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Arquitetura III

Arquitetos querem ampliar o sentido social da profissão

Diário do Comércio - Fevereiro 2021 119 Visualizações
Arquitetos querem ampliar o sentido social da profissão

Imagem: Edwiges Leal afirma que prioridade é mostrar que o trabalho do arquiteto faz a diferença | Crédito: SME/Divulgação

Um desafio está posto na mesa da nova presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), Maria Edwiges Sobreira Leal: ampliar o alcance social da profissão, de tal forma que o papel de arquitetos e urbanistas passe a ser percebido como muito importante para a melhoria da qualidade de vida nas cidades. “A prioridade é mostrar como o nosso trabalho faz diferença”, frisa Edwiges Leal, uma profissional com 37 anos de atuação e que, no início do ano, recebeu a missão de dirigir, para um mandato que vai até o final de 2023, a entidade representativa dos cerca de 17 mil arquitetos e urbanistas que atuam em Minas Gerais.

Ela reconhece que o arquiteto ainda trabalha meio desconectado das grandes demandas da sociedade – “A gente trabalha muito na bolha” -, realidade essa que ela pretende mudar, pois de nada adianta apenas o profissional dizer que seu trabalho é importante se não mostrar a importância do que faz. “Não adianta dizer que sou imprescindível se a cidade não demanda meu trabalho”, afirma Edwiges Leal, que, para quebrar essa bolha, pretende, entre outras coisas, trabalhar segundo os princípios fixados pela Lei 11.888.

Social – A lei, de 2008, assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para a elaboração projeto e construção de habitação de interesse social, mas, segundo Edwiges Leal, ainda é um objeto estranho para a esmagadora maioria das prefeituras brasileiras. No caso de Minas, o CAU-MG destina, anualmente, 2,5% de seu orçamento para editais com base nessa lei. Funciona assim: o CAU lança o edital, os arquitetos e urbanistas apresentam seus projetos e osmelhores são escolhidos e colocados à disposição da sociedade para que sejam implementados.

Ano passado, foram aprovados, no edital, projetos emergenciais para a melhoria das condições sanitárias das habitações e pequenas comunidades durante a Covid-19. Foi, segundo Edwiges Leal, um “passo exemplar” que ela espera ver ampliado pela gestão à frente da qual está. O caminho será a ampliação das pontes com prefeituras e entidades representativas dos setores mais desfavorecidos da sociedade.

Como exemplo do que pode ser feito, ela citou uma iniciativa que, no Rio Grande do Sul, reuniu o CAU daquele estado, prefeitos, Ministério Público e governo do estado. O objetivo era desenvolver um projeto de cozinha e banheiro para habitações de baixa renda. Coube ao CAU elaborar o edital e escolher o projeto, que será implementado, pelo governo do estado e um consórcio de prefeituras em 11 mil residências. “Saímos do fazer pontualmente para uma escala que vai impactar a vida de milhares de pessoas”, afirmou a presidente do CAU-MG. Sua expectativa para Minas é ampliar o percentual destinado à Lei 11.888, dos atuais 2,5% para 5%.

Mercado – Há 40 anos, havia em Minas, apenas uma escola de arquitetura e urbanismo, a da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Hoje, são 84 cursos em todo o Estado, o que faz Edwiges Leal definir como saturado o mercado se todos os arquitetos e urbanistas tiverem como meta projetar habitações para famílias de maior poder aquisitivo em áreas urbanas.
O que ela pretende, ao ampliar o alcance da arquitetura, é, além de reforçar o sentido social da profissão, criar novas áreas de atuação profissional. Ela aponta a existência de um mercado de trabalho praticamente inexplorado para os arquitetos junto às prefeituras Os prefeitos agem assim, segundo a presidente do CAU-MG por desconhecimento acerca dos benefícios que a contratação de um arquiteto pode trazer para o município.

“Muitas vezes, o prefeito tem até boa intenção, mas não tem um plano urbanístico, porque fazer planejamento urbano envolve o uso do espaço público e dos espaços de convivência, envolve a qualidade das áreas de lazer, o clima, a geologia, a drenagem, o paisagismo, o comércio e toda a parte de mobilidade. E definir grande parte disso é uma função do arquiteto”, frisa Edwiges Leal, que considera principalmente as pequenas cidades as mais carentes do trabalho do arquiteto. “Os prefeitos não têm sensibilidade para isso. Eles seguem fazendo do jeito que podem”, diz a nova presidente do CAU-MG ao reforçar a importância do imenso trabalho que a instituição tem pela frente.

