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Gestão de projetos de arquitetura e engenharia

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Capítulo V

Riscos em suas diversas fases

40.1. Introdução e ocorrências

40.2. Fluxograma das atividades e seu relacionamento

40.3. Programa básico de necessidades na elaboração de um projeto envolvendo pré-fabricados

40.4. Riscos técnicos na formulação do planejamento para a obtenção do projeto de arquitetura e engenharia

40.4.1. Fase anteprojeto

 Ao contratar o projetista, devem ficar claramente estabelecidas as condições de qualidade, preço, prazo e nível dos estudos, para que não surjam, como tantas vezes acontecem, problemas do tipo:

·         reclamações do empreendedor devido a um projeto arquitetônico e de engenharia menos completo do que se esperava;

·         reclamações do projetista (arquitetura, engenharia) pela exigência de um trabalho mais detalhado do que o combinado com o empreendedor;

·         reclamações do construtor devido a atrasos na entrega de projetos (arquitetura, engenharia)  ou em dar respostas a questões propostas por ele ao projetista, entre outras;

O empreendedor deve informar ao projetista sobre os documentos que espera receber (por exemplo, cálculos detalhadamente explicados), além dos normais (plantas e especificações).

Se for pedido detalhamento dos cálculos utilizados, o projetista será forçado provavelmente a trabalhar com mais cuidado e poderão ser evitados erros ou encarecimentos.

Do ponto de vista técnico, a possibilidade de que seja necessário demolir a construção no futuro deve ser levada em conta. Isto é particularmente importante em estruturas protendidas.

Do ponto de vista estético, cada solução técnica deve ser amplamente discutida, com a assessoria de especialistas.

Nos casos simples é suficiente, para esta identificação de riscos, empregar a normalização existente e combiná-la com os conhecimentos e experiências próprias e em casos complexos, é imprescindível utilizar um processo sistemático.

Exemplos:

·           o telhado de uma igreja sofreu danos e não estava impermeabilizado, e o material de isolamento ficou encharcado de água da chuva, com o acréscimo de peso resultante ocasionou o colapso da cobertura, que era suportada por estruturas de madeira

·           um radiador fissurou por efeito de uma geada, a água do radiador ocasionou um curto circuito que, por sua vez, provocou um incêndio.

·           um silo ruiu por causa da mudança das características do material, nele armazenando (era o mesmo tipo de material porém mudaram alguns de seus parâmetros por alteração das condições ambientais).

·           o teto de concreto armado de uma piscina era atirantado em uma estrutura portante, e após 16 anos de serviço, o teto caiu por não ter previsto proteção contra a corrosão dos tirantes de apoio.

·           contaminações ou danos na rede de saneamento e depuração de águas por causa dos efluentes de uma nova fábrica.

·           por não ter sido previsto o acesso para inspeção nos apoios de uma ponte, estes se deterioraram no período de 15 anos, e a ponte apresentou danos consideráveis.

40.4.2. Fase de planejamento

 Em casos simples, o empreendedor (ou o projetista) atua como coordenador do empreendimento, quando este aspecto é esquecido costumam-se produzir atrasos ou outros problemas maiores no processo.

Cada participante deve comprovar que na fase anterior foram tomadas as medidas adequadas de garantia da qualidade ou, pelo menos, aquelas que podem afetar mais diretamente as suas obrigações e responsabilidades.

·         por exemplo: tantos metros quadrados de estacionamento são necessários; definir altura mínima em um túnel etc.

·         por exemplo: um gabarito mínimo situado abaixo de uma ponte para garantir a navegação; dar saída às águas em caso de fortes chuvas através dos terraplenos de uma auto-estrada, ou do sub-solo de uma edificação pondo em risco bens matérias e a vida de usuários para impedir inundações na vizinhança; quais os afastamentos mínimos com respeito a edifícios já existentes, para não perturbar os seus usuários (perda de insolação ou de vistas, ruídos etc.).

