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TECNOLOGIA

IA transforma construção civil, mas empresas ainda esbarram em dados, integração e capacidade de gestão

Assessoria de Imprensa - 13 de outubro de 2026 24 Visualizações
IA transforma construção civil, mas empresas ainda  esbarram em dados, integração e capacidade de gestão

A Inteligência Artificial vem se consolidando como uma ferramenta estratégica na construção civil, do planejamento e orçamento à análise de contratos, acompanhamento de cronogramas e gestão de riscos. Mas a capacidade das empresas para implementá-la como um agente de transformação ainda não acompanha o mesmo ritmo. Especialistas do mercado de construção alertam que adotar IA sem processos estruturados e informações confiáveis pode acelerar ineficiências em vez de melhorar decisões.

“As construtoras que não organizarem suas informações básicas antes de adotar a IA correm o risco de apenas acelerar processos ineficientes. A tecnologia pode aumentar exponencialmente a velocidade da informação dentro de uma construtora, mas velocidade não corrige informação ruim. Se os dados não são confiáveis, os processos não estão estruturados e a empresa não possui capacidade de controle, a tecnologia pode simplesmente fazer o erro circular mais rápido. Outros dois fatores comprometem a implementação: a escassez de mão de obra qualificada e um baixo histórico de adoção tecnológica do setor", assinala o engenheiro civil Renato Lerner, fundador da Elevare Capability, construtech especializada em inteligência organizacional para construtoras e incorporadoras.

De acordo com a Fortune Business Insights, o mercado global de IA na construção civil foi avaliado em US$ 4,86 bilhões em 2025 e a projeção é que cresça de US$ 6,02 bilhões este ano para US$ 35,52 bilhões até 2034. Segundo o Termômetro Falconi da Construção Civil, o uso da IA mais que dobrou no setor, saltando de 15% em 2023 para 38% em 2025. Já um estudo da Accenture indica que a IA pode aumentar os lucros da construção civil em aproximadamente 71% até 2035.

Por outro lado, a distância entre interesse e capacidade de implementação aparece também nas barreiras. O levantamento global AI in Construction Report 2025, realizado pelo Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS) com mais de 2.200 profissionais do setor, mostrou que aproximadamente 45% das organizações ainda não utilizavam inteligência artificial em seus projetos e outras 34% permaneciam em fases iniciais de testes.

Segundo a pesquisa, menos de 1% relatavam utilização plenamente incorporada em toda a organização, 46% apontaram falta de profissionais capacitados, 37% citaram dificuldades de integração com sistemas existentes e 30% indicaram problemas relacionados à qualidade e disponibilidade dos dados.

O Informe Ascendat de Maturidade Digital, realizado anualmente pela consultoria de tecnologia e transformação digital Minsait com 900 organizações de diferentes setores e países, apontou forte interesse da construção civil na tecnologia: 83% das empresas do setor consultadas enxergavam a IA como ferramenta para melhorar eficiência e 60% declararam utilizá-la para melhorar gestão e planejamento de projetos. Por outro lado, na pesquisa da RICS pouco menos de 12% relataram uso regular de IA em processos específicos, enquanto a utilização em múltiplos processos permanecia em 1,5%.

Lerner reforça que o principal desafio do setor não é a tecnologia em si, mas a falta de dados organizados e a resistência a uma cultura de gestão orientada por informação. Para ele, em uma construtora os dados relevantes podem estar distribuídos entre orçamento, planejamento, compras, financeiro, contratos, campo e direção e, se cada área trabalha com uma versão diferente da realidade, a IA não elimina automaticamente a inconsistência.

“A vantagem competitiva não estará simplesmente em ter inteligência artificial. Estará em construir uma empresa capaz de transformar dados confiáveis em decisões melhores e utilizar a IA para fazer isso com uma velocidade que antes não era possível”, pontua.

"Três perguntas deveriam anteceder qualquer projeto relevante de inteligência artificial na construção civil: os dados utilizados pela empresa representam de forma confiável o que está acontecendo nas obras? A informação chega à liderança com velocidade suficiente para permitir uma decisão? As previsões produzidas pela organização costumam se confirmar na realidade?", questiona.

Plataforma usa IA para acender sinais de alerta para riscos de falência

Lerner acumula mais de 30 anos de atuação em construção e incorporação no Brasil, em Angola e nos Estados Unidos e enxergou uma oportunidade de criar a construtech para apoiar pequenas e médias construtoras a fazer da inteligência artificial o motor de seus negócios, melhorando performance, gestão e lucratividade.

Sua proposta central consiste em identificar, por meio de inteligência artificial e indicadores próprios, quando uma organização está crescendo com velocidade superior à capacidade que sua estrutura administrativa suporta, um dos fatores críticos e silenciosos que deflagram crises de liquidez na construção civil.

A metodologia combina aproximadamente 90 perguntas direcionadas aos tomadores de decisão com análise preditiva e prescritiva orientada por IA, gerando relatórios capazes de apontar pontos críticos antes que comprometam a solvência do negócio.

A plataforma foi dimensionada para companhias com estrutura entre 30 e 300 colaboradores e faturamento anual na faixa de R$ 30 milhões a R$ 500 milhões. O modelo de atuação contempla programas de acompanhamento de 90, 180 e 360 dias, monitorando a evolução de métricas por dashboards dinâmicos e disparo de notificações operacionais. No núcleo do sistema opera o indicador Buffer™, algoritmo desenhado para quantificar o alinhamento entre complexidade de projetos e musculatura gerencial.

"Um Buffer™ negativo sugere que a Organizational Fragility™ pode já estar se desenvolvendo e que medidas urgentes precisam ser tomadas. Uma empresa pode crescer e, ao mesmo tempo, reduzir sua margem de segurança. Crescimento não significa necessariamente fortalecimento. É justamente nesse contexto que pretendemos atuar. Nossa plataforma foi criada para medir o equilíbrio entre a complexidade operacional da empresa e sua capacidade administrativa. A Elevare Capability é mais do que um software. Ela nasce como uma plataforma de diagnóstico e acompanhamento estratégico", explica.

A criação da Elevare é o desdobramento natural de uma carreira construída em diferentes continentes. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Pernambuco em 1997, Lerner fundou a Lerner Engenharia, atuou simultaneamente em grandes projetos de telecomunicações, presidiu uma construtora em Angola por mais de uma década e, desde 2015, reside nos Estados Unidos, onde fundou a Invision Real Estate Investments, focada no desenvolvimento de empreendimentos residenciais de alto padrão na Flórida.

Essa vivência em cenários macroeconômicos e regulatórios distintos fundamentou sua convicção analítica: embora os entraves executivos e técnicos dos projetos sejam similares internacionalmente, a precisão da governança e da gestão de dados define a longevidade financeira dos negócios. Ao transpor essa bagagem empírica para um ecossistema digital, a construtech propõe que a sinergia entre engenharia tradicional, controles analíticos e algoritmos de IA resguarde as companhias de médio porte contra a volatilidade estrutural da indústria.

“Uma empresa pode ter dashboards sofisticados e ainda descobrir seus problemas tarde demais. Nosso objetivo não é produzir mais informação. É reduzir a distância entre o que está acontecendo na operação, o momento em que a organização percebe e a hora em que consegue agir", finaliza.