Stéphane Domeneghini, responsável técnica pela torre residencial de mais de 550 metros em construção em Balneário Camboriú, vai liderar o capítulo brasileiro da entidade que certifica os edifícios mais altos do mundo, apresentar o case do Senna Tower na abertura do VU Summit e presidir o júri mundial de inovação.
A engenheira Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls Solutions e responsável técnica pelo Senna Tower, torre residencial de mais de 550 metros em construção em Balneário Camboriú (SC), assumiu a presidência do Chapter Brasil do CVU (Council on Vertical Urbanism), organização internacional com sede em Chicago que há mais de cinco décadas define os padrões globais para edifícios altos.
A nomeação chega em um momento em que o país volta a discutir seu lugar no mundo. Por gerações, o Brasil se apresentou ao planeta pelo futebol. A engenharia brasileira escreve agora um novo capítulo dessa presença internacional, apoiado em conhecimento técnico, pesquisa e obras que figuram entre as mais complexas do mundo. A presidência do Chapter Brasil marca a passagem de país incógnito para país que ajuda a formular a agenda global das cidades.
O CVU, até outubro de 2025 conhecido como CTBUH (Council on Tall Buildings and Urban Habitat), é a entidade que certifica oficialmente o título de "edifício mais alto do mundo" e mantém a maior base de dados do setor, com mais de 40 mil edifícios catalogados. Fundado em 1969 nos Estados Unidos, o conselho reúne engenheiros, arquitetos, incorporadores e pesquisadores de todos os continentes, com escritórios em Chicago, Xangai, Toronto e Veneza.
A trajetória que levou Stéphane ao cargo foi construída em Santa Catarina. Ela lidera a equipe técnica responsável pelo projeto estrutural do Senna Tower, que colocará o Brasil entre os países com os edifícios residenciais mais altos do mundo. Atua há quase uma década no Instituto +BC, participando tecnicamente de iniciativas de desenvolvimento urbano de Balneário Camboriú. A Talls Solutions, empresa que dirige, é a única consultoria de engenharia da América Latina especializada em edifícios supertall.
"O futebol sempre foi a nossa forma mais visível de estar no mundo, e seguirá sendo motivo de orgulho. Mas o desenvolvimento de uma nação se constrói com engenharia, ciência e cidades bem planejadas. O Brasil desenvolveu uma capacidade técnica singular para enfrentar desafios urbanos complexos, e chegou o momento de deixarmos de ser apenas observadores das grandes referências internacionais para influenciar essa agenda com as soluções que construímos aqui", afirma Stéphane. Para ela, o debate vai além da altura. "Verticalizar nunca significou apenas construir mais alto. Significa pensar cidades mais inteligentes, humanas e preparadas para o futuro."
A nova gestão já tem agenda internacional definida. Stéphane participará da abertura do VU Summit do CVU, em Londres, e também apresentará em conferência principal o case da fundação inédita do Senna Tower para um fórum mundial de especialistas. Ela também presidirá o júri mundial de inovação da entidade. No Brasil, o primeiro evento do Chapter está previsto para 2027, e a gestão vai fortalecer a aproximação entre universidades, empresas, entidades técnicas e gestores públicos, ampliando o intercâmbio de pesquisas e boas práticas sobre urbanismo vertical.
Com projetos brasileiros cada vez mais presentes entre os maiores e mais complexos do mundo, a expectativa é que o país amplie sua participação nas decisões internacionais sobre inovação construtiva, sustentabilidade e desenvolvimento urbano, consolidando-se como polo de geração de conhecimento para as cidades do futuro.