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Crise do petróleo pode elevar custos da construção, alerta especialista em mercado imobiliário

A escalada das tensões no Oriente Médio e a elevação no preço do petróleo têm impactado o mercado da construção civil. Nas últimas semanas, a cotação do barril do tipo Brent superou a marca dos US$ 100, impactando o mercado de energia global, com impacto direto em diferentes setores da economia, como o imobiliário.

Dados analisados pela Trinus, plataforma especializada em soluções financeiras, dados e governança para o mercado imobiliário, com base em alertas feitos por entidades do setor, como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostram aumentos de preços recentes em insumos relevantes, especialmente aqueles ligados a derivados petroquímicos, além do maior custo de frete, impulsionado pelo diesel.

Esse cenário reforça que o petróleo não afeta apenas o combustível, mas toda a estrutura de custos da construção, de materiais como PVC e impermeabilizantes até o transporte de cimento, areia e concreto. Além do cenário internacional, o mercado interno tem sido afetado por inflação persistente e crédito mais seletivo, pressionando o custo do capital.

Impactos diretos e indiretos da guerra no setor

Para Cali Galera, diretor de Novos Negócios da Trinus e especialista em Mercado Imobiliário, o impacto da crise do petróleo deve ser analisado em dois níveis. No primeiro, estão os impactos diretos: aumento do custo de insumos, pressão sobre logística e risco de desabastecimento em alguns segmentos da cadeia. Já no segundo estão os efeitos indiretos, como inflação mais alta, maior dificuldade de redução de juros e um ambiente de crédito mais restritivo, que afeta tanto o financiamento quanto a demanda.

“O petróleo é um insumo transversal. Quando ele sobe, não é só o combustível que fica mais caro, é toda a cadeia. Isso aparece no custo de diversos materiais, como concreto, tubos e conexões de PVC e até tintas e solventes, além do frete e, no fim, no orçamento da obra como um todo. Isso pressiona as margens e aumenta a dificuldade de projetar custo e prazo com precisão. Em um setor que já vinha operando com orçamento apertado, esse tipo de volatilidade exige muito mais disciplina de execução e governança financeira. O desenvolvedor precisa entender que não é só uma questão de custo subir. É uma questão de previsibilidade diminuir. E quando a previsibilidade cai, o risco do projeto aumenta”, alerta o especialista em Business, Finance, & Marketing pela London School of Business & Finance (LSBF)

Diante desse cenário, o executivo da Trinus a recomendação para construtores, incorporadores e empresas da construção civil é agir com antecipação e olhar estratégico, além de redobrar a atenção na revisão contínua do orçamento da obra, já que parte da pressão pode chegar com defasagem e de forma pulverizada entre materiais, logística e serviços.

Calil alerta, ainda, sobre a importância de avaliar a estrutura financeira do empreendimento, já que um ambiente mais incerto costuma elevar a exigência de investidores e credores. “Mais do que nunca o desenvolvedor não pode perder de vista a governança do projeto, especialmente na qualidade das informações, no alinhamento entre contabilidade e gerencial e no acompanhamento do fluxo de caixa”, finaliza.

*Por Cali Galera, diretor de Novos Negócios da Trinus.