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Pesquisador da Univali vai liderar expedição marinha internacional

Assessoria de Imprensa - 12 de agosto de 2026 114 Visualizações
Pesquisador da Univali vai liderar expedição marinha internacional

Imagens das profundezas do Oceano Atlântico serão transmitidas, ao vivo, pela internet

Durante 42 dias, um trio de pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estará a bordo do navio de pesquisa oceanográfica R/V Falkor (too). Eles foram selecionados para liderar a expedição internacional “The Gap”, que vai investigar as profundezas do Oceano Atlântico. O grupo partirá de Fortaleza, em 15 de setembro, e desembarcará em Tema (Gana), no dia 29 de outubro. A iniciativa é uma parceria com a organização filantrópica Schmidt Ocean Institute, que tem sede nos Estados Unidos.

O professor Angel Perez, da Escola Politécnica, atuará como cientista-chefe da expedição, formada por 25 cientistas de cinco países. Os oceanógrafos e técnicos de laboratório Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto, completam o time de pesquisadores da Univali na incursão. Na oportunidade, Gavazzoni também vai coletar dados para a sua tese de doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA), na Universidade.

O que será explorado

A expedição The Gap terá como foco a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales. Situada no oceano Atlântico, ao longo da linha do Equador, a área está localizada a meio caminho entre a costa nordeste do Brasil e oeste do continente africano.

O professor Angel explica que as profundezas desta região ainda não foram estudadas com apoio de tecnologias modernas. Sendo assim, a expedição ajudará a levantar evidências científicas concretas que ajudarão a ampliar, significativamente, o conhecimento que se tem sobre a área.

O objetivo é fazer um mapeamento em alta resolução, permitindo realizar estudo da coluna de água e a observação de fundo do oceano, seus habitats e suas biodiversidade. Para isso, os cientistas vão usar o SuBastian, um robô operado remotamente (ROV), capaz de mergulhar até 4,5 mil metros de profundidade.

O equipamento, considerado de alta performance, será responsável por coletar amostras submarinas que servirão de subsídio para estudos futuros. Todos os dados, informações, imagens e amostras, coletadas durante a expedição, serão disponibilizados ao público.

“Esta área que vamos investigar está sob a influência de uma zona de alta produtividade em superfície. Acredita-se que, essa característica, chegue ao fundo sustentando importantes comunidades que, por sua vez, possam demandar ações de conservação no alto-mar. Para isso, precisamos apresentar evidências científicas concretas.”, justifica Perez.

Transmissão ao vivo

Um dos pontos altos da expedição será a transmissão, em tempo real, dos mergulhos executados pelo (ROV) SuBastian. As atividades serão realizadas com narração em português e inglês e exibidas em alta definição. Estas incursões terão duração de cerca de oito horas e poderão ser acompanhadas, por qualquer pessoa, no canal oficial da Schmidt Ocean Institute no Youtube.

Oceano esconde surpresas

A Univali integra o Programa de Mar Profundo, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), tendo participado, desde 2009, de expedições desta natureza. As demais explorações ocorreram nos anos de 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025.

O professor Angel explica que estas expedições são um legado para a preservação do Oceano Atlântico, pois ajudam os cientistas a compreender o mar profundo, uma área equivalente a cerca de 70% da superfície de todo o planeta.

“Excluindo os continentes e a parte mais rasa do oceano, que fica submersa, todo o restante é considerado mar profundo. Ao somarmos toda a área percorrida por ROVs no fundo do oceano até hoje, isso equivaleria a cerca de 0,01% desta superfície. Ou seja, mais de 99,9% desse ambiente ainda não foi explorado. E o mais interessante é que esse 0,01% que já conhecemos revelou uma enorme quantidade de descobertas.”, observa.

Angel, que já participou de outras investigações ao fundo do oceano, acrescenta que a ciência constrói o seu conhecimento com base no que já foi observado e documentado não sendo raro, ao longo destas explorações, os cientistas se depararem com realidades completamente diferentes do imaginado.

“É por isso que não é exagero afirmar que o mar profundo é o lugar da Terra onde estão as maiores surpresas.", conclui.