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LANÇAMENTO

John Deere DEX: tecnologia própria e simplicidade operacional redefinem o mercado de escavadeiras

Miguel de Oliveira - 22 de agosto de 2026 61 Visualizações
John Deere DEX: tecnologia própria e simplicidade operacional redefinem o mercado de escavadeiras

A John Deere apresentou nesta quarta-feira, 20 de agosto, sua linha de escavadeiras DEX para o mercado da América do Sul. Fabricadas no Brasil com tecnologias inovadoras, que seguem tendências internacionais, as máquinas saem da linha de montagem de Indaiatuba (SP) prontas para o mercado local e exportação. Os modelos 210 P, 230 P e 260 P têm o mesmo bloco de motor e dimensões de chassi de sua categoria, mas operam com potências e pesos diferentes. São modelos de entrada estrategicamente pensados para a apresentação dessas novas tecnologias ao mercado.


Adilson Butzke, Diretor de Vendas e Marketing da divisão de Construção da John Deere para a América Latina, explicou como foi o processo de nacionalização das escavadeiras e a construção da fábrica que visitamos.


Detalhando as tecnologias

As tecnologias embarcadas trazem a atualização e melhorias da eletrônica industrial. O mérito da John Deere está em reunir esses recursos de fábrica e apresentá-los em uma interface unificada. O conjunto incorpora o sistema SmartGrade™ 2D para nivelamento e assistência de escavação, utilizando referências digitais para guiar o operador e evitar que ele cave além do que foi especificado no projeto; o SmartWeigh™ para pesagem dinâmica de carga na caçamba em tempo real; e o Comando Inteligente aliado a Cercas Virtuais, que criam barreiras virtuais de segurança para eliminar riscos de colisão com fiações elétricas ou estruturas ao redor.

Esses recursos permitem uma gestão de frota muito mais precisa. Conhecendo a capacidade exata da caçamba e a velocidade da escavação com uma margem de erro baixíssima, torna-se possível estabelecer a relação perfeita entre escavadeiras e caminhões, atingindo um tempo ocioso 'ótimo' na operação.

Primeira impressão

Ao entrar na cabine do modelo 260 P, percebe-se imediatamente a ergonomia e o conforto. Ajustei o banco para o meu tamanho e olhei a tela de LED ampla com os recursos e ajustes da escavadeira. Ela é extremamente intuitiva e interativa, lembrando o minimalismo iconográfico proposto pela Apple para os seus gadgets. Tudo foi desenhado para melhorar a experiência do usuário. Foram milhares de horas de testes da nova interface UX (Experiência do Usuário).


O que é possível fazer nesse painel? Praticamente tudo o que a escavadeira se propõe. Por meio das telas touchscreen G5 de 10" ou 12" e do apoio de braço CommandArm™, o operador usa presets rápidos para determinar:

  • O ângulo do talude: para guiar o corte exato, evitando desvios e desperdício de energia;
  • O raio de giro da lança: para limitar a movimentação e trabalhar com total segurança em áreas confinadas ou canteiros urbanos estreitos;
  • A altura máxima da lança: para evitar choques com tetos ou fiações suspensas;
  • A personalização dos comandos: a mesma máquina pode ser conduzida por operadores diferentes. Caso um deles seja canhoto, ele pode inverter a função dos botões dos joysticks eletro-hidráulicos e salvar essa configuração em seu perfil. Sempre que ele assumir o equipamento, a máquina se adapta a ele.

As informações de telemetria também ficam expostas na tela de forma clara. O painel registra o volume de material que está sendo movimentado, o peso e o tempo do ciclo. Registra o consumo exato de combustível e as condições de operação, apontando se os parâmetros estão dentro do considerado ‘ótimo’ ou se fogem do adequado. Em caso de operações extremas ou abusos mecânicos, o operador é alertado visualmente do desvio na hora, para que possa se prevenir de danos e sinistros mais graves.

Os comandos são tão interativos que tive a impressão de que, se eu ficasse apenas uma tarde operando, já estaria apto a fazer pequenas tarefas. Até os ajustes para troca e calibração de implementos são feitos com poucos toques no display.


A confirmação dessa simplicidade aconteceu logo após o meu teste. Uma colega jornalista de outro veículo tomou meu lugar na cabine. Ela, que tem provavelmente a metade do meu tamanho, fez rapidamente os ajustes ergonômicos necessários para que a configuração ficasse perfeita para a sua estatura. Minha surpresa foi ver que, sem qualquer dificuldade e em poucos instantes, ela realizou com precisão o içamento de uma tubulação de concreto que estava no pit previamente preparado pela equipe para essa demonstração prática. O profissional que nos orientou mostrou como é simples estabelecer o ponto de partida e chegada, altura e raio de alcance, bastando depois mover um joystick para realizar o deslocamento perfeito da peça.

