Prefácio

Capítulos 1

Capítulo I

Prefácio: um pouco de história e reconstruindo a engenharia brasileira

0.1. Antecedentes e um pouco de história

0.1.1. O livro Planejar para construir

Em nossa longa experiência, temos participado na implantação e no desenvolvimento de várias empresas e projetos, tanto de iniciativa privada quanto pública, ligados à engenharia civil. Muitos se tornaram líderes em seu campo de atuação, casos de sucesso, outras sobreviveram com algumas dificuldades e alguns casos de resultados práticos pouco significativos, que desapareceram ao longo dos anos.

Caros colegas que labutam na área de engenharia, quando iniciei o livro Planejar para Construir na década de 1980, editado em 1987 pela Editora PINI, não poderia imaginar que teríamos uma tiragem de mais de 10.000 unidades vendidas no Brasil e que seria utilizado na formulação de Mestrados e MBA, além de estimular outros colegas para que transferissem seus conhecimentos pela literatura.

0.1.2. Um pouco de história

No período de 1990 a 1992, escrevi o livro Sistemática para a Construção, o qual foi o marco para a elaboração de um estudo profundo sobre a engenharia civil.

Em 1995, em visita ao amigo Falcão Bauer, recordamos a minha passagem e as aventuras no início de suas atividades na formação do Controle Tecnológico do Concreto. Mostrei meus trabalhos voltados para a engenharia, ele logo incorporou a ideia de colaborar no seu conteúdo e tratar de publicá-los em breve, porém a vida foi implacável, pois não tivemos mais a oportunidade do diálogo.

No período de 2000 a 2004, realizei o curso de Direção de Empresas na FAAP, com a apresentação da Monografia: Utilização de Indicadores de Desempenho para o Gerenciamento de Projetos e de Empresas segundo as metodologias do Project Management Institute (PMI) e de Balanced Scorecard, que colaborou para a modernização de conhecimentos.

Neste período, foram acrescidos artigos ao estudo, que alavancaram nossos conhecimentos, tornando-os, desta maneira, mais profundos e específicos ao longo dos anos.

No período de 2004 a 2007, foram incluídas novas informações a este estudo, resultando na formulação de vários trabalhos didáticos que possibilitaram a apresentação de cursos com a presença de cerca de 1.000 profissionais.

Mas, à medida que fui planejando a formulação deste estudo profundo na engenharia civil, concatenando as idéias, com base em fatos reais, tomei consciência de que seria impossível escrevê-lo em textos separados, pois estavam todos muito interdependentes, formando um Sistema.

Há muito tempo, a nossa engenharia tenta entender as várias disciplinas isoladamente, não levando em conta sua interação com o todo. Temos como exemplo os projetos de investimentos públicos que não se aprofundam nos estudos de viabilidade técnica e econômica, tendo como consequência a falência dos órgãos públicos. Hoje são raros aqueles que possuem recursos financeiros para a aplicação em programas de desenvolvimento de uma cidade.

Constatamos ainda que há uma fragilidade de conhecimento sobre as atividades específicas das áreas de conhecimento da empresa, por parte dos engenheiros, por exemplo, na área de gerenciamento e das atividades de uma construtora e assim por diante.

Essa constatação acaba gerando um clima de relativa hostilidade entre os profissionais de engenharia e os dirigentes de empresas, e é reforçada por aqueles que se defrontam, por exemplo, nas atividades voltadas para a fiscalização e a construção de um projeto.

Nos últimos anos a palavra qualidade tem sido sinônimo de sucesso ou fracasso para muitas organizações, fruto da capacidade que cada uma tem de interpretar adequadamente o seu conceito.

É muito comum as empresas que possuem certificados de qualidade trabalharem com afinco na reformulação e na atualização de seus papéis de controle para a manutenção destes, ou seja, a comprovação de que o que vale são os papéis de controle atualizados.

Constatamos, ainda, que algumas empresas fazem, desnecessariamente, mais do que precisa ser feito, deixam de fazer o extremamente essencial, além do mais, aquilo que fazem não é eficiente, nem eficaz. Por exemplo, em uma auditoria observamos que a empresa gerenciadora fiscalizava 12 edificações e que nenhuma delas tinha o cronograma físico atualizado. Aliás, os atrasos eram superiores a seis meses e a justificativa abordada foi de que o contratante (órgão público), só atualizava o cronograma após a formulação de aditivos contratuais, que eram ajustados somente de ano em ano.

