita conclusões consistentes quanto a sua característica.

Amostra: é um subconjunto de elementos pertencentes a um universo.

A informação recolhida para uma amostra é depois generalizada a toda a população.

Nem sempre as amostras refletem a estrutura da população de onde foram retiradas ou são representativas dessas populações, podendo levar nesses casos a inferências erradas ou ao enviesamento dos resultados.

A característica mais importante da amostra é ser representativa da população e a sua representatividade é o fato de a amostra possuir características (parâmetros) iguais ou semelhantes às características (parâmetros) do universo do qual ela foi extraída.
  • Amostra aleatória:  é aquela amostra para a formação da qual existiu um procedimento de seleção dos elementos ou grupo de elementos de um modo tal que dá a cada elemento da população uma probabilidade de inclusão na amostra calculável e diferente de zero.
  • Amostra não aleatória: é aquela amostra para a formação da qual existiu um procedimento de seleção dos elementos da população que permite a escolha dos indivíduos a incluir na amostra segundo determinado critério mais ou menos subjetivo.
É importante lembrar que a inspeção por amostragem não proporciona nenhum controle direto da qualidade do produto, deve ser encarada apenas como uma ferramenta de auditoria para verificar se o processo está de acordo com os requisitos (Montgomery, 1997).
 
O controle estatístico de processos justifica-se pela existência e pela necessidade de avaliar a variabilidade (para obter, manter ou melhorar o nível da qualidade).
 
Sempre que houver uma série de observações ou medidas obtidas de um processo, tais medidas não serão idênticas entre si.
 
Haverá uma variação, produzindo um padrão flutuante: nenhum processo por maior que seja a sua “qualidade” poderá extinguir totalmente esta variabilidade, contudo:
“se nada perturbar o processo, essa flutuação nas medidas permanecerá dentro de limites matemáticos definidos.
 
Se a série for suficientemente grande, as medidas tenderão a formar uma distribuição previsível, permitindo que seja possível antecipar qual será a variabilidade do processo e, portanto, avaliar sua qualidade” (Western Electric, 1956).
 
Esse conceito de variabilidade é absolutamente crucial para a compreensão de todas as técnicas não só de controle estatístico de processos, mas também de qualquer método estatístico e não são raros os casos em que as pessoas que aplicam as técnicas de controle estatístico de processos não disponham de uma clara idéia a respeito.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.5.3. Média e desvio padrão

Média do processo (X): é obtida pela operação de somar todos os valores dos elementos da amostra e dividir o resultado da soma pelo número de elementos da amostra.

Em probabilidade e estatística, o desvio padrão é a medida mais comum da dispersão estatística.
 
O desvio padrão define-se como a raiz quadrada da variância
 
Em estatística, o coeficiente de variação é uma medida de dispersão que se presta para a comparação de distribuições diferentes.
 
O desvio padrão, uma medida de dispersão, é relativo à média e como duas distribuições podem ter médias diferentes.
 
O desvio dessas duas distribuições não é comparável.
 
A solução é usar o coeficiente de variação, que é igual ao desvio padrão dividido pela média:

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.5.5.4. Gráficos de Controle

  • o Controle Estatístico de Processos (CEP) envolve basicamente o desenvolvimento e a interpretação dos resultados de gráficos de controle de processos e a utilização de técnicas para identificação de causas de problemas e oportunidades de melhoria da qualidade.
Os objetivos destas técnicas poderiam ser resumidos em: “auxiliar na obtenção dos padrões especificados de qualidade e reduzir a variabilidade em torno destes padrões especificados” (StatSoft,1995).
  • os gráficos de controle são as técnicas de controle estatístico de processos mais conhecidas e utilizadas, embora nem sempre de forma adequada.
Tratam-se de comparações gráficas da performance do processo (medida por algum característico da qualidade, como média de uma medida, número de defeituosos, e outros) com determinados limites de controle, verificando se os pontos do gráfico distribuem-se segundo padrões aleatórios (naturais).
 
Caso isso aconteça, o processo sob análise está sob Controle Estatístico: somente Causas Comuns, devidas ao próprio sistema do processo, estão atuando.
 
