Pesquisa usa bauxita para criar cimento de baixo carbono

Bauxita extraída no Pará deixa 500 mil toneladas por ano de resíduos. Objetivo é usar rejeitos na composição de Cimento Portland
Crédito: Hydr

A Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com empresas norueguesas, começou a pesquisar como produzir Cimento Portland de baixo carbono utilizando resíduos de bauxita. O mineral é a matéria-prima do alumínio e as indústrias instaladas no Pará geram 500 mil toneladas por ano de resíduos.

Segundo o professor-doutor Márcio Barata, da área de geologia da UFPA, o objetivo é substituir 35% do calcário pela bauxita na composição do cimento. Com esse percentual, os pesquisadores estimam que a produção de um saco de 50 quilos vai lançar na atmosfera metade do CO2 emitido por um saco de cimento convencional. “Além de liberar menos CO2, temos a expectativa de que o produto terá alta resistência e durabilidade”, diz Barata.

A pesquisa está prevista para durar 18 meses, e o início dos trabalhos vai ocorrer a partir de agosto de 2020. De acordo com o professor-doutor Márcio Barata, o estudo não é apenas tecnológico, mas também de alcance ambiental e econômico. Como a região gera um grande volume de resíduos de bauxita, a projeção é que se possa produzir Cimento Portland com um custo 10% a 15% inferior à média da região norte do Brasil.

A coordenação do estudo será do Laboratório de Tecnologia das Construções da UFPA e envolve outros cinco pesquisadores noruegueses. Essa parceria da Universidade Federal do Pará com os noruegueses vem desde 2013, e nasceu no acordo batizado de Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC). Também participam a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e a Universidade de Oslo. 

Sob o ponto de vista ambiental, a UFPA estima que a aplicação industrial de milhares de toneladas de resíduos de bauxita na produção de Cimento Portland de baixo carbono vai diminuir sensivelmente o risco da região de Barcarena voltar a ser atingida por desastres ambientais, como o de 2018. “Vazamentos desses resíduos podem comprometer os cofres hídricos da região. Diminuindo os depósitos, diminuímos as ameaças ao meio ambiente”, frisa Márcio Barata. Além disso, existe a expectativa de que o uso desses resíduos pela indústria cimenteira possa gerar novos empregos no Pará.

Poli-USP e UFSCar também trabalham para adicionar resíduos de bauxita no cimento

A pesquisa a ser desenvolvida pela UFPA não é inédita. Há pelo menos uma década, o Grupo de Engenharia e Microestrutura de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (GEMM-UFSCar) e o Laboratório de Microestrutura e Ecoeficiência de Materiais do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (LME-PCC/Poli-USP) trabalham em estudos sobre Cimento Portland de baixo carbono, substituindo percentuais de calcário por bauxita.

Um dos principais pesquisadores nesta área é o professor-doutor do departamento de engenharia de construção civil da Poli-USP, Rafael Pileggi. Em 2014, no auge de seus estudos, ele deu a seguinte declaração sobre o uso de bauxita no Cimento Portland. “O potencial de utilização do resíduo de bauxita como adição a materiais cimentícios surge em um momento muito oportuno, pois este segmento está buscando rotas alternativas para aumentar a capacidade de produção sem elevar seu impacto ambiental”, afirmou. Agora, com a parceria entre noruegueses e UFPA, a expectativa é que se possa produzir cimento de baixo carbono em escala industrial no Brasil a partir de 2030.

Entrevistado
Universidade Federal do Pará (UFPA) (via assessoria de imprensa)

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Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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