Dentro de um contexto impulsionador e estimulador de profundas transformações, em nome da qualidade, das expectativas de nossas empresas de engenharia e de seus atores (os engenheiros), das exigências de mercado e dos comportamentos econômicos e sociais teremos que criar e consolidar novos paradigmas.

A visão sistêmica vem como uma evolução natural, possibilitando uma maior aproximação da realidade da ciência que estuda os sistemas.

Assim, por exemplo, a teoria do planejamento estratégico torna-se necessária para o perfeito entendimento da empresa como um sistema de um ambiente em constantes modificações e, da mesma forma, a formulação de um instrumento natural de indicadores de desempenho para a correção dos desvios do planejamento estratégico, tático e operacional.

Em outubro de 2006, retornei ao convívio do Grupo Falcão Bauer, por meio de seus seguidores, Engenheira Vera Lúcia Falcão Bauer Lourenço e Engenheiro Roberto José Falcão Bauer, retomando, assim, os assuntos da publicação dos trabalhos tratados em 1995.

Após a análise dos Tópicos apresentados, o Engenheiro Roberto José Falcão Bauer mostrou o mesmo interesse que seu pai. Claro, fiquei muito contente, pois poderia acrescentar e realinhar novos conhecimentos enriquecendo seu conteúdo.

Em novembro de 2007, participando do Seminário Reconstruindo a Engenharia Brasileira, representando o Clube de Engenharia do Pará, promovido pelo Instituto de Engenharia de São Paulo, o que certamente se destacou para os participantes foi a confluência das opiniões entre os representantes das entidades, das universidades, dos sindicatos, dos empresários e dos profissionais presentes. Este fato trouxe novamente uma união há muito inexistente. Hoje, as entidades de engenharia transparecem com força e energia para lutar contra a desvalorização do profissional das engenharias. A retomada da importância das engenharias passa, obrigatoriamente, pela preparação dos profissionais, sua atualização tecnológica, novas maneiras de trabalhar para atender às novas demandas de nosso país.

Assim, hoje em parceria com o Engenheiro Roberto José Falcão Bauer, concluímos nossos trabalhos e temos a certeza que servirão como estímulo a nossa engenharia e aos nossos colegas engenheiros de profissão.

0     PREFÁCIO

1. VISÃO SISTÊMICA, CARACTERÍSTICAS, PAÍS, ENGENHARIA E ABRANGÊNCIA DO PORTAL

2. MODELAGEM E INTERDEPENDÊNCIA POR PROCESSOS DE TRABALHO (SMIDT)

3. SINCRONISMO ORGANIZACIONAL (SO)

4. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PLANO DE NEGÓCIOS (PEPN)

