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Lactec testa postes de material polimérico reforçado com fibra de vidro 

Assessoria de Imprensa - 18 de março de 2026 30 Visualizações
Lactec testa postes de material polimérico reforçado com fibra de vidro 

Com cerca de 60 milhões de postes em operação no Brasil, segundo estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a busca por soluções eficientes para a infraestrutura elétrica torna-se mais urgente.

Os postes compósitos de polímero reforçado com fibras de vidro (PRFV) podem ser uma alternativa aos tradicionais feitos de concreto. O Lactec, instituto de pesquisa e inovação com décadas de atuação no setor energético, tem realizado ensaios nestes materiais avaliando composição química, comportamento mecânico e durabilidade. O objetivo é garantir que esses postes atendam às exigências da norma brasileira NBR a fim que estes possam ser aplicados nas redes de distribuição de energia no país.

Durante o desenvolvimento de projetos relacionados ao tema foi realizada avaliação dos materiais utilizados na fabricação desses postes, incluindo diferentes tipos de resinas e fibras. A dra. Joseane Valente Gulmine, pesquisadora do Lactec, explica que não apenas a fibra de vidro foi analisada, mas também alternativas como fibra de carbono e de aramida.

"A fibra de vidro tem uma densidade maior, enquanto a de carbono é mais leve, porém apresenta propriedades que não são tão interessantes para essa aplicação, como a flexibilidade", explica ela, detalhando os desafios na escolha dos materiais ideais.

Os estudos também envolveram avaliações mecânicas e de degradação ao longo do tempo, resistência ao fogo e, principalmente, a aderência entre fibra e resina — fator determinante para o desempenho final do produto. "A resina e a fibra precisam ter uma boa interface resina/fibra. Caso contrário, não vai haver a performance esperada. E essa boa interface depende do uso de materiais adequados (fibra adequada para determinada resina, por exemplo) e de parâmetros de processamento adequados”, complementa a pesquisadora.

Processo produtivo mais ágil

Uma das grandes vantagens dos postes de PRFV está no tempo de fabricação. Enquanto um poste de concreto demanda mais de duas semanas para cura, os de material composto ficam prontos em apenas um ou dois dias, utilizando a técnica de enrolamento filamentar — processo no qual as fibras são embebidas em resina e enroladas com ângulos específicos em um molde.

Além disso, a leveza e a modularidade dos postes em material compósito facilitam o transporte e a instalação. "São mais fáceis de transportar, produzir e instalar. No projeto buscamos analisar se haveria outras combinações de materiais e também de modularidade", destaca Guilherme Cunha, gerente sênior na área de Tecnologia em Materiais do Lactec.

Projetos

O Lactec desenvolveu dois projetos principais envolvendo a tecnologia PRFV. O primeiro avaliou postes para redes de distribuição, de 10 a 12 metros de altura, com tensão de 13,8 kW. O segundo, buscou criar estruturas emergenciais modulares para linhas de transmissão de alta tensão, com postes de aproximadamente 30 metros. Chegou-se a dois protótipos de superpostes que foram ensaiados mecanicamente em fábrica. A próxima fase da pesquisa, que não foi concretizada, envolveria a produção em escala dos protótipos e testes em campo com os postes sendo instalados em situações emergenciais.

"Para o caso das estruturas emergenciais, tendo em vista que o poste de PRFV pode ser fabricado em módulos, em um caso de queda de torre em local de difícil acesso, a recomposição pode ser mais ágil até que seja possível a montagem de uma estrutura definitiva", detalha a pesquisadora do Lactec.

Mercado em transformação

Atualmente o mercado já enxerga os postes de PRFV como uma tendência. No Brasil já são inúmeros os fornecedores que fabricam este produto com a qualidade exigida pelo setor elétrico.

Recentemente, uma associação de fabricantes buscou no Lactec o respaldo técnico de uma instituição independente para garantir a qualidade dos produtos e incentivar boas práticas industriais.

"Por se tratar de uma tecnologia relativamente nova para o setor elétrico, é essencial que todos os fabricantes sigam processos adequados, sem pular etapas, para poder oferecer ao mercado um produto com qualidade. Nossos serviços tecnológicos e consultorias visam incentivar o cumprimento dos requisitos de qualidade previstos em norma", ressalta Guilherme Cunha.

De acordo com a norma NBR 16989:2021, os postes de PRFV devem apresentar resistência ao ataque de agentes naturais físicos e biológicos, além de suportar intempéries e impedir o afloramento das fibras. Nesse contexto, agentes físicos naturais são entendidos como a radiação ultravioleta e infravermelha, umidade e variações de temperatura, e agentes biológicos como ação de insetos, roedores, aves ou fungos.

Como características físicas e tolerâncias, os postes de PRFV devem apresentar superfície contínua e uniforme, sem cantos vivos, arestas cortantes ou rebarbas, e ser isentos de defeitos como trincas ou fissuras, bolhas, avarias de transporte ou armazenagem e curvaturas.

O Lactec oferece suporte para projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), serviços tecnológicos, consultorias e diversos tipos de ensaios de materiais.