A distribuição de probabilidade que está gerando os dados têm valores fixos para seus momentos.
 
Se houver pontos além dos limites, ou padrões não aleatórios forem identificados, a variabilidade do processo pode não estar se comportando mais de forma aleatória, em outras palavras, há motivo para alarme.
 
Uma investigação imediata deve ser realizada para verificar se tal alarme deve-se realmente a Causas Especiais de variação: em caso positivo, algo precisa ser feito para retornar o processo à condição desejada (Juran 1979).
 
A plotagem dos dados dos característicos da qualidade deve ser feita de forma cronológica (ou em função do número da amostra), para que seja possível identificar, no tempo, quais as causas da variação não aleatória.
 
O conceito de processo sob controle estatístico (ou fora de Controle Estatístico) é tão importante quanto o de variabilidade e torna-se extremamente importante ressaltar que os critérios para a identificação de problemas compreendem a existência de padrões não aleatórios, os quais incluem, entre outros, a existência de pontos fora dos limites de controle.
 
A maioria dos processos de ensino/instrução estabelece como único critério a existência de pontos fora dos limites de controle, o que é fonte de muitas aplicações equivocadas do controle estatístico de processos e mesmo o descrédito de algumas pessoas pela técnica.
Independente do tipo de gráfico de controle algumas suposições precisam ser satisfeitas pelos dados para permitir a sua utilização, e portanto que seus resultados sejam válidos.
 
São elas (Alwan & Roberts,1995):
 
- que as observações sejam independentes e identicamente distribuídas (a suposição IID), ou seja que as amostras sejam retiradas de forma aleatória e que o processo que as gerou esteja sob controle estatístico;
 
- que as observações (ou em alguns casos apenas as médias das amostras destas observações) sigam alguma distribuição de probabilidades específica, tais como a normal, binomial ou Poisson.
 
Sobre estas duas suposições repousa toda a essência dos gráficos de controle: os limites de controle calculados e as regras para identificação de padrões não aleatórios, pressupõem que essas condições são satisfeitas, assim, caso isso não se verifique o valor de um desses gráficos seria no mínimo questionável.
 
É importante fazer duas reflexões acerca das suposições acima.
 
Caso a suposição de independência não seja satisfeita, haja autocorrelação nos dados por exemplo, torna-se necessário utilizar outros tipos de técnicas.
 
Montgomery (1997, p.374) discute várias formas de lidar com estes problemas, sugerindo ajustar ao processo um modelo de séries temporais ARIMA (Média Móvel Auto regressiva Integrada), e aplicar os Gráficos de Controle “usuais” aos resíduos obtidos. Atienza e outros (1997), Faltin e outros (1997) também preconizam a utilização de modelos de séries temporais para tal problema.
 

7.6. Implementando o sistema de gestão baseada em processos para a realização de um produto

7.6.1. Abordagem dos processos

Apresentação dos princípios e das diretrizes que devem abordar os processos e orientar a empresa em suas atividades operacionais, visando à obtenção da garantia da qualidade.
 
Deve-se controlar os efeitos adversos controlando-se os processos, em vez de controlar os resultados, visando:
  • à qualidade no seu aspecto geral;
  • à qualidade referenciada ao meio ambiente;
  • ao controle tecnológico referenciado aos insumos (materiais, serviços) que compõem os produtos produzidos.
A organização deve estabelecer, documentar, implementar e manter um sistema de gestão da qualidade e melhorar continuamente a sua eficácia de acordo com os requisitos da NBR ISO 9001 –2000.
  • identificar os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação por toda a organização;
  • determinar a sequência e a interação desses processos;
  • determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos sejam eficazes;
  • assegurar a disponibilidade de recursos e informações necessárias para apoiar a operação e o monitoramento desses processos;
  • monitorar, medir e analisar esses processos;
  • implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos.
Todo trabalho importante realizado nas empresas faz parte de algum processo.
 
Não existe um produto ou serviço oferecido por uma empresa sem um processo organizacional (Gonçalves, 2000).

