Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que, até abril de 2025, 11.469 obras públicas financiadas com recursos federais estavam interrompidas no Brasil, o equivalente a 50,7% do total mapeado, com R$ 15,9 bilhões já investidos em empreendimentos sem conclusão. O cenário acende um alerta sobre a necessidade de mecanismos técnicos capazes de aumentar a segurança, a previsibilidade e a eficiência dos projetos de infraestrutura.
Nesse contexto, a inspeção acreditada se consolida como ferramenta estratégica para reduzir riscos em todas as etapas dos empreendimentos, desde a análise dos projetos até a execução e o pós-obra. Realizada por organismos independentes acreditados pelo INMETRO, a prática garante verificação técnica imparcial, rastreabilidade dos processos e conformidade com normas e requisitos de desempenho.
Para a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ), o fortalecimento desse modelo pode contribuir diretamente para a redução de falhas construtivas, retrabalhos, paralisações e desperdício de recursos públicos e privados.
“Quando falamos em mais de 11 mil obras paralisadas no país, estamos falando também de falhas de planejamento, projeto, execução e acompanhamento técnico. A inspeção acreditada atua justamente para mitigar esses riscos, trazendo mais previsibilidade de prazo, orçamento e segurança para os empreendimentos”, afirma Jefferson Carvalho, vice-presidente da ABRIQ.
Além de aumentar a confiabilidade das obras, a inspeção acreditada tem papel central na agenda de resiliência e sustentabilidade da infraestrutura nacional. Em um cenário marcado por eventos climáticos extremos e maior exigência de desempenho estrutural, a verificação independente permite comprovar, com critérios objetivos, a capacidade de rodovias, ferrovias, portos, pontes, saneamento básico e demais ativos de suportar condições severas de operação.
Segundo a entidade, a prática também fortalece a competitividade do país ao oferecer mais segurança jurídica e técnica para investidores, seguradoras, financiadores e órgãos reguladores. “A inspeção acreditada não é apenas uma etapa de controle, mas um instrumento de governança e proteção do investimento. Ela reduz riscos contratuais, aumenta a vida útil das obras e contribui para que recursos públicos e privados sejam aplicados com maior eficiência e transparência”, completa Carvalho.
O vice-presidente da ABRIQ destaca ainda que a inspeção acreditada integra um ecossistema mais amplo de infraestrutura da qualidade, formado por normalização, metrologia, avaliação da conformidade, acreditação e vigilância de mercado, elementos fundamentais para garantir que as obras entreguem segurança, durabilidade e desempenho compatíveis com as demandas atuais do país.