Logotipo Engenharia Compartilhada
Home Notícias Reforma Tributária e inteligência artificial pautam modernização da indústria de esquadrias no 7º Encontro AFEAL
EVENTOS

Reforma Tributária e inteligência artificial pautam modernização da indústria de esquadrias no 7º Encontro AFEAL

Assessoria de Imprensa - 17 de setembro de 2026 33 Visualizações
Reforma Tributária e inteligência artificial pautam modernização da indústria de esquadrias no 7º Encontro AFEAL

Cláudio Feliciano (crédito imagem: Fesqua 2026)

A Reforma Tributária, o avanço da inteligência artificial na gestão industrial e os impactos da taxa Selic no mercado imobiliário foram os principais temas debatidos no 7º Encontro AFEAL, realizado nesta quinta-feira (10), durante a Fesqua 2026, no São Paulo Expo. Promovido pela Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (AFEAL), o evento reuniu especialistas para discutir os desafios e as oportunidades para fabricantes de esquadrias de alumínio e vidraceiros diante das transformações econômicas e tecnológicas.

Para Danilo Vicente, sócio-fundador da Glass One e especialista conhecido no setor como “Contador do Vidro”, a Reforma Tributária terá impactos que vão além da área fiscal e exigirão mudanças na gestão das empresas.

Segundo ele, um dos principais desafios será evitar que o debate fique restrito à alteração da carga tributária. Na avaliação do especialista, as empresas precisarão revisar processos internos, sistemas e estratégias de precificação para se adaptar ao novo modelo de tributação baseado no IVA Dual, formado pela CBS e pelo IBS.

Também participante do encontro, o advogado Marcos Maia, especialista em tributação, destacou o potencial da Reforma para modernizar a tributação sobre o consumo no Brasil. “A palavra de ordem é eficiência. A empresa que conseguir olhar o cenário nacional e redesenhar sua logística de acordo com a nova realidade sairá na frente”, afirmou.

O advogado Marcelo Ferraz Pinheiro reforçou que a mudança representa uma oportunidade para simplificar o sistema tributário brasileiro e reduzir desafios históricos, como a complexidade das regras, o excesso de litígios e a competição tributária entre estados e municípios.

“A Reforma Tributária sobre o consumo chega como uma tentativa de enfrentar problemas que se acumularam ao longo de décadas. A mudança busca reorganizar a tributação e aproximá-la de modelos mais simples e coerentes, reduzindo distorções e diminuindo os custos relacionados ao cumprimento das obrigações tributárias”, analisou.

Inteligência artificial como ferramenta de eficiência industrial

A aplicação da inteligência artificial na indústria de esquadrias também esteve entre os destaques do encontro. Cláudio Feliciano, multiempreendedor à frente de empresas como Box Progresso, IAcelerador Tech e Evolua System, apresentou como a tecnologia pode apoiar processos de gestão, planejamento e tomada de decisão.

Para Feliciano, a transformação digital permite substituir decisões baseadas em improviso por processos mais previsíveis, apoiados por dados. “A tecnologia impacta diretamente todas as etapas — do projeto à fábrica e à obra —, otimizando cálculos, reduzindo margens de erro humano e garantindo maior rigor no cumprimento de normas técnicas. Fabricantes que integram automação e ferramentas especializadas ganham agilidade operacional e se distanciam da concorrência no mercado de construção civil”, afirmou.

Selic e mercado imobiliário

O cenário do mercado imobiliário brasileiro também foi tema de debate, com participação de Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O executivo destacou a relevância do setor, que representa cerca de 9% do PIB brasileiro, e os impactos da taxa Selic sobre o acesso ao crédito.

Segundo França, enquanto o segmento de baixa renda mantém demanda impulsionada por programas habitacionais, a alta dos juros afeta principalmente o mercado de imóveis de médio padrão.

“Há uma grande participação da população de baixa renda, que conta com financiamento do Programa Minha Casa Minha Vida. Mesmo assim, nessa faixa há um déficit de seis milhões de moradias, o que sustenta a alta do setor. Já para a classe média sobram os créditos oferecidos pelos bancos, com taxas de juros muito elevadas”, afirmou.


Performance dos vidros nas certificações de eficiência energética

Thiago Malvezzi, Head de Marketing e Produtos de AGC (Crédito imagem: Fesqua 2026)

As diferentes características e os critério para a escolha do vidro em um projeto de esquadria, foi um dos temas do evento “Esquadrias de PVC em Foco”, promovido pela ASPEC PVC – Associação Brasileira dos Fabricantes de Sistemas, Perfis e Componentes para Esquadrias de PVC. A programação, que faz parte do conjunto de atividades que acontecem durante a Fesqua 2026, reuniu especialistas e profissionais para discutir aspectos técnicos e de mercado, no São Paulo Expo.