7.6.2. Política da qualidade da empresa

  • definição por escrito da política da qualidade da empresa, bem como, o comprometimento da alta administração da empresa com a implementação deste sistema da qualidade.
  • compromisso com a qualidade assinado pela alta administração da empresa.
É responsabilidade da alta administração assegurar a eficácia e a adequação da política da qualidade da organização, inclusive com relação à comunicação e ao entendimento por parte de todos os envolvidos e atendendo aos requisitos do cliente.
 
A política da qualidade deve ser avaliada com objetivos mensuráveis, tais como:
  • demonstrada (documentada) por meio de ações, objetivos e indicadores;
  • análise crítica da direção contemplando a avaliação de resultados e da eficácia, ou seja, a análise crítica é um plano de melhorias contínuas;
  • critérios de avaliação da eficácia dos treinamentos.

7.6.3. Estrutura e responsabilidade dos processos da qualidade da empresa

Apresentação da estrutura organizacional, definição por escrito das atribuições e responsabilidades de cada função que afeta a qualidade, e do responsável pela garantia da qualidade, incluídos no manual da empresa.
 
Estabelecer setores e níveis que definam as áreas de atividades de responsabilidades e de atuação dos diferentes órgãos e elementos constitutivos da empresa.

7.6.4. Estrutura e responsabilidade dos processos da qualidade de um projeto

Devem ser apresentados levados em consideração e analisado:
  • o organograma para a execução de um projeto;
  • o manual da qualidade para a execução de um projeto;
  • os requisitos legais e outros requisitos do produto definido, com base nas informações inseridas na criação e desenvolvimento de um projeto.
O planejamento do projeto deve contemplar os dados de entrada, de saída, bem como a análise crítica do projeto.
 
O controle de “dados de projeto” deve ser demonstrado, ou seja, o controle dos parâmetros numéricos, critérios e requisitos sobre os quais se baseia o projeto.
 
O controle das interfaces e dos processos externos, se estes forem interferir no produto, deve ser procedido mediante a identificação prévia destes, definição clara das responsabilidades, perfeita organização do fluxo de informações entre os intervenientes, detalhando em cada caso o meio de transmissão.
 
Devem ser produzidos os correspondentes processos.

7.6.5. Formação de pessoal de produção e da garantia da qualidade

Devem ser abordados pelo menos os itens relacionados a seguir:
  • capacitação inicial (qualificação);
  • treinamento;
  • responsabilidades;
  • reciclagem;
  • critérios de avaliação da eficácia de treinamento.

7.6.6. Elaboração de processos na realização do produto

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.1. Objetivos e metas

A empresa (organização) deve estabelecer e manter objetivos e metas de seus processos na realização do produto, documentados em cada nível e funções pertinentes da organização.
 
Ao estabelecer e revisar seu objetivos, a organização deve considerar os requisitos legais e outros requisitos, seus aspectos gerais, ambientais, significativos, suas opções tecnológicas, seus requisitos financeiros, operacionais, bem como a visão dos empreendedores.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.2. Processos relacionados ao planejamento da realização do produto/serviço

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.3. Processos relacionados ao cliente

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.4. Projeto e desenvolvimento

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.5. Produção e fornecimento de serviço

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.6. Propriedade do cliente

A organização deve ter cuidado com a propriedade do cliente enquanto estiver sob o controle da organização ou sendo usada por ela.
 
A organização deve identificar, verificar, proteger e salvaguardar a propriedade do cliente fornecida para uso ou incorporação no produto.
 
Se qualquer propriedade do cliente for perdida, danificada ou considerada inadequada para uso, isso deve ser informado ao cliente e deve ser mantido em registros.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.7. Preservação do produto

A organização deve preservar a conformidade do produto durante processo interno e entrega no destino pretendido. Esta preservação deve incluir identificação, manuseio e embalagem, armazenamento e proteção.
 
A preservação também deve ser aplicada às partes constituintes de um produto.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.8. Controle dos dispositivos de medição e monitoramento

A organização deve determinar as medições e os monitoramentos a serem realizados e os dispositivos de medição e monitoramento necessários para evidenciar a conformidade do produto com os requisitos determinados.
 
