Uma falha na instalação elétrica de uma propriedade rural pode comprometer a cadeia produtiva em poucos minutos. Sistemas essenciais, como climatização, ordenha, irrigação, armazenagem e automação, dependem da estabilidade do fornecimento de energia. A interrupção pode paralisar máquinas e resultar em perdas de safras, insumos, rebanhos e produtos armazenados.
Diante das especificidades das instalações rurais, a Tramontina chama a atenção para a necessidade de adequação técnica e manutenção periódica da infraestrutura elétrica. No agronegócio, os componentes estão expostos a fatores que podem acelerar sua degradação, como alta umidade, acúmulo de poeira orgânica, resíduos de fertilizantes e defensivos agrícolas, dejetos animais, vibração contínua, salinidade, em propriedades próximas ao litoral e intempéries. Além disso, as instalações estão sujeitas a descargas atmosféricas (raios), surtos de tensão e danos causados por roedores ao isolamento dos condutores, fatores que podem contribuir para curtos-circuitos e incêndios.
Os impactos decorrentes de falhas no sistema elétrico rural variam conforme a atividade. Na avicultura e na suinocultura, a paralisação dos sistemas de ventilação e exaustão pode elevar rapidamente a temperatura dos galpões, provocando estresse térmico e aumentando o risco de mortalidade animal. Na pecuária leiteira, falhas durante a ordenha ou na refrigeração do leite podem comprometer a qualidade do produto e provocar o descarte do volume recolhido. Na piscicultura e na aquicultura, a interrupção dos aeradores reduz a oxigenação da água e pode provocar a mortalidade acelerada dos animais. Em silos e secadores de grãos, a presença de poeira combustível suspensa pode formar atmosferas potencialmente explosivas. Nesses ambientes, um centelhamento elétrico pode provocar explosões.
“A infraestrutura elétrica deve ser tratada como parte integrante do processo produtivo do campo. Considerar as especificidades do ambiente e a exigência das máquinas na escolha dos componentes, somada à manutenção preventiva regular, é indispensável para preservar a continuidade operacional, garantir a conformidade técnica e proteger o investimento do produtor”, afirma André de Lima, Diretor Comercial da Tramontina.
Sinais de alerta e prevenção
Indicadores visíveis podem anteceder a ocorrência de falhas graves. Disjuntores que desarmam com frequência, oscilações na iluminação durante a partida de motores, cabos aquecidos, ressecados ou derretidos, choques em estruturas metálicas e cheiro de queimado em quadros elétricos sinalizam a necessidade de avaliação técnica. Entre os problemas recorrentes estão o subdimensionamento de condutores, emendas sem isolamento adequado, ausência de aterramento e utilização de quadros elétricos sem vedação ou de produtos com grau de proteção (IP) incompatível com o ambiente.
A especificação correta exige componentes projetados para suportar as condições do ambiente agrícola. Quadros, tomadas e demais componentes devem apresentar grau de proteção adequado ao local de instalação, considerando a exposição à água, poeira, umidade e outros agentes. Em áreas sujeitas a maior exposição, podem ser necessários graus de proteção mais elevados. Em ambientes com agentes corrosivos, como a amônia presente em instalações de criação animal, também é importante utilizar soluções com materiais, vedações e sistemas de entrada de cabos adequados, como prensa-cabos, capazes de reduzir a entrada de umidade, poeira e outros contaminantes.
Para assegurar maior vida útil dos equipamentos e prevenir acidentes, a rotina de manutenção preventiva deve contemplar o reaperto periódico de conexões elétricas, a limpeza de quadros, a verificação do sistema de aterramento e a inspeção termográfica para identificação prévia de pontos de sobreaquecimento. O sistema de proteção também deve ser dimensionado conforme as características da instalação e contar com dispositivos adequados, como disjuntores, para a proteção contra sobrecargas e curtos-circuitos; DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos), para limitar surtos de tensão; e DR (Dispositivos Diferenciais Residuais), para proteger contra correntes de fuga e reduzir o risco de choques elétricos em pessoas e animais.
Em atividades que envolvam eletricidade em áreas rurais, eletricistas e demais profissionais autônomos devem utilizar materiais elétricos e equipamentos adequados ao tipo de serviço e em conformidade com as normas de segurança. Entre os instrumentos indispensáveis estão as ferramentas manuais isoladas certificadas, desenvolvidas para trabalhos em instalações elétricas e com capacidade de isolamento de até 1.000 volts em corrente alternada, como chaves de fenda, de aperto e ajustáveis, alicates, conjuntos de corte e soquetes. Esses equipamentos contribuem para a segurança e a eficiência durante reparos, inspeções e diagnósticos.
“Intervenções e manutenções periódicas em instalações elétricas devem seguir os protocolos de segurança aplicáveis, como os estabelecidos pela NR-10, e ser realizadas por profissionais qualificados e habilitados, conforme a natureza do serviço. O uso de ferramentas manuais em instalações elétricas também requer equipamentos adequados e em conformidade com as normas aplicáveis, como a IEC 60900”, conclui o executivo da Tramontina.