O cenário atual da construção civil ainda é permeado por alguns desafios, e dados do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo (Ibape/SP) apontam que entre 80% e 90% dos edifícios apresentam problemas operacionais, de conservação ou de segurança, e 57% dos condomínios não realizam inspeções prediais periódicas. Além disso, a falta de manutenção preventiva é responsável por 66% dos acidentes estruturais, segundo dados apresentados no Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias de 2024.
No entanto, a evolução do setor tem ampliado o uso de tecnologias voltadas à segurança das edificações, contribuindo para prevenir danos estruturais e reduzir riscos aos moradores. Com isso, soluções inovadoras vêm sendo aplicadas desde o início da obra até a fase de uso dos imóveis, garantindo maior controle de qualidade, durabilidade e desempenho das estruturas.
Entre os principais avanços estão os sistemas de monitoramento estrutural, que permitem acompanhar em tempo real o comportamento de edificações e identificar possíveis anomalias antes que se tornem problemas críticos. Em 2026, tecnologias como o digital twins (Gêmeo Digital), que são réplicas virtuais precisas de construções físicas que permitem simulações e monitoramento em tempo real, deixam de ser exclusividade de grandes projetos de infraestrutura e passam a se consolidar também em edificações comerciais e residenciais de médio porte, segundo levantamento do Mapa da Obra. Além disso, o uso de materiais de alta resistência e soluções construtivas mais robustas contribui para aumentar a vida útil das estruturas e reduzir a incidência de falhas.
Outro destaque são os sistemas de detecção precoce de problemas, que ajudam a identificar fissuras, infiltrações e outros sinais de desgaste ainda em estágio inicial, possibilitando intervenções mais rápidas e eficientes. Tecnologias de impermeabilização avançada também desempenham papel fundamental na proteção das estruturas contra a ação da água, uma das principais causas de patologias em edificações, como apontam dados do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI) que mostram que 85% das patologias em construções brasileiras estão ligadas à umidade e 80% dos imóveis no país apresentam complicações relacionadas à infiltração.
Nesse contexto, é importante ressaltar que os sistemas de impermeabilização não admitem falhas, uma vez que mesmo pequenas descontinuidades podem evoluir para danos significativos, afetando o desempenho global da edificação e gerando custos elevados de recuperação. Dessa forma, a definição do sistema de impermeabilização deve ser conduzida de forma criteriosa, considerando as particularidades de cada aplicação e priorizando soluções tecnicamente adequadas, com materiais de qualidade comprovada e elevado desempenho. A robustez do sistema está diretamente relacionada não apenas às características dos produtos especificados, mas também à correta execução em campo.
A qualificação da mão de obra é, portanto, um fator decisivo. Profissionais treinados e especializados são essenciais para garantir a aplicação conforme as recomendações técnicas e normas vigentes, minimizando riscos de falhas e assegurando a durabilidade do sistema.
Outro ponto fundamental é a elaboração do Projeto de Impermeabilização ainda nas fases iniciais do empreendimento. Sua contratação antes do início da obra permite uma abordagem integrada, na qual o projetista pode definir as soluções mais adequadas e, quando necessário, promover ajustes no projeto construtivo. Essa antecipação é estratégica para prevenir patologias, assegurar a estanqueidade e elevar o padrão de desempenho da edificação ao longo de sua vida útil.
O controle de qualidade ao longo de toda a obra também tem se tornado cada vez mais tecnológico, com processos mais rigorosos de inspeção, rastreabilidade de materiais e padronização de execução, reduzindo falhas humanas e aumentando a confiabilidade das construções.
“A segurança das edificações começa na escolha das soluções construtivas e no uso de tecnologias que permitem maior controle sobre cada etapa da obra. Hoje, conseguimos prevenir problemas estruturais com muito mais precisão, o que impacta diretamente na proteção dos moradores e na vida útil das construções”, afirma Selmo Soares, Gerente Executivo de Inovação e Desenvolvimento da Viapol, uma das principais empresas brasileiras especializadas em soluções para a construção civil.
O mercado caminha nessa direção: em 2024, a construção civil apresentou crescimento de 4,3% no PIB, movimentando mais de R$ 359 bilhões, segundo a CBIC, e para 2026 a expectativa é de expansão contínua, impulsionada justamente pela adoção de tecnologias que tornam as obras mais seguras, previsíveis e eficientes.
*Selmo Soares, Gerente Executivo de Inovação e Desenvolvimento da Viapol.