5. RISCOS (R)

6. INDICADORES DE DESEMPENHO (ID)

7. QUALIDADE, MEIO AMBIENTE, TECNOLOGIA E CONTROLE TECNOLÓGICO (QMATCT)

8. MEIO AMBIENTE, LEGISLAÇÂO E REQUISITOS (MA)

9. GESTÃO AMBIENTAL (GA)

10. PROJETOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA (PAE) – GESTÃO DE PROJETOS

11. EMPREENDEDOR GESTÃO DE PROJETOS (EGP)

12. CONSTRUTOR, MONTADOR E INSTALADOR  (C)

13. PLANEJAR PARA CONSTRUIR (PC)

14. EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS (EI)

15. EMPREENDEDOR PÚBLICO - GESTOR DE PROJETOS (EP-GP)

16. AGÊNCIAS REGULADORAS E CONCESSÕES (ARC)

17. PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS (PPP’S)

18. ATIVOS: MANUTENÇÃO E  CONSERVAÇÃO (AMC)

19. OPERAÇÃO DE PROJETOS (OP)

20. LICITAÇÕES, PREGÃO E LEILÃO (LPL)

21. AUDITORIA (A)

22. RETRATO DO BRASIL (RB)

23. ENERGIA I CENÁRIO BRASILEIRO, VISÃO, MODELO E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

24. ENERGIA II - ENERGIA RENOVÁVEL-UHE, CGH E PCH

25. ENERGIA III - ENERGIA RENOVÁVEL-EOL, SOLAR E BIOMASSA

26. ENERGIA IV – ENERGIA NÃO RENOVÀVEL, UTE DO TIPO FÓSSL, CARVÂO MINERAL E NUCLEAR

27. ENERGIA V – PETRÓLEO, PETROBRAS, PLANEJAMENO ESTARTÉGICO, PRÉ SAL, PLATAFORMAS, DIQUE E ETANOL

28. TRANSMISSÃO, DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA E LUZ PARA TODOS

29. SISTEMA MODAL DE TRANSPORTES

30. TRANSPORTE RODOVIÁRIO, FERROVIÁRIO E MOBILIDADE URBANA

31. TRANSPORTE AEROVIÁRIO, AQUAVIÁRIO E DUTOVIÁRIO

32. HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

33. SANEAMENTO BÁSICO E RECURSOS HÍDRICOS 

 

 

0.1.3. O portal da engenharia compartilhada

Objetivos 

Fundamentar e subsidiar disponibilizando à Estudantes, Engenheiros Civis, Arquitetos, Graduados e Profissionais de Áreas Afins, conhecimentos teóricos e práticos que os habilitem e qualifiquem ao exercício profissional, baseado na ética profissional e no aprimoramento técnico e cultural, num contexto social em processo constante de transformação tecnológica e humanística, tendo sempre em conta a realidade, tanto no contexto Internacional, quanto nos âmbitos do País e de seus Estados, com grande sensibilidade às mudanças globais. 

Missão

Buscar o desenvolvimento de habilidades práticas a partir da interação de conceitos e teorias das diversas disciplinas (tópicos), apresentando uma visão global (sistêmica), promovendo o aprimoramento contínuo das técnicas de planejamento e gestão de empresas de engenharia e a avaliação, consolidação e implantação de projetos e sua operação baseados na modelagem e interdependência por processos de trabalho. 

Disponibilidade e estrutura

Organizado digitalmente para facilitar consultas em website, indexados a um sistema de busca por tópicos, abrangendo a visão e rede sistêmica da engenharia em 33 tópicos, 275 capítulos, 745 seções e equivalente à mais de 6500 páginas.

A estrutura deste Portal pelo seu dinamismo permite a atualização e acréscimo do seu conteúdo, informações, contribuições, inserções de cases e novos tópicos. 

0.2. Seminário: reconstruindo a Engenharia Brasileira - dias 8 e 9 de novembro de 2007

0.2.1. Introdução

Este evento, realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2007 no Instituto de Engenharia de São Paulo, teve um formato diferente do usual, foram criadas mesas redondas de debates e a palavra estava aberta a todos os presentes, com dois focos centrais:

·         formação do engenheiro, o exercício profissional e as dificuldades presentes nestas duas frentes;

·        representação da engenharia, em particular, ao tripé formado pelos conselhos, pelos sindicatos e pelas associações.

0.2.2. Pontos de vista

A seguir transcrevemos alguns pontos de vista que marcaram o evento:

·         Amorim, Edemar de Souza Amorim.

Presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo (IESP):

ü        engenharia virou sinônimo de desemprego:

v     a procura por cursos diminuiu, escolas fecharam suas turmas, uma geração de profissionais deixou de ser formada e nenhuma voz foi forte o suficiente para mostrar isto à sociedade.

ü        hoje, à luz trazida por acidentes com vítimas, debate-se a qualidade da engenharia nacional na OAB, promotores de justiça apresentam-se para apurar responsabilidades, enquanto os engenheiros, únicos com competência para tal, se calam;

ü        é necessária e urgente a mobilização das academias, das associações, dos clubes, dos grupos, dos institutos e das sociedades de engenharia espalhados pelo Brasil:

v      uma mobilização em torno de idéias, de propostas, de projetos, não de nomes ou atributos de um líder carismático:

o       um movimento inovador e diferente como os tempos em que vivemos;

o       um movimento com capacidade para se manter no longo prazo, independente dos homens que o criaram, permitindo que a tocha possa ser passada de mão em mão, ao longo de vários mandatos, presidentes, superintendentes ou representantes.

ü      chegamos à absurda situação em que um engenheiro tem mais perspectivas de trabalho nas mesas de operações de um grande banco que nos canteiros de obras, nos escritórios de projetos ou nas fábricas espalhados pelo país;

ü        vivemos um problema conjuntural:

v     perdemos uma geração de engenheiros para o mercado financeiro, graças aos 25 anos de crise e à falta de investimentos do governo, e estamos perdendo outra para a aposentadoria. Mas nada poderia ser pior que perder uma terceira geração pela má formação universitária.

