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Regulamentação

Uso de IA no ensino avança sem padrão e entra no radar do CNE

Assessoria de Imprensa - 16 de abril de 2026 52 Visualizações
Uso de IA no ensino avança sem padrão e entra no radar do CNE

O uso de Inteligência Artificial (IA) em escolas e universidades brasileiras já faz parte da rotina acadêmica, mas ainda não possui padrão definido. Nesta semana, esse cenário passou a integrar a pauta do Conselho Nacional de Educação (CNE), que discute a criação das primeiras diretrizes para a tecnologia no ensino, com foco na definição de um “filtro ético-pedagógico” para sua aplicação.

A proposta busca estabelecer parâmetros para o uso da IA no ambiente educacional, com diretrizes voltadas à preservação do papel do professor, à qualidade do processo de aprendizagem e ao uso responsável da tecnologia. Após a etapa inicial de discussão no CNE, o texto ainda deve passar por consulta pública e votação em plenário, antes de seguir para homologação do Ministério da Educação (MEC).

O Sistema Confea/Crea tem acompanhado atentamente as discussões sobre a atualização da grade curricular das universidades de Engenharia, Agronomia e Geociências. O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) vem liderando uma aproximação estratégica com o MEC para auxiliar no aprimoramento do ensino superior das profissões tecnológicas, especialmente diante do cenário atual de alta evasão de alunos nesses cursos de graduação e do atual déficit de mão de obra especializada no setor. Em São Paulo, o debate é capitaneado pelo Colégio Estadual de Instituições de Ensino Superior (CIES-SP), que congrega as universidades vinculadas ao Sistema, desenvolvendo um papel fundamental para o debate sobre as transformações no ensino brasileiro.

Para especialistas, o ponto central do debate não está mais na adoção da inteligência artificial, mas na forma como ela será estruturada no processo de ensino. “A discussão vai além do uso da tecnologia e deve ser focada na maneira como ela é aplicada. Quando você cria um agente orientado para uma tarefa específica, com um prompt bem definido, reduz riscos e consegue extrair melhor o potencial da ferramenta”, afirma o engenheiro Fernando Gasi, conselheiro e coordenador adjunto de Comitê sobre ferramentas de IA do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP).

Na ausência de método e orientação correta, o uso tende a ser limitado e arriscado. “Muita gente ainda utiliza a inteligência artificial como uma simples pesquisa no Google, e isso deixa a desejar”, diz o especialista. Segundo ele, essa abordagem reduz o potencial da tecnologia e compromete a qualidade das entregas acadêmicas, além de reforçar uma percepção equivocada sobre suas capacidades.

Esse uso aberto e pouco estruturado também amplia riscos. Entre eles, estão a geração de respostas imprecisas, vieses algorítmicos e até a produção de conteúdos manipulados. “É preciso ter cuidado com a qualidade das informações. O algoritmo pode apresentar interpretações inadequadas. Por isso, é fundamental trabalhar com critérios e direcionamento”, afirma.

Aplicação prática e ganhos de eficiência

Apesar dos desafios, o potencial da inteligência artificial é reconhecido quando aplicada com método. Em atividades acadêmicas, o uso orientado tem contribuído para elevar a qualidade das entregas e aprofundar análises. “Os projetos tendem a ficar mais consistentes, com melhor contextualização e análise de dados”, afirma. Para ele, a tecnologia deve ser compreendida como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do processo de aprendizagem. “Ela veio para ajudar, não para fazer tudo”, diz.

A experiência também se reflete em aplicações institucionais. No Crea-SP, o uso de inteligência artificial tem contribuído para ganhos de eficiência na análise de processos. “Um processo que levava dois dias hoje leva cerca de vinte minutos”, afirma. Ainda assim, o especialista reforça que a tecnologia atua como suporte. “A análise final continua sendo do profissional”, diz.

Para Gasi, a discussão sobre regulamentação é um passo importante, mas não resolve, por si só, os desafios atuais. A efetividade das regras, segundo ele, estará diretamente ligada à capacitação dos usuários e à forma como a tecnologia é incorporada à prática. “A inteligência artificial é uma ferramenta. O que precisa é saber usar”, afirma. “Entender seus limites, seus riscos e seu potencial é essencial para que ela contribua, de fato, para o desenvolvimento do ensino.”