·         às vezes se escolhe o local (uma ponte sobre um rio) e em outras isto é imposto. A escolha do lugar pode estar condicionada por algumas limitações.

·         a nova construção pode pôr em risco bens culturais ou ecológicos. Um exemplo é a Torre de Valência em Madrid: até a sua construção atingir determinada fase, ninguém se deu conta de que iria prejudicar a bela vista da Porta de Alcalá, quando se olhava de Cibeles.

·         as limitações políticas incluem muitos aspectos, alguns relativos à fase de execução (por exemplo, inauguração antes da data estabelecida) e outros à fase de projeto (por exemplo, aspectos estratégicos ou de segurança, vulnerabilidade etc.).

·         além das limitações do terreno com respeito às fundações, as limitações do solo e do lugar incluem aspectos como o entorno, a acessibilidade, iluminação, fornecimento de energia etc.

Por exemplo: foi iniciada e construída uma parte da auto-estrada e não foi possível concluir devido à oposição da população.


40.4.3. Fluxograma: riscos na elaboração dos projetos de arquitetura e engenharia

40.4.4. Riscos técnicos de um projeto arquitetônico e de engenharia

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40.4.4.1. Riscos na obtenção dos dados iniciais para a concepção do empreendimento

 

1 - são denominados “dados para a concepção do empreendimento” todos aqueles parâmetros numéricos, critérios e requisitos sobre os quais se baseia o empreendimento.

2 - todos estes dados devem ser listados, com o objetivo de facilitar o seu controle, e não se pode esquecer que parte dos erros cometidos (riscos) tem sua origem na alteração de dados que passa despercebida ou que não é comunicada a tempo às pessoas que devem tomar conhecimento (saber), risco que aumenta com o tamanho e complexidade do empreendimento.

Uma correta gestão e diminuição de risco implicam em:

1 - definir um plano geral de desenvolvimento do empreendimento;

2 - estabelecer corretamente quais dados são necessários e suas relações de pendência e interdependência;

3 - obter os dados dos principais insumos e produtos de cada atividade nas fontes certas;

4 - conseguir aqueles que não estão diretamente disponíveis;

5 - registrar os dados, anotando a origem de cada um;

6 - comprovar e atualizar sua validade periodicamente, retroalimentando o sistema por meio da coleta e análise de dados durante todo o processo;

7 - distribuir, divulgar os dados de projeto a todos os intervenientes no processo, distribuir também a solução em vigor e recolhimento da versão obsoleta;

Os dados devem ser registrados em um documento adequado, diminuindo os riscos de extravios e elaborar uma tabela.

Trata-se de um documento dinâmico que pode mudar durante o processo de projeto-construção e que deve estar continuamente atualizado.

O documento termina quando todos os dados alcançam a categoria de valores definitivos.

Ao colocar em prática esta técnica pela primeira vez podem surgir dúvidas a respeito do que ser registrado ou não, com relação o que é um dado, uma hipótese ou uma referência.

É obvio que uma interpretação muito ampla do conceito conduziria a uma lista praticamente interminável e para evitar, convém seguir o critério que se indica a seguir.

Os dados que devem ser listados são os que obedecem às seguintes condições simultaneamente:

1 - serem externos à atividade (um resultado intermediário ou uma derivação interna lógica não devem ser registrados);

2 - serem necessários (os dados supérfluos não devem ser registrados);

serem diretamente aplicáveis ao empreendimento;

3 - serem obrigatórios (o arquiteto, projetista não é livre para escolher entre vários valores)

4 - seria um grande erro pensar que o controle de dados somente deveria ser efetivado em grandes projetos ou em empresas de engenharia de grande porte.