ü        Osíris Silva ficou honrado ao ser convidado para dar aula no ITA:

v     tentou se qualificar, mas não pode;

v     ele não é doutor, o mestrado dele foi feito nos EUA, não tem valor aqui, e, com isso, o país perdeu um grande professor.

·         Amorim, Antonio Carlos Pasquale de Souza.

Articulador e moderador de redes Peabirus:

ü     a rede foi desenvolvida com o objetivo de articular a engenharia. Sabemos que 90% dos engenheiros não estão vinculados a nenhum tipo de associação ou instituição, e 97% acredita que o CREA tem de fazer o que o órgão não faz, portanto está descontente com o CREA.

·         Bancovsky, Paulo.

Presidente da Academia Nacional de Engenharia:

ü        o detentor do poder hoje, olha o voto e o day after voto:

v     como é que eu vou ser reeleito:

o       obras de engenharia são obras de duração muito longa, maturação difícil, com problemas de conservação;

o        não dão voto, dão imagem, e esta imagem é trabalhada em nível da consequência do - eu preciso ser reeleito.

ü        a nossa proposta passa inicialmente pela articulação de uma rede de inteligência em engenharia:

v       isto só é possível porque temos agora no Brasil 35 milhões de computadores e 12 milhões estão em banda larga e há um crescimento previsto de mais 18 milhões de computadores e um sistema de comunicação mais moderno via Internet.

ü        engenharia é um instrumento para desenvolvimento nacional:

v        os aspectos social, tecnológico e econômico são perfeitamente mostrados:

o       de um lado temos recursos humanos que precisam ser desenvolvidos e adaptados, correlacionados para as cadeias econômicas que geram bens e serviços, que é onde está a riqueza, e na base estão as pesquisas aplicadas e as inovações, fundamentalmente de base tecnológica, olhando sobre o campo da engenharia.

·         Bernasconi, José Roberto.

Presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (SINAENCO):

ü         nós estamos ameaçados pelo pregão, advogados também foram ameaçados pelo pregão. Sabe o que fez a OAB de São Paulo?

v  o Tribunal de ética e disciplina estabeleceu por uma resolução que o advogado que participasse de um pregão seria punido e perderia sua capacidade de atuação. Assim que se defende a profissão, não há alternativa.

ü        o nosso problema é amplo e a representatividade das nossas entidades está ligada à consciência das pessoas, temos que agir politicamente.

·         Braguim, José Roberto.

Presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural:

ü        âmbito da tecnologia:

v  a entidade de classe deve ter pessoas preocupadas com a questão do ensino e da educação continuada.

ü        âmbito do mercado:

v  a principal função da entidade de classe é a regulamentação da conduta comercial pelo estabelecimento de contratos padronizados que não sejam excessivamente burocráticos e que ao mesmo tempo possam ser equilibrados.

ü        âmbito da comunicação:

v  as entidades devem ter ações políticas:

o    normalmente, os engenheiros são avessos à participação política e temos como obrigação participar politicamente, principalmente quando se apresentem leis que fomentem o avanço tecnológico e o ensino; este é um papel das entidades.

·         Brandão, Fátima.

Recursos humano do Grupo Foco:

ü        o que se exige do engenheiro hoje não é só o conhecimento técnico quando ele vai assumir uma obra, por exemplo:

v  ele tem que ter outras habilidades, de relacionamento, de negociação, e o engenheiro geralmente tem uma formação mais rígida, mais direcionada;

v  o que poderia começar a ser trabalhado também nas universidades é esta flexibilidade para atuar em outras áreas, trabalhar a formação do engenheiro para ele poder ser um gestor no futuro e não só voltada para questões técnicas.

·         Cardoso, José Roberto.

Vice-Diretor da Escola Politécnica:

ü        o ensino médio tem uma deficiência de cerca de 150 mil professores de física, química e matemática:

v       esses são os agentes que podem incentivar o jovem a seguir uma carreira tecnológica:

o    o resultado disso: temos 150 mil profissionais que ensinam química, física e matemática sem entender nada desses assuntos e transformam essas disciplinas em um bicho de sete cabeças.

ü         temos de mostrar aos jovens do ensino médio que a engenharia é uma profissão bonita:

v       absorvemos 750 alunos por ano e perdemos em torno de 150 alunos a cada doze meses.

·         Carvalho, Flávio de Azevedo.

