A indústria da construção civil vive um momento decisivo: precisa avançar para um modelo mais sustentável. Esta necessidade tem acelerado o crescimento das edificações eficientes, materiais de baixo carbono e processos inovadores. Nos últimos 10 anos, o número de projetos certificados com selos de sustentabilidade cresceu mais de 19%, reforçando que o mercado não apenas acompanha regulamentações, mas busca integrar práticas que conciliem desempenho e responsabilidade ambiental.
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios. Um estudo de 2025 revela um dado interessante: enquanto 50% da população brasileira reconhece o conceito de construção sustentável (acima da média global de 38%), apenas 9% dos profissionais do setor se sentem aptos a aplicar essas práticas. Isso mostra uma grande oportunidade para capacitação e treinamento. Os dados são do "Barômetro da Construção Sustentável", uma pesquisa global realizada pela empresa Saint-Gobain em parceria com a consultoria Occurrence-Ifop.
A BASF também mergulhou no cenário do setor com o estudo “Tendências e tecnologias de sustentabilidade para o mercado da construção civil”. O material
que revela caminhos para essa transformação, destaca os desafios e, sobretudo, as soluções já disponíveis para reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência dos processos construtivos.
Alinhado às condutas do ESG (Ambiental, Social e Governança), o setor foca em quatro pilares principais: a transição para energias renováveis nos edifícios, a redução da pegada de carbono, a adoção de materiais com menor impacto ambiental, a crescente importância de diretrizes e certificações de construção verde, como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method).
O futuro do setor será definido pela integração de práticas mais responsáveis e tecnologia de ponta. As principais tendências apontam para:
A química tem papel central nessa transformação. Aditivos e resinas de alta tecnologia aumentam a durabilidade dos materiais e reduzem a necessidade de manutenção. Há ainda a substituição de produtos à base de solventes por soluções de base água, baixo VOC (Compostos Orgânicos Voláteis) ou livres de formaldeído, além de alternativas isentas de estanho, APEOs (Etoxilados de Alquilfenol) e outras substâncias restritas.
Entre as iniciativas mais importantes está a migração para tecnologias livres de APEO, impulsionada por regulamentações e pelo foco na saúde humana e na preservação ambiental. Produtos inovadores, como dispersões acrílicas de alta resistência e estabilizadores UV, contribuem para aumentar a durabilidade e reduzir o impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos materiais, além de diminuir manutenção e consumo de recursos.
Talvez a inovação mais emblemática seja a capacidade de iniciar a cadeia produtiva já com um pé na sustentabilidade. Um dos avanços mais relevantes é o uso do BMB (Balanço de Biomassa), que substitui matérias-primas fósseis por recursos renováveis, resultando em produtos com menor pegada de carbono e o mesmo desempenho. Assim, adesivos, tintas, impermeabilizante e selantes já nascem alinhados a uma economia de baixo carbono.
A transição para uma construção ambientalmente responsável é uma revolução que começa nos laboratórios de pesquisa e se reflete nos detalhes da composição de cada material. Ela demonstra que é possível avançar com ciência, inovação e estratégia, equilibrando desempenho, responsabilidade social e compromisso com o planeta.