A John Deere apresentou nesta quarta-feira, 20 de agosto,
sua linha de escavadeiras DEX para o mercado da América do Sul. Fabricadas no
Brasil com tecnologias inovadoras, que seguem tendências internacionais, as
máquinas saem da linha de montagem de Indaiatuba (SP) prontas para o mercado
local e exportação. Os modelos 210 P, 230 P e 260 P têm o mesmo bloco de motor
e dimensões de chassi de sua categoria, mas operam com potências e pesos
diferentes. São modelos de entrada estrategicamente pensados para a apresentação
dessas novas tecnologias ao mercado.
Detalhando as tecnologias
As tecnologias embarcadas trazem a atualização e melhorias
da eletrônica industrial. O mérito da John Deere está em reunir esses recursos
de fábrica e apresentá-los em uma interface unificada. O conjunto incorpora o
sistema SmartGrade™ 2D para nivelamento e assistência de escavação, utilizando
referências digitais para guiar o operador e evitar que ele cave além do que
foi especificado no projeto; o SmartWeigh™ para pesagem dinâmica de carga na
caçamba em tempo real; e o Comando Inteligente aliado a Cercas Virtuais, que
criam barreiras virtuais de segurança para eliminar riscos de colisão com
fiações elétricas ou estruturas ao redor.
Esses recursos permitem uma gestão de frota muito mais
precisa. Conhecendo a capacidade exata da caçamba e a velocidade da escavação
com uma margem de erro baixíssima, torna-se possível estabelecer a relação
perfeita entre escavadeiras e caminhões, atingindo um tempo ocioso 'ótimo' na
operação.
Primeira impressão
Ao entrar na cabine do modelo 260 P, percebe-se imediatamente a ergonomia e o conforto. Ajustei o banco para o meu tamanho e olhei a tela de LED ampla com os recursos e ajustes da escavadeira. Ela é extremamente intuitiva e interativa, lembrando o minimalismo iconográfico proposto pela Apple para os seus gadgets. Tudo foi desenhado para melhorar a experiência do usuário. Foram milhares de horas de testes da nova interface UX (Experiência do Usuário).
O que é possível fazer nesse painel? Praticamente tudo o que
a escavadeira se propõe. Por meio das telas touchscreen G5 de 10"
ou 12" e do apoio de braço CommandArm™, o operador usa presets
rápidos para determinar:
As informações de telemetria também ficam expostas na tela
de forma clara. O painel registra o volume de material que está sendo
movimentado, o peso e o tempo do ciclo. Registra o consumo exato de combustível
e as condições de operação, apontando se os parâmetros estão dentro do
considerado ‘ótimo’ ou se fogem do adequado. Em caso de operações extremas ou
abusos mecânicos, o operador é alertado visualmente do desvio na hora, para que
possa se prevenir de danos e sinistros mais graves.
Os comandos são tão interativos que tive a impressão de que,
se eu ficasse apenas uma tarde operando, já estaria apto a fazer pequenas
tarefas. Até os ajustes para troca e calibração de implementos são feitos com
poucos toques no display.
A confirmação dessa simplicidade aconteceu logo após o meu
teste. Uma colega jornalista de outro veículo tomou meu lugar na cabine. Ela,
que tem provavelmente a metade do meu tamanho, fez rapidamente os ajustes
ergonômicos necessários para que a configuração ficasse perfeita para a sua
estatura. Minha surpresa foi ver que, sem qualquer dificuldade e em poucos
instantes, ela realizou com precisão o içamento de uma tubulação de concreto
que estava no pit previamente preparado pela equipe para essa
demonstração prática. O profissional que nos orientou mostrou como é simples
estabelecer o ponto de partida e chegada, altura e raio de alcance, bastando
depois mover um joystick para realizar o deslocamento perfeito da peça.
Por que essa simplificação?
A equipe de engenharia da John Deere saiu na frente nessa
corrida pela simplificação. Tornar a máquina intuitiva é uma tendência
necessária, afinal, o mercado convive com um problema que está se tornando cada
vez mais sério: a escassez de mão de obra qualificada. Esse apagão de talentos
atinge todas as áreas, mas afeta em especial a engenharia em nível técnico,
onde se encontram os operadores de máquinas pesadas.