Membro da Comissão Técnica de Ensino da Sociedade Mineira de Engenheiros:

ü      estamos discutindo a qualidade intrínseca de um produto que tem um setor produtivo constituído por outras pessoas e cujas decisões gerenciais sobre a  produção estão fora de nosso alcance;

ü      o engenheiro deve ter um domínio muito sólido de ciências exatas e um domínio vasto da chamada ciência da engenharia. Isso precisa ser garantido, para que faça duas coisas: a educação continuada e mude de profissão segundo os humores do mercado e da tecnologia.

·         Christovam, Francisco Armando Noschang.

Diretor de Relações Externas do Instituto de Engenharia:

ü       na formação de um bom profissional, seja engenheiro ou qualquer outro, o português é fundamental.

·         Chvojka Jr, Vladimir.

Professor da Universidade São Judas Tadeu e da Universidade Mauá:

ü        o Ministério da Educação permite a abertura indiscriminada de escolas e vem com idéias de redução de carga horária:

v      è necessário um tempo de amadurecimento para formar um engenheiro; Hoje com um mínimo de 3.600 horas um indivíduo pode se tornar engenheiro, 2.800 horas para direito e 4.200 horas para psicologia.

·         Cimino, Remo.

Clube de Engenharia do Pará - Consultor de empresas:

ü       (...) temos que ter um pensamento (...) arregaçar as mangas e procurar, através de um esforço, transmitir o conhecimento antes que ele se extinga, porque 4, 5 anos em que o engenheiro fique sem ter a possibilidade de uma renovação de conhecimento, ele fica fora do mercado;

ü        estamos chegando a um certo consenso:

v       o engenheiro tem de ter uma formação mais ampla:

o    depois, quando for necessária uma aptidão definida, torna-se um especialista.

ü        temos uma sociedade representativa de engenheiros e precisamos ter uma atuação política.

·         Costa, Sérgio Sérgio Rogerio Cesário.

Conselheiro do CREA-SP, eleito pelo Instituto de Engenharia:

ü       o engenheiro tem que sair da faculdade bem formado para um mercado com condições para trabalhar e sustentar sua família.

·         Cunha, José Tadeu.

Diretor de Atividades Técnicas da Associação Catarinense de Engenheiros (ACE):

ü       este evento deveria ter um cunho nacional e as associações regionais deviam ter uma participação ativa.

·         Domingues, Marco Antonio.

Diretor de Educação do Instituto de Engenharia - Professor do Mackenzie:

ü       nós precisamos de engenheiros no mercado, não precisamos de especialistas:

v       depois, quando conseguir a graça de ter um bom emprego, o profissional vai fazer especializações.

ü       as grandes escolas ainda lutam para manter o regime de peneira, mas a maioria das escolas que foram criadas nos últimos anos, e o número cresceu assustadoramente, transforma o aluno em um cliente e o professor em um empregado, quer dizer, o professor, que era um formador, virou empregado.

·         Escudeiro, Camila.

Jornalista da Revista Construção e Negócios:

ü       por que as construtoras reclamam da falta de engenheiros e o IPEA indica que se trata de um setor com mão de obra qualificada sobrando?

·         Figueiredo, João Ernesto.

Conselheiro do Instituto de Engenharia:

ü        não se consegue que o cargo de juiz seja exercido por um engenheiro ou um médico:

v       mas um ministro ou diretor de uma empresa de saneamento muitas vezes é uma pessoa que não tem o menor conhecimento do assunto.

·         Heléne, Paulo.

Professor da Escola Politécnica e Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Concreto (IBRACON):

ü       não há falta de recursos para pesquisa, elas existem e isso há muitos anos. Ocorre que o dinheiro disponível tem um critério para ser liberado: a excelência; é preciso ter um bom projeto; quem tem leva;

ü       a nossa maior tristeza é não conseguir que os nossos alunos façam mestrado:

v       são pouco os que ficam, porque eles vão direto para o mercado de trabalho; vão ser fiscais de imposto de renda ou trabalhar em bancos.

ü       o ideal seria unir as representações, criar um fórum que fale em nome do grupo e em situações específicas, estratégicas e no momento certo:

v      um exemplo: na hora de tratar do tema educação, o grupo, unido, fala naquele momento:

o    depois disso, cada um segue para o seu setor.

·         Hervê Neto, Egydio.

