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Barragens de rejeitos têm IoT como aliada no quesito segurança

Agência Senado - Dezembro 2020 202 Visualizações
Barragens de rejeitos têm IoT como aliada no quesito segurança

Responsável por cerca de 4% de todo o PIB (Produto Interno Bruto) nacional, a atividade da mineração é conhecida por ser um grande braço econômico do país, principalmente pelas exportações realizadas. O potencial do setor também é refletido na geração de empregos, já que em Minas Gerais, por exemplo, cerca de 32% dos postos de trabalho estão relacionados à atividade, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Mesmo com tal magnitude, o setor precisa enfrentar alguns desafios em termos de redução de custos, produtividade e, principalmente, segurança. Para todos esses gargalos, a solução deve passar pela Mineração 4.0.

Relembrando momentos críticos

Quando se fala em segurança, casos como os das cidades de Mariana e Brumadinho (MG), em que barragens de rejeitos cederam e protagonizaram os maiores desastres ambientais do país, são rapidamente lembrados. Desde então, as mineradoras tentam prever com mais rapidez e eficiência os possíveis problemas que as barragens podem causar à população que vive no entorno dessas estruturas.

Em novembro, por exemplo, a Vale anunciou a retirada de 34 moradores da Zona de Autossalvamento da barragem Norte/Laranjeiras, da Mina de Brucutu, na cidade de Barão de Cocais (MG). De acordo com a mineradora, a atitude foi tomada como forma de prevenção, já que a barragem entrou no Nível 2 do Protocolo de Emergência da companhia. Cerca de dois anos antes, a Vale já havia retirado 156 famílias que moravam perto da barragem Sul Superior da Mina Gongo Soco, também localizada em Barão de Cocais e que está classificada no Nível 3 do Protocolo de Emergência desde então.

Para monitorar situações como essas, a indústria mineradora brasileira poderá investir em tecnologia e na Internet das Coisas (IoT).

Caso de sucesso na Califórnia e a tecnologia chega ao Brasil

Um dos exemplos em que podemos citar a tecnologia como aliada na segurança das barragens está no norte da Califórnia (EUA) e também se aplica às barragens de rejeitos

Entre os anos de 2016 e 2017, o estado norte-americano enfrentou o inverno mais chuvoso dos últimos 100 anos. O grande volume de chuva aumentou o fluxo do Rio Feather, que é represado na cidade de Oroville.

O departamento de Recursos Hídricos da Califórnia percebeu que a represa estava com danos significativos e desviou a água para o vertedouro de emergência que, por sua vez, ficou sobrecarregado – o que levou as autoridades a evacuarem mais de 200 mil pessoas de diversos municípios próximos à barragem.

Começaram, então, os esforços para reparar a barragem de Oroville, com instrumentação geotécnica e de monitoramento. Tradicionalmente, a instalação de todos os sensores necessários e automação dos mesmos levaria cerca de 3 semanas. Este prazo não era aceitável para as autoridades americanas, visto que o risco de rompimento aumentaria na medida em que a chuva se estendesse.

A solução, então, foi instalar sensores com tecnologia “plug-and-play”, que passam a funcionar assim que instalados e, com o auxílio de uma plataforma online, os dados sobre o clima, inclinação da barragem, entre outros, eram passados em tempo real aos engenheiros envolvidos no projeto. Além disso, o sistema economizou cerca de R$ 200 mil em instalação de hardwares.

Paralelamente ao monitoramento e correção da fissura, as autoridades drenavam a água da barragem. O trabalho conjunto mostrou que já não havia mais risco de rompimento da barragem e os moradores das cidades puderam retornar.

No Brasil, solução que pode ser tão útil quanto a utilizada na Califórnia acaba de chegar. A Litmus, empresa de Intelligent Edge Computing (computação de borda, em português, é aquela na qual o processamento acontece no local físico ou próximo do usuário ou da fonte de dados), anunciou uma parceria com a Industrial IoT Solutions para distribuir as soluções Litmus Edge e Litmus Edge Manager no país.

A primeira é uma plataforma flexível e escalável que coleta, analisa e integra diversos dados vindos de diferentes sensores, enquanto a segunda é a plataforma que centraliza as informações para o gerenciamento dos dados, aplicativos e dispositivos.

Política Nacional de Segurança das Barragens (PNSB)

Desde outubro, há um outro fator, além da tecnologia, que colabora para a segurança nas barragens de rejeitos. Foi sancionada Lei 14.066 que, entre outras premissas, proíbe a construção de barragens a montante – método construtivo em que as camadas do dique de contenção ficam sob os rejeitos e que foi utilizado nas barragens brasileiras citadas anteriormente. Além disso, a lê prevê a desativação de todas as estruturas deste tipo até 25 de fevereiro de 2022.

A Lei implantou a Política Nacional de Segurança das Barragens (PNSB) e, de acordo com o Senado, a empresa que descumprir alguma obrigação fica sujeita multas, além de eventual processo penal para a reparação de danos:

  • A multa varia de R$ 2 mil a R$ 1 bilhão, e os valores devem ser atualizado periodicamente.
  • Empresas infratoras também ficam sujeitas a penalidades como embargos de obras e atividades, demolição da obra, suspensão parcial ou total das atividades, apreensão de minérios, bens e equipamentos, caducidade do título e sanções restritivas de direitos.
  • As sanções restritivas de direito são: a suspensão da licença, registro, concessão, permissão ou autorização; a perda de incentivos fiscais; e a perda ou suspensão da participação em linhas de crédito.
  • A lei também coloca como prioridade do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) a aplicação de recursos na recuperação de áreas degradadas por desastres ambientais.
  • Em caso de infração ligada à execução de obras e serviços hidráulicos, derivação ou utilização de recursos hídricos, a empresa também fica sujeita a multas simples ou diárias, que podem ir de R$ 100 a R$ 50 milhões.

A PNSB determina ainda que os órgãos responsáveis por fiscalizar as barragens avisem a defesa civil caso constatem a necessidade de adoção de medidas emergenciais de segurança.

Outro ponto da Política é que o plano de segurança da barragem, elaborado pelas mineradoras, deverão conter um Plano de Ação Emergencial (PAE), além de identificar os riscos existentes, informar um mapa de inundação e abordar dados técnicos das estruturas, instalações e equipamentos de monitoramento da barragem. O plano completo de segurança da barragem deverá ser inserido no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) e ser disponibilizado em plataforma online no site da empresa responsável.

“A nova PNSB também explicita que as empresas controladoras de barragens ficam obrigadas, em casos de desastre, a reparar danos à vida humana, ao meio ambiente e aos patrimônios público e privado, até a completa descaracterização da estrutura”, conta o Senado em notícia publicada no seu site oficial.