Além da evolução estrutural do equipamento para melhorar sua
eficiência, a simplificação da operação permite que um profissional iniciante
aprenda rapidamente as funções básicas.
Tipos de operação
| Modelo | Motor | Classe | Potência Útil | Peso Operacional | Profundidade Máx. de Escavação |
| 210 P | PowerTech™ 6.8 L (6 cil.) | 23,5 t | 159 hp (119 kW) | 23.560 kg | 6,67 metros |
| 230 P | PowerTech™ 6.8 L (6 cil.) | 24 a 25 t | 170 hp (127 kW) | 23.950 a 25.200 kg | 6,65 metros |
| 260 P | PowerTech™ Plus (6 cil.) | 26 a 27 t | 202 hp (151 kW) | 25.650 a 27.400 kg | 7,19 a 7,79 metros |
O range em que essas máquinas operam permite que elas
transitem com facilidade por obras urbanas, projetos imobiliários, saneamento,
obras rodoviárias, demandas de infraestrutura com grandes movimentações de
materiais, até setores pesados como o agronegócio de larga escala.
Sustentabilidade e eficiência energética
Alinhados com a busca por maior eficiência, os engenheiros da montadora estão atentos ao impacto ambiental e focados na descarbonização das frotas. A capacidade do tanque de combustível é de 403 l em todos os modelos. O consumo médio calculado pode ultrapassar 4 mil litros de diesel em uma operação mensal de 200 horas de trabalho intensivo dependendo do tipo de operação.
É por isso que a engenharia da marca já realiza testes em
laboratório com combustíveis alternativos de matriz renovável, como o biodiesel
de alta concentração e o hidrogênio. O objetivo é preparar os
motores para uma transição energética viável no campo, reduzindo
substancialmente a pegada de CO2 sem comprometer o torque hidráulico exigido na
mineração ou na infraestrutura pesada.
Telemetria e o controle remoto da escavadeira
A conectividade da linha DEX é concentrada no John Deere
Operations Center™. Além de monitorar frotas à distância, a telemetria introduz
recursos avançados de controle e diagnóstico remoto.
Com o Acesso Remoto de Display (RDA), um supervisor ou técnico
da concessionária consegue espelhar a tela da escavadeira em seu computador de
escritório. Se o operador tiver dúvidas ou errar uma configuração, o técnico
visualiza a tela em tempo real, orienta os ajustes e atualiza o software da
máquina sem precisar ir até o campo. Já o Controle Remoto de Display (RDC)
permite que o gestor configure os dados e metas do display de fora da cabine,
bastando o operador aceitar o comando na tela. É a digitalização total do
suporte logístico.
A briga por fatia de mercado
Com uma liderança consolidada no agronegócio, a John Deere
pretende, com este lançamento 100% autoral, ampliar sua participação nos
mercados de construção civil pesada e mineração. A linha DEX é a ponta de lança
para ampliar o market share. Em breve, essa mesma tecnologia deve ser
embarcada em outras máquinas produzidas pela companhia; na fila de atualizações
da fábrica estão as retroescavadeiras e as motoniveladoras.
O foco no setor de rental (locação)
Cerca de 20% da produção inicial das escavadeiras DEX é
destinada estrategicamente ao setor de rental (locadoras de máquinas).
As locadoras são as maiores compradoras de frotas do país e funcionam como a
porta de entrada para que pequenas e médias construtoras experimentem a nova
tecnologia. Sabendo disso, a linha DEX foca no baixo Custo Total de Propriedade
(TCO). Estruturas frontais em aço de alta resistência, novo sistema de pinos e
buchas que dura até 5 vezes mais, e um conjunto rodante de esteiras 20% mais
durável foram projetados para resistir ao uso severo e rotativo do mercado de
aluguel, garantindo alto valor de revenda.