Instituto de Engenharia, Diretor Regional de Porto Alegre, empresário na área de engenharia:

ü   em nenhum momento o engenheiro recém-formado, mesmo tendo trabalhado ao lado de outros profissionais, pode assumir diretamente a responsabilidade técnica por um procedimento:

v      ele tem de ter cobertura de um profissional mais experiente.

·         Mehl, Luiz Cláudio.

Presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP):

ü        nós herdamos a incerteza e vivemos a escassez:

v      esses serão os desafios permanentes, peças constantes no teatro de século que se inicia.

ü      temos um problema de carência por maior representatividade:

v     as academias, por um lado representadas pelas universidades, desenvolvem o conhecimento e as associações e os institutos representam as categorias profissionais;

v      o sistema CONFEA/CREA e os sindicatos constituem-se nos órgãos reguladores e fiscalizadores da atividade profissional;

v      as instituições conectadas ao sistema e os sindicatos destacam-se pelo volume, arrecadação de recursos e dependência de órgãos governamentais:

o       enquanto universidades e entidades associativas são carentes de numerário e dependem do resultado de serviços e atividades prestados ao público.

ü      perguntei a um palestrante sobre qual tema ele falaria. Ele respondeu: sobre uma estrutura de extensão infinita, apoiada sobre solos de diferentes granulometrias e submetida a esforços imponderáveis. Depois descobri que ele estava falando sobre estradas, não era mais fácil ele dizer que ia falar sobre estradas?

·         Melo, Marcos Túlio de.

Presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA): 

ü      nos últimos 30 anos, o país foi marcado pela falta de visão estratégica e de planejamento institucional como um todo. Houve uma opção por um processo de desenvolvimento muito mais focado na especulação financeira e não no setor produtivo;

ü       o nosso grande desafio é recuperar a rede laboratorial pública e privada do país, para poder qualificar a prática do exercício profissional, como acontece na medicina.

·         Merighi, João Virgilio.

Professor da Universidade Mackenzie:

0.3. Percepção sobre a engenharia brasileira e o engenheiro - abril de 2010

0.3.1. Introdução

A Revista Engenharia, na edição de abril de 2010, publicou uma série de entrevistas com empresários e analistas que, alarmados com a escassez de engenheiros no Brasil, poderão acabar prejudicando os projetos previstos pelo governo e pela iniciativa privada.

0.3.2. Os engenheiros no Brasil e no mundo

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) revelam que o Brasil forma menos engenheiros que os países que compõem o BRIC.
São cerca de 40 mil engenheiros, incluindo tecnólogos e habilitações em construção civil, produção e meio ambiente, contra 650 mil na China, 220 mil na Índia e 190 mil na Rússia, conforme dados de 2009.
Os levantamentos revelam que para cada 1.000 pessoas economicamente ativas, a China tem 25 engenheiros, a pequena Coréia do Sul igualmente 25, a índia tem 22 e o Brasil apenas seis.
O quadro é, portanto, preocupante, sendo inútil tentar esquivar-se do fantasma do apagão que ronda a engenharia brasileira.
Uma atitude de negação só contribuiria para dissipar a energia vital necessária para o lançamento de operações amplas e arrojadas visando a formar mais engenheiros e técnicos especializados no país.
Iniciativas desse porte se tornam urgentes frente ao crescente déficit de engenheiros ao qual se integra a falta de técnicos especializados.
Como se sabe, o Brasil cresceu em ritmo de milagre econômico da década até final dos anos 1970, mas a partir do início dos anos 1980, especificamente 1982 e 1983, o país teve que recorrer ao FMI e fazer um forte ajuste fiscal.
Nos 25 anos que se seguiriam a economia brasileira passou a crescer menos que o conjunto dos países do planeta.
Com a suspensão dos grandes projetos públicos e privados na área de engenharia, os jovens foram desestimulados a procurar os cursos de engenharia, optando por outras modalidades.

0.3.3. Pontos de vista

·         Melo, Marcos Túlio de.

Presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA):

ü  muitos profissionais formados não estão atuando na área de Engenharia.

    Há, hoje, uma carência de profissionais especializados no país.

    O problema ainda é agravado pelo fato de que vários profissionais não estão atuando na sua área de formação.

    Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2009, apenas 38% dos formados em Engenharia exercem a profissão.

    Isso significa que seis em cada dez engenheiros atuam em outras funções;

ü  para reverter esse quadro, o presidente do CREA-RJ acredita que é necessário criar estímulos para se fazer cursos de atualização e especialização e, assim, recuperar boa parte desses engenheiros que trabalham em outras áreas.