Novo perfil – Ainda que seja imenso o desafio, ela afirma que esse trabalho está sendo facilitado pela mudança no perfil do arquiteto que está se formando hoje, e que, segundo ela, está mais preocupado com a observação das cidades, com a construção de habitações dignas para populações de baixa renda e com a possibilidade de traçados que possam prover um trânsito menos dominado pelos automóveis particulares. Tais mudanças, a seu ver, sofreram uma aceleração na pandemia, que despertou uma preocupação maior com o imóvel residencial, com a compatibilização do trabalho com o morar no mesmo espaço.

Isso faz com que, segundo Edwiges Leal, ocorra uma mudança no perfil do arquiteto. “Temos um trabalho bonito a ser feito. Queremos mais arquitetos. Queremos uma arquitetura para todos. Queremos pegar a meninada que está saindo dos cursos aos borbotões e dar a eles um sentido na profissão. Queremos mostrar que não somos só de elite, dos prédios bonitos na zona sul das cidades. Que somos também das áreas mais periferias, onde nosso trabalho é mais demandado, mas ainda não chegou. Para conhecer o CAU/MG acesse www.caumg.org.br. (Conteúdo produzido pela SME)

PERFIL
O arquiteto e urbanista é o profissional que realiza o planejamento físico e financeiro de obras e elabora projetos de edifícios e cidades, envolvendo ruas, parques e bairros. Ele também orienta a aprovação de projetos nos órgãos responsáveis.
A profissão de arquiteto e urbanista é regulamentada por lei federal. Para exercê-la, é preciso que o profissional tenha diploma de nível superior em curso cuja duração média é de cinco anos. O currículo mescla conteúdos das ciências exatas com a de humanidades.
Em Belo Horizonte, o curso é oferecido nas seguintes faculdades: UFMG, PUC Minas, UNA, Instituto Metodista Izabela Hendrix, UniBH, Instituto de Educação Superior Latino-americano e Faculdade Pitágoras. A formação em Gestão de Cidades é oferecida pela PUC Minas em níveis de mestrado e doutorado.
A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) aceita em seu quadro de associados, além dos engenheiros, os profissionais formados em arquitetura e urbanismo. Para se associar, ligue (31) 3292-3692. Mais informações sobre a SME (www.sme.org.br).

Setor elétrico perde R$ 3,4 bilhões em P&D
O setor de pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico irá perder R$ 3,4 bilhões com a aprovação recente da MP 988/2020, que transfere estes recursos para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que banca programas sociais, como o Luz para Todos. A MP transfere para a CDE, entre 2021 e 2025, 30% dos recursos que as concessionárias de energia elétrica são obrigadas a aplicar em programas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de eficiência energética.

A mesma MP acaba com os incentivos para os setores de energia solar, eólica e de biomassa e cria incentivo para compra de energia elétrica da usina nuclear de Angra 3 a um valor maior do que a média da tarifa de energia elétrica brasileira. O governo alega que o corte dos incentivos para as chamadas energias alternativas pode ser feito porque o setor já é um dos maiores geradores do mundo de energia solar, eólica e de biomassa.

Para o engenheiro João Jackson Batista Braga, presidente da Comissão de Inovação da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), a MP será duplamente prejudicial ao País. O corte dos investimentos em P&D resultará, segundo ele, na redução dos investimentos tanto em novas tecnologias quanto de equipamentos, tornando o país mais dependente do exterior e com sérios prejuízos ao setor elétrico no médio e longo prazos.

Governo de MG abre duas consultas em mobilidade
O governo de Minas está com duas consultas públicas abertas na área de mobilidade. Uma é para o projeto de parceria público-privada (PPP) do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte. A outra é do projeto de concessão do Aeroporto da Pampulha. As duas consultas públicas ficarão abertas por 45 dias, encerrando-se, no caso do Rodoanel, em 22 de março. A do Aeroporto da Pampulha terminará um dia depois, em 23 de março.

O Aeroporto da Pampulha atende, atualmente, ao tráfego de aeronaves de aviação executiva em geral. A modelagem que está sendo proposta é a concessão por um período de 30 anos, para exploração, principalmente, de atividades voltadas para a aviação executiva. Com isso, o governo espera que a Pampulha torne-se o maior aeroporto dedicado à aviação executiva no Brasil.

]O Rodoanel Metropolitano terá quatro alças e irá conectar as BRs 040 e 381 sem que o tráfego tenha que passar pela área urbana de Belo Horizonte. Com a nova via, de 94 quilômetros, o governo espera evitar cerca de mil acidentes que ocorrem anualmente no atual Anel e a redução do tempo de viagem em cerca de 30 a 50 minutos.

Os editais das duas consultas estão no site da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade. No caso Rodoanel, estão disponíveis no site todos os projetos de engenharia, entre outros estudos.