É também essencial em pequenos empreendimentos e inclusive em empreendimentos individuais e trata-se de uma boa prática da engenharia que conduz a empreendimentos mais seguros e econômicos, já que:

1 - é uma garantia para todos os membros da equipe do empreendimento, pois assegura que todos utilizaram os mesmos dados;

2 - elimina erros, ao estabelecer uma sistemática clara;

3 - facilita o estudo de soluções alternativas e, em particular, da repercussão que tem nos projetos de arquitetura e/ou engenharia a mudança de um dos dados; - permite um melhor controle dos mesmos e facilita sua revisão; - ajuda na gestão do projeto, ao identificar aqueles dados que ainda se encontrem na espera e que devem ser completados o mais breve possível;

4 - em casos de falha ou desordem, o documento é de grande ajuda para a verificação de possíveis causas.

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40.4.4.2. Riscos de concepção e de detalhamento estrutural e construtivo dos projetos arquitetônicos e de engenharia na sua fase de concepção

1 - concepção do projeto sob o aspecto; lay out funcional e arquitetônico que atenda a demanda;

2 - realização de ensaios de laboratório específicos para o detalhamento do projeto de arquitetura e engenharia;

3 - informações de campo;

4 - levantamento topográfico;

5 - detalhamento suficiente;

6 - soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas;

7 - clareza das informações, cálculos e desenhos organizados, compreensíveis e corretos;

8 - compatibilidade do processo executivo;

9 - atender as normas técnicas de saúde e de segurança do trabalho adequadas;

10 - atender as normas ambientais e especificas de projeto que atendam as exigências ambientais;

11 - definição de responsabilidades e procedimentos;

12 - interfaces, compatibilidade, entre as diversas atividades técnicas: (hidráulica, elétrica, estrutura, arquitetura, etc.);

13 - cálculos e explicações dimensionais; (fundações, estrutural);

14 - fluxogramas dos processos e de instrumentação;

15 - especificações e características de materiais;

16 - especificações dos equipamentos do ativo do projeto;

17 - especificações dos serviços – produto acabado;

18 - especificações do produto que são essenciais para seu uso seguro e adequado;

19 - especificações das medidas mitigadoras de proteção ao meio ambiente;

20 - levantamento de quantitativo com base nos projetos, especificações e memoriais descritivos;

21 - orçamento das obras;

22 - revisão do projeto por especialista ou empresas revisoras.

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40.4.4.3. Riscos nas interfaces no detalhamento dos projetos de arquitetura e engenharia

 Tanto nos projetos de arquitetura e engenharia, as interfaces entre uma e outra especialidade são zonas particularmente vulneráveis para a qualidade e nelas geralmente ocorrem os erros com maior frequência e se o projeto é complexo, os problemas se multiplicam.

Um problema típico de interface é quando uma das especialidades necessita de um determinado dado e quem deve fornecê-lo não está ainda em condições de fazê-lo.

Por melhor que seja o planejamento de execução dos projetos de arquitetura e engenharia, este fato pode ocorrer sempre e, para resolver o impasse, não há melhor solução do que fornecer um dado provisório que, sendo conservador, não seja excessivamente seguro e esta obrigação de fornecer dados provisórios deve ser prevista na fase de execução do projeto.

Um bom controle das interfaces requer:

1 - identificação prévia das mesmas;

2 - definição clara das responsabilidades;

3 - definição clara dos prazos a serem cumpridos;

4 - comprometimento dos profissionais envolvidos com as soluções adotadas;

5 - formação de equipes multidisciplinares desde o início dos trabalhos;

6 - organização do fluxo de informações entre os intervenientes;

7 - retroalimentação dos processos com informações confiáveis;

8 - identificação, detalhando em cada caso o meio de transmissão adequado;

9 - projetos de grande importância, tudo isto deve originar os correspondentes documentos (processos).