·         Federações das indústrias estaduais:

ü  dados do sistema das federações das indústrias estaduais mostram que do total de cursos oferecidos no país por instituições públicas e privadas, 76% são para áreas de humanas e sociais, e 8,8% são para engenharias.

·         Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE):

ü  o Brasil publicou menos de 2.000 trabalhos, a Índia produziu 4.000, a Rússia, cerca de 3.500, a Coreia, 6.500, e a China, mais de 50.000 trabalhos;

ü  a disparidade é ainda mais gritante se observarmos que o Brasil está entre os países mais produtivos em trabalhos científicos na área de medicina;

ü  no Brasil, apenas 8% da população adulta tem formação superior, enquanto na média dos países da OCDE este número é 26%.

·         Lobo e Silva Filho, Roberto Leal.

Presidente do Instituto Lobo, Professor, engenheiro eletricista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP):

ü  no Brasil, é comum ver projetos estratégicos, como os de infraestrutura, serem desenvolvidos sem que haja um plano integrado que equacione adequadamente questões como demanda, recursos financeiros, equipamentos, conhecimento científico e mão de obra qualificada;

ü  é ponto pacífico que a engenharia brasileira encontra-se em um momento crucial: seja quanto à formação acadêmica, à prática profissional ou às disfunções do mercado tecnológico.

·         Cordeiro, João Sérgio.

Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGEJ):

ü  a engenharia brasileira vive algo parecido a uma curva senoidal, de altos e baixos.

   O engenheiro 'virou suco' em um ponto baixo.

   Agora estamos em um ponto alto com a volta dos grandes investimentos, e daí toda essa preocupação com a escassez de profissionais;

ü  há uns cinco anos os americanos fizeram um programa nos colégios para mostrar aos alunos o que era engenharia e provar que o atual perfil do engenheiro é bem diferente daquela imagem tradicional de um homem usando um capacete em um canteiro de obras;

ü  ou seja, de que hoje a profissão ganha cada vez mais uma função social.

   Isso ajudou a aumentar o interesse pelas escolas de engenharia e muitos desses jovens agora ingressam nos cursos tendo uma boa percepção do papel do engenheiro;

ü  afinal, o contexto social e econômico em que os engenheiros atuam mudou radicalmente nos últimos decênios do século 20.

   Novas tecnologias, como a pesquisa operacional, a informática, as telecomunicações e as biotecnologias, não só deram origem a novas ferramentas, exigindo uma formação complementar, mas alteraram profundamente os processos de trabalho e suas representações;

ü  novas questões passaram a afetar esta atuação, como as relacionadas aos impactos ambientais e sociais das atividades produtivas, criando novos problemas e novas áreas de trabalho e novas regulamentações a serem consideradas [ou construídas].

·         Sant'Ana, Livia.

Diretora de recursos humanos da construtora Mendes Júnior:

ü  investimentos em infraestrutura, para que ele possa se concretizar, o que exige um grande número de profissionais que sejam capazes de transformar planos em obras realizadas;

ü  há uma grande defasagem hoje no Brasil entre o que temos de engenheiros formados e experientes e o que necessitamos para conduzir essa série de investimentos;

ü  o que a gente percebe de mudança, ultimamente, é que os engenheiros que estão saindo das universidades têm mais perspectivas no próprio setor.

Portanto o grau de aproveitamento hoje é completamente diferente que o das duas décadas perdidas [1980 e 1990].

Então temos uma série de engenheiros formados dentro desse período de 20 anos que não têm experiência como engenheiros.

O que muda agora é que os alunos egressos das faculdades já podem ser aproveitados imediatamente. Aliás, eles já estão sendo aproveitados antes mesmo de se formarem.

As empresas vão buscá-los nos períodos iniciais dos cursos de engenharia, aproveitando-os como estagiários, posteriormente como trainees e ajudando no processo de passagem dos engenheiros da universidade para as empresas.

A Mendes Júnior tem um programa muito estruturado de estagiários que vem sendo complementado por um programa muito eficiente de trainees.

E, dando sequência nos treinamentos, programas para a preparação dos engenheiros nas demais etapas.

De qualquer forma, a construção civil e a construção pesada têm mais demanda de engenheiros que a universidade consegue formar hoje, portanto eles, jovens engenheiros recém-formados, estão podendo escolher para onde vão.