Entre os palestrantes, Thiago Malvezzi, Head de Marketing e Produtos de AGC, apresentou o tema “Eficiência além da transparência: o papel dos vidros de alta performance”, uma perspectiva sobre o desempenho de vidros e as novas certificações que devem transformar o mercado de esquadrias.


Malvezzi iniciou contrapondo os diferentes tipos de vidro disponíveis no mercado e o impacto de cada um no conforto e no consumo de energia dos ambientes. Segundo ele, o vidro incolor comum tem fator solar de 82%, ou seja, permite a passagem de boa parte do calor externo. "Aqui a gente tem ofuscamento e calor excessivo, tem cortinas fechadas, às vezes bloqueando uma vista linda, e um ar-condicionado superdimensionado e sobrecarregado", descreveu. Já os vidros de controle solar, segundo o especialista, reduzem essa entrada de calor sem comprometer integralmente a luminosidade. “A escolha do vidro não deve considerar só a estética, nem só o que combina com o projeto, mas também aquele que tem a performance adequada para o ambiente e o uso que será feito dele”.


Para ilustrar o impacto prático dessa escolha, o palestrante apresentou um comparativo de dimensionamento de climatização para uma sala de 24 m². Equipada com vidro incolor, exigiria um aparelho de ar-condicionado de 18 mil BTUs, enquanto a mesma sala com vidro de controle solar demandaria apenas 9 mil BTUs. “É claro que temos a dor do custo, mas essa dor deve considerar outras dores, como segurança, conforto térmico e acústico e custos posteriores, como instalação de ar-condicionado”, explica.

Os fatores elencados se conectam com as demandas do mercado em relação à eficiência energética. Além das cada vez mais valorizadas certificações LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e AQUA-HQE™ (direcionada a construções de alta qualidade ambiental), Malvezzi enfatizou o Programa Brasileiro de Etiquetagem voltado para as edificações (PBE Edifica). “Assim como os eletrodomésticos têm etiqueta de eficiência energética, as edificações também terão uma classificação”, afirmou, explicando que a legislação já vem sendo implementada.


“Em 2027 serão as edificações públicas federais, escalando para o restante do mercado nos anos seguintes, atingindo edificações comerciais, de serviços e residenciais”, diz Malvezzi, destacando que o cronograma deve acelerar a adoção de vidros e esquadrias de alta performance como parte da resposta técnica do mercado às exigências que já se aproximam.


Novas tecnologias ampliam funções do vidro e ampliam suas aplicações em residências e escritórios

O avanço tecnológico tem ampliado o papel do vidro na construção civil, que deixa de ser apenas um elemento de fechamento e passa a incorporar funções relacionadas a conforto térmico, proteção solar, segurança, durabilidade e estética. Durante a Fesqua, empresas do setor apresentaram soluções voltadas a diferentes necessidades de projetos residenciais e corporativos, acompanhando também a busca por esquadrias maiores, perfis minimalistas e novas possibilidades de aplicação.


A Guardian Glass, retorna ao evento pela segunda vez, destacando o Neutral 70, vidro de controle solar com prata em sua composição e neutralidade estética. A solução bloqueia mais de 40% do calor e mantém uma transmissão de luz próxima à de um vidro comum, característica que amplia suas possibilidades em projetos residenciais com grandes vãos e esquadrias minimalistas.

“O Neutral 70 é uma tendência que estamos observando no mercado porque combina desempenho de controle solar com uma aparência mais neutra. Isso permite atender projetos que buscam grandes áreas envidraçadas sem transformar os ambientes em uma espécie de estufa”, afirma Betânia Danelon, gerente comercial da Guardian Glass.

A empresa também apresentou opções como Neutral 14, Light Gray, Reflect e Sunlight, voltadas a diferentes necessidades de desempenho e estética.

Também presente na feira, a Cebrace levou dois lançamentos que combinam desempenho e novas possibilidades de uso. O Habitat Neutro Bronze é um vidro de proteção solar para residências capaz de bloquear até 53% do calor e capaz de ser usado em diferentes aplicações, incluindo portas de pé-direito-duplo (com mais de cinco metros de altura). Já o Cebrace Everlux possui efeito espelhado e resistência à oxidação, permitindo sua utilização em ambientes úmidos, como banheiros, sem o desgaste característico de produtos com prata.


“O vidro na esquadria não deve ser visto apenas como um elemento para fechar um vão. Ele precisa entregar benefícios e desempenho, e é justamente a combinação entre o vidro e o sistema de esquadria que permite transformar essa solução em um produto completo”, destaca Victoria Pereira, representante comercial da Cebrace.