A organização deve estabelecer processos para assegurar que medição e monitoramento podem ser realizados e são executados de uma maneira coerente com os requisitos.
 
Quando for necessário assegurar resultados válidos, o dispositivo da medição deve ser organizado.
 
A organização pode cumprir isto com uma matriz com os equipamentos, data validade, responsável, data de nova aferição, quem calibrou etc.
 
A aferição dos equipamentos que tenham impacto nos produtos é obrigatória.
 
Para estes equipamentos a organização deve:
  • aferir ou verificar a intervalos especializados ou antes do uso, contra padrões de medição rastreáveis a padrões de medição internacionais ou nacionais: quando esse padrão não existir, a base usada para aferição ou verificação deve ser registrada;
  • ajustado ou reajustado, quando necessário;
  • identificado, para possibilitar que a situação da aferição seja determinada;
  • protegido contra ajustes que possam invalidar o resultado da medição;
  • protegido de dano e deterioração durante o manuseio, manutenção e armazenamento.
 

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.9. Medição, análise e melhoria

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.10. Autor do processo

Identificação das pessoas, empresas envolvidas no desenvolvimento dos processos para a empresa e para os projetos.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.11. Descrições

Definição dos seguintes itens:
  • a pessoa responsável por executar o trabalho;
  • o método e a sequência ordenada de como deve ser executado o trabalho;
  • os critérios de aceitação e rejeição do resultado do trabalho;
  • identificação dos pontos e dos momentos passíveis de verificação, assim como os pontos críticos em que é mais fácil a ocorrência de defeitos;
  • ocasiões em que se deve realizar inspeção e/ou auditoria e quem deve fazer;
  • ensaios e plano de ensaios;
  • especificação(ões) técnica(s) relativa(s).

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.6.12. Controle de documentação

Deve conter modelos de impressos, planilhas de controle, etc. e norma(s) aplicável(is).

7.6.7. Processos relativos à aquisição de materiais e serviços

Quanto aos fornecedores de materiais e de serviços (subcontratados) há necessidade de critérios de avaliação e seleção com base na capacidade em fornecer de acordo com os requisitos especificados.
 
Para tanto, devem ser estabelecidos critérios para seleção, avaliação e reavaliação, devendo ser mantidos registros dos resultados das avaliações e das ações decorrentes.
 
Os sub itens relacionados a seguir poderão colaborar na elaboração dos critérios e dos processos específicos.
  • responsabilidades;
  • critérios para seleção e avaliação de fabricantes e fornecedores;
  • elaboração de documentos técnicos para compra/contratação, definindo com precisão a qualidade requerida e as modalidades de controle de recepção;
  • avaliação de propostas e capacitação técnica;
  • controle de fabricantes e fornecedores;
  • controle de mudanças e alterações;
  • controle de recepção e armazenamento de materiais;
  • critérios de aceitação de produtos e serviços;
  • registros dos resultados das avaliações e das ações decorrentes.

7.6.8. Processos relativos ao controle de mudanças de projeto

Devem ser elaborados processos adequados para assegurar a correta e rápida transmissão de qualquer mudança entre o projetista e a obra, ou vice-versa, contemplando todos os envolvidos.
 
Devem ser definidas de quem é a responsabilidade por tais alterações (mudanças) no projeto.

7.6.9. Processos relativos ao controle tecnológico e inspeções

Devem ser abordados pelo menos os itens relacionados a seguir:
  • responsabilidades das pessoas ou grupos envolvidos;
  • qualificação dos inspetores e dos técnicos;
  • atuação do laboratório (equipamentos mínimos);
  • plano de aferição de equipamentos;
  • planos de amostragem;
  • programa de ensaios;
  • programa de inspeção de máquinas e equipamentos de construção (produção);
  • programa de inspeção de equipamentos;
  • programação de inspetores e técnicos;
  • plano de inspeção da execução e dos cuidados de obra;
  • ensaios não destrutivos;
  • ensaios destrutivos.

