Após pandemia, projetos de infraestrutura do país precisam de apoio da iniciativa privada para saírem do papel

O plano de infraestrutura apresentado pelo Governo em julho de 2019 previa investimentos de R$ 235 bilhões. Essa meta, de acordo com Marcello da Costa Vieira, Secretário Nacional de Transportes Terrestres, continua em pauta – mesmo em um ano em que o budget disponível para a pasta é de apenas R$ 6 bilhões, após recursos do Governo terem sido redirecionados à Saúde, durante pandemia no país. A informação foi dada por Vieira em transmissão ao vivo realizada pela ABSeV (Associação Brasileira de Segurança Viária), no dia 22 de julho.

Para suprir a falta de recursos, o intuito do Governo é atrair investimento privado. “O dinheiro no mundo não sumiu”, aponta o Secretário. Para ele, mais do que nunca, os empresários passarão a procurar por projetos que sejam bons e rentáveis, características que seriam atendidas pela carteira de concessões do Ministério. “Estamos muito tranquilos com os projetos que temos a oferecer. Em 2019, tivemos bons resultados de concessões e vamos continuar com essa ação ao longo dos próximos anos, já que temos mais de 16 mil km de estradas para conceder”, conta. Somente o modal rodoviário representa mais de 156 bilhões dos recursos apontados como meta pelo plano até 2022.

Novas concessões terão que focar em segurança viária

Para conceder os mais de 16 mil km de rodovias, porém, o Ministério traz novas exigências em relação as concessões realizadas no passado. Até então, os projetos eram colocados em prática a partir de dois profissionais principais: o Engenheiro de Tráfego e o Economista – o primeiro, responsável por prever o uso da rodovia ao longo do período de concessão e possíveis adaptações no projeto, enquanto o segundo é responsável por entender o fluxo de caixa necessário para implementar tais mudanças no trajeto. Agora,

o Ministério da Infraestrutura que trazer um terceiro profissional “pilar”: o Engenheiro de Segurança Viária. “É ele quem vai entender os padrões de segurança que determinada rodovia terá que atender ao longo dos anos”, disse Vieira.

Ao trazer em destaque o Engenheiro de Segurança Viária, as empresas privadas passarão, consequentemente, a direcionar ainda mais recursos para itens de segurança das rodovias, tais como a sinalização de qualidade.

Além de proporcionar maior segurança aos usuários, a ideia é que as rodovias brasileiras passem a receber uma classificação de qualidade concedida pela organização sem fins lucrativos, International Road Assessment Programme (IRAP). A classificação se dá em “estrelas” – que podem ir de 1 a 5 – e, quanto mais estrelas uma rodovia tem, mais segura ela é. Essa metodologia já funciona a nível mundial e ter rodovias brasileiras em seus padrões é um dos objetivos do Governo.

“Investimentos tecnológicos que garantam a segurança dos usuários já estarão inclusos nessas novas concessões. Às vezes, não precisamos duplicar aquela via necessariamente para reduzir acidentes. Podemos aumentar a qualidade dessa rodovia com investimentos em inovação, que trarão um reflexo na segurança viária”, explica o Secretário.

Antigas concessões também precisarão ser revistas

Uma vez que o objetivo é tornar as vias mais seguras, isso deve ser realizado de maneira padronizada. Para garantir que não só as novas concessões contem com os altos padrões de segurança do IRAP, o Ministério da Infraestrutura deve, em breve, iniciar um programa de modernização das rodovias já concedidas.

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