·         Ishikawa, Haruo.

Vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP):

ü  boa parte dos engenheiros que estão se formando já estão saindo da faculdade contratados pelas empresas de construção civil e engenharia;

ü  a quase totalidade das pessoas, que entraram em uma universidade para fazer engenharia civil, no quarto ano já está entrando no mercado de estágios na profissão de engenheiro civil;

ü  eu acho que abrir escola de engenharia ou vagas em grande quantidade e não dar capacidade técnica para formar bem o engenheiro é mais problema que solução.

·         Kochen, Roberto.

Presidente e diretor técnico a GeoCompany, diretor de Habitat e Infraestrutura do Instituto de Engenharia e professor doutor da Poli-USP:

ü  pelos índices citados, do governo e da iniciativa privada, o mercado irá requerer 50.000 profissionais de engenharia por ano e, pelos dados disponíveis, se formam cerca de 60% deste número anualmente no Brasil (30.000 engenheiros por ano);

ü   há também vultosos investimentos na área de infraestrutura, que necessitam de grandes empreendimentos na área de transportes, saneamento, habitação e energia, para que o Brasil fique com uma infraestrutura adequada e suficiente para os grandes eventos esportivos mundiais de 2014 e 2016, a Copa de Mundo e as Olimpíadas no Rio de Janeiro;

ü  ou seja, o déficit de engenheiros e engenheiras será muito maior que os 20.000 profissionais/ano estimados com base apenas nos investimentos anunciados da Petrobras;

ü  há muitos profissionais seniores, mas que representam um número pequeno perto das necessidades atuais. E há profissionais juniores, que não têm a experiência e os conhecimentos necessários para projetos de grande porte e cronogramas apertados, por mais dedicados e preparados que sejam;

ü  ou seja, o problema da escassez de profissionais de engenharia vai se agravar, sem dúvida nenhuma.

·         Hugo Marques da Rosa.

Presidente da Método Engenharia:

ü  o país vai enfrentar agruras em função da falta de pessoal especializado disponível no mercado.

   Isso vai ser muito sentido na engenharia, mas não só na engenharia.

   Eu acho que temos carência de mão de obra em todas as áreas.

   Quer dizer, no Brasil nós temos um problema crônico no setor de educação.

   Nós temos um ensino básico muito ruim e a partir disso o ensino médio não pode ser melhor que o ensino básico.

   Vai daí que as pessoas adentram ao ensino superior com muitas deficiências.

   Uma das consequências, apenas uma, é que nós não formamos o número de engenheiros que precisaríamos formar por ano para manter um contingente de pessoas qualificadas para a execução de todos os investimentos que se apresentam pelos próximos anos;

ü  você não pode imaginar que vai receber das universidades o profissional preparado para o exercício daquilo que a empresa necessita.

   Então as empresas têm que investir na formação de seus quadros, complementarmente àquilo que é feito no sistema de ensino público e privado. 

   E as empresas que investem mais nessa direção terão menos problemas no futuro.

·         Luscher de Castro, Jean Alberto.

Presidente da Galvão Engenharia Brasil:

ü  é preciso tomar cuidado para que a falta de engenheiras no mercado de trabalho não acabe virando um nó para a execução do PAC, exploração de petróleo na camada pré-sal e de projetos importantes com os quais o país se comprometeu para a próxima década, como a Olimpíada de 2016 e a Copa do Mundo de 2014;

ü  nossa visão é que os nossos 'cabeças brancas’ mesclados com os jovens dispostos a enfrentar as oportunidades dos novos tempos, irão superar todas as dificuldades;

ü  como estimativa para o setor como um todo, é válido afirmar que para cada milhão de dólares empregados em novos investimentos, é preciso agregar um novo engenheiro.

ü  os projetos mais complexos e que requerem uma alta demanda por gerenciamento exigem que o profissional seja qualificado e tenha condições de agregar inteligência e comprometimento a fim de atender os anseios do cliente.

·         Almeida, Carlos Alexandre de.

Área de apoio da vice-presidência de operações da Construtora Norberto Odebrecht:

ü  a companhia prioriza muito as pessoas, principalmente os jovens, para serem formados dentro da organização;

ü  a grande maioria de nossos executivos atuais entrou na organização logo depois da universidade, como trainee.

© 2013 - Todos os direitos reservados - Diagrama Marketing Editorial