Por que essa simplificação?

A equipe de engenharia da John Deere saiu na frente nessa corrida pela simplificação. Tornar a máquina intuitiva é uma tendência necessária, afinal, o mercado convive com um problema que está se tornando cada vez mais sério: a escassez de mão de obra qualificada. Esse apagão de talentos atinge todas as áreas, mas afeta em especial a engenharia em nível técnico, onde se encontram os operadores de máquinas pesadas.

Além da evolução estrutural do equipamento para melhorar sua eficiência, a simplificação da operação permite que um profissional iniciante aprenda rapidamente as funções básicas.

Tipos de operação

ModeloMotorClassePotência ÚtilPeso OperacionalProfundidade Máx. de Escavação
210 PPowerTech™ 6.8 L (6 cil.)23,5 t159 hp (119 kW)23.560 kg6,67 metros
230 PPowerTech™ 6.8 L (6 cil.)24 a 25 t170 hp (127 kW)23.950 a 25.200 kg6,65 metros
260 PPowerTech™ Plus (6 cil.)26 a 27 t202 hp (151 kW)25.650 a 27.400 kg7,19 a 7,79 metros

O range em que essas máquinas operam permite que elas transitem com facilidade por obras urbanas, projetos imobiliários, saneamento, obras rodoviárias, demandas de infraestrutura com grandes movimentações de materiais, até setores pesados como o agronegócio de larga escala.

  • 210 P: É a versão ideal para prestação de serviços gerais e construção civil urbana. Perfeita para abertura de valas, terraplenagem leve, infraestrutura básica e projetos que exigem alta mobilidade e versatilidade em canteiros de obras mais dinâmicos.
  • 230 P: Focada em ciclos de trabalho mais pesados e contínuos. Atende muito bem ao setor de agronegócio de grande porte (como cana e grãos), abertura de canais de irrigação, carregamento de caminhões de médio porte e mineração leve (areia e cascalho).
  • 260 P: O modelo topo de linha para alta produção e severidade. É amplamente aplicada em frentes de mineração leve, pedreiras, grandes obras de infraestrutura rodoviária e cortes profundos de terraplenagem onde o torque elevado e a máxima força de desagregação na caçamba são exigidos.

Sustentabilidade e eficiência energética

Alinhados com a busca por maior eficiência, os engenheiros da montadora estão atentos ao impacto ambiental e focados na descarbonização das frotas. A capacidade do tanque de combustível é de 403 l em todos os modelos. O consumo médio calculado pode ultrapassar 4 mil litros de diesel em uma operação mensal de 200 horas de trabalho intensivo dependendo do tipo de operação.

É por isso que a engenharia da marca já realiza testes em laboratório com combustíveis alternativos de matriz renovável, como o biodiesel de alta concentração e o hidrogênio. O objetivo é preparar os motores para uma transição energética viável no campo, reduzindo substancialmente a pegada de CO2 sem comprometer o torque hidráulico exigido na mineração ou na infraestrutura pesada.

Telemetria e o controle remoto da escavadeira

A conectividade da linha DEX é concentrada no John Deere Operations Center™. Além de monitorar frotas à distância, a telemetria introduz recursos avançados de controle e diagnóstico remoto.

Com o Acesso Remoto de Display (RDA), um supervisor ou técnico da concessionária consegue espelhar a tela da escavadeira em seu computador de escritório. Se o operador tiver dúvidas ou errar uma configuração, o técnico visualiza a tela em tempo real, orienta os ajustes e atualiza o software da máquina sem precisar ir até o campo. Já o Controle Remoto de Display (RDC) permite que o gestor configure os dados e metas do display de fora da cabine, bastando o operador aceitar o comando na tela. É a digitalização total do suporte logístico.

A briga por fatia de mercado

Com uma liderança consolidada no agronegócio, a John Deere pretende, com este lançamento 100% autoral, ampliar sua participação nos mercados de construção civil pesada e mineração. A linha DEX é a ponta de lança para ampliar o market share. Em breve, essa mesma tecnologia deve ser embarcada em outras máquinas produzidas pela companhia; na fila de atualizações da fábrica estão as retroescavadeiras e as motoniveladoras.