7.6.10. Processos relativos à aquisição de materiais, componentes e equipamentos

Devem ser abordados pelo menos os itens relacionados a seguir:
  • operações de recebimento;
  • identificação, operacionalidade e rastreabilidade;
  • armazenamento e conservação;
  • manuseio;
  • instalação e operação;
  • plano de manutenção preventiva de máquinas e equipamentos (produção e ensaios).

7.6.11. Verificação e ação corretiva

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.11.1. Controle de anomalias e não conformidades

As anomalias e não conformidades podem ser determinadas por meio de operações normais de controle, inspeção, ou por auditoria.
 
Devem ser elaborados processos que regulem as atuações para esses casos e tais processos devem incluir:
  • elaboração de relatório de não conformidade;
  • análise crítica visando, a determinação da causa geradora;
  • ação corretiva, definindo o que deve ser realizado, visando sanar a não conformidade;
  • forma de proceder ao acompanhamento e à implementação (aprovação) da ação corretiva;
  • definição do que deve ser feito para evitar reincidência da não conformidade (retro alimentação).

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.11.2. Medidas corretivas

Descrição da rotina de circulação do relatório de não conformidade, principalmente às pessoas envolvidas diretamente e/ou relacionadas, para tomada de conhecimento, análise crítica e elaboração das ações corretivas e retro alimentação do sistema, de modo a minimizar a ocorrência de não conformidades.
 
Estas documentações devem ser devidamente monitoradas para análise de eventual nível de reincidência, e medidas de melhoria a serem tomadas (análise crítica).

7.6.12. Controle de documentos

Devem ser realizadas listas de distribuição atualizadas, de forma a garantir que os setores envolvidos tenham à sua disposição a documentação necessária ao desempenho de suas atividades e que os documentos ultrapassados não sejam utilizados.
 
Os documentos devem ser classificados em três categorias:
  • documentos legais, relacionados ao Governo e às leis;
  • documentos contratuais, que estabelecem as condições de relação de cada participante com os demais intervenientes no processo da construção;
  • documentos técnicos.
Deve haver um setor de normalização na empresa que cuida para que sejam atendidos os itens relacionados a seguir:
  • padronização de todos os documentos essenciais, que possam afetar a qualidade;
  • implantação de um sistema de controle da documentação;
  • identificação das unidades operacionais ou pessoais responsáveis pela preparação, verificação, aprovação, liberação, emissão, distribuição, substituição, cancelamento, revisão, alteração (errata, emenda) e arquivamento dos diversos documentos;
  • elaboração de processos escritos para assegurar o controle da documentação, incluindo, entre outros:
    • entrega de documentos para aprovação externa, quanto necessário;
    • identificação apropriada para os documentos a serem utilizados durante as atividades;
    • estabelecimento de listas de distribuição atualizadas;
    • guarda de documentos de forma a evitar perdas, danos e deterioração.
    • a revisão de documentos deve ser submetida ao mesmo nível de controle aplicado à emissão dos documentos originais.
Deve ficar comprovado que as pessoas que recebem os documentos revisados procedam imediatamente à anulação dos documentos anteriores, de maneira que fique garantido que estão sendo utilizadas sempre as últimas revisões.

7.6.13. Processos relativos à garantia da qualidade

A empresa deve elaborar a documentação necessária para assegurar o planejamento, a operação e o controle eficazes de seus processos e do próprio sistema de gestão da qualidade.
 
A eficácia deve ser demonstrada mediante monitoramento e análise dos resultados atingidos x planejados, por meio de indicadores para os vários processos.

7.6.14. Processos relativos ao ambiente de trabalho

Dentro das perspectivas dos direitos fundamentais do trabalhador em usufruir de uma boa e saudável qualidade de vida, na medida em que não se pode dissociar os direitos humanos e a qualidade de vida, verifica-se, gradativamente, a grande preocupação dos processos relativos com as condições do trabalho.
 
