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Materiais importados ganham força em projetos de alto padrão no Brasil

Assessoria de Imprensa - 02 de abril de 2026 28 Visualizações
Materiais importados ganham força em projetos de alto padrão no Brasil

Com a chegada de novos investimentos internacionais em hotelaria, resorts e empreendimentos de alto padrão no Brasil, cresce também um desafio relevante para o setor da construção civil: atender, no mercado nacional, às especificações técnicas exigidas por projetos globais.

Diferenças como variações de espessura, resistência estrutural e uniformidade de acabamento — muitas vezes toleradas em obras convencionais — podem comprometer desempenho, prazo e resultado final quando o projeto segue padrões internacionais rigorosos.

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que o uso de insumos importados tem avançado em obras de alto padrão, especialmente em projetos vinculados a marcas globais. Já o SindusCon-SP aponta que os retrabalhos podem chegar a 10% do custo total da obra, frequentemente ligados à incompatibilidade de materiais.

Segundo Celso Zaffarani, CEO da Zaffarani Design Build, o desafio vai além da disponibilidade.

“Projetos internacionais já chegam com especificações muito claras de desempenho e acabamento. Parte dos materiais disponíveis no Brasil apresenta variações aceitáveis em obras comuns, mas que não atendem a auditorias técnicas mais rigorosas”, afirma.

Pequenas variações, grandes impactos

Na prática, diferenças mínimas podem gerar efeitos relevantes. Chapas metálicas com espessura irregular, por exemplo, afetam alinhamento, acabamento e durabilidade — além de aumentar o risco de retrabalho e atrasos, especialmente em projetos auditados por marcas internacionais.

Importação como decisão técnica

Diante desse cenário, a importação deixa de ser uma escolha comercial e passa a ser uma decisão técnica.

Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que o Brasil ainda enfrenta gargalos em segmentos que exigem alto nível de padronização e controle de qualidade. Dados de comércio exterior mostram que bens intermediários — categoria que inclui insumos industriais — representam cerca de 60% das importações brasileiras, evidenciando a dependência estrutural dessas cadeias. Mesmo sendo um grande produtor de aço, o país ainda depende de insumos vindos de mercados como Itália, Espanha, Alemanha e China para atender exigências específicas.

“A importação está diretamente ligada à previsibilidade da obra. Quando o material não entrega o desempenho esperado, o risco de retrabalho, atraso e desgaste reputacional aumenta significativamente”, diz Zaffarani.

Custo, logística e dependência externa

Fatores logísticos e econômicos recentes também têm elevado a complexidade desse cenário. A instabilidade no Oriente Médio já impacta rotas marítimas e pressiona os custos de frete, afetando diretamente o planejamento de obras que dependem de importação.

“Já observamos mudanças nos fluxos de navios em rotas estratégicas, o que influencia prazo e custo. No Brasil, isso se soma a uma carga tributária que incide em cascata e pode mais do que dobrar o valor final do insumo importado”, afirma Celso. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o chamado “Custo Brasil” pode elevar em até 30% os custos para empresas, com impacto direto sobre cadeias que dependem de importação.

Além do custo, há um desafio de oferta. “Em categorias como revestimentos metálicos, sistemas de iluminação e alguns acabamentos, ainda há limitação de variedade e especificação no mercado nacional frente às exigências de projetos internacionais”, explica.

Segundo ele, parte da própria indústria local já opera integrada a cadeias globais. “Mesmo fabricantes nacionais dependem de componentes importados, o que mostra que essa é uma dinâmica estrutural do setor.”

Pressão por qualidade deve crescer

Dados do IBGE mostram que a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro caiu de cerca de 27% na década de 1980 para aproximadamente 11% atualmente, impactando a capacidade de desenvolvimento de produtos de alta especificação.

Com a expansão de redes internacionais de hotelaria, hospitais e empreendimentos premium no país, a tendência é de aumento contínuo na exigência técnica.

Nesse contexto, garantir materiais compatíveis com padrões globais será decisivo não apenas para cumprir prazos e evitar retrabalho, mas para sustentar a competitividade do setor e a atração de novos investimentos.