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Brechas no abastecimento expõem empresas a fraudes e desvios

Identificação, rastreabilidade e cruzamento de dados reduzem vulnerabilidades, mas exigem acompanhamento contínuo dos gestores.

 

Um abastecimento liberado sem identificação segura, um horímetro preenchido manualmente ou um tanque cujo estoque não é conferido podem parecer falhas pontuais. Em operações que movimentam grandes volumes de combustível, porém, essas brechas comprometem a confiabilidade dos dados e podem abrir caminho para fraudes, desvios, desperdícios e decisões equivocadas.

Para Nelson Margarido, diretor operacional da Korth e especialista em tecnologia e gestão de combustíveis, a segurança do processo começa pela capacidade de responder a perguntas básicas: quem realizou o abastecimento, qual veículo ou máquina recebeu o combustível, quanto foi liberado, onde e em qual momento a operação ocorreu.

“Quando a empresa não consegue reconstruir com segurança todas as etapas de um abastecimento, existe uma vulnerabilidade. A tecnologia ajuda a reduzir essas lacunas ao transformar cada operação em um registro identificado, rastreável e passível de auditoria”, explica.

Entre os pontos que mais exigem atenção estão o compartilhamento de cartões ou senhas, a utilização de identificações genéricas, a digitação manual de odômetros e horímetros, a ausência de limites de abastecimento e a falta de integração entre as informações da bomba, dos tanques e dos equipamentos.

 

Tecnologia cria camadas de segurança

A automação permite criar diferentes camadas de proteção. A identificação eletrônica verifica se o operador e o equipamento estão autorizados, enquanto a data, horário, localização, odômetro e horímetro ajudam a confirmar se a operação é coerente. O controle, porém, não deve interromper automaticamente o abastecimento diante de uma suspeita.

“Nossa lógica é preservar a continuidade da operação. Se existe uma evidência de fraude ou uma inconsistência, ela é notificada para análise do gestor. Um erro em qualquer critério de bloqueio pode levar ao pior cenário possível: uma máquina seca”, explica Margarido.

O acompanhamento eletrônico dos tanques também é importante. Ao comparar o combustível recebido, o volume armazenado e a quantidade liberada nos abastecimentos, o gestor consegue identificar diferenças de estoque e investigar suas possíveis causas.

 

Tecnologia cria camadas de segurança

A automação permite criar diferentes camadas de proteção. A identificação eletrônica verifica se o operador e o equipamento estão autorizados, enquanto a data, horário, localização, odômetro e horímetro ajudam a confirmar se a operação é coerente. O controle, porém, não deve interromper automaticamente o abastecimento diante de uma suspeita.

“Nossa lógica é preservar a continuidade da operação. Se existe uma evidência de fraude ou uma inconsistência, ela é notificada para análise do gestor. Um erro em qualquer critério de bloqueio pode levar ao pior cenário possível: uma máquina seca”, explica Margarido.

O acompanhamento eletrônico dos tanques também é importante. Ao comparar o combustível recebido, o volume armazenado e a quantidade liberada nos abastecimentos, o gestor consegue identificar diferenças de estoque e investigar suas possíveis causas.
 

"A tecnologia mostra onde o gestor precisa olhar, mas não substitui a investigação", relata Nelson Margarido.

 

Sinais de alerta exigem investigação
Alguns comportamentos devem funcionar como sinais de alerta. Entre eles estão abastecimentos acima da capacidade cadastrada do tanque do veículo, registros realizados fora dos locais ou horários habituais, consumo muito diferente do histórico da máquina e hodômetros ou horímetros que não apresentam evolução entre operações.

Alterações frequentes em cadastros, cancelamentos recorrentes, interrupções na transmissão de informações e usuários com permissões superiores às necessárias também merecem acompanhamento. Por isso, os sistemas devem registrar quem acessou ou modificou cada informação, criando uma trilha de auditoria.

Uma inconsistência, entretanto, não significa automaticamente que houve fraude. O consumo pode variar em razão do peso transportado, das condições do terreno, do tempo em marcha lenta, da rota utilizada, de problemas de manutenção ou de erros cadastrais.

“A tecnologia mostra onde o gestor precisa olhar, mas não substitui a investigação. Um dado fora do padrão deve gerar uma verificação técnica e operacional. O objetivo é permitir que a empresa analise o que ocorreu com base em informações confiáveis, e não apenas em percepções ou suspeitas”, ressalta.

Para evitar que o gestor precise procurar anomalias em uma massa de registros, o sistema utiliza processamento para diferenciar informações ordinárias das extraordinárias e destacar o que exige atenção. “Existe um esforço computacional para que o gestor perca o mínimo de tempo possível e se concentre apenas no que é relevante”, afirma Margarido.

A revisão periódica de usuários, permissões, capacidades dos tanques e parâmetros de consumo também reduz vulnerabilidades. Equipamentos que deixam de transmitir dados ou passam longos períodos sem registros não devem ser ignorados.

“Instalar uma tecnologia e deixar de acompanhar as informações não torna o abastecimento seguro. A confiabilidade surge da combinação entre identificação, autorização, medição, registro e análise contínua. Quando essas etapas estão conectadas, o combustível deixa de ser uma despesa de difícil conferência e passa a ser um insumo efetivamente gerenciado”, conclui Margarido.