A participação feminina na construção civil acelera em um movimento consistente de expansão no mercado formal e nos registros profissionais. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam crescimento de 36% nos registros de mulheres nos últimos cinco anos. Informações do Sinduscon-SP indicam aumento de 184% no número de profissionais com carteira assinada desde 2006, além de 20,2% das mais de 110 mil vagas formais criadas em 2023 terem sido ocupadas por elas. O avanço ganha espaço no debate setorial e integra a programação e as iniciativas da FEICON – Feira Internacional da Construção Civil, maior evento do setor na América Latina.
Atualmente, as mulheres representam cerca de 20% dos registros no Confea, o equivalente a mais de 240 mil profissionais. Em São Paulo, são aproximadamente 54 mil engenheiras registradas, cerca de 16% do total. Para Lígia Mackey, presidente do Crea-SP e primeira mulher a ocupar o cargo em 90 anos da instituição, o número é simbólico, mas ainda insuficiente diante do potencial do setor. “Ter mais de 54 mil mulheres registradas no Crea-SP é um marco que reflete a ocupação gradativa de espaços que sempre foram nossos por direito, mas que historicamente eram compostos por homens”, afirma.
Ela reforça que o crescimento recente evidencia uma mudança estrutural, mas exige políticas de permanência. “Nos últimos 5 anos, de acordo com o censo inédito e histórico do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o porcentual de crescimento nos registros de mulheres foi de 36%, enquanto o de homens foi de 24%. No entanto, ainda é um número que pode crescer diante do potencial feminino na Engenharia.”
Aumento e consolidação
Profissionais do setor corroboram essa evolução. Para a engenheira Iza Valadão, embaixadora da FEICON e produtora de conteúdo digital no segmento, a mudança de cenário já é perceptível. “Vejo esse crescimento refletido de forma concreta na prática, especialmente na formação acadêmica e nos primeiros anos de carreira. Nas universidades, a presença feminina nos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura é cada vez mais significativa.”
Ela aponta, no entanto, um desafio estrutural. “O crescimento é real, mas o próximo passo é consolidar essa presença em posições estratégicas e técnicas de alta responsabilidade.”
Para Iza, eventos setoriais exercem papel relevante nesse processo. “A FEICON tem um papel fundamental nesse movimento porque é um espaço de visibilidade e posicionamento. Quando a feira coloca mulheres como palestrantes, líderes de debate, influenciadoras técnicas e protagonistas de conteúdo, ela ajuda a normalizar essa presença e a inspirar novas entradas.”
Mulheres na FEICON
Na organização do evento, essa representatividade se reflete internamente. Durante a 2ª edição da Feiconference estão confirmadas palestrantes mulheres que ocupam cargos de liderança no setor da construção civil. Já o time que atua diretamente na FEICON conta com mais de 30 mulheres em áreas como marketing, atendimento, operação e gestão, incluindo a diretora de portfólio da RX, Mayra Nardy.
Segundo Mayra, discutir o tema dentro do maior encontro do setor é parte da responsabilidade institucional do evento. “A FEICON acompanha o avanço das mulheres na construção civil tanto como pauta quanto como realidade do mercado. O aumento da participação feminina em áreas técnicas, na gestão e na organização de grandes eventos demonstra que essa transformação já está em curso. Dar visibilidade a esse movimento é parte do compromisso da feira com um ambiente mais representativo e conectado às novas demandas da cadeia produtiva.”
Desafios das mulheres na construção civil
Segundo Lígia Mackey, a consolidação desse avanço na construção civil depende do enfrentamento ao preconceito estrutural e de suporte institucional. “Para alavancar esses números, precisamos atuar em duas frentes: o combate ao preconceito estrutural e a criação de políticas de permanência. Além de atrair as mulheres para a faculdade, precisamos possibilitar que elas cheguem aos cargos de decisão com equidade salarial e suporte institucional.”
O Programa Mulher do Crea-SP integra essa estratégia. Em 2025, mais de 25 mil pessoas foram impactadas por trilhas de capacitação, palestras e ações de networking. No mercado de trabalho, os indicadores reforçam a tendência de expansão. O Painel RAIS/MTE (2023) registrou crescimento de 184% na presença feminina com carteira assinada na construção desde 2006. Já o CAGED/MTE (2024) revela que 20,2% das vagas formais criadas em 2023 foram ocupadas por mulheres, contra 14,6% em 2022 e 12,2% em 2021. Apesar do avanço, elas ainda representam cerca de 12% da força total do setor. Em áreas como projetos, planejamento e administração, a participação chega a 22,5%; nas atividades de campo, varia entre 9% e 11%.
Serviço
Credenciamento e venda de ingressos
O credenciamento gratuito da edição 2026 da FEICON para os visitantes está aberto por meio do site e é válido até o dia 22 de março. A partir de 23 de março, a entrada passa a ser paga.
Também está aberta a venda de ingressos para a 2ª edição da Feiconference – Conferência Internacional da Construção e Arquitetura. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site.