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Mulheres impulsionam nova fase da construção civil no Brasil com tecnologia mais rápida e sustentável

Assessoria de Imprensa - 18 de março de 2026 21 Visualizações
Mulheres impulsionam nova fase da construção civil no Brasil com tecnologia mais rápida e sustentável

Março, mês em que é celebrado o protagonismo feminino, também evidencia histórias de mulheres que estão ajudando a transformar setores historicamente dominados por homens. Na construção civil brasileira, três gerações de engenheiras têm desempenhado um papel importante na consolidação do Light Steel Framing (LSF), sistema construtivo industrializado que vem ganhando espaço no país pela velocidade, precisão e menor impacto ambiental das obras.

A engenheira mecânica Maria Thereza de Almeida Castro, considerada uma das pioneiras no estudo e na difusão dos sistemas construtivos leves no Brasil, acompanha a evolução dessa tecnologia desde os primeiros passos no país, na década de 1990. Professora e perita judicial na área, ela presenciou a fase inicial de adaptação do mercado brasileiro a soluções mais industrializadas na construção.

“Naquela época, grandes construtoras buscavam alternativas para tornar a construção civil mais eficiente e preparada para novos desafios. O sistema drywall foi a porta de entrada para essa transformação, ao substituir parte das paredes de alvenaria por estruturas leves, reduzindo o manuseio de materiais e o tempo de obra”, explica.

Com o avanço do setor, o Light Steel Framing, baseado em estruturas de aço galvanizado e fechamento com placas industrializadas, passou a ser aplicado em projetos comerciais e institucionais. Embora o sistema já fosse utilizado em outros países desde o século passado, sua consolidação no

Brasil ocorreu gradualmente, à medida que a indústria nacional começou a produzir componentes e a formar mão de obra especializada.

Uma nova geração na engenharia

Entre as profissionais que ajudaram a levar o sistema para obras de grande escala está a engenheira civil Sheila Kopp Webber de Lima, conhecida no setor por sua atuação em projetos de unidades comerciais construídas com a tecnologia, como a Rede McDonald's.

Segundo ela, a adoção do sistema em suas obras começou em 2019, quando decidiu migrar de métodos tradicionais para soluções industrializadas. “Com apoio técnico, capacitamos nossa própria equipe e construímos uma unidade comercial de mais de 300 metros quadrados totalmente em Light Steel Framing. Foi surpreendente ver a estrutura erguida e coberta em menos de sete dias”, relata.

Ela destaca que, além da rapidez, o sistema traz ganhos importantes para o canteiro de obras. “Comparado à alvenaria, o LSF é mais leve, mais preciso e mais sustentável. Conseguimos reduzir significativamente o desperdício de materiais e melhorar a organização e a limpeza do canteiro.”

Outro ponto que chama atenção é a transformação no perfil da mão de obra. Segundo Sheila, enquanto o modelo tradicional depende de atividades pesadas e artesanais, o LSF exige montagem técnica e maior precisão.

“Hoje, muitos jovens profissionais se adaptam melhor ao sistema porque ele exige mais montagem e menos trabalho pesado. Em vez de betoneira, pá e cimento, usamos parafusadeiras e componentes industrializados.”

O desafio da mão de obra na construção

A falta de profissionais qualificados tem sido um dos principais gargalos da construção civil no Brasil. Para especialistas do setor, essa realidade tem acelerado o interesse por sistemas construtivos industrializados.

“A disponibilidade de pedreiros vem diminuindo ao longo dos anos e a idade média desses profissionais aumentou. O mercado convencional está próximo de um colapso de mão de obra. A industrialização da construção é um caminho sem volta”, afirma Sheila.

Nesse cenário, o Light Steel Framing surge como alternativa por exigir menos trabalhadores em obra, oferecer maior previsibilidade de custos e reduzir prazos de execução.

A nova geração que chega ao setor

Representando a nova geração da engenharia, Gabriele Cristina dos Santos, de 30 anos, acompanha essa transformação diretamente no campo de obras. Para ela, o contato com sistemas construtivos industrializados tem sido decisivo para a formação profissional.

“A experiência de trabalhar com LSF é muito dinâmica. O sistema é rápido, preciso e exige colaboração entre diferentes profissionais. Isso estimula inovação e a busca constante por novas soluções”, afirma.

Do pioneirismo ao futuro da construção

Ao longo das últimas décadas, o sistema evoluiu no Brasil, passando de projetos experimentais para obras comerciais, hospitais, escolas e empreendimentos residenciais.

Para Maria Thereza, o avanço do Light Steel Framing reflete uma mudança estrutural no setor da construção civil. “A construção está passando por um processo de industrialização semelhante ao que já aconteceu em outras áreas da economia. Isso significa mais controle de qualidade, maior produtividade e menor desperdício.”

Com novas tecnologias, integração com sistemas digitais e maior adoção de métodos construtivos industrializados, especialistas apontam que o LSF deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.

E, nesse processo, a presença feminina na engenharia tende a crescer.

“Ver três gerações de mulheres atuando na mesma transformação mostra que a construção civil está mudando, não apenas na tecnologia, mas também na diversidade de profissionais que constroem o futuro do setor”, conclui.

* Na foto, da esquerda para a direita: Gabriele dos Santos, Maria Thereza Castro e Sheila Lima