Presença na América do Sul e o atendimento a demandas
emergenciais
O objetivo da nova linha é abastecer o mercado nacional e
mais de 55 países, com foco prioritário no atendimento à América do Sul. Esse
posicionamento estratégico ganha relevância diante do atual cenário climático
severo que atinge o continente, intensificado pelo fenômeno El Niño e
outros eventos extremos que provocam inundações, terremotos e deslizamentos de terra.
Nesse contexto crítico, os representantes locais de cada
país sul-americano possuem plena capacidade técnica e frotas de prontidão para
dar suporte a essas demandas emergenciais. Equipados com os Centros de Soluções
Conectadas e contando com a capilaridade de mais de 140 pontos de atendimento
da marca, os distribuidores conseguem mobilizar rapidamente escavadeiras e
retroescavadeiras para frentes civis de reestruturação urbana. A logística
regionalizada garante agilidade no atendimento às demandas por equipamentos que
esses eventos podem gerar.
Cadeia de suprimentos alinhada à capacidade de produção
Toda essa engrenagem de vendas e suporte é sustentada por
uma cadeia de suprimentos alinhada à capacidade de produção física da fábrica
paulista. Para atingir o índice de nacionalização exigido pelas
linhas de crédito do FINAME, a John Deere desenvolveu parcerias estratégicas
com os principais fornecedores de matérias-primas e insumos instalados no
Brasil.
O aço de alta resistência utilizado na construção dos
chassis, caçambas e estruturas frontais é fornecido por siderúrgicas nacionais,
como a Usiminas e a Gerdau. Além disso, a
identidade visual da marca e da linha DEX recebe um revestimento contra
corrosão severa e intempéries, resultado de tecnologias de tintas industriais e
em pó fornecidas por empresas do setor químico, como a Sherwin-Williams e a
Axalta Coating Systems, garantindo proteção extra para o equipamento mesmo em
ambientes agressivos.
Assegurando a distribuição ágil de peças aos dealers
e locadores, o Centro de Distribuição de Peças (SA-PDC) em Campinas (SP) atua
como o cérebro logístico desse processo. Localizado estrategicamente ao lado do
Aeroporto de Viracopos, ele gerencia o estoque de componentes com envio
expresso, garantindo que qualquer insumo crítico chegue com velocidade tanto à
linha de montagem quanto às frotas ativas que operam nos pontos mais isolados
do continente.
Centro de treinamento e capacitação técnica profissional
Completando a experiência do lançamento, a John Deere montou um pit de apresentação das máquinas em operação e também um moderno centro de treinamento. Esse espaço visa capacitar a própria equipe de profissionais da empresa, os parceiros dealers (concessionários) e os compradores finais. O foco é duplo: qualificar operadores para extraírem a máxima eficiência tecnológica dos equipamentos e treinar as equipes técnicas que darão suporte e manutenção preventiva para manter a disponibilidade mecânica das máquinas no campo.
Parceria para capacitação
Essa estrutura física é apoiada por uma sólida estratégia de
formação nacional desenvolvida em parceria com o Senai. Como comentado nos
parágrafos iniciais deste texto, o mercado enfrenta um sério apagão de
talentos; para enfrentar esse problema, a John Deere investe ativamente no
Projeto Construction, um convênio desenhado especificamente para o segmento de
linha amarela. Por meio dele, a montadora realiza a capacitação técnica direta
dos instrutores do próprio Senai na fábrica de Indaiatuba (SP), com a meta de
formar 600 novos operadores de máquinas de construção civil até 2028.
Além disso, a empresa conta com o Programa Inspirar Agro, o maior projeto nacional de qualificação da companhia, oferecendo milhares de bolsas de estudo em 25 estados para a formação de mecânicos pesados. Todo esse aprendizado prático é suportado por laboratórios digitais avançados.
Como parte dessa estrutura de treinamento, devem entrar em campo novos simuladores de tela e comandos. Descritos como o ‘estado da arte’ em termos de reprodução de situações de estresse operacional em laboratório, essa ação busca garantir que as frotas compradas ou locadas da linha DEX contem semprecom profissionais qualificados para operar e realizar o diagnóstico eletrônico das máquinas em qualquer canto do país.