Na Blindex, a estratégia também passa pela ampliação do portfólio e pela integração entre vidro e sistemas de envidraçamento. Tradicionalmente associada aos vidros de segurança temperados, a empresa passou a oferecer soluções como o Blindex Ultra, vidro temperado laminado, além de direcionar atenção a sistemas para fechamento de sacadas, portas, guarda-roupas, perfis e ferragens.

“A Blindex não vende apenas vidro. O consumidor compra uma função: uma porta, uma divisória, uma fachada, um box ou um fechamento de sacada. Para que o vidro cumpra essa função, ele precisa estar integrado a um sistema adequado. Por isso, estamos ampliando nosso portfólio para oferecer soluções completas ao mercado de esquadrias”, explica Glória Cardoso, gerente geral da Divisão de Vidros para Arquitetura da Blindex.


Summit Arq estreia na Fesqua com imersão em sustentabilidade e os impactos da reforma tributária no setor

Crédito imagem: Fesqua 2026

O Summit Arq, encontro voltado a arquitetos, designers de interiores, engenheiros e especificadores, aconteceu hoje, dia 10 de setembro, durante a 16ª edição da Fesqua – Feira Internacional da Indústria de Esquadrias, realizada no São Paulo Expo. O evento promoveu uma imersão em temas como gestão, inovação, sustentabilidade, tecnologia e tendências de mercado.

A programação teve início com a palestra "Sustentabilidade que vende: projeto que gera valor", ministrada por Sami Meira, arquiteta, cofundadora da UGreen e especialista em Negócios Sustentáveis por Harvard. Em seguida, Carol Piccin, advogada especialista em Gestão Ambiental e criadora da Materioteca, falou sobre "Materiais Sustentáveis aplicados em interiores". Na sequência, Bia Rafaelli, pioneira em Design Biofílico no Brasil, trouxe o tema "Arquitetura Wellness: como o Design Biofílico te posiciona nesse mercado". Fabio Morais, sócio-diretor da Devezas & Morais Advisory, apresentou "Crescer ou sobreviver: o desafio dos escritórios de arquitetura", abordando gestão, tecnologia e Inteligência Artificial” e, encerrando o ciclo, Gabriela Pires, contadora com mais de 13 anos de experiência, apresentou "Reforma Tributária: o que muda para os escritórios de arquitetura".


Durante a palestra de Carol Piccin, a especialista destacou a importância da economia circular e os impactos negativos do modelo linear. "O que acontece quando a gente fica na linha da economia linear? Estamos perdendo matéria, recurso, energia, água e dinheiro. Quando a gente entra na circularidade, a água está sendo reutilizada de alguma forma, o substrato de alguma industrialização está sendo usado para gerar energia em algum outro lugar, um resíduo está sendo usado para ser produto de uma edificação, por exemplo, da própria obra", explicou.


Piccin também apresentou a divisão dos materiais proposta em sua metodologia, baseada na origem. "Temos os materiais recicláveis, que podem ser transformados e tem sua origem sob terra. Depois temos o que chamo de biomaterial, são aqueles que são feitos de madeira, babu, semente, fibras, vegetais e peles, ossos, animais. Mais ou menos esses. Esses são aqueles que estão em cima da terra. A gente vê mais fácil, eles se decompõem mais rápido e é mais fácil de pegar", destaca.


Encerrando as atividades do congresso, Gabriela Pires alertou que o verdadeiro desafio da Reforma Tributária não está apenas na mudança de alíquotas, mas na forma como os arquitetos precificam e apresentam seus serviços. Segundo a especialista, é fundamental separar visualmente três conceitos que hoje costumam ser tratados como um só: o preço do serviço, o imposto e o valor desembolsado pelo cliente. "A Reforma não muda apenas quanto imposto pagamos. Ela tende a mudar a forma como formamos, apresentamos e negociamos preços", afirmou.

A contadora também abordou a estrutura de custos dos escritórios de arquitetura, apontando que o principal insumo dessas empresas é a mão de obra. "A folha de pagamento não funciona como uma compra comum geradora de crédito de IBS/CBS", explicou. Diante disso, Pires ressaltou que, quanto maior a dependência da folha e menor a base de créditos, mais importante se torna revisar preço, regime e estrutura da empresa antes de fechar novos contratos. Ela ainda destacou que, embora exista a promessa de 30% de redução para a categoria, esse benefício "não é automático" e depende de fatores como a estrutura societária, a forma de prestação do serviço e o cumprimento de requisitos específicos.

Por fim, a palestrante enfatizou que a Reforma Tributária exige uma mudança profunda na gestão financeira e na organização dos escritórios. "A qualidade do cadastro, da documentação e do financeiro passa a influenciar diretamente imposto e caixa. Os profissionais precisam repensar a forma como administram seus negócios, separando a lucratividade por projeto, alinhando contrato, risco fiscal e operação. O contrato precisa contar a mesma história que a operação", concluiu.