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40.4.4.4. Riscos nas etapas do processo de desenvolvimento do projeto de arquitetura

 A seguir apresentamos algumas das etapas de desenvolvimento dos projetos de arquitetura e engenharia que podem proporcionar riscos de seus conteúdos:

1 - coleta de informações que representem as condições pré existentes, de forte interesse para auxiliar na elaboração do projeto de arquitetura e engenharia;

1.1 por exemplo: localização do empreendimento, registro fotográfico da localização e entorno do empreendimento, levantamentos planialtimétrico, dados físicos referentes a vizinhança, dados econômicos referentes ao entorno do empreendimento, dados cadastrais do entorno do empreendimento, aspectos ambientais, licença ambiental, informações relacionadas ao clima da região, levantamento e prospecção geológica do solo da implantação do empreendimento e do seu entorno, levantamento e prospecção relacionadas a hidrologia, aspectos hídricos, aspectos sociais, enfim relatório que proporcionam o entendimento e o objetivo a serem alcançados pelo empreendedor;

2 - fluxograma e programa das necessidades destinada à determinação do desempenho do projeto arquitetônico e de engenharia na obtenção do produto que o empreendedor deseja alcançar;

estudo preliminar de viabilidade e alternativas técnica e econômica para a seleção de concepção do projeto arquitetônico e de engenharia;

3 - concepção do projeto básico de arquitetura e engenharia com informações técnicas e detalhamento das estruturas que possibilitem a interface dos projetos de engenharia e a obtenção de custos apropriados, inclusive em se tratando de empresa pública a possibilidade de dados seguros para a licitação;

4 - projeto legal de arquitetura e engenharia com informações técnicas para a sua aprovação pelas autoridades competentes;

5 - projeto construtivo, complementação do projeto básico e que possibilitem a execução dos serviços de obra correspondente;

6 - atenção especial deverá ser dada na formação das especificações dos serviços e produtos, incluindo-se a aprovação da qualidade e a forma de sua execução.

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40.4.4.5. Exemplos de riscos

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40.4.4.6. Riscos na qualidade dos produtos e materiais

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40.4.4.7. Riscos na visualização dos projetos de arquitetura e engenharia

 As obras devem ser projetadas e construídas conforme legislação vigente, e sua visibilidade deve dar segurança para que não ocorram situações que possam prejudicar a parte técnica, custos e o prazo da obra, por exemplo;

1 - dificuldades na interpretação dos desenhos;

2 - riscos no traçado do projeto;

3 - riscos de níveis e desníveis do projeto

4 - equívocos de dimensões das estruturas;

5 - interferências entre os vários segmentos do projeto;

6 - equívocos na obtenção dos quantitativos que compõem a planilha técnica e de custos;

7 - dificuldades e equívocos na aquisição de materiais e equipamentos do ativo;

8 - interferência no planejamento dos serviços, mão de obra e equipamentos;

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40.4.4.8. Riscos de alterações dos projetos de arquitetura e engenharia durante o transcorrer da construção (implantação)

 Com o transcorrer da obra podem surgir fatos novos que exijam a realização de atualizações parciais dos projetos;

1 - como exemplo clássico desse tipo de problema pode-se citar a estabilidade de taludes de cortes em encostas muito íngremes, onde somente após concluídas as escavações pode-se melhor avaliar as soluções do projeto, podendo ocorrer a necessidade de revisões;

2 - alterações decorrentes de mudanças nos requisitos do empreendimento com relação aos projetos de arquitetura e engenharia;

3 - alterações originadas de necessidades técnicas surgidas no processo de execução do empreendimento (construção);

4 - adequabilidade ao uso.

Aspectos a serem considerados na informação aos agentes envolvidos:

1 - urgência em informar os agentes envolvidos sobre a alteração realizada segundo o impacto para o estágio de desenvolvimento do projeto como um todo;

2 - orientações claras de substituição dos arquivos e documentos.

Consequências:

1 - custos adicionais de paralisação e manutenção parcial ou total do empreendimento;

2 - definição de “partes” da estrutura onde a paralisação da produção gerará prejuízos incalculáveis tomando-se um tratamento especial no projeto em relação a vida útil da estrutura.