O foco no setor de rental (locação)

Cerca de 20% da produção inicial das escavadeiras DEX é destinada estrategicamente ao setor de rental (locadoras de máquinas). As locadoras são as maiores compradoras de frotas do país e funcionam como a porta de entrada para que pequenas e médias construtoras experimentem a nova tecnologia. Sabendo disso, a linha DEX foca no baixo Custo Total de Propriedade (TCO). Estruturas frontais em aço de alta resistência, novo sistema de pinos e buchas que dura até 5 vezes mais, e um conjunto rodante de esteiras 20% mais durável foram projetados para resistir ao uso severo e rotativo do mercado de aluguel, garantindo alto valor de revenda.

Presença na América do Sul e o atendimento a demandas emergenciais


Tiago Moreira, Gerente de Contas Estratégicas e Desenvolvimento de Negócios para a América Latina, explicou a importância do Inventário Técnico compartilhado com a rede de distribuidores para atender a demandas emergenciais


O objetivo da nova linha é abastecer o mercado nacional e mais de 55 países, com foco prioritário no atendimento à América do Sul. Esse posicionamento estratégico ganha relevância diante do atual cenário climático severo que atinge o continente, intensificado pelo fenômeno El Niño e outros eventos extremos que provocam inundações, terremotos e deslizamentos de terra.

Nesse contexto crítico, os representantes locais de cada país sul-americano possuem plena capacidade técnica e frotas de prontidão para dar suporte a essas demandas emergenciais. Equipados com os Centros de Soluções Conectadas e contando com a capilaridade de mais de 140 pontos de atendimento da marca, os distribuidores conseguem mobilizar rapidamente escavadeiras e retroescavadeiras para frentes civis de reestruturação urbana. A logística regionalizada garante agilidade no atendimento às demandas por equipamentos que esses eventos podem gerar.

Cadeia de suprimentos alinhada à capacidade de produção

Toda essa engrenagem de vendas e suporte é sustentada por uma cadeia de suprimentos alinhada à capacidade de produção física da fábrica paulista. Para atingir o índice de nacionalização exigido pelas linhas de crédito do FINAME, a John Deere desenvolveu parcerias estratégicas com os principais fornecedores de matérias-primas e insumos instalados no Brasil.

O aço de alta resistência utilizado na construção dos chassis, caçambas e estruturas frontais é fornecido por siderúrgicas nacionais, como a Usiminas e a Gerdau. Além disso, a identidade visual da marca e da linha DEX recebe um revestimento contra corrosão severa e intempéries, resultado de tecnologias de tintas industriais e em pó fornecidas por empresas do setor químico, como a Sherwin-Williams e a Axalta Coating Systems, garantindo proteção extra para o equipamento mesmo em ambientes agressivos.

Assegurando a distribuição ágil de peças aos dealers e locadores, o Centro de Distribuição de Peças (SA-PDC) em Campinas (SP) atua como o cérebro logístico desse processo. Localizado estrategicamente ao lado do Aeroporto de Viracopos, ele gerencia o estoque de componentes com envio expresso, garantindo que qualquer insumo crítico chegue com velocidade tanto à linha de montagem quanto às frotas ativas que operam nos pontos mais isolados do continente.

Centro de treinamento e capacitação técnica profissional

Completando a experiência do lançamento, a John Deere montou um pit de apresentação das máquinas em operação e também um moderno centro de treinamento. Esse espaço visa capacitar a própria equipe de profissionais da empresa, os parceiros dealers (concessionários) e os compradores finais. O foco é duplo: qualificar operadores para extraírem a máxima eficiência tecnológica dos equipamentos e treinar as equipes técnicas que darão suporte e manutenção preventiva para manter a disponibilidade mecânica das máquinas no campo.

Parceria para capacitação

Essa estrutura física é apoiada por uma sólida estratégia de formação nacional desenvolvida em parceria com o Senai. Como comentado nos parágrafos iniciais deste texto, o mercado enfrenta um sério apagão de talentos; para enfrentar esse problema, a John Deere investe ativamente no Projeto Construction, um convênio desenhado especificamente para o segmento de linha amarela. Por meio dele, a montadora realiza a capacitação técnica direta dos instrutores do próprio Senai na fábrica de Indaiatuba (SP), com a meta de formar 600 novos operadores de máquinas de construção civil até 2028.

Além disso, a empresa conta com o Programa Inspirar Agro, o maior projeto nacional de qualificação da companhia, oferecendo milhares de bolsas de estudo em 25 estados para a formação de mecânicos pesados. Todo esse aprendizado prático é suportado por laboratórios digitais avançados.

Como parte dessa estrutura de treinamento, devem entrar em campo novos simuladores de tela e comandos. Descritos como o ‘estado da arte’ em termos de reprodução de situações de estresse operacional em laboratório, essa ação busca garantir que as frotas compradas ou locadas da linha DEX contem semprecom profissionais qualificados para operar e realizar o diagnóstico eletrônico das máquinas em qualquer canto do país.