Em um cenário de margens mais apertadas, qualquer falha técnica pesa mais no resultado. Dados da Confederação Nacional da Indústria mostram que, em novembro de 2025, a utilização da capacidade instalada ficou em 77,5%, sinalizando pouca folga operacional para absorver paradas, retrabalho e ineficiência.
Para empresas industriais e operações críticas, revisar a infraestrutura logo no começo do ano é uma decisão estratégica. Redes, conectividade, data centers e energia sustentam a produção, a segurança e a previsibilidade do negócio. “Em ambientes industriais e operações críticas, infraestrutura não é suporte, é base do negócio. Quando rede, energia ou sistemas falham, a produção para, o prejuízo aparece e a confiança do cliente é afetada”, afirma William Cavalcanti, fundador e CEO da RGL Solutions.
Para detalhar como fazer essa análise, a partir da experiência em projetos de alta criticidade, a RGL Solutions lista cinco pontos que os gestores devem revisar na infraestrutura digital neste início de ano.
1. Capacidade da rede e dos sistemas frente às metas
Crescimento em produção, unidades, turnos ou volume de dados exige estrutura compatível. Redes subdimensionadas, cabeamento inadequado e equipamentos defasados geram lentidão e interrupções. Revisar a capacidade técnica no início do ano permite alinhar estrutura e planejamento. “Muitas empresas querem crescer, mas mantêm a mesma estrutura técnica do ano anterior. Sem revisar capacidade e projeto, a tecnologia vira gargalo”, explica Raphael Cabral, diretor comercial da RGL Solutions.
2. Frequência de falhas e retrabalho técnico
Quedas recorrentes, lentidão e correções constantes indicam falhas no projeto da infraestrutura. Soluções improvisadas funcionam no curto prazo, mas aumentam custos e dependência de pessoas específicas. Com menos folga operacional, cada falha tem maior impacto financeiro.
3. Integração entre sistemas e áreas
Quando redes, automação e sistemas não se conversam, decisões são tomadas com informações incompletas e problemas demoram mais para ser identificados. Verificar a infraestrutura é também revisar como as áreas se conectam e compartilham dados.
4. Sobrecarga das equipes técnicas
Equipes que vivem apagando incêndio lidam com estruturas mal planejadas ou pouco documentadas. Isso aumenta o risco operacional e limita o crescimento, especialmente em contextos de times mais reduzidos.
5. Governança, contratos e custos
Sem controle sobre serviços, licenças e equipamentos, surgem gastos invisíveis. Contratos desatualizados e serviços duplicados são comuns em estruturas que cresceram sem planejamento. “Revisar a infraestrutura no começo do ano permite antecipar falhas, reduzir custos ocultos e transformar a tecnologia em aliada da estratégia”, reforça Cabral.
Mais do que trocar equipamentos ou fornecedores, a revisão envolve avaliar projeto, integração, operação e governança. “Começar o ano com essa análise feita é garantir previsibilidade para crescer com segurança”, finaliza Cavalcanti.