A empresa deve elaborar a documentação para assegurar um planejamento do trabalho, a operação e o controle eficaz de indicadores para alcançar a conformidade no requisito dos vários processos (produtos), como por exemplo:
  • Programa de saúde e segurança do trabalhador;
  • PPRA – programação de prevenção de riscos ambientais;
  • CIPA – comissão interna de prevenção de acidentes, mapa de riscos;
  • SESMET – serviços especializados em segurança e medicina do trabalho;
  • Programa 5S, ergonomia, entre outros.

7.6.15. Auditorias

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.15.1. Finalidade

  • sistema
Avaliar se o planejamento da qualidade atenderá às metas da qualidade especificada.
  • processo
Controlar uma operação ou série de operações de produção, verificando se a execução segue os planos, os sistemas e processos pre estabelecidos.
  • produto
Verificação se o produto atende às especificações e as necessidades de adequação ao uso.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.15.2. Abrangência

  • completa
  • parcial
  • de acompanhamento

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.15.3. Periodicidade

A periodicidade da auditoria poderá ser determinada em função dos principais fatores relacionados a seguir:
  • número de não conformidades encontradas;
  • relevância das não conformidades;
  • custos causados pelas não conformidades;
  • experiência e capacitação do pessoal que executa as operações a serem auditadas;
  • exigências contratuais – critérios estabelecidos na pré - qualificação;
  • etapa de processo de qualificação (fornecedor, fabricante, laboratório de ensaio, etc.);
  • etapa do processo de requalificação;
  • programação de auditorias normais de rotina.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.15.4. Atividades e planejamento

Deve ser elaborado um plano de auditoria contendo pelo menos o escopo, os requisitos, a composição da equipe auditora, as atividades a serem auditadas, as organizações/setores a serem notificados, os documentos aplicáveis, a duração, as listas de verificação e outras informações julgadas convenientes.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.15.5. Notificação

A organização/setor a ser auditada deve ser notificada sobre a auditoria com antecedência, por escrito e incluindo informações tais como os objetivos e a programação da auditoria e o nome do auditor.

7.6.16. Manual de uso e manutenção

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.1. Introdução

O Manual de uso e manutenção deve ser elaborado em forma de minuta na fase de projeto e posteriormente, quando da execução, o manual deve ser revisado e complementado para ser utilizado na obra realmente construída, passando a ser definitivo.
 
O manual deve conter pelo menos os seguintes itens relacionados a seguir:
  • normas de uso;
  • documentação sobre riscos;
  • garantias;
  • planos de inspeção e manutenção;
  • listas de documentação;
  • registro de mudanças.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.2. Normas de uso

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.3. Alterações propostas ou observadas

  • informações de como proceder quando for desejada alguma alteração de uso;
  • informações a serem incluídas ao plano de inspeção e manutenção advindas da(s) alteração(ões) supracitada(s).

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.4. Documentação sobre riscos

Deve conter o conjunto de dados relativos a possíveis riscos durante o uso, bem como medidas que possam minimizar os danos em caso de acidentes.
 
Para acidentes de grande magnitude, devem ser preparados planos de emergência.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.5. Planos de inspeção e manutenção

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.6. Listas de documentação

O manual deve conter uma lista de documentos importantes (plantas, memórias de cálculo, caderno de encargos, ensaios realizados, inspeções, auditorias, etc.), bem como onde devem estar arquivadas e período de guarda destes.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.7. Registros de mudanças

Qualquer modificação realizada ou constatada deve ser registrada, anexando ao manual a documentação correspondente.

Relacionadas

Adicionar a Favoritos

Adicionar a Projeto

7.6.16.8. Análise crítica pela administração

A alta administração da empresa, em intervalos por ela determinados, deve analisar criticamente o sistema de gestão da qualidade, para assegurar sua conveniência, adequação e eficácia contínuas.
 
São informações relevantes, que devem ser levadas para a análise crítica:
  • resultados das auditorias internas;
  • itens relacionados às metas fixadas;
  • itens relacionados ao controle tecnológico;
  • reclamações de partes interessadas;
  • itens relacionados ao meio ambiente;
  • acidentes ambientais;
  • notificação ou interpelações judiciais;
  • comprometimento com a melhoria contínua dos resultados;
  • atendimento ao plano da qualidade e satisfação do cliente.